sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sentimentos através do vidro - Capítulo 5 - Volume II - Hakushaku to Yousei Light Novel



Nota de abertura: Olá! Demorou, mas estamos de volta! E por que demora tanto, Juliana?”, você se deve perguntar. O tempo que leva para qualquer tradução é algo demoroso. Algumas expressões idiomáticas nos pegam de jeito. Sem contar que há detalhes como a forma de tratamento do século XIX (lord e lady), que preferi manter na original. Não adianta jogar no Google Tradutor e postar de qualquer jeito, não é mesmo? E Mizue Tani, com a sua escrita maravilhosa, merece muuuuuuito mais que isso.
Feita as considerações, vamos à história. ;) Enjoy!

Enrolada dentro da garrafa, Lydia gritou quando caiu. A garrafa bateu contra a parede, o que a fez parar, mas suas costas foram jogadas com muita força contra ela. 

― Ohh! O que você fez? Seu anãozinho! Careca! Nojento!

Ela revidou a fera que brincava com a garrafa, e mesmo que estivesse sendo ofendida, continuava com o riso solto.

Apesar disso, Lydia não sentia dor realmente. Apenas sua alma estava presa na garrafa, o que parecia que seu corpo estava encolhido, mas isso era apenas de acordo com a sua imaginação.

Ela acreditava que rolava dentro da garrafa e que bateu sua cabeça. Mesmo que estivesse ciente disso, ainda sentia que doía. A fera bogey encolheu o corpo até o mesmo tamanho de Lydia e fez uma pequena dança fora da garrafa.

[― Que estúpida fairy doctor! Por tentar me capturar que você está neste estado].

Ela estava ciente dessa possibilidade. Se você tentar capturar uma fada, fatalmente, estará entrando em seu mundo. Quando fez, a própria Lydia ficaria sob o controle das mesmas regras das fadas. Ela se colocou em perigo assim como a fera bogey de ser selada apenas com um fio de cabelo.

[― Agora, o que devo fazer com você? Devo jogá-la no rio?].

Ela não poderia se intimidar por suas palavras. Se isso acontecesse, acabaria flutuando para sempre sabe-se lá em que vasto oceano. Naquele momento, a fera bogey soltou um grito. Em frente à Lydia, ele foi esmagado por algo fino e coberto de pelos. Ela se aproximou da parede da garrafa e olhou para cima e viu um gato gigante de cabelos grisalhos pressionando a fera bogey com o pé e sorrindo de forma satisfatória.

― Nico!

― O que você está fazendo, Lydia? Foi enganada por esse tipo de magia?

Nico pisou na fera bogey por várias vezes e a atirou, jogando-a no ar até bater contra a parede para desaparecer como um sopro de poeira. Só perdeu a consciência, com certeza, iria acordar algum tempo depois, mas não teria tempo para ele voltar. Pelo menos, aquela criatura irritante desapareceu e Lydia finalmente conseguiu relaxar.

― Vim te salvar.

― Nico, aposto que você estava me observando pela janela sendo intimidada até agora.

Ela descobriu isso porque sua cauda abaixada. E, no entanto, por mais que ela esperasse, ele não veio fazer algo. Ela estava prestes a perder a paciência com ele. Nico penteou seus bigodes vagarosamente e arrumou a gravata. Estava procurando alguma desculpa.

― Para sua informação, estava buscando o melhor momento.

Logo, ele julgou que uma vez que a fera bogey se encolheu, seria capaz de expulsá-la.

― Ah, bem. Então, obrigada.

Ainda assim, Lydia ficou agradecida por encontrá-la.

― Como você me achou?

― O hobgoblin da casa Carlton estava à sua procura para agradecer os biscoitos. Uma vez que a fera bogey apareceu em sua casa, ficou preocupado e a seguiu.

― Entendi. Esses biscoitos de mamãe realmente agradam as fadas.

― Então, onde está seu corpo real?

― Foi levado para algum lugar, eu não sei.


Alguns minutos depois que Lydia foi presa na garrafa, vários homens abriram e entraram no armazém. Um deles era lord Graham, que aparentemente teria levado Dóris para lá.

Ele encontrou Dóris tentando despertar Lydia freneticamente, ele parecia surpreso e intrigado com a aparição repentina de uma garota que não deveria estar lá, mesmo depois de ter amarrado Dóris e a levou rendida.

Ele provavelmente colocou um pequeno barco na margem do rio, pois, podia-se ouvir o som das águas e o rangido do barco de madeira. Lydia observava na garrafa enquanto Graham olhava seu corpo sem vida.

{― É um cadáver?} – perguntou a um dos homens.

Que grosseiro!”, pensou Lydia.

{―Não. Parece que está desmaiada. Mas, esta não é a garota conhecida como fairy doctor do Conde Ashenbert?}.

{― O que é uma fairy doctor?}.

{― Não tenho certeza, mas acredito que é alguém psíquico ou adivinho. Aparentemente, esse pessoal tem um algum misterioso}.

Lydia lutou contra o desejo de dizer que ele estava errado, porém continuou a observar o que estavam fazendo.

{― Lembrei-me de algo, lord. Há alguns dias você não contratou aquele “domador de cães” para sequestrar uma fairy doctor?}.

O quê? ‘Domador de cães’? Então, o homem que apareceu no parque naquele dia nebuloso...

{― Sim, mas esse homem foi morto. Se espalhou a notícia que o conde tem um excelente guardião. Todos os bandidos que aceitaram os trabalhos de sequestro estão assustados até agora. Eu estou procurando um novo homem para o trabalho}.

{― Ela me parece uma garota comum. Pode ser vendida por um preço alto?}.

{― Se é um ser humano com poderes extraordinários, esse homem pagaria qualquer preço. E essa garota tem o título de contratada particular do conde. Pode ter certeza que ela tem qualquer tipo de poder. É a captura perfeita para obtermos uma grande soma de dinheiro}.

Parecia que eles a venderiam para alguém.

Oh, senhor!”, entrou em pânico. Não havia nada que Lydia pudesse fazer por enquanto, pois estava dentro da garrafa. Para enviar bens roubados ou contrabandeados envolve muitos riscos para aqueles homens.

{― Crianças pobres não vendem por um bom preço. Todos os seres humanos com poderes extraordinários que já vendi até agora não tinham essa habilidade incrível e ele não estava satisfeito. Portanto, quero recuperar seu apreço}.

{―Se essa garota for tudo isso, seria o mais conveniente}.

Dóris dizia algo como Rosalie tinha ciúmes dessa garota e a trancou. Então, eles disseram que iriam silenciar Rosalie, e assim ninguém saberia o paradeiro dessa garota.

Não! Pare! Não toque no meu corpo!”.

Mesmo que Lydia desejasse isso, só podia observar seu corpo ser levado.


―Agora entendo. – murmurou Nico, cruzou os braços enquanto ouvia o relato dela.

― Então, esse tal de Graham está tentando te vender. A quem Graham se referia quando disse “ele”?

― Como iria saber? – respondeu Lydia, mas como ela mesma disse, começou a sentir um mau pressentimento.

Há oito anos, Edgar foi levado para ser vendido. Portanto, em outras palavras, Graham estava ligado àquele que fez de Edgar um escravo. Provavelmente, Graham arranjava escravos, não fora só Edgar, para um certo alguém. E se Lydia fosse vendida para o Príncipe?

― O que vou fazer, Nico?

Shhhh!

Nico pegou a garrafa onde estava Lydia e a escondeu na escuridão, pois havia um ruído de alguém tentando abrir a porta da frente. Alguém entrou no armazém, juntamente com a névoa grossa que o penetrava. Passos ecoaram pelo armazém. A luz de uma lanterna estava sendo usada para examinar cuidadosamente e uma sombra veio da parte de trás do prédio.

― Parece que não há ninguém aqui.

― Nós chegamos atrasados.

Era a voz de Edgar. Ele estava com Raven. Ela se perguntou se vieram buscá-la. Mas, no estado que se encontrava, não poderia sair ao ar livre.

― Você acha que sir Graham chegou primeiro?

― Raven, há uma pista.

Raven foi buscá-la.

― Há as iniciais DW bordadas.

― Dóris Worpole? Este armazém aparentemente pertence a Graham, mas isso significa que lady Dóris estava trancada aqui também?

Só um minuto”, pensou Lydia. “Eles não se surpreenderam que Graham estivesse envolvido. Sabiam que Dóris estava sendo confinada pelo seu tio? Desde quando? E se eles soubessm, por que conseguiram me envolver, mesmo sabendo que era um problema que envolvia fadas?”.

― Então, você acredita que a senhorita Carlton também foi levada junto com a filha do barão?

― Existe essa possibilidade.

Edgar ficou em silêncio, devia estar pensando em alguma coisa, enquanto penteava seus cabelos louros com os dedos, que mesmo na escuridão se destacavam. Ele usava um sobretudo, inclinou-se seu corpo musculoso contra um pilar velho, sujo e fino e murmurou com gravemente perturbado.

― Se ela for entregue ao Príncipe, não poderemos fazer nada. Antes que o navio saia do porto, precisamos levá-la de volta às docas de Londres.

Príncipe? ‘Ele’, de quem Graham falou, estava realmente se referindo ao Príncipe? Se Edgar sabia sobre isso, então, significa...”. Agora Lydia sentia uma sensação ruim de verdade.

― Eu não deveria ter usado Lydia como isca.

Isca?”.

― Mas, lord Edgar, era inevitável nessa situação. Mesmo que Graham não soubesse que miss Carlton tem uma habilidade especial, se ela estivesse aqui junto com lady Dóris, mesmo assim, deveria ser levada também.

― Você tem razão. Mas, se eles soubessem sobre ela, logo significaria que a trancariam de forma segura para garantir que pudesse ser vendida ao Príncipe.

― Qual é o significado de ser uma isca?! Edgar, você está dizendo que planejava que fosse sequestrada por lord Graham? – gritou Lydia incapaz de parar.

― Lydia?

― Impossível! Não há espaço para uma pessoa se esconder...

Assim que Raven disse isso, Edgar olhou para um canto onde nenhum humano poderia se espremer, viu um gato de pelos grisalhos que segurava uma garrafa de vidro.

― Nico? Essa voz não pode ter saído de você.

― O que você quer fazer, Lydia? – sussurrou Nico e começou a sair do esconderijo.

― É inútil se esconder agora. Então, quero explicações. Além do mais, eles podem me ouvir.

― Pergunto-me se irão acreditar em você. – disse Nico de modo descompromissado, quando apareceu na frente de Edgar com suas pernas traseiras e segurando a garrafa sob a cabeça.

― Antes de tudo, Edgar, quero você me explique. O que significa ser isca?!

Ele olhou para a garrafa que era a fonte da voz de Lydia, franziu a testa enquanto piscava os olhos repetitivamente.

― Raven, você pode ver alguma coisa? – perguntou virando-se para ele.

― Sim.

― Por que você está surpreso por me ver?

― Tenho visto coisas extraordinárias ultimamente.

― Desculpe-me, mas não sou extraordinária.

― Se você me permitisse, lord Edgar, posso explicar o que está dentro da garrafa.

― Então, me diga. É apenas uma figura de Lydia diante dos meus olhos?

― Acredito que seja mais ou menos isso.

― O que você quer dizer com mais ou menos? Parem de fazer uma pequena comédia juntos!

― Lydia, como você conseguiu ficar neste estado?

Edgar pegou a garrafa, completamente espantado e estava prestes a retirar a rolha.

― Ah? Não! Pare! Se você retirar a rolha, vou morrer!

― Hã? Por quê?

― Porque meu corpo não está aqui. Lord Graham o levou. Se você liberar a minha alma, enquanto meu corpo não estiver por perto, minha alma não teria algo para retornar e iria desaparecer.

Ele tirou a mão da tampa.

― O que quer dizer que precisamos recuperar o seu corpo e devolver a alma que está na garrafa a ele.

Lydia assentiu.

Lord Edgar, se for esse caso, então, o melhor é entrar em ação imediatamente.

― Você tem razão. Raven, volte para o hotel e fique de olho em Graham. A notícia de que seus bens serão reivindicados alcançará seus ouvidos em breve. Quando ele encontrar Rosalie naquele quarto, tenha certeza que a jogará no mesmo navio que Dóris e Lydia. Se determinarmos qual navio ele usa para o tráfico de seres humanos será mais fácil.

― Sim, my lord.

― Rosalie? O que aconteceu a ela? Você fez algo a ela?

Mas, Edgar continuou a ignorar a voz de Lydia.

― E use todos os meios possíveis para pressionar todos os navios que ele possui e não os deixe sair do porto.

Na residência do conde, em cima de uma mesa com uma lâmpada acessa, Lydia sentou-se em um profundo silêncio.

― Você está louco?

Edgar estava sentado em uma bela cadeira de ébano, olhava para ela preocupado e envergonhado, mas Lydia permaneceu sentada de braços cruzados e olhou para o lado. Como não poderia estar com raiva depois que lhe contaram a verdade? Edgar estava usando Lydia desde o início para sua vingança contra o homem que o entregou ao Príncipe. Ele estava ciente de que Graham era a causa do desaparecimento de lady Dóris e a possibilidade de Lydia virar o próximo alvo, no entanto, ele conseguiu que Lydia teria a atenção intencional de Graham.

Ele disse que sabia que Graham tinha em mãos bens roubados para serem vendidos e tráfico de seres humanos, mas se ele negociava com Príncipe, antecipou que Graham almejava a habilidade especial de uma fairy doctor, o que poderia lhe proporcionar boa soma de dinheiro. Ter encontrado com Graham nos Jardins de Cremorne também foi parte de seu plano. E a afeição de Rosalie em relação a ele também seria útil, o que utilizou para sua vingança.

O motivo pelo qual Edgar chegou ao armazém, aparentemente, porque foi informado por Rosalie da localização de Lydia. Mas, não parecia que Rosalie falou sobre livre e espontânea vontade. Edgar deixava essa parte bastante vaga. Ela podia julgar pelos fragmentos de sua confissão que ele supôs que Graham venderia Rosalie, Lydia só imaginou que ele a abandonou em um lugar perigoso, mesmo assim era completamente insensível e cruel. Para agir de modo fofo e gentil com ela, para depois descobrir que a estava usando. O que ele pensa das pessoas? Definitivamente, ele era o pior tipo de pessoa.

Embora ele diga que não está mentindo ou escondendo algo, engana as pessoas. A razão pela qual engana os outros com sua doce conversa é que pode manipulá-los como bem entender.

Não era a primeira vez em que foi enganada, e isso fez com que Lydia sentisse miserável com gentileza e acreditar nele nem que fosse um pouquinho.

― Não tinha intenção de deixá-la em perigo. Tinha planejado que nenhum desses homens colocasse um dedo em você.

― Não quero ouvir desculpas.

Ela se voltou bruscamente, o que fez ficar quieto. Lydia sentiu-se faminta, o que a deixou mais deprimida, já que seu corpo que continuava a dormir, não tinha se alimentado.

― Está com frio?

Lydia percebeu que esfregava os ombros para se aquecer.

― Talvez... Deveria ter trazido pelo menos um xale.

― Quer ficar perto da lareira?

― Acredito que isso seja inútil.

― Sim, é verdade.

Ainda pensativo, Edgar apanhou a garrafa suavemente com ambas as mãos.

― Pergunto-me se todas as almas humanas são miniaturas de si mesmas.

― Quem sabe? Mas, essa aparência é o que imagino de mim mesma. Gostaria de ser mais atraente.

― Você é linda do jeito que é, Lydia.

― Mesmo que você me tente persuadir, ainda estou com raiva de você... Ei, o que está fazendo?

Ele envolveu os braços como se desse um abraço na garrafa onde estava Lydia.

― Pensei que você ficaria aquecida assim.

― Não disse que não faz sentido? Meu corpo provavelmente está deitado em algum lugar frio e escuro...

Quando ela disse isso, percebeu que Esgar passou por esse tipo de experiência assustadora. Pelo menos, ela não experimentou solidão, nem medo ou desespero, mas ainda era terrível imaginar que ela continuava presa em algum armazém escuro ou lugar desconhecido. Mesmo no curto espaço de tempo em que foi trancada por Rosalie, estava desesperada tentando se acalmar, no entanto, estava extremamente assustada de querer gritar em voz alta.

― Apenas mais um pouco. Irei salvá-la, não importa como.

Ela não conseguiu olhar para expressão dele, mas sua voz parecia séria. Sua voz soava como tivesse segurando as emoções e suas palavras se assemelhavam a juras, algo como um juramento de vingança.

Observou seus dedos delgados acariciar o vidro e isso deu à Lydia a impressão de estar sendo acariciada diretamente. Ela se sentia ressentida com Edgar, mas estava imaginando a si mesma relaxar com sua cabeça sendo acariciada como uma criança.

Tinha certeza de que ele estava fazendo o seu melhor para resgatá-la. Ele era um homem implacável contra os inimigos e usava os outros com sua conversa brilhantemente inteligente. Mas, era um homem protegia seus aliados, mesmo que custasse a si mesmo. No entanto, Lydia estava em uma posição bastante indefinida. Ela não era tão ligada o suficiente para não ser usada, entretanto, era uma aliada importante para ser protegida. Mesmo assim, adivinhou que não poderia ajudar. Os companheiros que ele considerou com sua família foram os mesmos que passaram provações de sofrimento que ele e experimentaram o mesmo mundo onde não havia justiça ou beleza. E agora, só restava Raven.

Quando olhou para trás, se lembrou de como doía saber que era usada como isca, mas também estava chorosa por saber do estado espírito de Edgar.

― Então, a sua vingança era planejada para lord Graham?

Ele respondeu:

― Vamos ver, eu não sei. – se esquivou de sua pergunta, muito provavelmente, porque ele pensava em algo um pouco além de sua imaginação.

― A vingança é a única saída? Você acredita que a única coisa que poderia fazer para seus amigos que morreram?

― O que mais posso fazer?

― Você me pediu para ajudar a salvar o menino que foi levado e desapareceu na neblina.

― Isso é verdade... Eu estava muito sentimental. Mesmo uma fairy doctor não seria capaz de salvar os mortos, certo?





― Sim. Mas, você está vivo. Essa história não era apenas de um garoto, era? Ouvi de Raven que havia outros meninos que passaram pela mesma coisa. Você também estava falando de si mesmo.

― Bem, não tenho certeza.

Ela podia sentir em sua resposta descompromissada, uma pitada de irritação. Era como ele odiasse a si mesmo por ser o único a sobreviver.

― Não é você que realmente precisa ser salvo?

Ele não respondeu.

― Você ainda está preso no nevoeiro. É por isso que você não consegue aceitar o fato de que seus amigos foram sacrificados... No entanto, mesmo se você se vingar contra lord Graham, não acredito que alivie sua dor.

Lydia sentiu na respiração de Edgar um pequeno suspiro. Embora, ela não soubesse que tipo de significado tivesse por trás daquilo.

― Não é tão ruim ter você tão pequena. Sempre posso mantê-la perto de mim.

― O quê? Não quero ficar assim! Estou com fome, frio e o que devo fazer se ficar doente?!
Ela não podia de dizer se Edgar a manteria como fosse um animal de estimação. Então, Lydia negou firmemente a ideia.

― Estou brincando. Particularmente, prefiro abraçar seu corpo aquecido e real em vez de uma garrafa de vidro fria. Quero tocá-la para que possa sentir seu calor. Mas, se eu fizesse isso, em seu corpo real, você ficaria boquiaberta e fugiria.

Não tenha dúvida”.

Mesmo assim, Lydia sentiu-se um pouco melhor estando em sua versão menor dentro de uma garrafa de vidro. Pois ela não seria capaz de ficar ao lado de Edgar depois de descobrir que foi usada como isca. Se tivesse a oportunidade de tocar o seu desespero ou lamentar o que ele carregava.

Lydia tinha a sensação de que Edgar poderia estar derramando lágrimas enquanto ele segurava a garrafa de vidro.  Ele estava sofrendo silenciosamente em seu coração de como poderia se vingar de seus companheiros mortos. Ela pensava nele como arrogante e altamente confiante, o tipo de preferia morrer do que mostrar seu lado fraco. Mesmo que ele parecesse triste ou deprimido, ele era o tipo de pessoa que calculava até esse sentimento e envolvia Lydia nisso.

Mesmo agora, ela não sabia o que realmente ele estava pensando. No entanto, sentiu-se feliz por estar perto para trocar algumas palavras com ele, que estava prestes a chorar. Talvez o que Raven lhe dissera estava preso em sua mente. Que Edgar era uma pessoa que não se apoiava em ninguém e sempre estava sozinho. Pelo fato de Lydia não ter laços, provavelmente, era capaz de espreitar os gemidos e dores de Edgar, que lutava veemente para reprimi-los. No entanto, o que Raven queria realmente dizer era para não odiar essa parte fraca dele. Ela deve ter um coração generoso de verdade para não detestá-lo, mesmo quando estava em uma situação perigosa. Porém, Edgar precisava dela, apesar de Lydia ter cometido um erro bobo como fairy doctor sendo engarrafada por fera bogey. Mas, Edgar ainda precisava dela e se houvesse algum meio de ser salvo, ela estava sinceramente feliz. Através do vidro, ela apertou seu rosto contra a sua camisa. Era algo que ela nunca poderia fazer em seu corpo real. Surpreendentemente, sentiu como o seu calor chegasse até a ela.

Quem poderia saber que você ficaria com sono mesmo como apenas uma alma. Quando acordou, Lydia estava dentro da garrafa enquanto o Sol da manhã brilhava. Por algum motivo estranho, a garrafa, onde Lydia se encontrava, estava envolta por almofadas e lençóis. Ele devia saber que era inútil, mesmo assim, procurou encarar o problema como algo comum.

Lydia achou que era absurdo e, ainda assim, desanimador, pelo fato que estava deitada do lado no fundo da garrafa. Quando estava prestes a acordar, então, percebeu que algo estava errado. Seu corpo estava pesado como uma pedra e não conseguia se mover. Claro que não era seu corpo real, mas parecia que era feito de chumbo e quase não conseguiu levantar a parte superior. Lydia se apoiou contra o vidro e lutou contra a dor que a sua cabeça sofreu com uma batida, que parecia ter chegado ao cérebro.

Estava cheia de medo de desaparecer inesperadamente. Uma vez que era uma condição muito delicada para um ser humano permanecer apenas como uma alma, havia algo acontecendo a si mesma. Ela olhou em volta para procurar a sala, mas não havia ninguém no campo de visão de Lydia.

― Edgar, onde você está?

― Ei, e agora? O que aconteceu? Você está muito confiante nele.

Um gato de pelos grisalhos apareceu na frente dela.

― Nico.

Ontem à noite, Nico voltou para sua casa para explicar a seu pai e despistar com a desculpa que Lydia foi forçada a ir a uma festa de um conhecido, ficou bêbada e pediu para que ela ficasse na residência. Ela não queria que seu pai se preocupasse e, definitivamente, não queria mostrar-se nesse estado.

― Mesmo que ele fosse um grande conde. Há ainda a possibilidade de enganar você mesmo que não tenha um corpo.

― Pare de falar bobagens! Eu apenas me senti um pouco doente e não sabia o que fazer.

― Doente? Lydia, esse é um grande problema.

Nico cruzou os braços de modo sério.

― O que você quer dizer com problema?

Quem tinha entrado no quarto era Edgar. Ele notou que Lydia estava encolhida no fundo da garrafa e a olhou preocupado.

― Qual é o problema, Lydia?

Nico respondeu por ela, pois não tinha ideia do que era.

― Os seres humanos não podem viver apenas como almas. Se eles são separados dos seus corpos por um longo tempo, embora que sejam selados por magia de uma fada, lentamente, perdem a energia de suas vidas.

― O quê? Então, precisamos nos apressar.

Talvez por estar em um estado frenético, Edgar não se deu conta de que estava conversando com Nico.

― Então, você descobriu que o cara de Graham estava mantendo Lydia em um cativeiro?

― Não. Mas, como o corpo de Lydia foi visto sendo carregado, tenho ideia aproximada de qual navio. O único problema é que, uma vez que o negócio de transporte é parcialmente financiado pela família Worpole, não consegui pará-lo e...

Ahhhh! Desculpe, mas não temos tempo para discutir a mecânica dos assuntos humanos! Apenas, me diga em poucas palavras.

― Em outras palavras, será difícil para o navio à força ou inspecionar dentro.

― Hã? Você não é um ex-criminoso? Basta usar armas sangrentas, atacá-lo e sequestrá-la.

― Parece que você tem uma má concepção de mim, mas não utilizo tais métodos.

― Não há propriedade em ser um ladrão!

Hum... Se explicarmos à polícia sobre os crimes de lord Graham...

Lydia fez uma proposta, no entanto, segundo Edgar, isso levaria tempo. Ela não sabia quanto tempo poderia aguentar, mesmo assim, tinha a sensação que não conseguiria passar mais um dia. Se fosse alguém respeitável como lord Graham, que tinha alta posição social, então, deveriam coletar provas confiáveis e até mesmo a polícia não entraria em ação imediatamente.

― Então, senhor conde, pense em algum plano que não levará tempo.

Em tempo, Edgar pensava em algo em um curto espaço de tempo.

― Certamente, vou usar o último recurso.

― Se você tivesse esse tipo de ideia, deveria ter guardado.

― No entanto, vou pensar em como adequá-lo.

Ele chamou o mordomo e anunciou a sua partida. Escreveu algo em um memorando e entregou-o ao seu servo.

― E, Tompkins, envie um recado a Raven, para ir neste lugar.

Lydia testemunhou Edgar escondendo uma pistola no interior de seu blazer, o que a fez respirar de modo extenuado. A respiração profunda que ela deu era de sufocação e a decisão de Edgar surgiu a partir daí. Ela se perguntou se sempre ele teve que assumir responsabilidades e tomar decisões desse tipo. Pode ter tomado a decisão escolher a vida ou a morte de alguém sozinho e teve que fazer as coisas saírem da melhor forma possível.

― Lydia, espere. Definitivamente, vou salvar você.

O lado de seu rosto que apareceu através da garrafa de vidro parecia um cavaleiro indo para o campo de batalha e viu a luz do fogo que brilhava nos olhos malva-acinzentados.
Não havia nenhuma garantia que ele pudesse terminar com o melhor resultado. Na realidade, ele perdeu muitos dos seus companheiros. Deve ter sido tantas vezes que terminou como ele disse. No entanto, a parte de sua determinação de assumir a liderança foi o que fez dizer isso. Ele tinha a determinação e a vontade de dizer com confiança uma promessa que poderia ser uma mentira.

Olhos com belas cores e uma pessoa bonita. Era a atratividade diferente que capturava os corações das damas e uma gentileza superficial ou uma sedução; ela pensou que por um instante pode ver a força das profundezas de seu coração. Um nobre em seu interior. Um criminoso implacável. Um mulherengo frívolo. Um líder carismático.

Quem é você, realmente? Qual é o verdadeiro Edgar? Eu não sei nada sobre você. Por que você está tão desesperado por alguém como eu?”, pensou Lydia.

― Queria perguntar... Existe alguma chance para isso ter sucesso? – perguntou Lydia enquanto lutava contra a asfixia na carruagem.

― É claro! – respondeu Edgar imediatamente.

― Você está mentindo...

― Você não precisa se preocupar, deixe tudo para mim.

Isso também é uma mentira. Você não tem certeza e, no entanto, não diz nada que faria com que os seguem nervosos”.

― Mesmo que você diga isso, ainda há momentos em que falhara, certo?

― Lydia, você está perdendo a coragem.

― Eu... não confio em você suficientemente para deixar tudo em suas mãos. Mesmo que eu saia viva, não vou te agradecer... Porque é sua culpa eu estar desta maneira.

― Pensa que um criminoso como eu deixaria você depois de dizer isso para mim?

― Eu não sei. Não sei nada sobre você... Porque não sou parte de sua equipe, você não pensa em abandonar os homens quando algo fica pior. É bom que você me abandone. O que não quero mais... Não estou disposta a aceitar que após você falhar sinta arrependimento e sofra por causa disso. Não quero me tornar uma das suas cicatrizes. Recuso-me a ser esse tipo de bagagem.

Por um breve momento, Edgar inclinou a cabeça para o lado, mas depois explodiu em uma gargalhada como fosse deliciosamente divertido.

― Obrigado, Lydia. Sinto-me um pouco mais calmo agora.

― ... Não! Você está errado. O que quis dizer realmente é... odeio você.

Isso foi uma mentira. Não quero que você carregue tudo sozinho”.

Parecia que Edgar entendeu o que ela realmente queria falar, sem fazer exatamente isso.

― Mas, você sabe. Não posso deixá-la ir. Você não sente que juntos temos a sorte das fadas ao nosso lado?

Como vou saber? Apenas passo por muitas coisas azaradas por sua causa”. No entanto, talvez tenha tido sorte de alguém entender o valor de uma fairy doctor.

― Então, Lydia, não desista de ter esperança em mim. Não desista e vamos lutar juntos.

Que homem estranho. Ele não tem ideia de quanto estou desapontada com seus caminhos”.

Mesmo que Lydia sentisse raiva por ter sido usada como isca, não sentiu dor ou raiva por causa disso.

Finalmente, a carruagem se aproximou do caminho onde o escritório de lord Graham ficava. Edgar pulou da carruagem a apenas alguns edifícios e esperou que Raven chegasse. Lydia observou enquanto os dois discutiam algo e depois que ele voltou, pegou a garrafa onde ela estava e saiu da carruagem. Nico os seguiu. Ele entrou no escritório e antes de Edgar, que pediu para ver o responsável. Um homem que afirmou ser o presidente apareceu.

― Você está fora de questão. Traga-me lord Graham.

― Perdoe-me, mas eu sou o responsável aqui. Se tiver algum negócio, ficaria feliz em atendê-lo.

― Você está se crescendo por me achar um amador?

Edgar encarou o senhor de meia-idade, que aparentava cuidar de um cara problemático, com olhar condescendente que o intimidava completamente.

― Oh, não! Longe disso. É que apenas o dono quase nunca vem a este lugar. Desculpe-me, senhor, mas...

― Diga a ele que o Conde Ashenbert está aqui.

― Perdoe-me, my lord.

― Se ele não vier rapidamente, com certeza, irá se arrepender.

― ... E o que você quer dizer com isso?

― Estou dizendo que estou ciente de quais pacotes ele está entregando.

O homem escoltou Edgar para uma sala diferente em um completo estado de pânico. Ao ver como lord Graham havia chegado em pouco tempo, era fácil adivinhar que era uma mentira não estar ali. Os títulos dos bancos e casino com os quais Graham tinha dívidas foram todos comprados por Edgar. Por causa de Edgar que imediatamente coletou as informações de que os pagamentos não foram feitos, Graham estava tentando recuperar suas fortunas. Mas, pelo fato de Edgar ter muitos aliados, Graham não conseguiu determinar de imediato quem estava tentando encurralá-lo e com que propósito.

Ainda assim, Graham tinha certeza que poderia lutar para pará-lo, mesmo que não estivesse encoberto, e Edgar deve ter previsto que ele usaria esta companhia como seu esconderijo, e fez uma visita sabendo que estaria ali.

― Ora, se não é my lord. Foi-me dito que queria me ver. Em que posso ajudá-lo?
Graham entrou na sala como uma aparência como a situação não fosse nada demais, mas podia se confirma que estava exausto.

― Na verdade, há muito que queria lhe dizer, mas como estou com muita pressa, corro o risco de ser grosseiro, mesmo assim, vou ser direto: onde está a minha fairy doctor?

Foi uma abordagem bastante direta. Lydia observava, enquanto se preocupava se tudo ficaria bem, com cuidado a conversa, no entanto, crescia seu desinteresse. Mal era capaz de compreender a situação e não tinha forças para dar opinião, de qualquer modo, deixava tudo para Edgar.

― Não sei do que está falando. Minha sobrinha tomou a liberdade de fazer algo para desagradá-la ou foi acusada de enviar “certas coisas”?

― Estou aqui para falar de negócios. Você não está interessado?

Edgar tinha os braços cruzados em uma atitude superiormente arrogante. A razão pela qual Graham não o convidou para sentar foi, obviamente, porque queria acabar logo com aquilo e chutar seu visitante para fora da porta. Edgar continuou independentemente.

― Estou dizendo que vim comprar com você.

― E o que seria?

― Claro, minha fairy doctor.

― Como já mencionei, não sei do que está falando. Em primeiro lugar, my lord, como se trata de uma jovem contratada como sua fairy doctor, seria uma absurdo falar em comprá-la e vendê-la. Se vendesse algo assim, seria um crime.

― Como já disse antes, estou com pressa. Esta é a razão mais importante pela qual estou negociando com você. Nessas circunstâncias, não me interessa que seja um absurdo ou crime. Mesmo que alguém tivesse roubado a minha joia, e tirasse proveito disso, vendendo-a, pretendo pagar o preço adequado para recuperá-la.

― O que você diz é bastante interessante. No entanto, infelizmente, não tenho a mínima ideia qual joia pode ser...

Provavelmente, Graham precisava colocar as mãos em uma grande quantia de dinheiro o mais rápido possível. Embora, estivesse cauteloso, não parecia que afastaria de alguma oferta feita por Edgar. Mesmo assim, ele continuou a responder de forma vaga.

― Então, significa que você está com a minha joia. No entanto, lord Graham, você deve ter muitas conexões nos negócios com joias. Apreciaria muitíssimo se você me apresentasse a qualquer um...

Hmmm. Bem, vamos ver...

Mesmo se escondesse algo, começou a mostrar sinais que estava pensando seriamente.

― Periodicamente, há casos em que se organiza coisas raras de grande valor para familiarizados. Mas, não é uma tarefa fácil. Há momentos em que  é necessário atravessar uma ponte perigosa e, mesmo que você tenha a sorte de encontrar o que está procurando, você terá que atravessar um caminho ilegal. – avisou Graham.

― Entendo. – respondeu Edgar de modo despreocupado e pressionou Graham a continuar.

― Em primeiro lugar, uma vez que você negociar com aqueles que violam lei, uma das condições será mantê-la estritamente confidencial.

Uh-huh, certo, logo, você está infringindo a lei”.

― Claro que entendo. Eles são obrigados a estar em uma relação escusa com os que estão no poder. E, mesmo que você apresentasse uma prova contra eles, estou ciente do fato de que não haveria nada de bom para sair disso. Portanto, venho negociar com você. – informou Edgar.

― Então, apenas uma coisa. Perdoe-me por perguntar, my lord, mas você se importa em cobrir as despesas?

Ele era o sequestrador e, no entanto, tinha a coragem de pedir uma grande soma de dinheiro. Lydia estava tão furiosa que quase se esqueceu de estar doente, mas, infelizmente, não tinha energia para protestar.

― Qual é o seu pedido? – indagou Edgar.

O preço que Graham pediu era razoavelmente alto. Pelo menos, Lydia não podia imaginar o que uma pessoa poderia comprar para usar tanto dinheiro.

― Eu pagaria assim que você me levar para onde Lydia está sendo mantida.

Eh? Edgar... Não posso acreditar que esteja disposto a pagar esse preço pela minha pessoa. Levaria uma vida inteira para pagar este dinheiro”.

― Isso será difícil. Peço que você espere aqui.

― Não tenho tempo. Se por acaso eu esperar aqui, e você voltar tarde, não pagarei uma centavo.

― Muito tarde?

― Lydia tem uma doença. Ela deve estar dormindo, incapaz de acordar, portanto, se a deixarmos nesse estado, será muito tarde.

― ... Entendo, então, é por isso que está com pressa. Seria um problema. E se escoltá-lo e for tarde demais?

Mesmo com o pânico de Lydia, a negociação continuou estranhamente de modo calmo.

― Nesse caso, não seria culpa sua. Mesmo assim, vou pagar.

A razão pelo qual Edgar disse isso era porque precisava retornar a alma de Lydia para o seu corpo o mais rápido possível. No entanto, para acompanhar Edgar para o local onde escondeu a garota que raptou seria baixar sua autodefesa e ele não queria que isso acontecesse. Mesmo assim, para finalizar o negociar, deveria fazê-lo.

De qualquer modo, Graham pesava o fato que precisava desesperadamente de uma grande quantidade de dinheiro. Entre o risco e a obtenção da sua necessidade, ele escolheu o dinheiro. Lydia ouviu o som da caneta que Edgar usou quando assinou o contrato. Nesse momento, cresceu sua vontade de chorar.

Por que ele faria tudo isso por mim? Não entendo”. Mesmo que ela tivesse desaparecido, ele poderia buscar em toda Inglaterra, encontraria alguns fairy doctors. Usar seu dinheiro para isso seria mais econômico e não teria dor de cabeça. E era questionável se realmente havia necessidade de uma fairy doctor para um conde.

My lord, você será o único escoltado. Gostaria de pedir que seu criado esperasse aqui.

Ah, não! Não podemos levar Raven”. Quando mais Lydia pensava mais acreditava que Edgar estava entrando em um negócio perigoso e isso a fez entrar em pânico. Para Edgar ir sozinho no lugar onde o corpo de Lydia estava confinado, Graham planejava algo com Edgar e poderia ser uma tarefa fácil.

― Bem, não tenho tempo a perder...

No entanto, Edgar mantinha Lydia na garrafa com tanta gentileza, seguiu o que Graham dizia.

― Por favor, deixe sua arma aqui também.

Edgar obedientemente tirou a pistola dentro do casaco e a colocou sobre a mesa.

― Por sinal, o que seria essa garrafa?

― É apenas uma garrafa vazia.

Edgar replicou com um pequeno sorriso. Graham, aparentemente, não conseguiu ver Lydia e mostrou uma expressão intrigada, mas ele percebeu que não havia necessidade de pressioná-lo ainda mais.

Edgar era um homem estranho. Ele não conseguia ver fadas, tinha visão muito realista e pragmática do mundo, aceitou o espírito que habitava Raven e não teve dúvidas sobre Lydia e sua habilidade.

Ele não acreditou que Nico poderia falar, e ainda assim, entendeu o que Nico disse. Mesmo para Lydia, ele faria coisas desconsideradas, como não se preocupasse, às vezes, mais do que qualquer pessoa, ele a entendia. Assim como Lydia estava determinada a não morrer assim, ele também tentava freneticamente evitar sua morte. Por enquanto, era um cavalheiro gentil com as ladys. Sua bondade poderia ser um ato extra. Entretanto, para ela que foi usada como isca, era um equivoco ser tratada com tanto cuidado como fosse uma princesa.

Mesmo que fosse apenas imaginação, Lydia lutou desesperadamente para ficar acordada pelo objetivo de Edgar, porque sentiu que, se perdesse a consciência, sua alma desaparecia. Se isso acontecesse, tinha a tímida opinião que Edgar carregaria outra cicatriz.

Visto por Raven, Edgar entrou na carruagem com Graham, Lydia sentiu a presença de Nico, que os acompanhava com corpo invisível e ouviu:

― Aguarde mais um pouco. – disse Edgar em um sussurro encorajando-a.

Nota da tradutora: Acho que este capítulo é uma verdadeira montanha-russa. Ele começa com a Lydia presa na garrafa, a verdadeira face de lord Graham, e Edgar desesperado procurando um jeito de trazê-la para o seu verdadeiro corpo. A parte em que acontece a conversa entre Edgar e Lydia presa na garrafa é uma das mais fofas do livro. E a terceira parte, vem com toda sua eletricidade.
Bom, o 6º capítulo é de tirar o folego e chega aqui por volta dos meados de março. E desde já, vou avisar que logo em breve vou postar uma nova fanfic de HtY com crossover de dois animes/ mangás famosos. Quando estiver perto da estreia aviso vocês por aqui.

Então, a gente se vê em março! Beijos e até lá! Dê suporte e divulgue!