quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Conde Cavaleiro Azul e a Ilha dos Merrows - Capítulo 5 - Volume I - Hakushaku to Yousei - Light Novel

Nota de abertura: Com um pouco de atraso, chegamos ao 5º capítulo do livro I do light novel de Hakushaku to Yousei!!

Mannor Island era uma ilha que tinha proeminentes penhascos ao longo das margens do oceano. As aves marinhas voavam acima da silhueta verde-clara da ilha, o que fez parecê-la mágica, assim como o mundo das fadas, Ibrazel (Ilha da Felicidade) do Conde Cavaleiro Azul, mas por causa das ondas turbulentas que a rodeavam, Lydia ficou completamente enjoada.

O único navio que navegava para Mannor Island era um pequeno barco de pescador, que balançava tremendamente. As ondas em torno da ilha eram muito violentas na maior parte do ano. E eles foram informados que era perigoso atravessar as águas, a menos que fosse um marinheiro experiente. Finalmente, chegaram à ilha isolada, que só pescadores navegavam e por recomendação de capitão, se dirigiram para única pousada da ilha.

― Este é um remédio de decocção, vai aliviar seu enjoo do mar. – disse Tompkins, um homem que acabara de chegar à meia-idade, dono da pousada e que os acolheu calorosamente.

― Obrigada. – agradeceu Lydia, meio inclinada contra o encosto de um sofá, enquanto aceitava o cálice do remédio.

― Estou surpreso ao ver que só esta jovem está enjoada. É raro alguém que esteja  primeira vez na ilha com uma saúde para este tipo de viagem. – disse o dono da pousada com um sorriso para Edgar e seu grupo.

Lydia também se perguntou o porquê dos três estarem bem. Ela podia entender que Nico estava são por ser um gato-fada, mas Edgar, Raven e Ermine mostravam-se calmos e compostos quando atravessaram as ondas que quase fizeram que o navio rodasse.

― Bem, isso se deve porque eles passaram por experiências mais próximas da morte que nem se comparam a um passeio de barco. – sussurrou Nico, enquanto se sentava ao lado de Lydia.

― Nico, isso não é engraçado.

― Oh, você já está melhor.

Ela conseguiu engolir o remédio azedo com certo esforço.

― A propósito, senhor estalajadeiro, não há um castelo nesta ilha? – indagou Edgar.

― Sim. Se o senhor acha que esta pousada não é adequada, gostaria de se mudar para lá?

Edgar o olhou cautelosamente. Se ele afirmou que havia um castelo, só poderia do Conde Cavaleiro Azul. E é claro que seu objetivo era procurar pelo castelo, no entanto, Edgar desconfiou do estalajadeiro que de repente lhes permitiu que o usasse.

― Alguém pode utilizá-lo livremente?

― Claro que não. Ele pertence ao mestre do castelo desta ilha. No entanto, se o senhor chegou a uma ilha tão remota como esta, deve significar que é descendente da família do Conde, estou certo?

Dito isso, todos permaneceram em silêncio, mas Edgar lhe presenteou com um sorriso.

― Entendo. O senhor deve ter recebido intermináveis visitantes impostores alegando ser o Conde Cavaleiro Azul. Não me admira que o senhor esteja acostumado a esse tipo de hospitalidade.

― A propósito, minha família serviu por gerações o Conde como chefe de serviçais. Então, se o senhor provar ser o nosso verdadeiro lord, então, estarei à sua disposição como servo de agora em diante. Prazer em conhecê-lo. – disse o chefe da hospedaria.

Então, ele tomou uma chave do bolso do casaco.

― Aqui está a chave para entrar no castelo. Por favor, sinta-se à vontade para usá-lo. Temos um número interminável de pessoas que quebraram portas e janelas, na tentativa de achar o lendário tesouro. E assim, a administração do local fugiu do controle. Comecei a entregar isso para aqueles que pretendem ser o nosso senhor. Desculpe a grosseria, mas gostaria de avisá-lo que o número e o tipo de todos os móveis e objetos dentro desta casa estão contabilizados, por isso, nem tente levá-los com  você. É bom ressaltar também que mesmo que queiram, será impossível levá-los desta ilha.

― É um ótimo trabalho. Se fosse meu mordomo, estaria em boas mãos. – disse Edgar de modo insolente.

― Além disso, se pretende sair desta ilha, por favor, não hesite em me avisar. Ficarei feliz em lhe fornecer um navio.

― E é assim que senhor faz para que alguns desistam?

― Infelizmente. Tanto que sei, que os encontrei nas encostas sem vida em três dias. Para que isso não aconteça, senhor, vou esperar que esta não seja nossa última reunião.

Hummm. Então, isso significa que todas as pessoas que foram ao castelo acabaram sendo mortas? – indagou Lydia.

― Sim, isso mesmo, minha jovem. Provavelmente, eles foram arrastados para o mar pelos merrows.

Lydia lembrou-se de que o senhorio disse ontem que quem ouve os cantos dos merrows no castelo, seus corpos são encontrados nas margens no dia seguinte.

― Você já viu um merrow? – ela questionou.

― Não conheço nenhum que seja de sangue puro. Mas, todos os habitantes da ilha compartilham seu sangue. É por isso que esta ilha, desde os tempos imemoriais, não poderia ser tratada pelo proprietário na época. Ela foi cedida ao Conde Cavaleiro Azul. Contam que os residentes da ilha, juntamente com os merrows, felizmente acolheram o novo mestre.

― Todo mundo tem sangue de merrow? Isso significa que, estalajadeiro, você tem pés palmados e escamas?

― Não. Apenas uma barbatana nas minhas costas.

― Impressionante. Ora, ora, este é o mordomo do Conde Cavaleiro Azul.
Lydia se perguntou se Edgar acreditava que o homem estava brincando. Ele só parecia estar brincando.

― Não é de admirar que ele tenha cheiro de peixe. – sussurrou Nico, calmamente.

*****

O Jack verde virá do berço Spankie.
A dança dos duendes em uma noite enluarada.
Vá além da cruz dos Silkies.
Tenha cuidado no labirinto de Pookah.
Siga as marcas dos pés do Wyverm.
Vire à direita no Fear Dearg.
Procure o tesouro do Leprechaun.
Localize a cama de dormir de Clurichaun.
Siga a Banshee.
Troque uma estrela pela estrela do merrow.
Caso contrário, os merrows cantarão seu cântico de lamento.

O castelo se sustentava no alto de um penhasco da ilha. O castelo azul apresentava uma arquitetura gótica com um campanário. E se olharmos para baixo, sobre a ilha de um verde pálido, fazia-o casar perfeitamente com a paisagem. Era um belo edifício, uma perfeita casa senhorial em uma cidade ideal.

Lydia tinha finalmente recuperado do enjoo e chegou ao castelo com os outros.

― Então, esta é a ilha dos merrows. Lydia estava certa ao decidir o local. Não havia dúvida de que a espada estava no castelo.

Edgar olhou para Lydia com um sorriso satisfeito. No entanto, para ela, a verdadeira dificuldade começa aqui.

― Sim, esta é a ilha “ Green Jack”. É um espírito verde coberto de folhas de árvores. Olhando para ilha do navio, você pode reparar, ela parece um homem agachado cheio de folhas.

― Entendo. Então, isso cobre a primeira parte do enigma da moeda. E o seguinte, o que é um Spankie?

― Isso significa algo como espírito tênue.

― Então, precisamos procurar um cemitério?

― Não. Acho que Spankie representa os espíritos de crianças que morreram antes de seu batismo.

― Então, eles não estariam em um cemitério, mas enterrados em outro lugar. – disse Ermine enquanto caminhava até um portão aberto.

A estrada continuava do portão, e até mesmo o jardim que se espalhava do outro lado, era linda. Era inimaginável que o castelo estivesse vazio há trezentos anos. Os povos desta ilha devem ter tomado conta dele, pois acreditavam que seu mestre retornaria.

― Mas, este castelo é uma casa de campo. Mesmo que houvesse uma sepultura de criança, de quem seria?

― Não sei, no entanto, essas sepulturas, provavelmente, poderiam ter existido antes da construção do castelo.

― Ou poderia ser apenas uma pedra memorial.

Edgar e Ermine caminhavam lado a lado. Ermine estava vestida com roupas masculinas, contudo, mesmo com sua roupa simples e cabelo cortado nos ombros não ocultava sua radiante beleza.

Olhando para os dois, caminhando tão perto a ponto dos ombros se tocarem, Lydia se lembrou  que os viu ontem à noite. E isso fez com que fosse a única a ficar corada. Ela se perguntou o que aconteceu entre eles depois disso. Eles ficaram juntos até de manhã?

― Em primeiro lugar, vamos nos separar e procurar o chamado “berço Spankie”. Lydia, você vem comigo.

― Eh?

Ela pulou porque, de repente, foi chamada pelo seu nome. Era como se ele soubesse o que ela estava pensando. E isso a fez sentir-se envergonhada.

― Por quê? Por que tenho que ir com você?

― Porque você pode se perder.

Raven e Ermine seguiram caminhos separados, em diferentes direções do jardim. Talvez a razão pela qual Edgar não deixar Lydia sair de vista, poderia ser porque Nico o espionava. Na estalagem, Nico disse que estava indo para outro lugar e deixou o grupo.

Foi ideia de Nico trazer a turma de brownies da cidade para o navio e encaminhá-los para esta ilha. Tudo leva a crer que ele queria se certificar de eles fossem capazes de ser reconhecer seus parentes.

Enquanto ele estava nisso, disse que iria coletar informações sobre os merrows desta ilha e de que tipo de papel tiveram em proteger a espada do conde. Os brownies eram fadas que viviam na mesma ilha. Eles podiam saber algo sobre os merrows que os moradores humanos não tinham conhecimento.

Se os pequenos clãs de fadas fossem também moradores desta ilha, então, deveriam ter vivido como o feudo do Conde Cavaleiro Azul, assim como os merrows. Ela estava contente se o seu ato ajudasse as fadas da casa do senhorio e trouxesse alguma solução.

No entanto, Nico não era tão afiado como Lydia na hora de fazer o trabalho. Sem contar que ele sentia uma extrema animosidade em relação a Edgar. Não era somente por ele tê-lo quase atirado à lareira, mas pela única razão da queimadura na ponta de sua cauda. As fadas eram seres que realmente se dedicavam a pequenas coisas triviais e não se esqueciam de seus ressentimentos. Portanto, desejava que Edgar se metesse em encrencas e sofresse muito. Deve ser por isso que ele queria reunir as informações.

Perguntou-se se Edgar percebera que Nico não era um felino comum. Mesmo que ele não acreditasse que o gato poderia falar, ele ainda tomou cautela e até ficou zangado os espionou. E, por este motivo, ainda estava tomando precauções com Lydia também.

Em todo caso, ela decidiu estar ao seu lado como ele queria, e descobrir o que estava escondendo. Tomou fôlego para criar coragem e decidiu segui-lo.

― Ei, você não está com medo?

― Do quê?

― Os falsos condes que tentaram roubar a espada foram todos afogados e atirados para mar pelos merrows. Você não ouviu mister Tompkins dizer que foram todos mortos?

― Se você me perguntou, bem, eu os acho que todos eram tolos. Devem ter caído em armadilhas dispostas para proteger e capturar aqueles que vieram roubar a espada.

― Então, você diz que não foi culpa de um merrow, e está confiante de que você não será pego em armadilhas?

Ele olhou para ela com um sorriso vitorioso.

― Se algo acontecesse comigo, você ficaria triste?

― Por que não pergunta à Ermine?

― Por quê?

― Porque ela é sua amante.

Por alguma razão, sentiu como que sua voz estivesse o culpando, o que fez Lydia abaixar a cabeça envergonhada.

― Ela não é. Então, você pode se sentir aliviada.

― Por que estaria aliviada sobre isso?!

― Era meu desejo...

O que ele está pensando? Lydia refletiu e franziu as sobrancelhas, frustrada.

― Agora ouça! Você deve parar de dizer coisas desse tipo para provocar as pessoas!

― Eu não tinha a intenção de provocar. Portanto, vamos mudar de assunto. Qual é o seu tipo ideal de cavalheiro?

No fim, ele não mudou de assunto. Ela se sentiu frustrada porque sabia que Edgar brincava de estar interessado nela. Mesmo assim, ela se comoveu com as palavras. Talvez fosse porque Lydia não estava acostumada a ser bajulada.

― Uma pessoa séria e honesta. É impróprio abraçar ou beijar alguém quando esta pessoa não é seu namorado.

Hmmm... Então, isso significa que você estava assistindo.

Ela queria se enforcar quando disse isso, e ficou mais vermelha ainda. Ele a observou como estivesse se divertindo. Porém, não a provocou mais. Eles caminharam lentamente pelo jardim.

― Ermine é uma valiosa amiga. Quero fazer de tudo para deixá-la feliz.

O seu rosto se demonstra extraordinariamente sério. Ele afirmou que não eram amantes, mesmo assim, Lydia podia dizer que ela era especial para ele.

Ela não era alguém com ele brincaria, provocaria, e abraçá-la não tinha nenhum significado lascivo por detrás disso. Com limitada experiência e imaginação de Lydia, ela não era uma rival contra essas pessoas. No entanto, isso poderia ser normal para alguém como ela, que podia ver fadas, mas não sabia travar amizade com as pessoas.

― Entendo. Então, ela é alguém importante para você. Hum, não que estivesse espreitando vocês dois. Aconteceu de passar na frente do quarto... Me desculpe. Não entendo você, mas acredito que as pessoas ao seu lado devem ser felizes.

Olhando para longe, ele parecia estar profundamente pensativo. Sem alterar sua expressão, ele se voltou lentamente para Lydia.

― Você tem asas?

― Hã?

Era uma pergunta tão súbita e estranha.

― Pensei que você poderia estar escondendo asas lindamente coloridas, tais como as de uma borboleta, em suas costas.

Naquele momento, ela sentiu uma sensação completamente diferente de quando era chamada de chageling de uma fada. Provavelmente, ele deve ter aceitado Lydia como alguém de um mundo diferente, pela forma como ela tomava as palavras das pessoas, sem duvidar de seu significado, por não saber como manter as aparências diante de outros, e o jeito que ela diz as coisas diretamente do seu coração.

Embora sua descrição fosse extravagante e embaraçosa, ela não se sentiu ofendida por ser comparada a uma fada. O que a fez aceitar a ideia de aparentar aos olhos de Edgar como sendo um ser místico.

Quando ela estava ao lado de Edgar, sentia que de tempos em tempos, poderia renascer como uma pessoa diferente. Mesmo que ela tentasse encará-lo como alguém mau, havia sentimentos mistos dentro de Lydia que cada vez tentava convencê-la.

No momento em que ele parou em um local aleatório, Lydia fez o mesmo. No canto do jardim parecia que havia algo como um pequeno santuário. Havia uma pequena estátua de anjo sobre ele. Não havia dúvida, era o túmulo de crianças.

― Diz [Isto é para a criança sereia descanse em paz]. Parece ser uma pedra memorial. Mas, me pergunto o que significa criança sereia.

― Você se lembra de como nos disseram que há sangue de sereias correndo em muitas pessoas desta ilha? Estas devem ser as crianças que não sobreviveram porque o sangue de merrow não era demasiadamente forte. E antigamente, eles sequer não poderiam ser batizados.

― Compreendo. Então, como essa ilha é remota, todos seus habitantes se relacionavam. Pode ser que os casamentos consanguíneos se mantiveram por um bom tempo, o que entendo é que certas doenças e deformidades começaram a aparecer.

― Você está me dizendo que não foi por causa dos merrows? Bem, eu não conheço toda a verdade, mas os residentes da ilha acreditam em sereias. Você não pretende se tornar o senhor feudal dessas terras?

― Será que para ser qualificado é necessário acreditar em fadas? Não acredito que esta seja a questão. Quer que se trate de sereias, ou doenças, se há escalas ou barbatanas, o assunto são as pessoas desta ilha que aqui vivem.

É justamente isso, ele podia não acreditar em suas histórias, mas as aceitava de modo natural. Ela sentiu como se tivesse ouvido algo inimaginável. Ele não  acredita, não pode ver, e mesmo que pareça como escalas e barbatanas, ele diz que não há problemas em aceitá-los como realidade. Lydia olhou para Edgar, maravilhada.

Os seres humanos que não acreditam em fadas, não as reconhecem, pois não podem vê-las. No entanto, em vez disso, optam por acreditar que elas não existem. E é por isso que, eles rejeitam quem pode vê-las. Por outro lado, de acordo com Edgar, ele próprio não acredita na existência das fadas, mas não se importa se elas existem. E por esse fato que ele não ridiculariza Lydia.

― ...Possivelmente. É assim que você pensa do espírito dentro de Raven?

― Raven? Ah, ele contou a você sobre isso?

― Sim. Ele disse que era um espírito terrível e nasceu sob seu controle.

Hmmm... Isso é raro. Parece que Raven se interessou por você. Deve ser porque você também tem uma profunda conexão com as fadas.

Não há como ele gostar de mim.”, pensou Lydia. Mas, ela se manteve calada. Só lhe dera um aviso para não fazer nada que causasse problemas a Edgar.

― Eu não sei exatamente se existe um Sprite dentro de Raven. O que preciso saber que tipo de pessoa ele é, o que ele necessita, e o que posso fazer.

Por esse motivo que ele assumiu a responsabilidade do Sprite também”, refletiu Lydia. Ele era realmente destemido. Mas, isso também poderia significar que ele tinha um coração forte. Não se importava como mundo ainda era desconhecido para ele, ainda mantinha seu imperturbável autocontrole. Sua atitude clara era justamente o que ele sabia fazer.

Para alguém ter uma clara e forte compreensão da realidade pode parecer fácil, mas na prática era realmente difícil. Porque os corações das pessoas eram facilmente assustados e corrompidos, e existiam chances dos espíritos malignos se aproveitarem de gente assim. Mas, se fosse alguém como ele, portanto, os espíritos malignos não seriam capazes de influenciá-lo.

Mesmo que ele não pudesse ver as fadas, subitamente, Lydia esperava que ele pudesse ser o verdadeiro descendente do Conde Cavaleiro Azul. Se fosse, então, estaria ansiosa para ajudá-lo.

― De qualquer forma, não há dúvidas de que este é o berço Spankie. Agora, o que significa a próxima rima “A dança dos duendes em uma noite enluarada”?

Hum. Eu acho que isso quer dizer o anel de fadas feito pelos duendes. Em uma noite clara, há marcas deixadas na grama quando as fadas dançam.

― Um anel, algo assim?

Edgar apontou para um ponto onde havia pedras alinhadas em um círculo na grama a determinada distância deles.

― Sim, sim. Eu acho que sim.

Quando se aproximaram, Edgar não tomou nenhuma precaução e corajosamente deu um passo dentro do anel. Lydia deu um grito assustado, ao que ele se virou.

― O que foi?

―...Nada. Não era um verdadeiro círculo de fadas.

― O que teria acontecido se fosse?

― As pessoas são levadas pelas fadas, às vezes.

Hmmm. Isso é interessante. Mas, o mais importante, Lydia, olhe para lá. A paisagem muda completamente se você ficar aqui.

Lydia entrou cautelosamente no círculo. Então, as árvores que ela pensou serem plantadas aleatoriamente no jardim, se tornaram alinhadas formando uma clareira reta. Além da clareira aberta, podiam ver um edifício que ficava escondido pelos galhos das árvores. No castelo, havia uma entrada que estava posicionada de um jeito como fosse recepcioná-los. Mas, quando se aproximaram, era apenas uma pintura de uma porta. Não havia apenas uma janela construída na parede a fim de passar luz através dela.

― Não há como entrar.

― Em todo o caso, a chave que temos só abre a porta da frente. Então, vamos contornar a parede e encontrá-la.

Os dois estavam prestes a fazer aquele caminho quando os arbustos em volta se moveram de forma nada natural. Atrás deles apareceram homens vestidos em ternos pretos. Primeiro saiu o grupo de Gossam, sendo que Huxley estava entre eles, ficando em frente à Lydia e Edgar, bloqueando o caminho. Ele virou a cabeça para pesquisar a área entre eles. E depois de ter certeza de que Raven e Ermine não estavam no local, sorriu vitoriosamente.

― Olá, John! Nos encontramos novamente.

― Você é realmente persistente. – disse Edgar, levantando uma das sobrancelhas mostrando claramente sua irritação.

― Parece que a Estrela Merrow está em algum lugar neste castelo. Vamos pegá-la e encontrá-la. Portanto, é melhor você não resistir e soltá-la!

― Soltá-la? É estranho logo alguém como você dizer isso!

― Você sequestrou a senhorita Carlton. Agora, você está a forçando te acompanhar. Um ladrão que sequestrou a filha de um professor universitário, assim que a sociedade vê você!

― Mas, você sabe, Lydia, se você fosse capturada por ele, quem sabe o que ele teria feito a você. Não acha que é melhor vir comigo?

― Um ladrão não tem o direito de dizer tais coisas! Senhorita Carlton, não deve acreditar o que este homem fala!

Não acredito em nenhum de vocês!”. Lydia ficou espantada com o duelo entre os dois homens como quem fosse capaz de passar por inocente.

― Raven, aqui! – gritou Edgar, de repente. Huxley e seus homens entraram em alerta, investigando em volta.

Não havia vento naquela hora, contudo, as árvores em torno deles tinham seus galhos ricocheteados. Assim como todos procuravam qual era o motivo daquilo, um dos homens que se encontrava no canto do grupo deu um grito e caiu no chão.

― Maldito! Não se assustem! É apenas um homem!

Lord Edgar, por aqui.

Ela não notou que Ermine estava bem atrás deles. Ela levou Edgar e Lydia até uma pequena estrada de terra. Eles estavam apenas a poucos metros de distância de Huxley e seus homens, quando...

― Lydia!

A voz que a chamava era muito familiar a ela. Quem estava correndo em sua direção era seu pai.

― Pai, por que você está...

― Fui informado de que você foi sequestrada!

Lydia deu um passo em direção a seu pai, mas Edgar a deteve agarrando um de seus braços.

― Você é o sequestrador? Solte a minha filha!

― É um prazer conhecê-lo, Mister Carlton! Eu estive bem cuidado graças à sua filha.

Edgar disse tão calmamente cumprimentando-o como fosse um dia ensolarado em um parque.

― O que você quer? Farei qualquer coisa, mas não machuque a minha filha!

― Sinto muito por deixá-lo preocupado, mas estou falando sério. Por favor, senhor, permita-me ter a mão de sua filha.

― O que você está falando?

Ele agarrou o ombro de Lydia, empurrando-a de modo ficasse do lado dele, e continuou.


― Entendo que eu deveria ter pedido devidamente ao senhor primeiro sua aprovação sobre nós. Mas, eu fiquei tão louco por ela, e perdi o juízo.

― Hã?

― Se ela não estivesse ao meu lado e acalmasse o calor do meu amor, morreria em um piscar de olhos.

Poderia haver alguém para dizer algo realmente tão embaraçoso para escapar de uma situação?

― Espere! Espere um minuto! – interrompeu Carlton.

O pai de Lydia, que parecia estar em um estado desordenado que nem mesmo a sua filha percebeu, continuou abrindo e fechando a boca.

― Você realmente quer uma garota levada como ela?

― Pai!

― Ela é a mulher mais preciosa para mim. É a única que pode me salvar com seu amor profundo.

― Espere aí, Edgar. O que você está fazendo soa completamente diferente!

O que iria salvá-lo, claro, não era o amor de Lydia, mas a sua habilidade em encontrar a espada.

― Bem, vou não discordar que Lydia seja a filha perfeita. No entanto, jovem, não acha ser irresponsável que um homem arraste uma jovem, solteira porque não consegue se controlar?

Parecia que Carlton estava prestes à beira de um colapso, pois ao invés de confrontar um sequestrador, encontrou um pretendente que estava no pé de sua filha.

―Sim, eu concordo. Lamento o meu descuido.

― Isto está tudo errado! – exclamou Lydia.

― John! Deixe-a ir! – gritou Huxley.

Huxley apareceu de novo, na sua frente, e para Lydia, na verdade, ele surgiu como um salvador dessa situação caótica. Claro que isso era uma mera imaginação, pois Huxley estava apontando uma pistola para ela.

― Espere! Você está apontando próximo de Lydia.

― Entendo perfeitamente, professor. Mas, esse homem também não pode permitir que sua filha morra, porque é um ladrão teimoso e ganancioso. E ele ainda não encontrou a joia.

― Gossam, eu posso imaginar o que você disse para convencer o senhor Carlton. Mas, você não faria qualquer coisa implacável para colocar as mãos na joia, faria?

Quando Edgar olhou para Huxley sorriu cheio de sutileza e graciosidade que o tornaram ainda mais evidente. Naquele momento, ele fez parecer que era óbvio ser o vencedor em um duelo.

― Vamos! Solte-a! – Huxley gritou irritado.

Carlton olhou para os dois com preocupação. Talvez, para tentar intimidar Edgar, Huxely colocou o dedo no gatilho da pistola.

― Ei, você, não! – gritou Carlton.

A pistola apontada para Edgar, que também estava na mira de Lydia, se encontrava bem ao seu lado. Tentando parar com isso, Carlton agarrou o braço de Huxley.

― Ermine, mantenha a Lydia salva. – sussurrou Edgar.

― Sim, milord.

Com esta simples resposta, Ermine puxou o braço de Lydia. A última coisa que Lydia viu foi Edgar tirando o espadim da bengala. E ao mesmo tempo, ela ouviu um tiro. Ela queria olhar para trás, mas Ermine a puxou nos arbustos para que ela não soubesse o que aconteceu além disso. No entanto, assim que puderam saíram para uma estrada suja. Ermine então parou a sua caminhada. Ela ficou na frente de Lydia, protegeando-a, e começou a dar passos para trás. Mas, elas foram completamente cercadas pelos irmãos de Huxley.

*****

Lydia, junto com seu pai, estava trancada em uma sala do castelo. Os homens de Huxley, em uma medida extrema, quebraram uma das janelas do prédio e entraram, ocupando uma posição no castelo. Parecia que eles tentavam encurralar Edgar e Raven, que conseguiram escapar.

Carlton fora enganado por Huxley, e então, quando realmente os irmãos Gossam o trouxeram para aquele local e com essa descoberta, ele deu um suspiro desanimado.

― Portanto, isso significa que Gossam estava me usando.

― Pai, desculpe envolvê-lo nisso.

― Não, você foi arrasta para isso também. Eu que deveria pedir desculpas. Me perdoe, eu não sabia que minha pesquisa de gemologia poderia provocar algo do tipo.

Quem saberia a causa disto. Poderia ter começado quando Gossam tentou usar Edgar como seu experimento de pesquisa ou quando Edgar decidiu usar Gossam. No entanto, não era o problema naquele momento. Lydia caminhou até Ermine que estava deitada em um sofá. Lydia e seu pai não ficaram feridos, pois os irmãos devem ter pensado duas vezes quando perceberam que nenhum dos dois era uma ameaça. Mas, Ermine foi esmurrada e chutada, sendo que suas mãos estavam amarradas, mesmo estando inconsciente.

Ela queria desatar as cordas, mas Huxely disse que se fizesse isso, então ele ira espancar Ermine ainda mais. Lydia apanhou o seu lenço e limpou o sangue no lábio machucado de Ermine.

― Então, sobre esse jovem de antes...

― Não, não é o que você pensa, pai. Ele estava apenas brincando. Acabei de aceitar uma oferta de emprego como fairy doctor para ajudá-lo.

― Oh, graças a Deus! Você tem certeza que ele não é um namorador?

― Claro que não é! E eu não sou esse tipo de filha!

Aliviado, o professor deu um sorriso extenuado e empurrou seus óculos redondinhos que estavam caindo do nariz.

― Mesmo que ele seja um ladrão, ser chamado de “Pai” por um sequestrador é demais para meu coração fraco. Se fosse verdade, e você estivesse falando sério, ficaria preocupado se iria desaprovar.

― Oh, meu Deus, pai! Você está dizendo que não se importaria se fosse cortejada por um ladrão e eu o escolhesse?

― Percebi que há uma qualidade muito boa nele. Naturalmente, seria problemático se a única parte boa fosse sua aparência.

― Eu nunca escolheria meu marido apenas por sua aparência.

― Há uma coisa que me incomodou, embora... Ele não é aristocrata?

― Sim, é o que ele afirma. E olhando a maneira como ele fala, age, tudo sobre ele faz o parecer como um. Mas, pai, você está me dizendo que o problema dele é ser um nobre do que um ladrão?

― Às vezes, eles podem ser mais sinistros e tortos do que os meros assaltantes. Embora, isso possa ser apenas meu preconceito. Mas, bem, não importa se ele estava brincando.

― Ele é sério.

Eles não perceberam quando ela acordou, no entanto, Ermine ficou com os olhos semicerrados e os interrompeu com um sussurro fraco.

Lord Edgar é sério quando diz que precisa de você, senhorita Carlton. Ele está disposto a amá-la se for preciso para que você faça o que ele quer.

Se ela não conhecesse seu passado, então, talvez, Lydia rendesse ao doce sonho que Edgar a acenava, e acreditaria por completo, aceitando de bom grado estar sob seu controle.

― Ermine, eu já sei que sou uma mera ferramenta para encontrar a espada.

― Não, senhorita Carlton. Há ainda coisas que estamos escondendo de você. Talvez tenha tido sorte ser capturada por nossos inimigos.

Ela baixou os olhos como ar de profunda tristeza.

― Não quero que Lord Edgar se torne uma pessoa fria e cruel. Ele é realmente gentil e benigno. Mas, ele jogou seu coração por nossa causa. E não posso suportar vê-lo enganar e machucar as pessoas.

Nico havia dito que Edgar ainda escondia algo de Lydia. Talvez seja isso o que ele queria falar.

― O que Edgar planeja fazer comigo, Ermine?

Ermine franziu a testa como estivesse com dor de cabeça. Então, ela se sentou e sob os olhares pressionados, ela finalmente abriu a boca.

― Há duas versões de informação sobre a espada do Conde Cavaleiro Azul. Aparentemente, foram feitas muitas réplicas dessa moeda de ouro, a que você viu com o enigma das fadas. Provavelmente, foi esta a razão pela qual houve muitos visitantes na ilha, todos atrás da pedra preciosa. Mas, a outra é uma chave feita de prata, que com certeza, não há outras cópias, só há uma. Para ser qualificado como descendente do Conde, é necessário ter tanto a de ouro como a de prata. Também nos indicaram que para obter a espada, precisávamos de um item final... Sangue.

― Sangue?

― O sacrifício para as sereias, ou como diz Lord Edgar, precisamos sacrificar alguém ou não poderemos receber a espada.

É dito que os merrows colecionam almas dos humanos, assim como os seres humanos coletam joias. A interpretação possível foi que eles solicitam uma alma humana do descendente do Conde Cavaleiro Azul como recompensa por proteger a espada.

― Então, você está me dizendo que ele planejou me usar como esse sacrifício?

Lydia juntou as mãos trêmulas e apertou os punhos.

― Esse grande mentiroso! Qual é o significado disso?

A raiva lhe fez subir o sangue.

― Bem, não era que eu confiava nele, mas... ele planejar esse tipo de coisa desde o início...Isso é terrível!!

Isso significava que não havia nem um pouco de verdade em suas palavras. Perdendo a força depois dessa notícia deprimente, Lydia se deixou cair sobre a cadeira.

― Não há nenhum artifício ou truque por trás disso. Merrows existem. É errado pensar que você ganharia a espada, desde que conhecesse as condições. Se você não é o verdadeiro Conde Cavaleiro Azul, então tudo o que te espera é a morte.

― Então, isso significa que é perigoso até para Lord Edgar continuar a procura pela espada. É por isso que eu...

― Sim, Ermine. É por isso que você me contou a verdade.

Você deve realmente amar Edgar. Lydia confirmou os sentimentos de Ermine enquanto olhava para o rosto da mulher que estava cheio de determinação.

― De qualquer forma, se escapávamos daqui, então, não teríamos a oportunidade de conhecer as sereias. – afirmou Carlton aliviado.

Ela não sabia o quanto o seu pai entendeu enquanto conversava com Ermine. No entanto, ele deve ter quisto desvendar a atmosfera tensa entre eles fingindo ignorância.

― Mas, Gossam está mais atrás da estrela safira do que a espada. Portanto, esse homem também precisa da ajuda da senhorita Carlton. Lord Edgar não teria intenção de retroceder. E por essa causa que pensei que essa fosse a chance de lhe contar tudo. Mesmo que você dissesse que estivesse traindo Lord Edgar. Mas, desde que ele desistisse da espada...

A porta se abriu. O filho mais velho Gossam, Huxley, entrou e parou na frente de Lydia.

― Senhorita Carlton, perdoe-me, mas estamos com pressa. Preciso que venha comigo.

Parecia que Ermine estava certa sobre sua esperança.

― Não quero. Eu não ajudá-lo a roubar a espada lendária!

― Ah, não! Vou fazer você me ajudar querendo ou não! Não posso garantir a segurança do seu pai se esse homem consiga a espada antes que nós!

― Ei, você está me dizendo que vai segurar meu pai como um refém?

― Não haverá problemas se você colaborar conosco.

Não havia mais nada que Lydia pudesse fazer.

― Se conseguir a espada, você vai nos libertar?

― Eu prometo.

― Lydia, você não precisa se preocupar comigo.

― Está tudo bem, pai. Prometo que vou voltar.

Não foi permitido que pai e filha se despedissem. Lydia foi imediatamente empurrada fora da cela por Huxley.

Lydia foi acompanhada por Huxley e três dos seus irmãos mais novos. Seus outros integrantes ficaram para trás de olho no seu pai e Ermine. Ou, eles poderiam estar à procura de Edgar e Raven.

No entanto, Lydia pensou que não havia motivo para que Huxley e seus irmãos procurassem por Edgar. Porque ela sabia onde ele apareceria.

Ela caminhou, indo para o sul do prédio, em direção a Edgar, no início do jardim. O local tinha uma janela. De lá, eles poderiam ver o anel de fadas que ficava por cima da grama, que encontrou com Edgar.

― Ei, você tem certeza de que este é o caminho?

Com uma mão, Huxley agarrou o braço da Lydia para que não pudesse escapar, com a outra, segurava uma pistola. Ele deve ter tomado precauções para ataques repentinos de Edgar ou Raven.

― Por que você não fica quieto? De qualquer maneira, você não seria capaz de perceber.

― Que garota petulante! Caso você se atreva a nos enganar, irá pagar por isso.

― Eu sei disso!

Ela pensou que este homem era como um livro aberto e muito mais honesto do que Edgar. Ele não a adulou e nem a deixou de bom humor para, então, matá-la. Embora, ele apenas a usou desde o começo. Ele deveria ter jogado apenas de vilão desde o princípio, forçando-a a ouvi-lo ou a chantageando.

Então, eu não ficaria machucada, pensou Lydia.
Estou ferida?
Mesmo que ela dissesse que não confiava nele, apesar de não querer ser cúmplice no roubo, estava tão feliz quando sentiu que ele tinha entendido o seu propósito de ser uma fairy doctor.

Por esse motivo que ela constatou que podia convencê-lo de que era impossível para ele obter a Espada Merrow. Seus objetivos eram diferentes, e não havia maneira de se tornarem aliados, mas esperava que ele sentisse o mesmo que ela por não consegui-lo odiá-lo completamente. Mas, essa era apenas a imaginação de Lydia.

Ela abriu uma porta no final do corredor, que deu para um corredor construído em forma de poço. Foi estranhamente edificado, com as escadas passando sobrepostas. Do canto, ela podia ver a luz do dia atravessando a fresta da janela. Era o local onde a porta estava pintada na parede exterior. Huxley tornou-se ainda mais cauteloso e puxou Lydia para perto dele. O corredor escuro tinha apenas uma janela, e parecia que havia algo por trás das escadas ou atrás dos pilares.

― Irmãos, façam uma busca ao redor. – ele ordenou a seus irmãos mais novos.

Mas, não havia nada ou nenhum ruído em volta deles. O rosto de Huxley se congelou e ele virou a cabeça para ver  que os três estavam caídos no chão. Quando seus olhos se voltaram ao chão, Lydia sentiu o ar se movimentando ao seu lado. Naquele momento, Huxley foi afastado de Lydia e se corpo foi jogado ao chão. Ainda deitado, levantou o braço segurando a pistola, mas o braço foi preso ao solo pelo pé de Raven.

Ele tirou a pistola de Huxley e apontou-a de volta para ele.

― Espere! Ele tem meu pai como refém! Se você o matar, eles matarão meu pai e Ermine.

Porém, a voz de Lydia não atingiu seus ouvidos, enquanto encarava, com seus olhos frios e inexpressivos, e mirava o meio da testa de Huxley, com o dedo no gatilho. Aqueles eram os olhos da morte. Eles mostraram que era inútil implorar misericórdia.

― Raven, já é o suficiente!

A voz de Edgar veio por trás das escadas enquanto caminhava lentamente em direção a eles.

Dada ordem pelo seu mestre, Raven abaixou o braço. Mas, ao mesmo tempo, ele deu um poderoso golpe na ponta do estômago de Huxley o deixando inconsciente.

― Lydia, estou tão feliz que você esteja bem. Sabia que voltaria para cá novamente. Claro, esperava que viesse acompanhada.

Seu cabelo dourado sugava a luz e irradiava. Sua beleza era perfeita e seu sorriso destemido.

Nunca mais me deixarei enganar!, refletiu Lydia.

― Mas, a situação piorou para você. Se não encontrar a Estrela Merrow e entregá-la, meu pai será morto.

― Então, você está dizendo que iremos competir pela espada?

Para encontrar a espada, Lydia precisa resolver o enigma e obter a chave de prata que Edgar a guardava. Edgar não devia saber que Lydia tinha conhecimento da chave. Parece que ela deveria fingir que estava cooperando e depois roubar a chave no último momento.

― Mas, Lydia, Ermine também foi capturada. Isso não significa que ambos encaram-no como inimigo e podemos trabalhar do mesmo lado? Não é necessário que você entregue a Estrela Merrow a eles. Acredito que posso ajudar com seu pai.

Ela não podia acreditar que Edgar estivesse preocupado com a vida de um estranho como o seu pai. No momento em que ele conseguisse a espada, abandonaria seu pai. Desde então ele era o tipo de pessoa iria sacrificá-la. Mas, por ora, Lydia assentiu.

― O problema, agora, é que se podemos realmente encontrar a espada. – informou Lydia.

― Vamos para o próximo trecho. O que significa Cruz de Silkie?

Subindo as escadas, Lydia caminhou ao lado de Edgar, mas um pouco mais à frente. Depois de passar por várias portas, ela finalmente parou diante de uma porta que apresentava a marca que estavam procurando.

― Não vejo nenhuma cruz sobre isso. – disse Edgar, intrigado.

― Esta marca são cinzas de cavernas. A porta também é feita disso. Silkies são fadas semelhantes a fantasmas, e eles odeiam cruzes feitas de cinzas de cavernas.

Quando ela abriu a porta, havia uma longa passagem estreita. Os três se apressaram. Não era difícil para Lydia seguir o caminho de acordo com o enigma das fadas.

Se alguém fosse um fairy doctor e tivesse o conhecimento da rotina, então não era tão difícil de resolvê-lo. Porém, a espada deveria ser herdada pelo descendente do Conde Cavaleiro Azul. Por isso, seria um problema se qualquer pessoa a encontrasse e soubessem das fadas. Parece que a maior preocupação estava por vir, onde os merrows se encontram.

― Como está Ermine? – perguntou Edgar, enquanto continuavam a caminhar.

― Ela está viva. Mas, você sabe quanto ela é boa com armas, por isso que eles a amarraram.

― Entendo.

Ele aparentava preocupação pela feição do seu rosto. Ela o viu olhar para Raven para verificar como ele estava, mas não podia dizer o quanto estava preocupado com a sua irmã.

― ...Ela estava preocupada com você, Edgar. Se você tentar roubar a espada, quem sabe que tipo de armadilhas perigosas haverá...

― Mas, se eu puder herdar o título de Conde Cavaleiro Azul, então, Ermine e Raven não terão que viver às voltas com perigo. Especialmente, Ermine. Logo, ela poderia vestir-se como uma dama, deixar o cabelo crescer e ganhar os corações de muitos homens. Assim, ela poderia encontrar um homem em que pudesse confiar completamente.

Mas, ela só tem olhos para Edgar.

― Não há outra maneira? Não seria mais simples se você desistisse dessa pessoa que está atrás de você? Uma vez, que ao contrário da América, é ilegal possuir escravos na Inglaterra.

― Nestes dias, o único que pode desafiar o poder é o poder.  Não é um homem fácil de ser derrotado.

Não havia como Lydia imaginar que tipo de homem abominável Edgar falava. Só que mais do que apenas tentar escapar dele, Ermine estava aterrorizado com Edgar sacrificar alguém. Lydia podia se compadecer com aqueles sentimentos.

Eles definitivamente estavam se aproximando do local onde a espada estava escondida. No entanto, Lydia ainda não tinha uma ideia de como contrariar Edgar.

Será que ela realmente poderia superá-lo e tirar a espada? Se ela não pudesse, então, como ele tinha previsto, se tornaria o sacrifício para a arma e sua alma fosse levada? Ou, para Lydia ganhar de Edgar, isso significaria que ele seria o único a morrer?

Isso seria o mesmo que Lydia fosse quem o matou.

Tenha cuidado com o labirinto de Pookah
Siga as marcas dos pés de Wyrm
Vire à direita no Fear Dearg

Um a um, resolvendo o enigma, eles caminharam.

Lord Edgar, por favor, espere. – pediu Raven de repente.

Ele deu alguns passos à frente deles e concentrou seus ouvidos para pegar qualquer coisa ao seu redor.

― Há alguém que se aproxima.

Eventualmente, Lydia conseguiu ouvir o som de passos que se tornavam cada vez mais altos.

Devia ter alguma rota diferente. O ruído era de pés descendo as escadas. Pouco antes, a presença desses passos se aproximou de uma porta que estava atrás deles. Raven se moveu sem fazer um único som, e ficou de prontidão na porta. Edgar encostou Lydia na parede. Quando a porta se abriu, Raven bateu a porta com o pé.  Ele entrou no cômodo e agarrou o pescoço da pessoa.

― Raven, sou eu.

Ele foi parado por um milímetro antes de perfurar a pessoa com a faca. Ao ver que era Ermine, ele lentamente desarmou o braço. Aliviado, Edgar abaixou os ombros que estavam cheios de tensão.

― Ermine, você conseguiu escapar.

Lord Edgar, sinto muito.

―Não, está tudo bem se você está salva.

― Como está meu pai?

― Levaram-me sozinha para outra sala e usei essa oportunidade para escapar. Então, acredito que seu pai esteja lá como refém. – respondeu, pediu desculpas e foi até Edgar.

― Os irmãos Gossam virão depois de nós, no final das contas. Se eles nos encontrarem nesta passagem estreita, não poderemos nos mover. Acho melhor caminharmos para um local mais aberto.

― Mas, este é o caminho para a localização da espada. Continuaremos esta rota...

Parecia que Edgar não tinha intenção de desviar-se. Ele pediu a Lydia para continuar a caminhar.

― Nós nos guiaremos apenas à localização da espada.

― Precisamos encontrá-la antes que isso aconteça.

Aparentemente, Ermine demonstrava desânimo por não querer que Edgar se aproximasse do ponto onde se encontrava a espada. No entanto, ela não se opôs mais a Edgar.

― Isso não é com você, irmã. – murmurou Raven para ela, e Lydia conseguiu ouvir.

― Sim, eu sei. Ainda mais, obtê-la deste modo.  – disse Ermine.

― Não foi isso que eu quis dizer. – respondeu Raven e não abriu mais a boca depois disso.
Ermine revelou informações importantes para Lydia. Poderia ser que seu irmão sentiu a agitação nela por ter feito isso?

*****

Havia uma estranha pintura de alguém sem cabeça. Lydia agachou-se e inspecionou a parede por baixo.

― Isto é uma pintura de Dullahan?

― Sim, é uma fada sem cabeça. E se buscarmos as bases... Veja, a parede se abre.

Lydia percorreu a abertura. Havia escada que levavam para andares inferiores. Assim que desceram as escadas, deram de cara com um beco sem saída, que se abriu ao ar livre. Eles se encontravam em um terraço que se inclinava sobre as ondas do mar. A ilha estava originalmente situada em um penhasco ao longo do mar. Parecia que este era o lugar mais íngreme da ilha contra o mar.

Para além de uma trilha simples, havia apenas a visão vertiginosa das ondas do oceano contra o penhasco logo abaixo. Os ventos fortes costeiros rugiam sem piedade.

― É um beco sem saída?

Assim que Edgar reclamou, não havia como ir além dali. Mas, por outro lado, não havia outros caminhos que se ramificavam do lugar onde estavam.

A próxima frase era “O tesouro do Leprechaun”.

― Leprechauns são fadas que semeiam o subsolo. Dizem que eles escondem seus tesouros em um porão.

― Porão? Espero que não signifique que devemos saltar deste penhasco.

― Se fizéssemos tal coisa, não haveria nenhuma dúvida que iríamos morrer.

Uma vez que diretamente abaixo deles, havia correntes oceânicas bravas que se esmagavam contra as paredes do penhasco rochoso. Lydia se concentrou e pensou no significado por trás do enigma. Mas, depois que chegaram até ali, de repente, ela se abalou e teve que confessar que estava perplexa.

― Aguardem apenas um pouco. Preciso pensar sobre isso...

― Se eles chegarem até aqui, seremos encurralados. – disse Ermine, com uma expressão perturbada, enquanto olhava para trás.

― Vamos esperar mais um pouco.

Todos ficaram em silêncio. Lydia ainda pensava com afinco. Ela recorreu à memória, tentando lembrar todos os contos populares sobre Leprechauns.

Depois de algum tempo, Ermine falou novamente:

Lord Edgar, era impossível imaginar que poderíamos obter a espada. Não me importo fugir com medo de ser capturada pelo Príncipe pelo resto da vida. Se você diz que quer fazer isso por Raven e meu bem, por favor, vamos parar por aqui.

― Ermine, não seja estúpida. Você conhece muito bem o horror do Príncipe. Não prometi que te livraria de suas garras?

Ermine abaixou os olhos como se estivesse divagando longe, mas em um determinado momento, ela levantou a cabeça.

Lord Edgar, acredito que isso será impossível. – ela disse e olhou para Lydia.

― O Príncipe conhece meu desejo e fraqueza. Ele sabe que achei a felicidade de poder fugir com Lord Edgar... Para poder compartilhar o mesmo objetivo, poder ajudar uns aos outros e ter uma amizade insular que não permita que ninguém mais participe. Ele sabia que eu sou a mulher mais feliz em ser a única deste círculo e manter Lord Edgar para mim. Se fôssemos libertados do Príncipe, isso denotaria que eu e você teríamos um relacionamento comum entre mestres e servos. Ele descobriu que era isso que mais temia.

― Ermine, o que você...

― Sinto muito, Lord Edgar. Foi-me dito que se eu continuasse a manter meus olhos em você, então, ele não faria nada para nós por enquanto.

― Não... Então, o Príncipe sabe? – perguntou Edgar com uma voz desgostosa.

Quando ele disse o nome do Príncipe, mesmo Lydia pôde sentir o ódio e o ressentimento claros que lhe escapavam.

Ela podia perceber que Edgar e Ermine falavam sobre o homem que os fez escravos, mas não era apenas isso. Parecia que esse homem era alguém trazia emoções negativas e misturadas com ódio e medo neles.

― Você está me contando que todos os nossos movimentos foram diretamente transmitidos para ele?

― Quando você estava prestes a ser executado na América, foi a ideia dele usar Gossam que procuravam algum humano para sua experiência. No entanto, foi o Príncipe quem me falou sobre Gossam. E assim, esse homem sempre governará sobre nós. Posso ver como ele gosta de nos observar lutando para nos tornar livres.

― ...Então, ele deve ter conhecimento sobre a espada também? Mesmo assim, ele nos vislumbra de cima.

― Sim, ele sabe. Ele acredita que a espada não exista realmente. Contudo, com a ajuda da senhorita Carlton, você, sem dúvida, está se aproximando da espada. E se você conseguir, poderá cortar seus laços com o Príncipe. Mas, isso significaria que iria descobrir a minha traição. Por esse motivo não sabia o que fazer. Caso, você desistisse da espada, estaria ao seu lado por um tempo a mais. Mas, mais do que isso, não quero colocá-lo em perigo. Lord Edgar, pressionar mais do que isso, e aos que não estão relacionados com Conde Cavaleiro Azul é algo imprudente. Tomarei qualquer castigo como uma traidora. A única opção que nos resta é...

De repente, Lydia foi levada pelos braços de Ermine.

― Senhorita Carlton, por favor, apenas me odeie por isso.

― Pare, Ermine!!

No momento em que Edgar gritou com ela, o corpo de Lydia foi empurrado para além da grade e puxado para baixo rumo às falésias rochosas. Suas mãos procuravam algo para se apegar desesperadamente, mas só havia o corpo de Ermine, que tentava cair com Lydia. 

A visão do cenário virou de ponta-cabeça. O céu avançou por um milímetro, como sentisse a uma polegada do mar sobre ela. E apenas, se sentiu doente, por aquele longo, longo segundo. Seu corpo foi puxado de repente. Raven mal conseguiu agarrar sua manga. Ao mesmo tempo, ele apanhou a roupa de Ermine, que demonstrava dificuldade para deixar que as duas caíssem. Além disso, sua manga parecia que estava prestes a rasgar. Lydia tentou desesperadamente alcançar a outra mão para pegar o corrimão. Aquele que a puxou pela mão era Edgar.

― Raven, eu vou apanhá-la.

Ele segurou fortemente o braço de Lydia e cuidadosamente a puxou para cima. Quando ela foi puxada por seus braços, os dois caíram de volta ao terraço. Lydia abraçou inconscientemente Edgar e sentiu um caloroso alívio, enquanto ele acariciava seus cabelos para tranquilizá-la.

― Raven, o que você está fazendo?

Ela voltou aos sentidos com a voz alta de Edgar.
Raven mal conseguia segurar o braço de Ermine, mas também não estava tentando puxá-la. Isso porque Ermine tentava se desvencilhar e sacudia a mão do irmão.

― Por favor, Raven, me liberte.

Mesmo que ela fosse salva, não poderia estar ao lado de Edgar. Somente a maldição do Príncipe a seguiria.

― Não permita que ela vá! Não ouse deixá-la morrer!

Edgar deu um passo em direção a eles. Naquele momento, o braço dela escorregou da mão do irmão. Seu corpo caiu no fundo das falésias em um piscar de olhos. Lydia fechou os olhos.

Não houve um gemido doloroso, apenas os sons fortes das ondas do oceano, e quando ela abriu os olhos novamente, havia apenas a crista alta e branca das ondas que batiam contra as paredes rochosas como se nada tivesse acontecido.

Edgar caiu no chão do terraço.

Nota da tradutora: Gosto muito deste capítulo, talvez porque conhecemos mais a Ermine (que é tão odiada pelo povo que adora o pairing Lydia & Edgar). Ela não é tão “bitch” como pintam^^ No light novel, você tem uma dimensão melhor não só dela, como cada um dos personagens. O final é chocante e surpreendente. E quem é fã do anime, assim como eu, repara que a diferença gritante de profundidade em cada detalhe da narrativa, principalmente na relação entre ela e o Edgar.
No fundo, fico um tremendamente condoída em relação à Lydia. Afinal, ele é  ou não é um vilão? Refinado, mas ainda um canalha! Pronto, parei!!^^
O próximo e penúltimo capítulo chega por volta da primeira quinzena de julho! Para ficar por dentro desta tradução, assim como as fanfics é fácil. Basta acessar a página: Hakushaku to Yousei – fanfics – Brasil (https://www.facebook.com/HakushakutoyouseifanficsBrasil)
Lembrando que sexta-feira chega no Nyah e no Social Spirit, o último capítulo de Até As Últimas Consequências - Rota Reversa! (No Nyah:
No Social Spirit:

Beijos e nos dê suporte^^



























































































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