quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O ovo da fada da fera bogey - Capítulo 2 - Volume II - Hakushaku to Yousei Light Novel

Nota de abertura: Olá! Você está no 2º capítulo do livro II – Cuidado com a doce armadilha! Antes de começar, queria comemorar com você as 600 curtidas em nossa página: Hakushaku to Yousei – fanfics/ light novel traduções – Brasil!! Muito obrigada! Na página, você acompanha notícias, novidades e postagens das traduções e links das fanfics da minha autoria dentro do fandom Hakushaku to Yousei: https://www.facebook.com/HakushakutoyouseifanficsBrasil/
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Também, queria pedir desculpas pelo atraso, porque passei alguns contratempos bem desagradáveis. O meu querido gato Bartô faleceu e por conta disso, fiquei sem vontade de continuar coisas que prezo muito, incluindo as traduções. Foi algo repentino, o que nos deixou aqui em casa bem desolados. Por conta de todo o companheirismo, alegria e as várias vezes em que ele subia no note enquanto escrevia e traduzia, dedico esse capítulo a você, meu “Tutuco”. Te mando um grande beijo onde você esteja. Te amo muito!
Vamos ao capítulo?

 “Aquele homem é muito suspeito. No entanto, se você pensar, ele também é bastante suspeito”.

Lydia estava parada na cozinha de sua casa e não podia conter a irritação crescente enquanto esperava que seus biscoitos assarem. Tinha a sensação de que suspeita sobre Edgar poderia ser realmente verdade depois de ouvir a história de Nico. Conforme ele, Edgar conheceu a filha do barão, lady Dóris Worpole, no dia em que desapareceu. Mesmo que ele a tivesse convidado apenas para ir à sua carruagem, a senhora Marl não sabia disso, e, provavelmente, Edgar omitiria o fato.

― Oh, não! Será que ele a sequestrou?

Ele poderia ter colocado histórias perigosas sobre Fogman em sua cabeça, assustando-a. Ludibriou que tivesse uma fada envolvida e a levou embora.

Mesmo que ele já foi um criminoso...” Quanto mais ela pensava, mais ficava confusa. “Mas, para qual propósito? Claro que para vendê-la, uma vez que jovens,  meninas bonitas poderiam render um bom dinheiro”.

Nico apareceu magicamente no topo do balcão da cozinha. Ele estava com um dos engarrafados secretos escoceses escondidos pelo seu pai.

― Dinheiro, hein? Bem, não acho que seria isso.

Ele tinha certeza que havia fartura ali, e como atual conde residia na Inglaterra, seria muito arriscado que sujasse suas preciosas mãos em crimes para ir atrás de dinheiro novamente. No entanto, não havia nenhuma razão para que ele atravessasse uma ponte tão perigosa. Entretanto, existiam pontos peculiares.

― Frequentemente, ele se disfarçava para ir ao porto e às áreas centrais da cidade. Isso está me cheirando quando alguém planeja fazer algo. Parece também que ele entrou e saiu de casinos caros e parecia muito suspeito que fosse apenas um amante de apostas simples. Tenho certeza que ele está tentando concentrar a atenção das pessoas para longe dele, fazendo você procurar pela filha do barão.

Lydia retirou o scotch das patas de Nico quando estava prestes a abri-la.

― Agora, não roube os pertences do papai.

Nico frustrado jogou um pedaço de papel em Lydia.

― Então, veja isso. Encontrei no seu quarto.

Ela pegou e viu que era um recorte de um tabloide: “Crianças desaparecem na névoa de Londres. Poderia ser o trabalho de uma organização de comércio de escravos ou algum tipo de operação secreta do submundo?”.

A reportagem descrevia sobre um menino que foi resgatado por um britânico no Brasil, que afirmou ter sido sequestrado em Londres e vendido para uma fazenda. No navio, ele foi colocado, aparentemente, junto com outros meninos e meninas que passaram pela mesma experiência. “Nos arredores de Londres, há milhares de crianças desaparecidas. Chegou-se a um ponto em que as pessoas começaram a acreditar que elas foram sequestradas pelo imaginário Fogman, sendo em que sua maioria, elas não são encontradas”. E terminava aí.

― Ele tem uma coleção de outros recortes de artigos semelhantes. Não há dúvida, ele está planejando fazer algo ruim. Como você foi quase sequestrada, esse fato pode estar relacionado de alguma forma.

―... Você está me dizendo que Edgar está por trás disso? O agressor foi morto por Raven.

Hmm, bem, não tenho certeza. Mas, ainda acho perigoso estar com esse homem. Lydia, por que não se apressamos e voltamos para Escócia? Bom, talvez não seja tão fácil desvencilhar do seu envolvimento com o conde.

Edgar disse que foi vendido como escravo no passado. Poderia haver a possibilidade de que ele estava coletando informações porque tem a ver com seu antigo trauma. Alguém que experimentou a experiência terrível de ser vendido e roubado de sua livre vontade como ser humano faz algo como vender outro ser humano? A parte ingênua e otimista de Lydia fez com que não quisesse acreditar nisso.

― Senhorita, seus biscoitos estão queimando!

O aviso da criada levou Lydia a olhar para o fogão de ferro. Ela tirou a chapa de ferro e percebeu que por pouco seus biscoitos queimariam.

― Obrigada, Deus! Faz tempo que não assava biscoitos. Espero que estejam tão bons quantos de mamãe.

Hoje é domingo. Um dia incomum, pelo fato de seu pai estar em casa. Os dois foram à igreja no início da manhã e Lydia decidiu que iria assar alguns doces com a receita de sua mãe para o chá da tarde. Quando não tinha que se preocupar com Edgar, então o dia passaria perfeito, assim como sua folga do trabalho.

Sua casa não se comparava à de Edgar, entretanto, aqui vivem seu pai, uma criada e uma cozinheira. Não havia nenhuma necessidade de Lydia ficar na cozinha, mas ela acreditava que era seu dever assar os biscoitos. Isso porque a sua mãe, uma fairy doctor, fazia biscoitos para oferecer às fadas. Lydia dispôs a chapa de ferro no peitoril da janela, já que Nico tentava roubar um deles.

Ela deixou a empregada preparar o chá e se dirigiu à sala com o prato de biscoitos na mão. Ouviu uma voz masculina conversando com seu pai. Parecia que senhor Langley, o estagiário de seu pai, tinha vindo visitá-los.

― Olá, senhorita Carlton! Desculpe-me por atrapalhá-los.

― Olá, senhor Langley! Fique tranquilo. Acabei de assar alguns biscoitos. Por favor, fique à vontade.

― Muito obrigado! Professor Carlton, esta casa certamente se tornou mais brilhante desde que a senhorita Lydia veio morar aqui.

― Esta casa estava escura?

A decoração da sala estava cheia de pedras, espécies de esqueletos e animais raros empalhados, de modo que visitantes normais fugiriam em cinco minutos.

― Não que ela seja escura, mas é inacessível para senhoras com senso comum. Por que você, ao menos, não guarda as caveiras? Mais por causa da miss Carlton.

O professor pareceu chocado e olhou ao redor da sala enquanto acomodava os seus óculos redondinhos.

― Este é um espaço bastante relaxante para mim. Mas, Lydia, esta sala realmente a incomoda?

― Não, pai. Não como um todo.

― Ah! Agora ela falou realmente como uma filha de um historiador natural. Se todas as senhoras fossem tão compreensivas quanto você, haveria um raio de esperança para os estudiosos que renunciam aos seus destinos como solteiros.

O próprio Langley era solteiro de vinte e sete anos.

― Oh, então, você está aqui para cortejar Lydia?

― Professor, você está preocupado? Se você está nervoso por alguém como eu, não seria mais pelo fato de que miss Lydia possa ter pretendentes?

― Lydia é uma criança.

Desde que ela veio morar com o pai, Carlton tratava Lydia como uma criança, provavelmente, porque ele percebeu de que sua única filha que vivia a certa distância, de repente, atingiu a idade para casar. Ele entendeu que a atitude desse conde galanteador fixou em direção à Lydia fez com que Carlton ficasse alerta.

Naquele momento, a empregada trouxe o chá e Nico foi o mais rápido para levar sua xícara aos lábios. Nico sentou-se próximo à Lydia, segurou a xícara e o pires com as patas, mas essa cena aparentemente não foi vista por Langley. Ele podia estar ciente que havia um gato na sala, mas a razão pela qual não estava surpreso foi porque seu cérebro provavelmente não registrou nada, além disso.

No entanto, de acordo com Nico, demorou dois anos após o casamento de seus pais, que o professor percebeu que o gato de sua mãe era um felino de classe mágica, por isso, ela entendeu que Langley era também esse tipo de pessoa. Lydia pensou que como seu pai e Langley estavam no mesmo campo acadêmico, compartilhavam semelhantes características. Como a forma que os dois pareciam um pouco desleixados. Ou como se eles fossem estudiosos incríveis, eram incompetentes em todo o resto.

Ao colocar um biscoito na boca, Lydia ficou satisfeita porque não ficou nada mal e, enquanto, estava sentada, observava o seu pai sorrindo alegremente, e isso como um todo tomou conta da sua tarde tranquila de seu dia de folga.

A melhor parte de ser Domingo é que não vou ver a face do gentil criminoso”, refletiu. Mas, seu dia pacífico desapareceu num piscar de olhos após o anúncio da empregada.

Sir, o conde Ashenbert está aqui para vê-lo. Diz que tem negócios para tratar com a sua filha.

― Ah, não! Ah, não!!!  Mande-o embora!! – reagiu Lydia.

― Lydia, não podemos enxotar o conde da porta. Convide-o.

Era natural de que seu pai dissesse isso, porém, Lydia sentiu uma força escorrer de seu corpo e se afundou na cadeira. Carlton deveria ter percebido vagamente de que Edgar não era um verdadeiro conde. Entretanto, como ele foi reconhecido pelo College of Arms, parecia que não haveria nenhum problema em chamá-lo de conde.  Porque para Carlton, de qualquer forma, achava que as pessoas nobres eram incompreensíveis e além de seu alcance. Logo, ele de modo silencioso deu a sua autorização para que Lydia fosse contratada pelo conde, pois sabe que ela queria ser reconhecida como fairy doctor em pleno direito.

Foi um contrato imposto, que não lhe opção de recusar. Porém, não houve problemas nas condições de trabalho para Lydia e foi a sua decisão, no final, de aceitar o cargo depois de muito pensar.

Após ser reconhecido, Edgar se tornou o empregador de sua filha e um conde respeitável, por isso, ele acreditava que precisava cumprir a etiqueta com respeito.

Depois de alguns minutos, Edgar entrou na sala de estar da casa dos Carlton com sua brilhante presença e graça elegante. Ele estava em trajes como estivesse indo para uma festa noturna, com um casaco de noite preto e colete vinho. Mas sua característica mais notável era seu cabelo reluzente e um sorriso contagiante como fosse um anjo. Muito embora que, provavelmente, existia um diabo escondido atrás daquele rosto.

― Por favor, desculpe a minha intromissão, professor Carlton.

― Bem-vindo, my lord. Espero que a minha filha não tenha causado nenhum problema.

― Oh, não! Ela tem trabalhado perfeitamente!

Lydia presenteou Edgar com um olhar sombrio, enquanto ele entregava seu chapéu alto à empregada e dava uma saudação com palavras inocentes enquanto apertava a mão de seu pai, que se levantou de maneira cansada. Ela esperou para abrir a boca depois que Carlton lhe apresentou Langley.

― Então, o que veio fazer aqui?

― Lydia, não seja tão rude. My lord, sente-se. Você gostaria de um pouco de chá? Nós temos biscoitos feitos por Lydia.




― Hum, interessante. Adoraria experimentar.

Não há nada de interessante”. Ele falou de um jeito como fosse uma comida desconhecida de um país distante. Lydia estreitou as sobrancelhas ligeiramente. Edgar sorriu para ela enquanto lhe olhava furiosa, e assim decidiu sentar-se ao seu lado de propósito. Então, ele agarrou Nico, que estava sentado no seu lugar, pelo cangote e o mudou. Nico fez uma pose ameaçadora levantando os pelos das costas e não poupou de lançar palavras pejorativas, mesmo que soasse como sibilos e grunhidos.

― Tem um sabor curioso. – observou Edgar, uma vez que mordeu um bocado do biscoito.

― Tudo bem se você disser que não gosta.

― É como você, uma vez que se prova se anseia por mais.

Carlton limpou a garganta em uma tosse intencional.

― Por sinal, professor, li seu mais novo artigo outro dia.

Edgar mudou rapidamente de assunto, voltando a atenção para si, com um olhar sério para Carlton.

― Ah, então, você tem interesse por História Natural?

― A natureza é profunda quanto mais se procurar dados sobre ela. A palavra incrível foi feita para estudo da História Natural, como sempre surpreendente. Em especial, gostei de ler a parte sobre sua análise da estrutura do cristal.

Uma vez que ele abriu a boca, foi fácil agarrar a atenção de Carlton. Ele atuou como fosse um jovem aluno humilde pedindo respostas a seu professor, mas também conseguiu devolver respostas inteligentes, fazer perguntas exatas para animar a conversa.

Parece que não eram apenas as mulheres que Edgar tinha a arte de conquistar. Muito provavelmente, ele conhecia a maneira mais precisa de se apresentar e assim ganhar a simpatia de qualquer tipo de pessoa. Pode ter sido natural para alguém como ele que soube como é duro ser bem-sucedido no mundo real, notava-se que tinha realmente lido o artigo e investiu nele para ganhar a simpatia de seu pai, que até pensou que estar obcecado com a sua própria pesquisa de campo.

Agora, pai, você não deveria realmente se abrir para ele assim”, era o que ela queria dizer enquanto observava os dois.

― Por sinal, professor, encontrei alguns documentos antigos sobre este assunto. Há uma pedra chamada “ovo da fada” ou algo assim.

Lydia foi atraída para a conversa quando surgiu o assunto trazido por Edgar. Ao mencionar “ovo de fada” era algo envolvido no caso do desaparecimento da filha do barão. Um caso em que Edgar era um dos suspeitos.

― Sim, existe uma pedra com esse nome.

― Pai, esse “ovo de fada” é real?

― É apenas um mineral. Tem esse nome romântico, mas não passa de uma pedra de ágata rara.

― Uma ágata, como assim?

Havia uma pedra preciosa de ágata, do tamanho de uma cabeça de uma criança, exposta no gabinete, juntamente com várias outras pedras coloridas. Carlton levantou-se e tirou essa grande pedra do armário e a colocou sobre a mesa.

A superfície externa da pedra se assemelhava a uma rocha preta e grosseira. Porém, não poderia imaginar que era uma pedra de padrão descascado multicolor por dentro.

― Quando você olha desse modo, parece que há uma ágata presa em um ovo rochoso. Só depois de quebrá-la, você consegue ver o que há dentro.

Edgar olhou curiosamente para a ágata em cima da mesa, que foi dividida em duas para revelar as camadas brilhantes de cristal na seção transversal.

― Mas, a ágata que leva o nome de “ovo de fada” não é uma pedra assim, é?

― O nome foi dado a esse tipo de ágata é um substantivo próprio. Não está relacionado às suas espécies. De acordo com a literatura, é uma bela pedra branca leitosa que tem um padrão verde em sua superfície. Essa coloração é rara e chamada como “folha de menta”. O “ovo de fada” é uma ágata com água presa em seu interior.

― Uma ágata que contém água?

Embora fosse Edgar quem iniciou o tópico, Lydia foi a pessoa que mais fez perguntas, provavelmente porque ele já deveria ter procurado o que era uma ágata selada com água.

― Quando você observa uma pedra preciosa de ágata, pode ver como há uma caverna aberta no centro da pedra, certo? São raros os casos de presença de água. No entanto, se você cortá-la em dois, não pode verificar se há água porque evapora assim que ela é aberta.

― Então, como você pode ter certeza que há água dentro dela?

― Se você a agita, pode ouvir água dentro dela. Caso você encontre uma pedra assim, pode esculpir seu exterior lentamente. Quando você se aproxima do centro da pedra, pode ver que é transparente. Haverá a antiga água balançando para frente e para trás, escondida em sono dentro da terra profunda por centenas, milhares de anos.

Ao imaginar isso, Lydia soltou um suspiro. Ela se perguntou como a luz pareceria quando era o primeiro raio de luz solar a atingir seu centro e a brilhar por meio da cor da ágata, que, provavelmente, era como um fino vidro fosco.

― Possivelmente, o nome “ovo de fada” veio da coloração menta que o cobre como as veias de uma folha e a água comparada a uma criatura misteriosa e imaginária.

― Mas, pai, se fosse uma pedra de ágata tão rara, então, poderia haver uma chance de uma fada entrar nela.

Langley, que era o único que não conhecia esse lado da família, olhou intrigado com o comentário estranho de Lydia.

― As fadas adoram objetos bonitos, e isso não significa que a água presa dentro da ágata fosse a água sagrada dos seis dias da Criação? Isso seria o suficiente para atrair qualquer tipo de fada e cativá-la. E as gemas são pedras que absorvem a luz e as prendem em seu interior. Até têm o poder de reter magia. Se uma fada entrasse em uma, não poderia escapar.

― Na verdade, há registros de que elas foram usadas para esse propósito. Não tenho certeza sobre outras pedras de ágatas quem tenham água em seu interior. No entanto, se eu só mencionar “ovo de fada”, então, aparecem histórias engraçadas como espíritos malignos selados.

― Então, aquelas pedras que são chamadas como “ovo de fada” ainda existem? – perguntou Edgar.

― Pode haver. Li que havia um registro que existia uma em algum lugar da Abadia de Canterbury, por volta do século XVI. Após isso, não ocorreu registro algum.

Depois de ouvir isso, Lydia ficou intrigada com uma coisa.

― Edgar, o jogo de adivinhação do “ovo de fada”, que é popular entre as jovens, se usa uma bola de vidro em vez de uma ágata?

Não havia nenhum sinal de que as pessoas usassem a preciosa pedra do “ovo de fada” para um jogo de adivinhação.

― Sim. Bem, agora isso se tornou meu principal interesse.

Interesse? Não há nada em você que gostaria de ter interesse em fadas”.

― Sobre o “ovo de fada”, encontrei um lugar que o vende. Você não gostaria de ir?

― Eh? Agora?

― Vim aqui para convidá-la. Escutei que é um evento que só ocorre aos domingos nos Jardins de Cremorne.

Depois, Edgar se virou para encarar o professor Carlton.

― Professor Carlton, me daria a permissão levar miss Carlton? Isto é correspondente ao seu trabalho como fairy doctor.

― Se está relacionado a seu trabalho, então, não tenho razão para impedi-la. Mas, já está anoitecendo, acredita que ficarão até tarde?

Langley olhou para Lydia horrorizado.

― Uma vez que nosso assunto esteja encerrado, prometo escoltá-la em segurança para casa. Ficarei ao seu lado o tempo todo, portanto, não há o que se preocupar.

Lydia pensou que, mesmo que percorresse um caminho cheio de batedores de carteira e saqueadores, nenhum deles seria mais perigoso do que ele. Aquele pensamento a desanimou. Mas, se ela estava investigando o caso de “ovo de fada”, era preciso que ela colocasse suas mãos em uma delas e saber onde eram vendidas. E havia outra coisa que queria esclarecer com Edgar.

― Eu irei. Você poderia esperar um pouco? Vou me aprontar.

Langley abriu a boca para Lydia que estava prestes a se levantar.

― Hum... Miss Carlton, tinha me esquecido. Se você não se importar, queria presenteá-la com isso.

Ele ofereceu um buquê de margaridas amarradas a uma fita.

― Desde sempre, venho visita-los sem presentes. Ah, sim, e obrigado pelos biscoitos de hoje.

― Oh! Muito obrigada!

Ela ficou sinceramente feliz com o presente e sorriu de modo encantador.

Depois de pegar o chapéu e o xale, Lydia subiu na carruagem de Edgar, que já estava à sua espera. Ele tinha aparentemente trazido Raven, que estava em uma postura reta e imóvel, aguardando ao lado da carruagem, enquanto ela vinha em direção deles. A carruagem tomou o rumo da estrada, e Lydia sentiu os olhos picantes de Edgar a observando atentamente, sentado ao seu lado. Foi terrivelmente desconfortável.

― O que foi? Por que você está me olhando assim?

― Fiquei pensando... Nunca imaginei que você poderia sorrir daquele jeito.

Hum?

― Quando você foi presenteada com as flores do sir Langley, ficou feliz do fundo do coração. Mas, na minha vez, nunca demonstra o mínimo de prazer.

― Não é bem assim. No seu caso, seus presentes não são de coração.

Assim que fechou a boca, ficou preocupada por ela ter dito algo nada amável. Porque o seu primeiro encontro com Edgar foi uma situação tão duvidosa, que a fazia agir constantemente contra ele. Mas, julgá-lo por não ter colocado o coração em suas ações era uma forma de se prejudicar.

Hmmm. Bem, as ladys preferem apanhar flores à beira da estrada ao lado de seu amado mais do que um extravagante buquê.

Ela sabia, por experiência própria, que quando ele se mostrava fraco e deprimido era um dos seus truques, mas no final, Lydia sentiu-se como estivesse fazendo a coisa errada.

Ela entendia que tinha que aprender, de verdade, com os erros do passado, mas ao ver Edgar, que normalmente era deslumbrante, bonito, seguro e confiante, percebeu que às vezes se sentia equivocada quando o julgava.

― Senhor Langley vive perto, por isso vem nos visitar.

― Tão perto assim?

― A residência dele está a duas casas.

― Raven, você ouviu isso?

― Sim. – respondeu o jovem que estava sentado ao lado de Edgar.

― Espe-espere um minuto!! O que você está planejando fazer?

Ela entrou em pânico porque Raven confessou anteriormente que não pouparia ninguém se estivesse no caminho de Edgar.

― Apenas estou um pouco ciumento. Posso?

― Não, você não está! E para dar uma ordem tão facilmente assim...

Edgar olhou para Lydia como se estivesse alarmado, para logo depois rir da brincadeira.

― Estava apenas brincando, Raven.

― Eu entendi.

― Por enquanto, de qualquer jeito.

― Pare de brincar! – replicou Lydia, enquanto se afundava no assento.

― Pare de reclamar do seu ciúme! Você só está se divertindo e curtindo enquanto observa a minha reação. Além disso, o senhor Langley apenas tem respeito à filha do seu professor. Ele me trata como uma garota normal, porque não sabe nada sobre mim.

― Você não está totalmente ciente de seus encantos.

― Estou perfeitamente consciente de como eu sou. Fui chamada de estranha toda a minha vida.

― Seus olhos podem ver um mundo majestoso. Sua audição pode dizer se há vozes misturadas às ondas dos ventos. Se houvesse alguém que descobrisse isso, qualquer pessoa ficaria assustada. Mas, sabe por quê? Porque teriam medo de duma garota que podem conhecer seus sentimentos, ser capaz de enxergar o que elas escondem de si mesmas, até mesmo seu lado mais perverso.

Ele, com certeza, foi rápido para encontrar alguma desculpa. Ela não queria ser influenciada, então respondeu:

― Então, por que você não me deixa enganar? Sei que no dia em lady Dóris desapareceu, você a convidou para andar de carruagem.

Hmmm, e quem te contou isso?

Porém, ele não estava abalado, em vez disso, silenciou a voz para um sussurro como estivesse falando palavras doces e derretidas para ela.

― Naquele dia, você foi ao porto. Depois parou sua carruagem na A Doca, o que você fez? E outra coisa, você convidou lady Dóris para entrar na sua carruagem, assim que ela se separou da empregada durante o bazar. E mesmo assim, após isso, se perdeu ela de vista. No entanto, olhe para si mesmo, você é o maior suspeito.

― Você é uma vidente?

― Você chegou em casa com uma pequena fada que vive no porto no telhado de sua carruagem. Depois que a conheci e de ouvir o que aconteceu, ela me disse que foi levada a uma área residencial de alta classe desconhecida, se perguntava perdida onde era sua casa, sem saber como voltar.

Foi Nico foi quem contou sobre isso, mas deixou esse detalhe escapar. Ele não podia argumentar contra, encolheu os ombros e se jogou do lado.

― Mesmo que contratasse empregados silenciosos, não seria capaz de te enganar se eu me casasse com você.

― Eu não me casaria com um homem que me engana.

Houve um ligeiro barulho vindo do assento oposto a eles.

― Raven, você riu, não foi?

― Nunca.

Ela olhou para ele com incredulidade, pois nunca imaginaria que ela pudesse ouvir Raven rir, pois ele não mostrava sinais de nenhuma emoção.  Porém, Raven recusou calmamente as acusações de Edgar, com expressão dócil, ao mesmo tempo em que ela não conseguia imaginar que tipo de semblante Raven fez quando riu. Talvez ele sorriu sem expressão.

― Lydia, de fato, convidei lady Dóris para dar uma volta em minha carruagem. Mas, só a levei até a frente de sua casa. Falo a verdade quando digo que a conheci por coincidência, por isso fiquei surpreso quando soube que ela desapareceu. A fada não estava vendo a hora que ela saiu?

― Sim, infelizmente. Ao que tudo indica, ela adormeceu por um tempo.

― ...Que fada inútil. De qualquer forma, confie em mim. Não estou mentindo.

Como ela deveria confiar em um homem que era um grande mentiroso desde o início?

― Então, o que fez você decidir em ajudar alguém?

― Você não pode me culpar por ser curioso. Depois de deixá-la na frente de sua casa e ela desaparecer assim... É natural que seja suspeito. Portanto, por esse motivo que preciso descobrir a verdade.

Suas mentiras pareceram mais convincentes do que a verdade. Ele era capaz de fazer de suas mentiras como ser um conde tornarem a realidade. Logo, para Lydia era difícil decifrar suas palavras eram verdade ou não.

― Há algo mais que você está escondendo de mim?

― Não.

― Você está tentando me enganar novamente?

― Agora, por que eu faria isso?

Ele era alguém que poderia enganá-la enquanto mentia com seu olhar e comportamento sério. Ainda assim, ela se perguntou por que havia uma sensação forte que queria acreditar nele do que duvidá-lo.

Pouco depois, a carruagem atingiu os Jardins de Cremorne, que estavam recheados com decorações primorosas e uma música animada. Uma vez que saíram da carruagem, passaram por um grande portão de ferro. Eles entraram na vasta área coberta por diferentes exposições e cabines de espetáculos.

O santuário número um de Londres para o entretenimento era um lugar lotado de pessoas com estilos que Lydia nunca testemunhara. A direção em que se virou havia pessoas, pessoas e pessoas. Ela se perguntou de onde viera todo aquele pessoal.

Ao passarem em frente a uma tenda de circo, a orquestra tocava uma música chinesa e ali ocorria o show de pierrot que estava prestes a atravessar uma corda no alto de uma grande calçada. Tudo isso era novo para ela, e seu foco quase se perdeu. Lydia lembrou-se que não estava ali para se divertir, mas pesquisar.

― Onde você gostaria de ir? Acho que os elefantes fazendo acrobacias seriam interessantes.

― O quê? E o “ovo de fada”?

― Isso pode vir depois. Uma vez que estamos aqui, vamos nos divertir.

Ele a puxou sem perguntar se ela queria.

― Espere, Edgar. É verdade que o “ovo de fada” é vendido aqui? Se for mentira, vou para casa. Não tenho intenção de gastar meu dia valioso de folga para acompanhá-lo nos seus caprichos.

― Que cruel! Então, tudo bem. Uma vez que acabamos nossa pesquisa, dê um pouquinho do seu tempo. Porque isso é algo comum para você. Queria que você passasse um tempo comigo sem um pingo de dever.

Lydia se perguntou se ele queria ficar de olho nela a ponto que usaria esse dia de trabalho.
Francamente, não consigo entender o que pensa Edgar”.

― Se não é necessário nenhum senso de dever, acredito que não há nenhuma uma razão para tê-lo como companhia.

― Por quê? Imaginei que queria se divertir.

― Se você quer se entreter, então, por que não convida uma garota diferente? Todos nós sabemos que há um número infinito de garotas que seriam fáceis de você ludibriar, ao invés de uma garota azeda como eu. Você iria ficar satisfeito em ter a companhia de uma garota que ficaria encantada em ficar com você.

― Eu realmente não gosto de seu lado ácido, embora, prefiro o seu sorriso.

― Como já disse, pare de me provocar!

― Agora, Lydia, você tem considerado as coisas de modo negativo, como estivesse a provocando, ou que você é a única que conhece o meu segredo. Não é natural considerá-la de forma positiva e querer passar um tempo com você? Se não a convidasse não haveria chance de nos conhecermos, esses são os meus mais sinceros sentimentos. Não houve tempo desde a primeira vez que nos encontramos, e não estou no estágio de dizer que você é a única para mim, portanto, queria conhecê-la melhor. Você me conhece, e por isso que a convidei aqui.

Ele está dizendo a verdade? Ou porque sou facilmente enganada, e ficaria mais fácil brincar comigo”.

Embora Lydia pensasse assim, mesmo assim, ela assentiu com a cabeça.

― Bem, se for um pouco, não me desagrada ver outras atrações.

― Obrigado. Vamos alimentar nosso amor assim, passo a passo.

Quando ela pensou que ele estava falando sério, ele rapidamente voltou a fazer piadas com ela. Lydia sorriu ironicamente. Sua atenção se concentrou de certa forma na mão que ele manteve para levá-la no meio da multidão. Ela pensou que havia algo errado por segui-lo silenciosamente. Estava brava com si mesma por estar feliz em ser elogiada, mesmo que fosse uma mentira ou lisonja. E, no entanto, existia um lado calmo nela que não confiava completamente em Edgar. Essa parte se convenceu que ele estava atento nela por ter uma valiosa utilidade.

A ideia de que Edgar estava atraído por ela era algo impossível e essa sua convicção fundamental não poderia ser descartada, não importava o que ele dissesse. Porque Edgar não combinou com a vaga ideia de Lydia sobre o primeiro encontro perfeito ou mesmo o senso de que um homem e uma mulher fascinados pelos sentimentos iriam ter um relacionamento amoroso.

Sua ideia de um pretendente ideal era alguém, que no início, não parecesse ter qualidades excepcionais, no entanto, era gentil e atencioso em relação a outras pessoas. Mesmo que ele fosse um pouco desajeitado ou desordenado, e que precisasse cuidá-lo todos os dias, com seus cabelos despenteados, como acabasse de acordar, e entendesse e compreendesse o seu lado de ver fadas. Alguém que tranquilo e suave. Alguém talvez como seu pai.

Ela não combinava com alguém que falava palavras doces e derretidas em um inglês perfeito britânico, ou figura delgada impecavelmente perfeita e que tinha modo atrativo perfeito em cada gesto ou movimento. Ele tinha a graça de um cavalheiro nobre, que os corações das mulheres se enterneciam quando ele sorria, mas era assustador quando forçava uma pessoa que não seria páreo para ele. E era impossível esquecer-se disso. Mesmo que Edgar era ciente de que tipo de mulher iria corresponder a ele sem resistência, Lydia nem era aristocrata em primeiro lugar.

Ela ouvir falar que, mesmo nos últimos tempos, a classe média rica conseguia circular livremente e aos montes entre eles. Existiam casos em que recorriam à venda de suas propriedades e viviam em uma casa alugada. Mas, quando ela olhava para Edgar, ainda pensava que ele era uma espécie completamente diferente dos plebeus.

― Ali está! Este é o lugar que anuncia que você pode ver o show das fadas.

Assim que ela ouviu a voz de Edgar, Lydia olhou para o pequeno teatro cor-de-rosa. Além da multidão das pessoas, foi possível ver em uma tenda, um homem fazia cartas e flores flutuarem no ar.

― É apenas um truque mágico.

― Ele afirma que uma fada invisível segura o cartão e voe com ele.

― Eu não vejo nenhuma fada.

― Se uma fairy doctor diz isso, então, deve ser um truque.

Uma vez que o mago terminou o show, começou a venda do “ovo de fada” no palco. Diferentes bolas de vidro coloridas foram alinhadas. O mago informou que havia fadas dentro delas. Ele mesmo explicou como fazer o jogo de adivinhação, o que fez as senhoritas da multidão ouvirem atentamente. Logo após, Edgar voltou depois de ter comprado um deles e entregou-o à Lydia.

― Há algo por dentro?

― Parece que não há nada dentro dele.

― Esse mágico é um dos artistas que tem um contrato com este lugar. Ele constantemente muda sua aparência e nome para executar todos os tipos de shows, mas não se ouve nada excepcionalmente suspeito.

― Pelo menos, essa bola de vidro não tem nada que atraia as fadas. Consegue ver como a cor é turva, o vidro não é bonito e a cavidade por dentro é completa? Seria diferente se houvesse algo dentro que as fadas gostassem, e comparando com este, você teria uma chance maior e melhor de chamá-las se colocasse água limpa em algum tipo de recipiente de vidro.

― Isso quer dizer que responsabilizar as fadas pelo desaparecimento de lady Dóris seria algo forçado?

― Sim... Mas, é muito cedo para decidir que não é o trabalho de uma fada. Eu precisaria investigar isso um pouco mais.

Enquanto se concentrava, Lydia entregou a bola de vidro a Edgar. Naquele momento, ela ouviu o som de um vidro quebrando dentro do galpão e, logo após, os gritos agudos de uma mulher. Parecia que alguém havia quebrado um dos ovos de fada. No entanto, como uma reação em cadeia, uma série de outras bolas quebrara uma após a outra. E assim, várias pessoas ficaram feridas, o que provocou pânico. O mago ergueu a voz na tentativa de acalmar a todos.

Uhh, gostaria de avisá-los, as ladies, em particular, para terem cuidado ao lidar com as fadas. Certifiquem-se que ao mexer com isso não seja algo grosseiro ou falar mal dos outros. Há momentos em que podem ficar irritadas e explodirem o ovo.

― Como você saberia? – murmurou Lydia.

― Pode haver um gás que explode em contato com a temperatura corporal. Aposto que os que explodiram eram apenas depósitos. Mesmo assim, é perigoso ter pedaços de vidro voando no meio de uma multidão. – disse Edgar.

― Lydia, olhe para cima!

Neste momento, ela ouviu Nico gritando. Orientada pelo gato-fada, que aparentemente os seguiu invisível, Lydia mirou para cima e viu uma fada em uma das vigas no teto do galpão. Era do tamanho de uma criança, com rosto enrugado como um homem velho, e um corpo coberto por pelos desordenados e pequenos chifres na cabeça – uma fera bogey.

Ele balançava para frente e para trás enquanto ria pendurado na viga. Depois, ele virou a cabeça em direção à Lydia. Seus olhos se encontraram.

[― Hum. Então, você pode me ver].

De repente, ele desapareceu. Lydia percebeu sua intenção e olhou para o “ovo de fada” na mão de Edgar.

― Edgar, jogue isso fora.

Eh?

Ela rapidamente o afastou de sua mão. Uma fração de segundos depois de jogá-lo na direção oposta do galpão, a bola de vidro explodiu. Ela o puxou, enquanto ele aparentava completamente confuso e saíram do galpão em fuga. Ela examinou a área, mas não conseguiu identificar nenhuma fada por perto.

― Havia uma fera bogey.

Bogey... Acho que já ouvi falar disso, que tipo de fada ele é?

― É da espécie travessa. Um pequeno demônio de má índole. Não é muito inteligente, pertence à corte Unseelie.

― E um deles fez com que os “ovos de fadas” explodissem dentro do galpão?

― Não tenho certeza, o mago não parecia estar em pânico. Poderia estar envolvida uma série de coisas, mas não há dúvida que bogey aproveitou da situação.

Ela se perguntou se era algo fora do contexto ou estava envolvido de alguma forma com os “ovos de fada”. Seria precipitado decidir de modo arbitrário que as fadas não estavam relacionadas com o desaparecimento de lady Dóris.

Edgar segurou a mão de Lydia enquanto estava concentrada pensando.

― Você ficou ferida?

Aparentemente foi cortada com um pedaço da bola de vidro que explodiu assim que a jogou. O sangue escorria da ponta dos dedos. Ela tirou a luva e a verificou, mas parecia que as ferida não eram tão profundas.

― Estou bem. Os cortes são pequenos. Eles irão se curar se lamber.

Quando ela disse isso, Lydia, de repente teve um mau pressentimento e, rapidamente, puxou as mãos para trás, longe do alcance de Edgar.

― O que há para esconder?

― Acredito que estou começando a entender o que você está pensando.

― Só pensei que seria capa de curar suas feridas.

Ele deu um sorriso para ela.

― Estou bem.

Ela não podia se descuidar com ele. Lydia começou a se afastar depressa dele, mas ele a convidou para dar uma volta em um dos barcos no lago. Estava arrependida por ter aceitado em dar uma volta no jardim, mas começava a ficar escuro nos Jardins Cremorne e as lâmpadas de gás começavam a brilhar lindamente, que tornava a atmosfera ainda mais animada. Ela conseguia pensar em como Edgar a deixaria ir tão facilmente.


― O que você está fazendo? Por pouco feriu o conde!

Uma garota de cabelos laranja gritava em direção de seus passos. As pessoas que passavam não conseguiam ver a pequena e feia fada que estava ali. Ela percebeu que garota não gritou, e sozinha ali atraía uma atenção indesejada, por isso, rapidamente, se escondeu entre as sombras das árvores e baixou a voz.

― Não te disse para você não atacar apenas a garota?

[― Mas, mestra, aquela humana pôde me ver. Sim, ela não só me conseguiu me ver, mas descobriu que era o único que quebrava os vidros. Estou certo de que ela é uma fairy doctor].

― Então, o quê? Você é meu escravo. Você tem que apenas me ouvir e fazer o que quero!

[―... Sim, mestra].

― Era apenas para causar uma comoção maliciosa e a assustasse a ponto de tremer de medo. Assim como Dóris, que queria que desaparecesse de Londres.

Quando ela disse a última parte, ele subiu em seu ombro, mas chacoalhou parte da saia de modo que ele caísse. Ela estava à procura da garota de castanhos avermelhados que caminhava ao lado do conde. Era uma visitante frequente da mansão do conde, e aparentava que tinha uma boa convivência com Edgar Ashenbert. Ela observou também que tinham a mesma idade.  Fora os impressionantes olhos verde-dourados, não era tão bonita, e isso a fazia pensar que ela sim era adequada ao conde. Como era uma mestra de uma fada escrava, acreditava de verdade que era capaz de fazer qualquer coisa com o poder da magia.

[― Heh como um humilde humano pode controlar uma fada? Você e eu somos escravos da mestra].

Nico estava ouvindo os murmúrios revoltados da fera bogey no topo de uma árvore.

[― E pensar que você é tão alto e poderoso. A única razão pela qual eu ouço atentamente é porque são as ordens da mestra. Espera só, sua pequena moça atrevida!].

A fera bogey de repente colocou a mão sob o queixo como estivesse pensando em alguma coisa.

[― Mas, se aquela fairy doctor desconfiar, teremos problemas. Se ela entrar no nosso caminho, então, todo o duro trabalho da mestra terá sido em vão].

Enquanto ele murmurava para si mesmo, a fera bogey lentamente desapareceu.

― Ah, não! Parece que teremos problemas pela frente. – reclamou Nico, enquanto balançava sua cauda.

― E o conde, que continua se divertindo e com todo o seu passado, não tenho ideia do que pensa. Para variar, vou ter que ficar de olho nele também, e que incômodo!

Nota da tradutora: Quando o Edgar chega na casa da Lydia no domingo de tarde é a parte que mais gosto do capítulo. Dá para sentir que ela o queria beeeeeeeeem longe. E o atrevido ainda dá um chega para lá no Nico sentado todo comportado no sofá, só para ficar ao lado da fairy doctor. XD A-do-ro!

E já deu para sentir na última parte que a treta vai ser maligna, não é? Deixa chegar nos 3º e 4º capítulos... Você vai querer esganar o Edgar! E... Hum, não vou dar spoiler, não! XD
O próximo capítulo chega em meados de novembro! Te espero! Até lá e obrigada por nos prestigiar! Beijos!