sábado, 13 de janeiro de 2018

O Demônio Nobre - Capítulo 4 - Volume II - Hakushaku to Yousei Light Novel

Nota de abertura: Antes de tudo, Feliz Ano Novo! E estamos de volta, desta vez com o 4º capítulo que tem o título bem apropriado... O Demônio Nobre. Capítulo tenso e bem revelador. Enjoy!

“Aquele” que já foi dito ser um dos tesouros que foi agraciado pela família real de Granada.  A ágata de água, a qual diz ser benta no momento da Criação do Universo. Havia uma velha lenda a qual contava que os demônios que tocavam a ágata seriam sugados para dentro do cristal. Portanto, quem a possuísse não seria prejudicado por espíritos malignos. Em outras palavras, era uma pedra encantadora para afastar o mal.

Desconhece-se quem a trouxe do reino de Granada para a Inglaterra, mas tinha um padrão fino, verde-claro como as veias de uma folha e pelo tamanho se assemelhar a um ovo foi chamada de “ovo da fada”.  E quando você a traz e a coloca contra a luz, posicionando o centro, pode ver a sombra da água que é dita estar presa desde os tempos antigos.

 ― Sem erro, essa é única - sussurrou Lydia quando examinou a ágata de água e continuou a ler a descrição em um livro.

No registro dizia que foi armazenada na Abadia de Santo Agostinho. No entanto, no século XVI, a Abadia foi confrontada com a dissolução e desde então, cuidadosamente, escondida. Verificou-se que esta ágata tinha selado um demônio dentro de si que abalou a cidade e acreditava-se que seria desastroso se caísse nas mãos de um país inimigo.

― Bem, creio que, nessa época, as pessoas acreditavam que um demônio poderia ter muito poder.

De acordo com uma lenda foi dito que a família real tinha sua custódia. Isso parecia razoável, mas, infelizmente, não havia nenhuma prova cabal até agora. Esta pedra foi parar nas mãos de colecionadores nobres. Mesmo que fosse a família nobre ou colega, a ideia de que os demônios temiam o sangue nobre circulava desde os velhos tempos, e assim temiam uma pedra que era considerada capaz de selar demônios. Podem ter coletado a pedra como preciosa e rara, e não seria inacreditável, mesmo que houvesse uma família que a cuidou furtivamente.

― Os artigos do pai são seguros, dignos de um erudito.

Ao fechar o livro, ela voltou para prateleira. Lydia tinha corrido de volta para casa para pesquisar sobre a ágata selada de água e, embora pudesse encontrar um relato descritivo sobre isso, era toda a informação que havia e praticamente cresceu envolta com as pesquisas do seu pai. Ela não poderia dizer se realmente havia um demônio escondido dentro dessa ágata de água que estava na sua frente, apenas olhando-a.

― De qualquer forma, se fosse concedido a uma família de parentesco, então, não seria algo misterioso se entrasse na casa de Edgar.

Lydia não sabia o que tinha acontecido com a sua família, mas, de qualquer modo, percebeu que Edgar foi sequestrado e vendido quando teve a posse dessa pedra.

Se Raven disse a verdade, logo, durante aquele tempo, ele deve ter visto as duas fadas. Provavelmente, não eram fadas reais, mas duas meninas em vestidos limpos e bonitos que fizeram acreditar que eram. Se fossem fadas reais, não romperiam a promessa com uma troca. O que significa que a garota que aceitou essa pedra não sabia disso, e tinha posse desde então. Rosalie poderia ser aquela garota.

[―Oi, me devolva essa pedra].

Quando ela se virou para ver quem era, deu de cara com a fera bogey agarrado à janela do lado de fora.

― Tudo bem, por que você não pega?

Lydia abriu a janela. No entanto, a fera bogey não tentou entrar na sala.

[― É inútil tentar me enganar. Você que irá me trazê-la].

Parece que ele sabia que seria sugado se ele tocasse a ágata. Uma pedra sagrada que afasta o mal. Ela se perguntou o porquê a fera bogey se cercou com um problema e ainda foi escravizado por Rosalie. Se Rosalie não era a verdadeira mestra da fera bogey, qual era o objetivo do verdadeiro mestre mantê-lo perto de Rosalie? Ela se indagou se Rosalie, que era a proprietária do “ovo de fada”, tinha algo a ver com isso.

Nada disto fazia sentido.

― Devo devolvê-la para aquele que o deixou cair?

Com a ágata em sua mão, Lydia caminhou até a fera bogey.

[― Quem? Ele não vem por esses lados].

Então, a fera bogey tropeçou com seus braços e pernas finas, que o fizeram que ele perdesse o equilíbrio e caísse na borda da janela.

― Quem é seu mestre?

[― Na-Nada! Apresse-se e venha aqui para fora. Preciso ter a posse dela. My lady está esperando você em sua carruagem. Ela veio desta forma para ter a posse desta pedra].

Rosalie está aqui? Então, vou ter que encontrá-la e resolver algumas questões não esclarecidas”.

Lydia agarrou a pedra e saiu da sala. Uma carruagem estava estacionada na esquina da rua, algumas casas abaixo.

― O servo árabe do conde disse que tinha entregado a minha pedra para você.

Ela pensou em Raven, realmente ele não era um árabe, mas não tinha certeza disso, por isso,  permaneceu em silêncio.

― Sim, estava com ela. Mas, miss Rosalie, tem alguma ideia do que seja isso?

― É uma pedra mágica. Ela concede todos os meus desejos.

A carruagem começou a se mover.

― Para onde vamos?

― Para um lugar onde podemos conversar calmamente. Miss Carlton, há algo que queira me dizer?

Ela não viu nem a sombra da fera bogey dentro da carruagem.

― Você poderia primeiramente me devolver a pedra?

Certamente, uma vez que não era de Lydia, não poderia mantê-la, e por isso, ela entregou à Rosalie.

― Responda-me, quanto tempo tem andando com aquela fada, já que você tem a posse da pedra?

― Acredito que há alguns anos. Esta pedra é um “ovo da fada”. Aparentemente, leva bastante tempo para chocar, mas uma fada nascerá para servir o seu dono. Isso foi o que me contaram.

Mesmo que fosse chamada de “ovo da fada” era impossível que uma fada nascesse de ágata com água selada. Porque não é capaz de surgir sozinha. Essa foi uma mentira que a fera bogey falou à Rosalie para começar a enganá--la. Foi o que Lydia queria dizer a ela, porém, vendo como Rosalie se pronunciava com calma, achou melhor não contar nada.

De qualquer forma, a fera bogey sabia de algo sobre a ágata e se aproximou de Rosalie. A fada estava tramando algo que tinha a ver com o “ovo de fada”.

― Uh, lady Rosalie, como conseguiu a pedra?

Quando ouviu a pergunta, Rosalie se mostrou irritada.

― A pessoa que lhe deu isso, me pergunto, por que abandonaria uma pedra tão preciosa.

― ...O que você está me tentando me dizer? - ela se exasperou com um tom áspero.

― Só acho que o “ovo da fada” não é algo que concederia desejos a seu proprietário. Então, queria perguntar sobre o dono anterior.

― Tudo bem, vou te contar. A pessoa que possuía isso antes de mim não era capaz de receber a benção da fada. Claro que ele não conseguiria, mesmo que tivesse a pedra, uma vez que ele a roubou.

― Roubou isso? Verdade?

― Essa é a única explicação. É por isso que a fada decidiu vir para o meu lado. Estamos quase lá. Para o lugar onde encontrei a pedra. É um lugar onde podemos conversar em paz.

O anoitecer já avançava, e o nevoeiro começou a aparecer novamente. O lugar onde a carruagem parou era próximo ao porto e com edifícios antigos alinhados em torno dele.

Rosalie entrou em um dos edifícios de armazém que parecia não ter sido usado por décadas. Lydia a seguiu, mas viu que estava cheio de poeira e teias de aranha. Havia uma janela redonda perto do teto que era escura e mofada. Ao abrir uma pequena sala, Rosalie entrou e parou em espaço vazio e aberto.

― Há oito anos, acredito, havia um jovem menino que estava deitado aqui. Ele parecia um filho de um vagabundo e estava usando roupas queimadas, furadas e cobertas de poeira. É por isso que soube imediatamente, este menino tinha feito algo errado para merecer isso.

― Ei, espere um minuto! Como você pôde perceber...

― É claro que ele fez. Seus braços estavam amarrados, uma criança que não tinha feito nada de errado não estaria neste estado. Além disso, você acha que uma criança dormiria no porto do centro da cidade sem nunca ter roubado nada antes?

Lydia ficou consternada como ela chegou à conclusão de forma tão ilógica, mas a jovem acreditava que o mundo girava ao seu redor, então, ela não tinha como pensar de outra maneira.

― Esse menino nos pediu para ajudá-lo. O quão imprudente da parte dele pensar assim. Mas, notei que tinha uma pedra na mão do menino e disse que o ajudaria se me desse a pedra, sendo que ela era tão bonita e incomum, que dificilmente seria uma rocha qualquer e barata. Não havia erro, ele a tinha roubado. Não há motivos para ajudar um ladrão. Foi o que disse a ele.

― O menino ficou bravo?

― Não sei. Ele parecia não ter tanta energia. Agora eu penso, Dóris ficou terrivelmente preocupada se ele pudesse voltar nos cobrar.

Então, quem estava com ela era Dóris”.

― A razão pela qual Dóris tem medo do Fogman é por causa desse menino.

Duas meninas jovens vestiram roupas limpas e bonitas em um armazém sujo. Elas pareciam duas pequenas fadas...”. Enquanto pensava absorta, Lydia se ajoelhou no chão onde ela disse que o menino estava deitado. Estendeu a mão para tocar o chão coberto de poeira. Ela sentou como estivesse tocando parte do passado de Edgar. Se pudesse alcançar o tempo tão profundo e escuro, o que ela faria? Percebeu o quanto era vão pensar nesse tipo de coisa. E, então, um pensamento veio até ela. Se fosse Edgar deitada neste lugar, se perguntaria como essas duas garotas foram parar aqui. Ele não poderia acreditar que elas fossem fadas, mesmo que parecessem. Porém, uma vez recordado isso, ele poderia descobrir que eram humanas. De qualquer forma, entregou a ágata selada com água para garota. 

Ele entregou a única coisa que poderia provar qual era a sua origem a uma garota desconhecida, seja humana ou fada, provavelmente, porque era uma chance de se salvar. Mas, ele não foi resgatado e demorou muitos anos para finalmente escapar. E perdeu tantas pessoas por conta disso. Se ele descobriu que as duas meninas que tiraram sua ágata selada de água eram na verdade Rosalie e Dóris?

...Ou talvez, ele já saiba? Foi por isso que se empenhou tanto no desaparecimento de lady Dóris? E disse sobre o ‘Fogman’ e o ‘ovo da fada’? Oh, espere um minuto! Se fosse assim, o que Edgar pretende fazer? E se ele não tivesse a intenção de ajudar a procurar lady Dóris e...”.

Percebendo que o vento balançou a porta, Lydia virou-se. O que ela viu foi a porta ser fechada e, ao mesmo tempo, ouviu o trinco de uma fechadura.

Lady Rosalie? O que está fazendo? Pare de me enganar!

― Não estou a enganando.

― Abra a porta!

Ela bateu na porta, mas só pôde ouvir a risada de Rosalie do outro lado.

― Honestamente falando, você é um incômodo. Você não se adequa ao conde, portanto, não chegue perto dele!

― Pare de brincar!

― Como a minha fada me contou, esta é a melhor maneira de você entender, por isso, vou deixá-la aqui por um tempo!

― ... a fera bogey... Não confie no que ele diz! E em Edgar também! Ele também planeja algo perverso. Lady Rosalie, você não deve se confundir com ele diz!

― Você percebeu? Eu sabia que você estava com ciúmes!

― Você só ouve o que quer! Você está enganada!

― Bem, adeus, miss Lydia.

Com essas últimas palavras, por mais que Lydia tinha batido na porta, não houve resposta do lado de fora da porta.

― Oh, não! Eu deveria ter trazido Nico.

Mas, ele estava bem satisfeito na cadeira confortável da mansão do conde, com o chá e assim permaneceu no seu escritório. Ele, provavelmente, ainda não estava em casa.

― Oh, realmente, não dá para confiar nele quando se precisa.

De qualquer forma, Lydia se voltou contra o medo e o pânico que se acumulava dentro dela e tentou manter a calma. Ela ergueu a voz e gritou por ajuda. Mas, lembrou-se de que esta área era apenas de edifícios vazios. A pequena sala que só recebia luz pelas fissuras da porta fez com que Lydia caísse em um desespero mais profundo. Ela se perguntou se Edgar também se sentiu assim. Ele ainda era uma criança e ainda assim ficou fraco e sozinho em um lugar assim. Apenas de imaginar essa situação a fez sentir-se sem fôlego e algo insuportável.

Ela não podia ficar quieta e gritou quando bateu na porta. E ainda golpeou seu corpo contra a porta. Depois, houve um som de crack e a estrutura da porta caiu do buraco da parede, Lydia passou rápido para fora e seu corpo foi arremessado para o chão. 

― Isso é uma brincadeira... Não, eu não poderia ter uma força sobre-humana. Bom, parece que parte do trinco da porta estava enferrujada. Pelo menos estou a salvo por esse armazém ser tão antigo.

Mas, ela só conseguiu escapar dessa pequena sala porque a porta do armazém tinha um bloqueio. Esta porta era de aço, então, não havia outra maneira sem ser derrubá-la. Porém, graças à luz que brilhava na claraboia e com bastante espaço, ela conseguiu pensar com mais calma. Ela refletiu que Rosalie que tinha a chave deste armazém.

Ah, não! Vou ficar sozinha aqui e morrer a mingua?”. No entanto, queria pensar que Rosalie não chegaria tão longe.

Lydia decidiu procurar dentro do armazém uma saída diferente. Rosalie tinha a chave deste lugar. Como ela havia entrado quando era criança e encontrou o jovem que estava aqui, significava que edifício podia pertencer à sua família. Mas, se fosse assim, aquele que o tinha trancado aqui seria um membro da família dela. O que significa que aquele que vendeu Edgar era alguém relacionado à Rosalie?

Ela ficou gradualmente confusa em seus próprios pensamentos. Isso porque Lydia foi arrastada para essa confusão, sem ser informada sobre os detalhes mais importantes. Provavelmente, Edgar sabia muito sobre o que estava acontecendo. Ele sabia, e tramava algo. Possivelmente, Lydia estava usada para o seu plano.

E ele disse que não escondia nada! Mentiroso!”.

― Aaaaahhhh! – ela deu outro grito porque seu pé atravessou a tábua do chão e caiu.

Quando ela tentou se levantar, ouviu uma voz fraca e sussurrante.

― Há alguém aí?

Era a voz de jovem garota.

― Quem é?

― Perdoe-me, eu... Eu... Eu... Meu nome é Dóris Worpole.

― Dóris? A filha do barão?

― Sim... Hum, sem ser rude, você poderia me ajudar? Se você não é membro desses homens ruins.

Ela caminhou até de onde vinha a voz. Essa porta também tinha um trinco e estava fechada, por isso não poderia ser aberta por dentro.  No momento em que Lydia levantou o trinco, a garota saiu e caiu nos seus braços.

― Você está bem?

― Sim... Minha força saiu depois que me senti aliviada.

― Eu estava trancada em outro quarto aqui e procurava uma saída.

― Oh, meu Deus! Então, meu tio também te trouxe aqui?

― Tio? Quem te trancou foi lord Graham?!

Com seus cabelos soltos e roupas simples, ela não se parecia com a filha de um nobre, mas a garota com seu rosto abatido  parecia decepcionada com a constatação que não estava salva e sentou-se de maneira cansada em uma caixa de madeira. De acordo com a sua história, se a porta da entrada estava trancada, portanto, não havia outra saída. Esse armazém pertencia a lord Graham, que tinha negócios de transporte, e ela e Rosalie tinham entrado furtivamente para explorá-lo.





Ela devia estar contando quando encontraram o garoto, mas o mais importante, Lydia queria perguntar sobre lord Graham.

― Na verdade, descobri que meu tio estava usando a fortuna da família Worpole. Por isso, decidi pedir ajuda, escrevendo uma carta ao meu tutor, mas ele descobriu o que estava fazendo... Por um tempo, fiquei trancada em uma sala da casa, que aparentemente pertencia a um dos homens do meu tio. Mas, esta manhã, fui jogada aqui, e foi me dito que seria vendida a algum lugar no exterior. Parecia que ele tinha feito esse tipo de prática no passado... Não posso acreditar que não só colocou as mãos em nossa fortuna, como cometeu um crime tão atroz...

― Então, você não desapareceu por causa da fera bogey...

Bogey?

― A fada serva de miss Rosalie. Foi-me dito que você teve uma disputa com ela e estava aterrorizada com as fadas. E quem contou sobre seu desaparecimento foi senhora Marl, que procurava você.

― A senhora Marl veio até você? Então, você é...

― Meu nome é Lydia Carlton. Sou uma fairy doctor contratada do conde Ashenbert. Miss Marl estava preocupada com a história que envolvia fadas e veio falar com o conde, em pedido de ajuda.

― O conde Ashenbert.

Dóris soltou um suspiro de alívio. Foi a confirmação que ela percebeu que Lydia estava do seu lado.

― Eu estava realmente com medo das fadas. Fiz uma promessa com Rosalie quando fizemos um jogo de adivinhação e prometi não guardar segredos uma da outra. Mas, eu... eu... não podia contar a verdade sobre meu tio. Porque era uma novidade tão amarga... E Rosalie se dá bem com nosso tio exibicionista e parece que ela confia nele. Por isso, não podia dizer nada sem provas. No entanto, ela percebeu que estava preocupada com algo, demonstrava que estava deprimida e isso a irritava...

― E assim, você foi ameaçada que seria atacada pelo Fogman?

― Bem, sim... Mas, não achava que ela falava sério. Rosalie diz muitas vezes coisas nocivas, mesmo assim, ela não é má de verdade. Além disso, tenho medo do Fogman até agora, mas, acredito que os humanos são mais aterradores do que as fadas. 

Ela estava certa. As fadas eram bons vizinhos desde que se conhecessem as regras do seu mundo.

O interior do armazém ficou mais escuro. Quanto mais a noite avançava, mais elas ficavam emprenhadas na escuridão. E se tornava mais frio. Ela não sabia por quanto tempo Rosalie planejava trancafia-la. Mas, não ficaria esperando pacientemente. Porque havia a possibilidade de que os homens de Graham viessem para levar Dóris.

― De qualquer forma, lady Dóris, não podemos desistir de sair daqui.  – disse Lydia com toda energia que sobrara.

― O que iremos fazer?

― Vamos procurar por algo que possamos usar como ferramenta.

Neste momento, ela ouviu uma risada estranha e quando olhou para cima, avistou a fera bogey sentada em uma das vigas.

― Você... Como ousa dizer algo tão perverso para miss Rosalie? O que você planeja fazer comigo?

[― Fairy doctor, você está no nosso caminho].

― O que fiz para você? Se você deseja reunir Rosalie e Edgar, você está colocando a culpa na pessoa errada.

A fera bogey saltou da viga e caiu no topo de uma pilha de caixas de madeira.

[― Hah! Essa garota humana! Ela realmente acredita que teria a chance de agarrar o conde. Que palpite infeliz que ela tem!].

― O que você está planejando fazer?

O bogey deu uma risada sonora novamente. Alargou os lábios feios que esticaram ainda mais o rosto.

― Hum, miss Lydia, o que há aqui?

Dóris se inclinou em direção a ela de modo frenético.

― Sim, a fada que está andando com Rosalie. Você pode vê-la?

― Nada... Não há nada que possa ver. De vez em quando, algo se movia próximo a mim.

[― Esta garota é maçante. Uma vez que ela nem consegue me ver, estou me fazendo parecer assim. Essa filha do barão pareceu-me ser útil ao mestre. Mas, como ela é uma ignorante, decidi usar seu primo].

―Mestre... Então, seu verdadeiro mestre é esse senhor Graham?

[― Huh? Não caçoe de mim. Por que serviria a um mensageiro humano?]

O mestre da fera bogey não era um humano. Apareceu para Rosalie por ter a ágata de água selada. Seu mestre, talvez, seja o demônio que foi selado dentro da pedra.

― Um demônio?

A fada fez um barulho com a língua em forma de negação.

[― O mestre não gosta de ser chamado assim porque não quer ser colocado no mesmo grupo que eles. Pois, o mestre é muito mais forte do que qualquer demônio. Um grande Fogman].

Um Fogman que reside na ágata de água selada de Rosalie. Satisfeito com o olhar chocado de Lydia, a fera bogey ficou exaltada e começou a caminhar.

[― É terrível ele estar preso dentro de uma pedra assim. E para compensar, todos os humanos que possuíam essa pedra tinham sangue nobre que nem o deixava soltar a voz].

Assim como o seu pai escreveu, o sangue nobre protegeu o “ovo de fada” durante muito tempo. Foi um sangue nobre que o zelou, de modo que o poder do demônio, que estava preso dentro dele, não escapou nem um milímetro. Diferente da família recém-formada Worpole, o sangue antigo, que vem desde a Idade Média, teve o poder latente de afastar as forças do mal.

[― No entanto, ele ficará livre. Eu, a grande fera bogey, elevarei sua voz e o ajudarei para isso. Ah! Isso significa que a sorte está finalmente a caminho. Eu vou voltar aos velhos caminhos com o senhor Fogman. E as crianças de hoje que não ficam assustadas quando as aperto. O que eles pensam dessa grande fera?].

As crianças são as pessoas mais capazes de detectar fadas, mas recentemente isso não é o caso. Talvez porque a existência das fadas tornou-se fraca, e não se ouve mais as histórias terríveis que envolviam fadas.

[― Tomem cuidado, meros humanos. Será o renascimento do senhor Fogman. O nevoeiro de Londres mais uma vez tomará a cidade com seu medo. Não vamos deixar o descendente do Conde Cavaleiro Azul se intrometer em nosso caminho. Desta vez, com certeza, o senhor Fogman o colocará em um caixão!!].

― O que o conde já fez a vocês dois?

[― Fez sim! Quem selou o mestre Fogman foi o Conde Cavaleiro Azul. Se nós rompermos a ágata de água, o mestre poderá sair, mas por estar selado por tanto tempo, ele está fraco. No entanto, seus poderes poderão retornar se ele selar o Conde Cavaleiro Azul. Estou preparando condições para que, assim que ele for libertado, possa engoli-lo. Com a sua morte, vem a libertação do meu mestre].

Miss Lydia, você está bem?

Sentiu-se fraca e Dóris a balançou rapidamente para que ela se estabilizasse.

[― O Conde Cavaleiro Azul que se ausentou por tanto tempo, finalmente voltou. O que significa que todas as condições estão favoráveis].

Aquele que recebeu o título de Conde Cavaleiro Azul foi o que prometeu lealdade como Lord das Terras das Fadas com o rei da Inglaterra. Seus descendentes que herdaram o título de Ashenbert foram chamados de Conde, mas o conde estava indo e voltando entre o mundo dos humanos e sua terra no Mundo das Fadas, e a lenda diz que ele tinha poderes mágicos.

Se isso fosse verdade, ela não sabia qual conde em cada época, mas havia um que pretendia punir o Fogman por sequestrar pessoas, engolindo-as em sua névoa usando uma pedra de ágata que tinha água benta selada, a qual selou uma fada má em seu interior.

A partir dali até esse momento, o Fogman planejava e esperava  a sua vingança. Por um longo tempo, o Fogman teve que esperar pacientemente dentro da ágata, que estava mantida sob os olhares atentos na Abadia e na casa de nobre, mas quando o “ovo de fada” caiu nas mãos de Rosalie, sua magia filtrou gradualmente e ele começou a se mover.

Respondendo às chamadas mágicas, vários anos depois, apareceu a fera bogey. Juntou forças com esta pequena fada e aproveitando Rosalie que tinha laços informais, procurou o conde que herdou o título de Cavaleiro Azul.

Foi há apenas um mês que surgiu Edgar Ashenbert, o herdeiro do Conde Cavaleiro Azul, que havia estado ausente por trezentos anos. Seu nome já ficou conhecido entre os nobres. Isso significava que, desde que Rosalie conheceu Edgar, a fera e o Fogman tinham seus olhos fixos nele para se vingarem.

No entanto, era absurdo levarem a cabo a vingança de centenas de anos porque Edgar não era da verdadeira linhagem do Conde Cavaleiro Azul. E era evidente que ele não teria poder de lutar contra o Fogman. Tanto que Lydia também não teria esse poder.

Edgar, que tinha uma espécie de carta na manga, se disponibilizou para descobrir o desaparecimento de lady Dóris, entrou em contato com Rosalie. Mas, o problema maior é que Rosalie estava sendo manipulada pelo Fogman na ágata e a fera a fez se aproximar de Edgar. Tudo terminaria se o Fogman conseguisse sair da ágata. Entretanto, o que ela deveria fazer?

Quando Lydia tentou pensar em algo, deu uma olhada na fera bogey. Se o Fogman dentro da ágata se juntou a esta fada maliciosa, isso queria dizer que não conseguiria nada sem a ajuda desta. Por estar selado teve que recorrer à ajuda dos outros, e o único que o respondeu às suas chamadas devia ter sido esse.

Então, tudo que tinha que fazer era que com esta fera bogey não interferisse mais. Ela olhou em volta para ver se havia algo que a ajudasse para pegá-lo. Os olhos Lydia se fixaram para baixo, uma garrafa de vidro vazia pousava no chão aos seus pés. Ela a escondeu debaixo da bainha de sua saia, e fingiu que iria desmaiar e assim poderia ajoelhar-se. Envolveu suavemente os dedos em volta da garrafa.

Planejou arrancar ao menos um dos pelos do peito da fera bogey, que era coberto por vários deles e colocá-lo na garrafa vazia. Para uma fada que não tinha um corpo real, um dos seus pelos ou cabelos fazia parte de sua alma. Assim que colocasse o pelo na garrafa, iria apertar a tampa para prendê-la. Era apenas uma garrafa. Não iria atrapalhar a fada para sempre, mas poderia ganhar um tempo valioso.

[― Qual é o problema, fairy doctor? Você está tremendo de medo ao ouvir que estou com mestre Fogman?!].

― ...Ah, é uma fada tão terrível! Não quero saber nada disso!

Lydia agiu como estivesse tremendo e chorando.

[― Bem, mesmo sendo uma fairy doctor, você não passa de uma garota, por isso, não é um adversário respeitável].

A fera bogey ergueu a cabeça e se inclinou para Lydia. Ele mexeu os lábios em um sorriso desagradável.

Agora!”. Lydia lançou a sua mão em direção à fera. Mas, instantaneamente seu corpo se encolheu em um tamanho de um rato, mesmo assim, Lydia estava obstinada. Antes que ela pudesse reagir, a fera bogey puxou um cabelo da cabeça de Lydia e o jogou dentro da garrafa e a fechou.

Dóris correu até Lydia, que, de repente, perdeu a consciência e caiu.

Miss Lydia, qual é o problema? Acorde!

Mas, não importa o quanto Dóris chamasse ou sacudisse seu corpo, Lydia não acordou. Queria criar uma cilada para a fera bogey e falhou. Por sua vez, a fada aprisionou a alma de Lydia dentro da garrafa.


*****

O professor Carlton fez uma visita à casa do conde alegando que Lydia não tinha retornado para casa, parecia que ele já havia ido a vários lugares para procurá-la e, num lapso, foi pego pelo seu próprio instinto, se viu indo para residência do conde.

De acordo com a governanta, Lydia tinha ido para casa mais cedo, pouco depois do meio-dia e se fechou nas salas de estudos de Carlton, depois saiu novamente à noite. Quando saiu, Lydia avisou que iria devolver algo esquecido a alguém, estava com roupas leves e não parecia ter ido longe por muito tempo.

― Perdoe-me, my lord. Pensei que ela poderia ter algum tipo de questão que fosse resolvida aqui, por isso, eu vim.

Quando Carlton descobriu que Lydia também não estava lá, ele estava prestes a sair de novo.

Sir Carlton, tente se acalmar. Também irei aos lugares que há possibilidade dela ter ido. – disse Edgar o impedindo de partir.

Ele mandou seu mordomo preparar o casaco e a chapéu e chamou Raven. Quando Edgar ouviu a notícia, imediatamente Rosalie veio à sua mente. Depois que o recital solo terminou, ele voltou para casa, e Rosalie fez um pequeno escândalo que tinha deixado cair algo. Assim que Raven disse que tinha entregado o que achou à Lydia, a cor do seu rosto mudou e correu para casa. Raven contou o que ela deixou cair se assemelhava a “uma pedra semelhante a um ovo de páscoa”, mas Edgar intuitivamente sabia que era o “ovo da fada”. Que era originalmente seu.

Na Câmara “Wonder”, um canto da grande casa senhorial onde Edgar cresceu, havia inúmeros tesouros raros de todas as idades e países que foram coletados por seus familiares da última geração. Como o próprio nome dizia, era uma sala que foi feita para surpreender os convidados. Havia inúmeras relíquias com histórias estranhas e interessantes. E, embora poderia parecer vulgar ou grosseiro, olhava maravilhado múmias e animais não identificados, mesmo que não fosse incomum às famílias da nobreza.

O “ovo de fada” era um dos muitos artefatos que estavam expostos ali. Com um padrão que parecia estar coberto por finas veias de uma folha e a água presa no seu interior. Quando criança, ele ficou atraído pelo misterioso movimento das sombras na água que se moviam. Ele não sabia que era uma ágata, do seu outro nome, “ovo de fada” e muito menos sobre a lenda por trás dela, e secretamente tirou-o da Câmara “Wonder” de seu pai. Lembrou-se de que sempre escondia no seu bolso. Mas, não consegui recordar-se quando o perdeu. Até descobrir que Rosalie tinha aquela pedra de ágata.

A primeira vez que ele a conheceu estava sentada em uma festa de chá patrocinada por uma certa nobre. Ela alegou que a bola de vidro era utilizada em jogo de adivinhação era uma simples peça infantil e, por isso, Rosalie mostrou aquela pedra de ágata para jovens.

Naquele momento, as lembranças confusas de Edgar imediatamente se juntaram. Uma lembrança turva de um quarto escuro e frio em que ele estava amarrado. Atormentado por um pesadelo horrível e incapaz de diferenciar realidade e sonho, ele temia a aproximação do Fogman. As duas garotas que ele achava serem fadas era uma mera ilusão. Ele se recordou que entregou a pedra de ágata com água selada, que sempre carregava, para elas. E, então, naquele momento, ele percebeu.  Se Rosalie era a garota daquela época, então, foi a pessoa que causou toda a sua dor e tortura, ou estava bem próxima disso.

A partir daí, Edgar reduziu os nomes que estavam envolvidos em seu sequestro para lord Graham, que estava relacionado a ela, e iniciou sua investigação.

Ele imediatamente descobriu que Rosalie não sabia dos atos criminosos de Graham. Ela era apenas uma garota egocêntrica, egoísta e ingênua. Desde que ele descobriu isso, Edgar não estava interessado na fera bogey, que Lydia falava. E não havia dúvidas que Graham estava envolvido nisso.

Logo, ele pensou que se Lydia não tinha chegado em casa e provavelmente algo aconteceu, seria apenas uma outra luta contra Rosalie, que se manteve desde manhã, e não tinha relação com Graham. No entanto, Graham estava próximo à Rosalie. Se ele encontrou Lydia, a situação poderia ficar pior.

― Hum, Lydia se envolveu com algo perigoso novamente?

― Está tudo bem. Acredito que Lydia foi parada por algum conhecido intencionalmente. – disse Edgar com um tom calmo, o tanto que ele podia. Afinal, Carlton mostrou um rosto tão preocupado para ele.  

Era um homem magro e sua aparência o fazia parecer cansado e envelhecido, e era difícil encontrar alguma semelhança com Lydia. Ele empurrou os seus óculos redondos que lhe davam uma aparência pateta, enquanto olhava diretamente para Edgar.

My lord, Lydia confia em você. O trabalho de um fairy doctor vem com seus perigos. Mas, se minha filha optou por trabalhar para a família do conde, você poderia protegê-la.

Os olhos afiados semelhantes aos estudiosos usavam durante uma observação devem ter descoberto o tipo de personagem que Edgar encarnava. Ele também deve ter percebido que Lydia estava envolvida em algum incidente perigoso.  Mesmo assim, ele decidiu que não iria pressionar mais Lydia que tinha confiança nele. Ele se parecia com a sua filha, um pai que tinha um coração generoso.

― Sim, claro. Sua filha salvou minha vida e farei tudo o que estiver ao meu alcance para protegê-la.

Carlton pareceu satisfeito com a resposta e foi para casa. Ele não estava mentindo quando disse que ela salvara sua vida. No entanto, Lydia não confiava em Edgar do jeito que Carlton afirmou. Claro que ele não faria isso. Era normal pensar que deveria manter distância de um falso criminoso. O próprio Edgar não podia mostrar todas as cartas que tinha manga.

Para falar a verdade, ela era diferente de Raven e seus antigos colegas, por isso, ele se sentia confuso com a distância que deveria colocar entre eles. Não era alguém que compartilhava a experiência com ele nas profundezas do desespero e pobreza, mesmo que Lydia fosse informada do passado desafortunado de outra pessoa, seria problemático para ela.

Ele não podia ter certeza que isso seria uma desculpa razoável para tirar proveito dela e usá-la sem dizer a verdade e as circunstâncias. No final das contas, Edgar a usava pela metade da pretensão.

Hmm, então, sua consciência está pesando.

Percebeu que a voz vinha do chão e era direcionada a ele. Nico tinha expressão intrigante.

― Nico, onde você está indo?

― Procurar Lydia. Eu não posso confiar mais em você.

Ele observou quando Nico tomou o rumo para a porta e desapareceu, mas poderia ser apenas a ilusão do nevoeiro. Edgar pegou a bengala que foi trazida por Raven e caminhou.

Lord Edgar, acabei de receber algumas notícias de um de nossos informantes.

― É uma má notícia?

― Neste momento, sim.

― Foi o homem que atacou Lydia no parque contratado por Graham?

― Sim. O homem era chamado de “domador de cães” e era contratado periodicamente por Graham. Graham também havia procurado por vários malandros no centro da cidade para ir atrás da fairy doctor do conde Ashenbert. O homem anteriormente ajudou a matar garotas psíquicas, videntes e que viam premonições, mas desta vez, ele se recusou, foi o que me contaram.

― O que significa que Graham é definitivamente um dos homens do Príncipe.

Edgar ficou em silêncio para se concentrar, e então perguntou a Raven:

― O que foi?

Perguntou porque viu Raven segurando uma lata que estava amassada em um só lugar.

― Isto não parava de pedir para ser entregue à fairy doctor.

― Quem?

― Isto.

Não entendeu o que ele quis dizer, mas Raven não parecia perturbado e o colocou cuidadosamente no bolso do casaco, por isso, Edgar achou que não tinha que se preocupar com isso.

― A propósito, Raven, parece que teremos que mudar nossos planos.

― ...Sim. Pensei que não havia nada com que se preocupar, uma vez que ela voltasse para casa. É algo bem inesperado. Parecia que miss Lydia planejava sair sozinha desde o ataque no parque.

Ela saiu de casa porque não iria ficar só. Ele não sabia o que Rosalie fez para atraí-la, mas, aparentemente chamou Lydia sem passar pela governanta dos Carlton. Se ela foi buscar que deixou cair, deveria ter batido na porta normalmente. Existia algo que ela tinha contra Lydia, e por isso a chamou para sair, portanto, Rosalie considerava Lydia de um modo amargo mais do que Edgar acreditou.

Edgar já tinha investigado que Graham era suspeito do desaparecimento de Dóris, por isso, ele se aproximou de Rosalie só porque era conveniente para obter boas informações. No entanto, lamentou que não havia prestado mais atenção em suas ações.

― Esqueci que você não conhece tudo sobre as mulheres.

― Não sou como você.

Na verdade, ele murmurou e Edgar entrou na sua carruagem.

***

A carta que a empregada da família Worpole carregava secretamente para o quarto de Rosalie era de Edgar. Só disse que queria vê-la, o que a fez ficar de bom humor. Partiu sozinha para famoso hotel que era usado pelas pessoas nobres. Geralmente, os nobres o usavam para se hospedar e ficar por longos períodos, enquanto viviam no campo ou não tinham residência em Londres. Caso contrário, era um hotel respeitável que muitos membros da nobreza o utilizavam como esconderijo.

A sala que Rosalie foi conduzida era um quarto decorado com mobiliário contido e discreto. O conde de cabelos louros caminhou para cumprimentá-la. Sentindo-se vitoriosa, sorriu.

― Fiquei surpresa por você, de repente, quis me ver.

― Por quê? Você sabia que sou completamente apaixonado por você?

Quando ela foi contemplada pelos olhos malva-acinzentados, seu coração bateu rapidamente e aos pulos.

― Mas, não faz tanto tempo que não nos vimos.

― Foram várias horas. Além disso, queria falar com você em particular.

Era como contou a fada. Enquanto ela o ouvia, a felicidade que tanto tinha esperado, chegou. Ela se entregou aos sussurros atraentes dele, tomou um gole de vinho que ele ofereceu e sentiu-se bem. Aquela garota chamada Lydia era uma mentirosa por dizer que Edgar era perigoso. Mesmo que fosse um pouquinho, se tornaria leal diante de uma lady encantadora.

― Na verdade, havia algo que queria lhe dar.

Abrindo uma caixinha de veludo, ele retirou um colar de rubi.

― Oh, my! Isso é para mim?

― Você gosta disso?

― Sim, claro!

― Então, me diga... Onde está Lydia?

Ela pensou havia algum mal entendido. Porque Edgar ainda olhava para Rosalie com um olhar apaixonado.

― O que você disse?

― Você sabe, certo? Onde está Lydia? Pensei que ela ainda poderia estar com você, mas a empregada da casa do barão me contou que você tinha voltado sozinha há algum tempo. Mas, Lydia continua desaparecida desde que te encontrou.

O sangue imediatamente lhe subiu a cabeça. Rosalie sentiu-se insultada e jogou o colar para longe.

― Como você se atreve, eu não sei nada sobre miss Carlton! E não aceito isso!

― Não sou eu que estou te entregando isso. Este é um presente de lord Graham para você.

― Do tio?

Não havia nenhum sentido. Edgar deu uma risadinha e em questões de segundos, ele se mostrou um homem completamente diferente aos olhos de Rosalie. Era um sorriso ácido e desumano, que nunca tinha visto antes.

― Você sabia que o dono deste hotel era lord Graham? Mas, ele contraiu uma dívida terrivelmente grande que foi a partir de seus gastos excessivos e apostas em jogos que perdeu, e isso foi como uma garantia para hipoteca. Então, aproveitei este lugar agora, enquanto era seu credor e esse quarto era usado por lord Graham, por isso há coisas dele aqui. Mas, o quão mais interessante que você não ousa deixar cair em sua casa...

― Por exemplo... – disse Edgar, se levantou e estendeu um amontoado de papéis.

Rosalie que estava em completo caos, não conseguiu pegá-los devidamente e por isso, os papéis caíram no chão.

― Ele estava usando a fortuna que supunha ser de lady Dóris. Claro, você também foi vítima disso. No entanto, ele não conseguiu ser capaz de compensar o dano. Então, o que ele iria fazer? Ele pensou. Primeiro, lady Dóris desaparece. Você queria fazer o que dizia exatamente. E muitos sabiam que você fazia coisas malignas para ela unilateralmente. Foi assim. Sua personalidade extravagante e vã, onde você forneceria um amplo dinheiro dos homens com quem se apaixonou, mas não reparou que era apenas uma presa fácil e se tornaria uma parte fundamental do plano. Lord Graham já havia expulsado vários homens no passado para impedir que você jogasse todas as economias da família. Por sorte, você se apaixonava rápido por eles, mas também se aborrecia tão rápido quanto e logo se esquecia dos homens que financiou.  Porém, ele usou isso contra você e fez parecer que você colocou as mãos na poupança de lady Dóris. E se você desaparecesse, a sociedade imaginaria que se livrou de Dóris e por não conseguir esconder este fato, fugiu.

Em uma série de papéis, que estavam espalhados sobre seus pés, ela viu que estavam assinados com sua caligrafia para parecer que foi ela que fez compras caras. Mesmo o colar de rubi parecia que quem o comprou foi ela.

― Agora fui tão longe que deixei você saber que está em uma situação perigosa. Realmente, gostaria que você tivesse respondido a minha pergunta.

Enquanto estava desnorteada, vagamente era capaz de entender as ações de seu tio, no entanto, Rosalie estava mais aterrorizada com Edgar na sua frente.

Quem é este homem no mundo?

Ela acreditou que era amável, gentil e deslumbrantemente bonito, mas agora seu rosto perfeitamente esculpido era frio. Ela recuou para tentar correr, mas o seu braço foi agarrado.



― Eu... vou gritar!

― Vá em frente, tanto quanto você quiser. Não há outros hóspedes neste andar, e já tinha avisado ao gerente para não ficar atento, mesmo que se ouvisse o som dos gritos de uma mulher.

― Onde está Lydia? – ele a pressionou.

― Se algo acontecer a mim, você nunca conseguirá encontrá-la.

― É assim?

Um segundo depois que prenunciou essas palavras, virou a cabeça e chamou alguém.

― Abra a janela.

Pela primeira vez, Rosalie percebeu que havia um criado de cabelos castanhos no canto da sala. Edgar a arrastou até o peitoril da janela.

― Não! Pare! O que você está fazendo?!

― Se você não tem intenção de falar, então, não seria nada diferente a mim se algo acontecesse a você.

Sem hesitação, ele agarrou o seu pescoço. Ele a puxou pela janela, enquanto ela perdia a respiração.

― Intoxicada pelo vinho, e no meio do divertimento caiu da janela, o que pensariam?

Eu vou ser morta”. Rosalie perdeu sua serenidade e o controle de si mesma, chorou e grito pela sua vida. Provavelmente, ela deve ter confessado sobre Lydia enquanto chorava. Mas, a asfixia parou e por pouco perdeu seus sentidos. Viu-se sentada no chão. Não conseguia parar de soluçar de forma compulsiva e seu corpo tremia por inteiro.

E, no entanto, sentiu que uma sonolência absurda a sobreveio, devia haver algo no vinho.

― Jovem e ingênua pequena lady, devia aprender que acreditar que o mundo gira seu entorno é ignorância cega.

Ele colocou rapidamente o sobretudo e se apressava para sair do quarto com o criado. 

― Ah, sim, o vinho que você bebeu também estava nesta câmara. Embora, eu não sabia o que tinha nele.

Não. Estou com medo. Se perder a consciência aqui, então, o tio viria... ”.
Mas, o demônio louro saiu do quarto, deixando Rosalie sozinha. Por alguma razão, a lembrança do garoto que ela abandonou de modo implacável lhe veio à mente.


Nota da tradutora: Neste capítulo vale ressaltar a coragem da Lydia! Ela pode parecer frágil e ingênua, (sim, é um pouco mesmo), mas mete as caras e tem um raciocínio rápido. A cena em que ela tenta capturar a fera bogey foi uma das mais que me deixou nervosa neste livro! Seja na primeira vez que li, traduzindo e relendo. O que é aquilo?? E vamos falar o tal Demônio do título...
“Sem hesitação, ele agarrou o seu pescoço. Ele a puxou pela janela, enquanto ela perdia a respiração.
― Intoxicada pelo vinho, e no meio do divertimento caiu da janela, o que pensariam?”.
Lembro-me que já tinha lido este capítulo antes e me impressionou, só que relendo, confesso, que engoli a seco neste trecho. No quesito de proteger os seus aliados, Edgar é impecável, mas com inimigos... Caramba, Rosalie (sua chata) corra para as colinas! E o pior (!!!), o Raven está no mesmo quarto de hotel! E agora a gente descobre que as meninas que Edgar julgava ser fadas, nada mais eram Rosalie e Dóris! O próximo capítulo é tenso, mas não deixa de ser fofo <3 o:p="">
Então, te espero até meados de fevereiro. Beijos, muito obrigada por nos acompanhar, nos dê suporte e divulge!
Ah, aqui é a casa do Hakushaku to Yousei em português!
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