domingo, 17 de setembro de 2017

Além da escuridão da cidade nebulosa - Capítulo 1 - Volume II - Hakushaku to Yousei Light Novel

Livro II - Cuidado com a Doce Armadilha

Nota de abertura: Bem-vindo(a) ao livro II de Hakushaku to Yousei – Cuidado com a doce armadilha. Este livro corresponde aos volumes 3 e 4 do mangá, mas não está no anime. Em tempo, se prepare para xingar o Edgar. Aqui ele mostra o seu lado mais mulherengo (e irritante). Enquanto isso, Lydia vai encarar uma rival nada simpática. Segure-se na cadeira e Enjoy!

― Certamente, o nevoeiro se dissipou.

A jovem e nervosa debutante falou, ergueu a cabeça e o encarou para dar um rápido olhar pela janela da carruagem que andava. A neblina pendia fortemente entorno dos edifícios da cidade, e lhe dava formas vagas e misteriosas. Seus olhos reconheceram a Hall Central Catedral, que ficava mais alta e acima do conjunto de edifícios da cidade em sua volta, enquanto a neblina borrava a sua silhueta, o que a fazia como um gigante em pé e olhava a cidade nebulosa.

― São noites como essa que fazem pensar que algo perigoso pode acontecer. Não é um dia para um jovem lady como você estar à espera de uma carruagem na beira da estrada.
A jovem deu um modesto e rápido olha para a fonte da voz masculina que se estava sentada ao seu lado. No entanto, voltou rapidamente o foco de sua atenção para as mãos que estavam coladas no colo.

― Sim, você está certo. Eu realmente não sabia o que fazer quando me separei da minha empregada. Não posso te agradecer o suficiente, my lord...

― Ah! Não há necessidade de ser tão formal. Eu que sou um afortunado por passar um tempo com uma jovem encantadora como você.

― Oh, não! Eu....

Mesmo que soubesse ser uma simples lisonja, ela não conseguia controlar seu coração. A tímida garota não conseguia colocar os olhos no proprietário da carruagem, que era tão grande por dentro como aparentava no seu exterior.

Este homem, que possuía uma beleza pessoal rara, era um jovem que acabava de retornar de Londres. Seu cabelo dourado reluzia e sua posição graciosa reuniam a atenção das pessoas ao redor. O seu tom de voz encantava senhoras e senhores e chamava a atenção sua conversa inteligente e bem educada. Estava próxima da temporada, e o forte rumor entre as filhas debutantes da classe alta sempre aumentaram sobre o novo pretendente e se encontrava em Londres nem havia um mês.

E, no entanto, era inacreditável que o comentado Conde se preocupasse com uma garota como ela. Apesar de conhecê-la, quase não falou com ela e passou em sua frente quando não conseguia uma carruagem e se ofereceu para levá-la para casa.  Alguém tão tímida e reservada como ela, não conseguiria ajudar em um bazar de caridade. Para uma filha debutante de classe alta, era dever de se envolver em atividades de beneficência e sabia que era treinamento  para arrumar um futuro casamento. E quando ela pensou que não poderia piorar, estava separada de sua empregada no meio da multidão e o clima se transformou.

A jovem deu outro olhar para o homem ao seu lado para confirmar novamente se aquilo era verdade.

― Você é tão reservada.

Mesmo sem levantar a cabeça para encará-lo, ela poderia dizer que ele sorria suavemente.

― Ou você se arrepende de entrar em uma carruagem de um homem que mal a conhece? – perguntou.

― Oh, não... Eu nunca... Porque todos dizem que o Conde Ashenbert é o melhor cavalheiro.

― Rumores aparecem do nada e desaparecem como o nevoeiro. Ninguém realmente sabe a verdade e eles não estão interessados nisso. – ele disse de forma inesperada, inclinado seu corpo em direção a ela, deixando-a mais rígida do que uma pedra.

Seus dedos flexíveis chegaram até seu penteado. Mas, eles pararam bem próximo, ele puxou o braço para revelar que segurava uma folha de árvore.

― Perdoe-me. Isso foi assoprado pelo vento.

Sem pensar muito, ela levantou a cabeça e seus olhos se encontraram. Ele lhe deu um sorriso impenetrável, perfeito, porém a jovem achou que viu algo escuro espreitando a conversa atrás dele. Ela estremeceu de medo por não saber o que era.

Um homem que ela mal conhecia. Ele estava certo. Mesmo que ele fosse um homem com nome de família e uma posição social de prestígio, não tinha como saber se era honrado, verdadeiro ou não.

― Dizem que há um mal escondido na névoa de Londres. Você está ciente de quantas meninas jovens e meninos foram engolidos e desapareceram nessa névoa, lady Dóris?

― Não... Não tenho medo. – ela disse negando com a cabeça, ainda incapaz de tirar os olhos dele.

― Tenha cuidado para que você não seja engolida pela escuridão.

A carruagem já não se movimentava. O cocheiro abriu a porta, e ela soltou um suspiro de alívio ao ver que estavam em frente à sua casa. Que tolice dela imaginar que seria arrastada para o nevoeiro profundo e escuro. Mas, depois que ela viu a carruagem do conde descer a rua na névoa grossa e a perder de vista, ela podia entender como as pessoas acreditavam que as terras desse homem eram localizadas além dos reinos da névoa, em um mundo distante. O título de lord Ashenbert era o Conde de Ibrazel, dito como o Senhor do mundo das fadas.

― Dóris, onde você esteve? Não era o conde Ashenbert naquela carruagem agora? – perguntou uma moça atrás dela.

― Rosalie! Sim, uh...

A prima Rosalie estava de frente para Dóris, na frente do portão da casa. Ela devia estar observando, pois sua voz saia irritada.

― Você está tentando ganhar uma vantagem em cima de mim?

― Não! Eu nunca...

― Por que você não está me olhando nos olhos? Você tem escondido algo de mim ultimamente?

― Não, não estou escondendo nada. – negou fortemente a garota.

― Ouça bem, você nunca poderá esconder algo de mim. É melhor você não se esquecer de que fizemos um juramento com uma fada.

― Claro!

― Então, me diga. O que era aquela carta que você estava escrevendo pelas minhas costas?

― Você... Você estava observando?

― O quê? Era algo que me incomodaria se eu visse?

O que significava que ela não a havia lido. Dóris relaxou aliviada, no entanto, isso só irritou mais ainda Rosalie.

― Oh! Você está escondendo algo de mim! Você se esqueceu! Se derrubar o nosso juramento...

― Que a fada viria e puniria você?

Ela lembrou quando as duas fizeram o juramento para fada. Elas fizeram uma promessa que, como amigas, não manteriam segredos uma da outra. Sua prima disse que, se uma delas rompesse com a promessa, então Fogman iria puni-la.

―Mas, Rosalie, você realmente acha que existe o Fogman?

― Claro que existe! E eu não me importo mais com você! Não vou ajudá-la se algo acontecer com você! Seria maravilhoso se fosse sequestrada pelo Fogman e desaparecesse!

O Fogman era uma fada do nevoeiro que qualquer criança londrina conhecia assim que crescia um pouco. Ela não estava mais na idade de acreditar em contos de fadas, mas mesmo assim, aceitava a tal ponto e isso a assustou. O motivo de seu medo foi porque ela testemunhou a visão de uma criança pobre que foi capturada pelo Fogman. Era lembrança vaga, um fragmento de quando era pequena, mas tinha certeza de que não era um sonho. Por causa dessa memória, o nome Fogman era encarnação da escuridão, morte e medo, mesmo agora.

Ela se perguntou o que acontecia quando alguém era capturado pelo Fogman. Enquanto observava a prima de cabelos alaranjados se distanciar, sentiu o isolamento, a sensação de ser abandonada sozinha no nevoeiro.

*****

Mayfair era um distrito de renome onde abrigava as propriedades mais ricas e de prestígio em Londres. Em uma dessas esquinas estava a mansão que se assemelhava a um castelo de propriedade de Edgar Ashenbert. O jovem conde, com aproximadamente vinte anos, teria acabado de voltar para Inglaterra e imediatamente comprou o edifício e um dos quartos era o escritório de Lydia. Ela foi coagida a se tornar a fairy doctor particular da família do conde, há duas semanas que esta jovem de dezessete anos convivia nesta residência.

Edgar tinha o título de um condado inglês, como o senhor do feudo de Ibrazel (mundo das fadas), no entanto, ele não era da verdadeira linhagem da família Ashenbert. Apenas um homem com um nascimento e uma linhagem desconhecidos. Parecia não haver engano, ele nasceu em uma família aristocrática, mas não tinha a mínima ideia sobre as fadas. Assim como a maioria das pessoas, também não podia ver fadas ou ouvi-las, mas as fadas moravam nas terras de que ele herdara como conde e, como o aceitaram como seu senhor, devia ter pensado que surgiria problemas que precisaria da ajuda de uma fairy doctor, por isso, decidiu contratar Lydia.

Na era em que fadas e seres humanos viviam de mãos dadas, um fairy doctor era alguém com conhecimento sobre fadas e experiência em negociação, seu trabalho era manter a paz entre as duas espécies. Entretanto, agora no século 19, a existência das fadas foi empurrada para os livros infantis. E todos esqueceram que elas eram suas vizinhas. Mesmo a existência de um fairy doctor era algo raro. Por essa razão que, quando Lydia abriu seus serviços como fairy doctor em sua cidade natal, quase não havia ofertas de emprego e foi tratada como uma aberração. Depois de tudo isso, ela foi contratada como uma fairy doctor.

Corria-se o discurso que esta posição honorária era inadequada para alguém novo e inexperiente como Lydia, mas a razão pela qual ela não podia se sentir afortunada e sentir-se grata pelo seu empregador era não saber que ele estava pensando.

Como hoje, quando ela abriu a porta do quarto que era supostamente sua sala de trabalho. Ficou enervada com que viu que até lhe deu tonturas. A sala estava lotada de flores.

― O que é isso?

― Presente do mestre. – respondeu Tompkins, o mordomo, que se encontrava atrás dela.
Com movimentos rápidos, ágeis e inimagináveis de sua figura escarpada, ele colocou mais um vaso junto à janela.

― O mestre tem deveres e estará ausente hoje, mas ele desejou que a senhorita Carlton passasse o seu dia tranquilamente.

Lydia ficou aliviada ao ouvir que Edgar estava fora de casa.

― Logo, isso significa que não vou ter que sair hoje.

Desde então, ela foi arrastada praticamente todos os dias para acompanhar Edgar em peças teatrais, festas de chá e recitais. Ela queria perguntar se tudo isso fazia parte de seu trabalho como fairy doctor. No entanto, duas semanas se passaram, e ela perguntava a si mesma para onde estava indo. Lydia ainda não tinha feito nenhum trabalho honesto, decente. Afinal, o que realmente Edgar tinha em mente quando a contratou?

Lydia pensou que era praticamente sua boneca. Mesmo esse cômodo não se assemelhava a um escritório de trabalho. O tapete e o papel de parede apresentavam um tom amarelado e verde-claro para realçar um lindo sofá e toalhas decoradas com rendas finas e bordados, sem contar as graciosas cortinas de sedas feitas com abundantes plissados. Os armários tinham ornamentos de vidro e bonecas de cerâmica se encontravam alinhadas neles, o que fazia com que esse cômodo parecesse o quarto de uma adolescente. Ela não conseguia imaginar o que ele tinha em mente.

― Vários vestidos encomendados chegaram. Por favor, verifique o seu tamanho.

― O quê? Vestidos?

Ela parou Tompkins quando estava saindo.

― Sim. São para quando você for ao Royal Opera House no próximo mês.

― Ópera? Não me disseram nada sobre isso.

― Então, você deve ser informada em breve. Nós preparamos vários vestidos para quando for aos futuros eventos sociais. Você irá precisar deles. Oh, por favor, não se sinta ofendida. Esta é uma das ferramentas para o seu emprego, fornecida pela família do conde.

Hum, mas, o que você quer dizer com eventos sociais? Como isso está relacionado ao meu trabalho? Além disso, não é correto incluir uma ópera em minha agenda sem me consultar.

De qualquer forma, as garotas eram ornamentos para ficarem ao lado dele e o ajudar a ampliar seu encanto. E por esse motivo, Lydia teve resistência contra as flores e ser levada às glamorosas reuniões sociais.

― Em relação a que você disse, lord Edgar afirmou que me colocaria um vestido e me arrastaria até a ópera. Imploro, tenha piedade desta pobre alma.

Não se podia dizer que seria uma piada quando Edgar disse isso. Lydia queria colocar a cabeça entre as mãos.

Mr. Tompkins, você não está cansado de servir Edgar?

Sua família esteve a serviço como mordomo do conde por gerações e ele se mostrava ansioso em servir o novo mestre, que havia retornado de uma ausência de trezentos anos. Porém, ela estava curiosa em saber se estava feliz com aquele jovem frívolo.

― Senhorita Carlton, é dever do mordomo girar em volta do mestre. Quanto mais se dispor em relação ao mestre, mais se mostra as qualificações que este mordomo é excelente.

― Oh... Entendo. Então, é um mundo de competição.

Ele virou os cantos da boca, e isso a fez perceber que o sacrifício valia a pena.

― Mas, eu não tenho intenção de competir com Edgar.

Ela se endireitou e saiu do escritório.

― Onde vai, lady?

― Sou livre para fazer o que quiser, não sou? Pois bem, vou dar uma volta.

Quando ela pensou de estar sentada aqui era fazer exatamente o que Edgar queria o que fizesse a deixou bem irritada.

― Parece que a névoa ficará mais espessa à tarde. – mencionou o mordomo.

― Como você sabe?

― A umidade do ar atinge as minhas barbatanas nas costas.

― Tudo bem, eu volto antes disso.

Mesmo que a Páscoa tivesse passado, e os ventos da Primavera estavam chegando, mesmo assim, não atingiram Londres. Pois, não havia sinais da estação estava se aproximando, por conta dos dias nebulosos. Ela se perguntou quanto tempo precisaria ficar em Londres. Lydia, originalmente, só saiu dos campos da Escócia para passar a Páscoa com seu pai.

O pai de Lydia vive e trabalha como professor universitário londrino e, na verdade, estava preocupado em deixar a filha morar sozinha na residência na Escócia. Por isso, ele sugeriu que ela vivesse ali. Porém, para Lydia, aquela casa rural era o seu refúgio, onde as suas memórias descansavam sobre sua mãe que faleceu quando ainda era pequena e, acima de tudo, abrigava muitas árvores, plantas e fadas diferentes que ela adorava.

Mesmo quando, após a morte de sua avó, Lydia ficou sozinha e seu pai não a forçou a se mudar para Londres. No entanto, se ela escolhesse viver em seu país agora, seu pai, certamente, concordaria. Porém, o real problema era Edgar. Desde que foi contratada, ela não poderia sair de Londres sem sua permissão.

De qualquer maneira, no caso de Lydia, era como estivesse forçada a ocupar um emprego, e por isso mesmo não precisava ficar preocupada em ser demitida. Então, o que restava era ficar segura quanto a isso.

Ter um emprego que tratava de fadas era raro, mas não deixava de ser perguntar até onde ela fazia parte das brincadeiras de Edgar, assim como a possibilidade de voltar para o seu país natal, mesmo sendo sua fairy doctor particular. Ela pensava uma boa maneira de convencer Edgar sobre essa ideia. Enquanto pensava, se dirigia ao parque.

― Oh, Deus, esse peixe é realmente horrível.

Quem disso isso era o gato que estava ao seu lado, sem que ela percebesse. Não, não era realmente um gato, mas uma fada e caminhava sobre suas quatro patas como um felino normal, por cima da parede de tijolos.

― Nico, é melhor parar de tomar suas refeições de forma furtiva das lojas.

― Agora entendo porque os gatos de ruas não se aproximam deste lugar. Esse tipo de comida não é para mim.

Nico fez uma pausa para se certificar se não havia ninguém próximo, pulou da parede e levantou-se sobre as suas duas pernas traseiras. Ele endireitou o casaco de pelos fofos e cinzentos, ajustou a gravata no pescoço e encheu o peito como um cavalheiro orgulhoso.

― Então, o que é isso?

Lydia viu sua cauda enrolada em torno de algo e o levava com cuidado.

― Eles disseram que era comida enlatada. De acordo com os hobgoblins, que estavam dormindo debaixo da calha, isso tem uma coisa gostosa que eles comem em Londres.

― Mas, isso é um enlatado de peixe.

― O quê? Peixe? Nunca vi peixe deste modo!

― Não, quero dizer, o peixe está na lata. No rótulo diz que está marinado em ervas.

Huh? Então, isto é um recipiente? Não há nenhuma abertura para abrir!

― Bem, sim. Porque a tampa está bem fechada. Você precisará de um instrumento para abri-la.

Nico examinava a lata, girando-a. Derrubou para testar sua dureza e quando começou a perceber o que era, o seus pelos da parte de trás do pescoço se eriçaram em indignação.

― Aquele maldito hobgoblin! Como se atreve em me enganar! Só porque ele não conseguiu abri-la para comer, praticamente roubou meu pão de noz! Além disso, é peixe mesmo?

Lydia arrancou a lata dele, depois que tentou lançá-la.

― Agora, não se preocupe com isso. Vamos abri-la mais tarde. Mesmo que você ache que não, tenho certeza que é peixe.

Ali, junto com Nico, ela entrou no parque cheio de vegetação por meio de um dos pequenos caminhos de terra. O céu estava cheio de nuvens e a névoa começava a se aproximar, mas ao entrar em uma área rodeada de árvores, a fez sentir-se relaxada.

Por causa do tempo, não havia ninguém em volta, e ela conseguiu identificar fadas entre os esquilos e pequenos pássaros, que derrubaram alguns galhos de árvores.

Não dava para se comparar com os bosques da Escócia, mas lugares como este, em Londres, ainda tinham muitas fadas. Uma vez que elas perceberam que Lydia podia vê-las, uma humana conseguir identificá-las algo raro, logo começaram a se reunir em volta dela.
Sentada em um banco, Lydia ouvia as divertidas conversas das fadas. Ouvi-las não era o mesmo que entender o significado de suas palavras, assim como as pessoas gostam de ouvir os trinados e cantos dos pequenos pássaros.

Enquanto ela calmamente passava o tempo, a paisagem, de repente, escureceu. Pensou que uma grande nuvem da neblina a tivesse envolvida, mas ouviu, ao fundo, latido de cães. Imediatamente as fadas voaram para todas as direções. Parecia que os latidos dos cães estavam se aproximando.

― Oh, não, Nico! Será há cães perdidos por aqui?

― O quê? Você deve estar brincando! Vou cair fora!

― Ei, espere, Nico!

Assim que ele desapareceu, uma moita ao lado dela se moveu de modo nada natural. Um grande cachorro saiu grunhindo. Um a um saiu da escuridão e ficaram ao redor dela.

― Não! Vão embora!

Um dos cachorros saltou para atacá-la e ela não hesitou em jogar a lata que estava em suas mãos. Ele foi atingido e caiu no chão, mas isso só provocou e agitou ainda mais os outros cães. Quando estava prestes a quebrar um galho, surgiu uma figura por de trás do tronco da árvore. Era um homem vestido de preto e apareceu junto com o nevoeiro.

Fogman...” Seu nome escorria através de seus lábios como sussurro, no entanto, na sua visão ele se assemelhava a uma fera feroz e ameaçadora, juntamente com um grupo de cães-fadas. O homem estendeu a mão para Lydia. Ela se sentiu tonta com forte cheiro de drogas químicas.

O quê? Um sequestrador?

No entanto, naquele momento, o corpo do homem ficou rígido. Depois se inclinou e caiu ao chão. Um vertente de sangue escorreu debaixo do seu corpo e empapou o solo de vermelho. Enquanto seus olhos estavam abaixados, apareceu uma figura de um jovem sem nenhuma expressão de pele avelã. Lydia sabia quem era. Ele lutou além do mar, uma arma mortal, e servo leal de Edgar.

Ahhhhh!

A coisa mais próxima que Lydia via era as presas do cachorro selvagem em sua frente. O jovem pulou em sua frente e com a faca apontada para o cachorro. Logo depois, ele cortou a sua garganta. Em um piscar de olhos, ele ficou de guarda na frente de Lydia e derrubou os cães um a um enquanto o atacavam.

― Devemos sair daqui, senhorita Carlton.

― Mas, Raven, como você chegou aqui?

― Depressa! Precisamos deixar esta área.

Impulsionada, ela seguiu logo atrás dele. Quando finalmente chegaram a uma área onde havia algumas pessoas, Lydia, de repente, se sentiu mal. Embora estivesse fora dessa situação enervante, ainda podia sentir o cheiro de substâncias químicas e o sangue escorrendo em sua volta.

Ela verificou suas roupas e cabelos, não estavam sujos ou manchados, mesmo assim, era como estivesse banhada com um sangue invisível que viu se espalhar.

Não foi um erro que sua vida foi salva por Raven, entretanto, estava mais assustada do que agradecida porque testemunhou seu modo implacável de matar.

Você não poderia ser mais tranquilo em relação a eles, nem que fosse um pouco?”, era o que queria dizer, mas sabia este tipo de avaliação não era apropriado naquele momento.

My lady, está machucada em algum lugar?

― Não, estou bem.

Ela simplesmente não queria ser tocada, logo, Lydia endireitou a espinha.  Tinha certeza que era uma cidade perigosa, mas nunca imaginou que seria atacada de dia e em uma área deserta. Ela ainda precisava lidar com os batedores de carteira e ladrões de bolsas em áreas lotadas, e mesmo que não houvesse ninguém ao redor, ladrões ou pervertidos estariam procurando uma chance para atacá-la.

Não era difícil imaginar que alguém que olhasse para Lydia saberia que não conhecia bem a área londrina, e andava sozinha. Porém, Raven a seguindo não a deixava à vontade. Porque o leal servo de Edgar também era um animal mortal. Ainda havia partes sobre ele que Lydia não entendia completamente. Apenas a parte sobre não conhecer ninguém suficientemente bom para ser seu mestre como Edgar.

― Lydia! Graças a Deus! Você está salva!

Edgar entrou em seu escritório de trabalho cheio de flores e exagerou na reação de vê-la bem, e logo, pegou suas duas mãos.

Lydia apenas olhou para ele com uma careta, enquanto ele lhe deu um doce sorriso, como fosse uma criança inocente. Mas, ela sabia que não havia nada de inocente dentro dele.

Lydia rapidamente se desvencilhou.

― Sim, estava segura. Obrigado por colocar Raven atrás de mim.

Ela procurou colocar sarcasmo em cada palavra dita, mas Edgar não se abalou.

― Estou feliz em poder te ajudar.

― Não é isso que quis dizer. Aliás, qual é o significado disso? Se esse pervertido não aparecesse, então, você mandou Raven relatar cada pequena coisa que faço? É isso?

― Eu apenas estava te prevenindo de algo. O objetivo é apenas te proteger.

Oh, é verdade?”.

Lydia o encarou como um falcão que a zelava como preocupação, mas aqueles olhos malva-acinzentado incrivelmente bonitos escondiam algo negro em sua alma. Edgar ainda era “um homem misterioso” para Lydia. Pelo canto do olho, viu Raven na entrada do quarto.

― Esta é a medicação para miss Carlton, desde que relatou dor de cabeça.

― Isso é verdade, Lydia? Deve ser porque você passou por uma experiência tão assustadora.

Enquanto ele falava, se inclinou para se aproximar mais, o que fez Lydia se mover em direção contrária do sofá.

Ele era um homem que não hesita em criar uma distância mínima entre os dois, e sabia que ninguém iria rejeitar um homem de aparência, palavras doces e gestos sedutores, o que tornava mais problemático. Para Lydia, que sempre foi chamada de estranha e excluída do grupo e, portanto, não estar acostumada contato direto com gênero oposto, tudo isso parecia impróprio e desagradável. Apesar disso, ele continuou até colocar a mão em sua testa.

― Parece que você não está com febre.

― É porque vi muito sangue, mas estou bem agora!

Edgar virou os olhos para Raven. Graças a isso, ele se recostou e, finalmente, deixou um espaço entre eles.

― Sangue? Você matou alguém?

― Sim.

Era normal que Raven não movesse um músculo do seu rosto. Ele era sempre leal a Edgar e não deu nenhuma desculpa, respondendo a pergunta do seu mestre de uma forma calma e compassada.

― Quantos?

― Um homem e mais quatro.

― Quatro?

― Ele tinha cães consigo.

Os olhos de Edgar recaíram como estivesse pensando profundamente, mas, então, ele abriu a boca para falar com Raven.


― Tudo bem. Isso é o suficiente.

Com um aceno de cabeça, Raven colocou o copo de água e remédios sobre a mesa, juntamente com um objeto de ferro estanhado.

― Eu também peguei isso, que foi deixado por miss Carlton.

Era a lata que Lydia tinha jogado nos cães. Edgar pegou o objeto e olhou com curiosidade.

― Uma lata de peixe?

― Não, é uma arma, provavelmente.

Raven não era o tipo de pessoa que fazia uma piada, então, isso significava que ele pensou que Lydia sempre carregava uma lata para se defender e jogar em algo. Ela sentiu--se um pouco envergonhada por alguma razão, e olhou para Nico, que estava enrolado em uma almofada redonda fingindo ser um gato. Como aquilo não tivesse nada a ver com ele, Nico abriu a boca em um bocejo.

Hmmm... E como você usaria? – provocou Edgar, depois que viu Raven sair.

― Você gostaria de descobrir?- respondeu Lydia.

― Não. Vou deixar passar.

Respondendo com um sorriso, se levantou para sentar-se em um sofá oposto a ela.

― A propósito, Lydia, gostaria de lhe pedir que não ande ao ar livre sozinha. Se for desconfortável ser acompanhada por Raven, então poderia contratar uma empregada. Além disso, você pode usar nossa carruagem para ir e voltar de sua casa.

― Você não precisa ter esse exagero de zelo depois disso, só vou ter mais cuidado a partir de agora.

― Não é isso! Todas as filhas de casas respeitáveis fazem o mesmo.

― Mas, não sou uma nobre. Estou acostumada a viajar sozinha e eu prefiro.

― Aqui não é a Escócia, mas a capital de Sua Alteza Real. As pessoas te julgam pelo jeito que você se veste e age. Seu pai é membro da Royal Academy e um professor conhecido da alta classe. Você é sua filha. Então, deveria estar ciente da etiqueta social própria para uma lady.

― Meu pai não se importa com nada disso.

― No entanto, ele se oporia que você se tornasse uma lady respeitável? Não é tão formal ou estrito. Enquanto você não perde o seu direito de ir e vir, pode dizer algo ou agir estranhamento não se tornaria um problema. Mesmo que você vê fadas ou as ouve, sabe de exaustivamente sobre a existência delas, as pessoas só pensarão que é uma característica de sua personalidade.

Não tenho certeza disso”.

No interior, Lydia foi tratada como uma lunática porque admitiu que via fadas. Por outro lado, Edgar anunciou seu título como Conde do Mundo das Fadas, e ainda assim, foi aceito sem problemas. Isso não significava que a alta classe acreditava na existência das fadas, mas apenas aceitaram o senso de humor periódico da família que herdara esse nome de geração para geração. Entretanto, a razão pela qual a sociedade o aceitou tão provavelmente, foi muito capaz por causa de como Edgar conseguiu agir como ideal e perfeito nobre, que ninguém poderia encontrar falhas.

― Então, por esse motivo, você, ex-membro de uma gangue, foi capaz de caminhar com esse rosto orgulhoso entre a alta classe.

― Sim, é por isso.

Por outro lado, Lydia não queria agir como uma nobre. Mesmo que a beneficiasse, ela estaria presa no ponto em que agiria conforme as vontades de Edgar.

― A razão pela qual você quer me vestir como uma lady é porque aplacaria seu tédio, não é? Você devia estar fora de si quando me forneceu este escritório e todas estas flores.

― Você não gostou? Escolhi tudo com a sua imagem em minha mente.

Huh? Como eu iria?

― Como esta rosa, é uma espécie rara que floresce como cor verde glacial. Se você colocá-la contra a luz, poderá ver que ela brilha em verde-dourado, assim como seus olhos.

Ele aproximou a rosa e pressionou seus lábios levemente contra ela. Ele a olhou com olhos calorosos, sedutores e fizeram com que Lydia tivesse a impressão que foi beijada nas pálpebras. Edgar levantou-se continuou a conversa com Lydia enquanto caminhava.

― E você é a fada neste jardim de flores. E vê-la sentada aqui neste quarto completa uma pintura maravilhosa. Assim como eu pensei, uma bonita paisagem. Ahh, sim! Você permitiria que uma pequena violeta permaneça ao seu lado? Para ficar no meu lugar para que sempre possa observá-la. E também irá destacar seus belos cabelos caramelos.

― Tudo bem! Tudo bem! Então, basta parar.

Ela se arrependeu por tê-lo questionado. E assim, ele estendeu uma violeta em sua frente - tinha a mesma cor de seus olhos - e, embora cansada, aceitou.

Ela quase esqueceu que esse mulherengo mantivesse a boca aberta, continuaria lisonjear e pajear independentemente do tipo de pessoa que fosse. Edgar deu de ombros, como ainda tivesse mais algo para falar.

Ele tinha uma característica pessoal de ser falante que era muito embaraçoso para ela. No entanto, sabia o que dizia nem sempre era o seu real significado. Mesmo que soubesse disto, ela sentiu que, de alguma forma, ele entrava em seu coração, se permitisse, algo altamente perturbador.

― Eu a trato como uma lady porque não a contratei como um dos meus servos, pois sinto que você é um membro importante e insubstituível da família do conde.

Ele falou em um tom excepcionalmente grave enquanto colocava a mão na parte de trás do sofá em que Lydia estava sentada.

― Este título foi algo que você me deu. Afinal, não consegui sozinho, acredito que foi graças a você. E, como fairy doctor, é uma parceira importante.

― Prefiro trabalhar nos bastidores. Não me vestir como você quer e se tornar seu acessório.

― O valor de uma joia é apenas o quanto capta e hipnotiza os olhos de muitas pessoas. É um desperdício deixar uma jovem e bela fairy doctor nos bastidores.

Verdade que ela era jovem, mas era uma opinião pessoal e completamente subjetiva se ela era linda ou não. Nunca foi elogiada além de sua família, e ela não se considerava atraente. Foi-lhe dito, em muitas vezes, que sua aparência era muito severa e sua personalidade dura.

Embora Edgar fosse uma exceção, certamente, daria as mesmas características lisonjeiras para qualquer uma. Enquanto pensava nisso, ficou mais um pouco irritada.

― E para que isso? Não é para você se destacar ainda mais?

― Não! Não é isso que quero dizer! Quero... quero que você sempre fique ao meu lado.

Ele disse isso em um tom tímido, como tivesse vergonha, o que assemelhava que estava confessando seus insuportáveis sentimentos. Lydia tentou desesperadamente acalmar as batidas aceleradas do seu coração. Edgar era um homem que não era de confiança. Não estava fora de si para falar aquilo, mas, era capaz de fazer qualquer coisa se fosse necessário. Se a ajuda de Lydia fosse imprescindível para a família Ashenbert, logo, ele encontraria qualquer plano para segurá-la ali.

― Você quer me manter sobre sua vigilância tanto assim? Por que sou a única pessoa, além de Raven, que sabe que você era criminoso que estava predestinado a ser executado na América? Eu não tenho planos de revelar isso. Fique tranquilo. Por todas as fadas que o aceitaram como o seu novo conde, farei o que puder para ajudá-las como fairy doctor. Portanto, não é preciso você me lisonjear ou fingir que está flertando comigo.

Edgar abaixou os olhos, e parecia que ele estava com coração quebrado.

Por que você está fazendo este rosto? Por que você sentiu o ferrão do eu disse?

Não há o que se sentir culpa, mas, mesmo assim, Lydia se sentiu culpada. Se não fosse uma mentira quando ele disse que pensava em Lydia como sua parceria, seria ela que o faria enxergar e questionar seus sentimentos.

― Entendo. Nunca imaginei que você me odiasse tanto.

Hum, não foi isso que eu quis dizer. – falou Lydia, enquanto se levantava e o chamasse a atenção.

― Então, isso significa que não sou odiado?

Edgar se afastou em um piscar de olhos e de repente, ela tinha suas mãos entre as dele.

― Isto...

― Então, é mais para como?

Eh.

O sorriso que ele deu foi aquele que deixava qualquer garota cair sob uma ilusão romântica, menos para ela.

― Eu... Eu sou a fairy doctor desta casa, nada mais, nada menos. Então, pare de falar algo tão impróprio. Solte minhas mãos! – disse sem rodeios, olhando firmemente para ele.

Edgar deu um amargo sorriso, e depois soltou as suas mãos. Ele percebeu que seus sentimentos não correspondiam para um romance ou desejo.

― Tudo bem. Tudo bem. Então, vamos falar sobre algo que vai te deixar feliz. Você conhece a lenda do Fogman?

Ela já tinha se afastado dele, mas quando ouviu isso, voltou-se.

― Sobre o Fogman?

Hmmm. Quando as fadas surgem em uma conversa, seus olhos verde-dourados brilham. Aposto que meu grande rival são as fadas, sem dúvida!

Lydia não estava prestando atenção sobre o que Edgar dizia, pois seus pensamentos se voltaram quando foi quase atacada no parque. Claro, não era uma fada, mas um homem, humano, que veio atrás dela, não tinha como não deixar comparar quando ouviu a palavra Fogman.

― Há uma visita à sua espera e deseja ouvir sua opinião. Sei que você passou por uma experiência assustadora, mas se não estiver cansada, se importaria de ouvi-la?

Quando viu Lydia sair da sala, Nico levantou o corpo da almofada e sentou-se na cadeira, cruzando as pernas.

― Oh, não! Ela jogou exatamente como o conde queria.

Ele apanhou a colher de prata com a pata e, com o seu reflexo, mirou na gravata. Quanto mais alta classe era uma fada, mas elas poderiam fazer suas reflexões, aparecer e desaparecer à vontade. Ele não estava satisfeito com a parte que era frequentemente confundido com um gato, mas adorava seu casaco de peles exuberante e de cor prata-oxigenado, seus olhos brilhavam como joias e seus bigodes viris.

― Pergunto-me, o que vai acontecer. É óbvio que ele é um canalha, enquanto não fazer nada para Lydia, ficarei quieto. – proferiu Nico, mesmo que não se importava que Lydia entrava e saia da propriedade de Edgar, que começava a consolidar a sua posição de conde.

Isso porque o chá era tão delicioso. A comida e as bebidas também eram excelentes. O ar de Londres era sujo, e o lugar barulhento, e se sentia cansado dessa cidade, mas ele começava a repensar por ficar aqui por um pouco mais.

Geesh! Ouvir aquela conversa açucarada fez com que o meu chá esfriasse.

― Devo servir um novo chá?

Quem entrou na sala era o mordomo.

― Sim, e traga um chá especialmente quente. – ordenou Nico, erguendo sua xícara de chá.

Este mordomo tinha sangue merrow, então, rapidamente, ele percebeu quem era o verdadeiro Nico. E por isso, Nico parou de fingir. Edgar pode ter reparado em algo, mas Nico não tinha intenção em abaixar a guarda em relação a ele, portanto, continuou a fingir que era um gato. Esse homem ainda escondia alguma coisa, por isso, não tinha nenhuma obrigação ou razão para Lydia e ele revelar seus segredos. Dando a sensação de algo está fora do lugar ou fazer acreditar nele, seria quase impossível ele entender sua verdadeira natureza.

― Oi, mordomo. Qual é o próximo plano do conde?

― Como assim? – o mordomo devolveu a pergunta, enquanto jogava a água quente com Darjeeling na xícara.

― Um tempo atrás, eu o avistei indo para centro da cidade sozinho. Ele estava vestindo de uma maneira completamente diferente do seu habitual, como fosse de uma classe mais baixa e misturasse com o povo comum e suas roupas sujas.

― Você não o confundiu com outra pessoa?

― De jeito nenhum. Mesmo que ele pudesse esconder aquela brilhante cabeleira loira debaixo de um chapéu comum, nunca poderia esconder aquela presença dele. Ele se destaca em uma multidão, não importa como e você saberia disso. Não posso dizer o que faz diferente, mas tem aquele ar que o torna diferente das pessoas comuns.

― Talvez seja.

― Então, quem era a garota que ele convidou para sua carruagem há três dias?

― Alguém fez isso?

Lady Walpole era como ela chamava, mas, o que ela é para ele não sei. Ele está indo atrás dela?

― Não tenho a menor ideia.

Humph! Você está tentando provar que um bom mordomo não derrama os segredos do seu mestre? Bem, se for isso, está de parabéns.

Tompkins respondeu apenas curvando seus lábios cheios na forma de um sorriso. Um peixe. Isso era que o corpo desse homem se assemelhava, porque tinha sangue de merrow, o que provocava Nico lamber os lábios. Nico então lembrou e voltou seus olhos para a lata de peixe em cima da mesa.

― Você poderia abrir isso? Poderia?

― Bem, você irá comer direto da lata?

― Só vou provar o gosto.

Do seu bolso, o mordomo tirou um cinzel. Nico ficou surpreso com o fato dele estar carregando isso com ele. Olhou para a lata, engolindo um punhado de saliva enquanto se perguntava se era o que realmente mais delicioso de Londres.

Naquele momento, ele viu a lata se agitar num leve chacoalhar. Como se o conteúdo estivesse tentando resistir da fome de Nico, emitiu uma hostilidade através da sua capa de aço.

― Espere um minuto! – Nico impediu o mordomo estava prestes a fazer um furo com cinzel.

Ele pegou a lata, tocou-a e a sacudiu, apertando suas presas sobre ela. Quando a colocou sob a mesa, uma vez ela se impulsionou para o lado oposto como fosse fugir.

Poderia haver alguma criatura estranha dentro dela?”. No entanto, devido à sua estrutura hermética foi necessário abri-la para saber o que estava dentro. Mesmo assim, havia certo perigo, pois não se sabia o que era.

― Por enquanto, vou me certificar o que é. – disse Nico cruzando os braços enquanto olhava a lata ser aberta.

*****

Escoltada por Edgar, Lydia entrou no salão pelo lado sul da residência para encontrar a mulher que a esperava. Ela se levantou para cumprimentá-la com uma expressão nervosa.

― Desculpe por fazê-la esperar, lady Marl. Esta jovem é a minha fairy doctor, Lydia Carlton.
Quando ouviu a sua apresentação, a mulher deixou a ansiedade se afastar de seus ombros.

― Oh, meu Deus! Então, é ela. Tinha imaginado que iria encontrar uma velha, uma espécie de bruxa. Estou um pouco hesitante em transmitir a minha história a uma moça tão jovem, talvez irá assustá-la.

Uma fairy doctor não é uma bruxa”. Ela ergueu a sobrancelha enquanto pensava nisso. Mas, era um erro comum, pensou por fim, e decidiu que não faria nenhum rumor.

― Não há o que se preocupar. Se são sobre fadas, logo, ela está perfeitamente a par em relação à sua crueldade.

Edgar convidou lady Marl para se sentar.

― E, então, não estávamos falando sobre a última filha do barão, miss Doris Worpole, foi tomada pelo Fogman?

A senhorita Marl sentou-se e na pergunta de Edgar, inclinou a cabeça.

― Sim, isso mesmo. My lady não voltou para casa há três dias. Ela tinha deixado a casa para ajudar no bazar de caridade e de acordo com a empregada que a acompanhava em algum lugar se perderam. Não sei o paradeiro desde então.

A filha do barão sumiu. E, a história se assemelha a um sequestro pelo Fogman”. Lydia apertou sua expressão com a seriedade da situação. Conforme a informação de miss Marl, os pais de Dóris, dezesseis anos, morreram e atualmente morava com o tio e sua prima, que era um ano mais velha do que ela.

Miss Marl foi professora da família Worpole, mas deixou seu posto devido ao seu casamento, no entanto, manteve contato com a filha do barão depois desse acontecimento. Como ela era parente distante da família procurou por vários lugares o paradeiro da filha dele e preocupava-se com a sua segurança como amiga.

Porém, por esse tipo de incidente era visto como uma desgraça, poderia afetar até mesmo as perspectivas de casamento futuro para uma jovem debutante da alta classe, sua busca foi feita de forma secreta com a família do barão. Mas, quando a miss Marl disse sobre a possibilidade de Fogman, ela foi ridicularizada e não a deixaram terminar a busca.

E então, Lydia também foi frequentemente rejeitada por ter abordado o tema das fadas, e por isso, sabia como ela se sentia. Foi quando miss Marl refletiu sobre o que fazer e, no final, consciente que ela estaria revelando um segredo de lady Dóris ter sido envolvida de modo involuntário em algum incidente perigoso, veio pedir a ajuda de Edgar. 

Aparentemente, sentiu que era sincero, confiável, e podia contar com ele. Mas, os pensamentos de Lydia sobre isso eram que ela estava errada em pensar assim. Mesmo que estivesse casada, miss Marl ainda era jovem, e bastante atraente, para Lydia, Edgar queria colocar seu belo rosto em sua presença.

― Sim. Lembro-me da neblina que estava tão densa durante o dia que não podia se ver dois passos adiante. – disse Edgar.

Mas, só por esse fato, normalmente, ninguém iria alegar de que era um sequestro pelo Fogman.

― Então, por que você acha que é um Fogman? Mesmo que ela desaparecesse em uma noite nebulosa, hoje em dia, não há muitas pessoas que levam isso a sério. – replicou Lydia.

― Sim. Honestamente, ainda não acredito nisso, sinto muito. Apesar disso, mesmo assim, vim pedir sua ajuda. Porém, não temos pistas, como ela tivesse desaparecido no nevoeiro. E my lady parecia acreditar piamente na existência das fadas como o Fogman. Ela estava absorvida no jogo “ovo das fadas”. Ouvi dizer que é um jogo de adivinhação e se você romper a promessa com o país das fadas, o Fogman viria puni-la. Lembrei-me que ela estava bem assustada com isso e incomodada a tal ponto que parecia em pânico.

― Ovo de fada?

― Você não conhece, Lydia? É muito popular entre as moças.

Por que você conhece um jogo que é predileto pelas moças?”, Lydia queria questioná-lo, mas decidiu que isso iria fugir do assunto.

― Você coloca um pedaço de papel com todos os alfabetos escritos e dispõe em uma mesa. Aí, você sobrepõe uma bola de vidro e uma moeda no papel. Tendo alguns membros, você coloca o dedo em cima da moeda e se liga ao país das fadas, que é supostamente a bola de vidro. Há duas maneiras de jogar. Dois amigos prometem e juram lealdade ao “ovo da fada” e fazem perguntas, as quais o país das fadas irá respondê-las. O país das fadas usa seu poder invisível para mover a moeda e apontar no alfabeto para que você descubra se alguém que te interessa compartilha dos mesmos sentimentos ou saber se há alguém que gosta de você.

― Então, você tentou isso.

― Tentei. É muito divertido. Todas aquelas garotas emocionadas e gritando de alegria. Quando você move a moeda em cima das suas próprias iniciais no momento em que ela pergunta quem será o seu futuro namorado, a menina percebe sua presença e então, fica mais fácil de conquistá-la.

Você não vale nada!”.

Lydia estreitou os olhos com repugnância, e ele apenas deu leve sorriso. Quando virou o rosto para miss Marl, sua expressão mudou rapidamente para a de preocupação.

― Pois então, miss Marl, o “ovo da fada” é apenas um simples jogo. Mesmo que não houvesse a participação das fadas, um dos membros participantes deve ter propositalmente ou mesmo inconscientemente movido a moeda. Apenas, essa jovens moças devem acreditar que foi o poder das fadas. Logo, se elas quebrassem suas promessas ou soltassem a moeda no meio dos questionamentos, ficariam muito preocupadas e assustadas por enfurecerem a fada.

― Mas, você não pode ter certeza de que não havia uma fada. Elas adoram brincar. Se houvesse algo dentro da bola de vidro que as interessassem, poderia haver a possibilidade delas se aproximarem e interferissem na adivinhação.

A senhora inclinou-se para frente em um gesto pensativo.

― O que quer dizer que se você ofendesse ou abalasse a fada, então há a possibilidade de ser levada para algum lugar por elas?

― Talvez, não podemos estar certos em negar essa possibilidade, mas Fogman, sem dúvida, não é o tipo de fada para se interessar em um jogo de moedas. Seu corpo é como uma massa de maldade e malícia juntas como um espírito demoníaco. Não é da espécie que negocie, e muito menos com humanos.

― Oh, my lord! – soltou a dama tremendo.

― Edgar, é verdade que o Fogman puniria aqueles que participaram do jogo “ovo de fada”?

― Quem sabe? Quando participei, não havia nenhuma menção ao Fogman. Nós acabamos de chamá-lo como “mister Fada”. Não acredito que o castigo fosse tão grave o suficiente para que as jovens se preocupassem com isso.

― Faz sentido, ou então, não seria um jogo. O que me incomoda é que o jogo “ovo de fada” e Fogman estão conectados com lady Dóris, que mencionou sobre eles.

― Mas, Lydia, não poderia haver a possibilidade de que ela fosse levada por uma fada diferente que gosta de brincar?

― É difícil dizer neste momento.

― Então, o que devemos fazer? Isto está dentro da sua perspectiva de trabalho?

Também era importante decifrar se este era o ato de uma fada ou humano. Lydia não hesitou e encarou a senhora.

― É claro que vou procurá-la Se eu puder ser de qualquer utilidade.

Uh... – pronunciou a senhora Marl com um olhar duvidoso.

― Você não poderia convocar uma fada agora e pedir-lhes a localização de my lady ou olhar através de uma bola de cristal?

Parecia que ela confundiu o papel de uma fairy doctor como uma adivinha ou psíquica.

Umm, não consigo resolver casos usando qualquer tipo de magia. É necessário que seja um pouco educada com as fadas, e isso é tudo. O que posso fazer é procurar quaisquer pistas que seja qual fada tenha deixado.

Quando ela deu a sua resposta, a senhora Marl não escondeu sua decepção. Sua reação também deprimiu Lydia.  A senhora veio aqui esperando uma resposta. Mesmo que a sua única ajuda fosse alguém que pudesse usar magia, devia estar ansiosa para alguém indicasse claramente onde a filha do barão estava, seja na Terra ou em um reino diferente.

O desempenho sombrio de uma fairy doctor não era algo generoso, como o uso de poderes mágicos na frente dos clientes, logo, geralmente não compreendiam ou se sujeitavam. É por isso que a maior parte do tempo, eles foram vistos como estranhos para o resto da sociedade.

― Isso não tem sentido para você? Senhora Marl, como você pode perguntar a várias pessoas, Lydia pode entrar em contato com diferentes fadas. Se algo acontecesse à lady Dóris, em uma área deserta e vazia, talvez, uma fada estivesse lá e tê-la visto.

Edgar conversou suavemente com a senhora. Aparentemente, essa garantia funcionou e ela apresentou um olhar satisfeito e feliz.

― Sim, você está certo. Por favor, senhorita Carlton, encontre a minha querida amiga.

Lydia mostrou a sua gratidão e assentiu. Edgar virou seu rosto de modo que a senhora não visse, e deu uma piscadela. Lydia entendeu que ele apenas lhe deu uma mão para ajudá-la, mas não podia deixar de pensar que ele estava brincando mesmo que a situação fosse tão séria. No entanto, por incrível que pareça, Edgar estava ciente qual era o trabalho de uma fairy doctor. Isso porque ele próprio esperava o conhecimento sobre as fadas como algo mágico de Lydia no passado. Mas, desde o início, não a considerava com excessiva curiosidade ou a temia.

A razão pela qual, ela não corou foi porque sabia que ele era um homem desonroso, provavelmente uma característica dele. Como ninguém havia compreendido ou aceito a habilidade de Lydia, desde modo, ela tentou suprir as falhas de Edgar. Talvez essa fosse a razão que fosse espontânea.

My lord, muito obrigada! Você foi o único que ouviu a minha história honestamente e sem rir sobre as fadas.

A senhora Marl olhou para Edgar com uma expressão mais calma.

― Além disso, você foi gentil o suficiente para me encorajar que sua fairy doctor consiga resolver o problema. Principalmente, por não ter o que fazer quando se trata de fadas.

O quê? Foi Edgar que se ofereceu?”. Lydia certamente ficou surpresa com isso. Entretanto, se você analisar, não havia como esse homem achasse que este era feito de uma fada. Afirmou que a adivinhação do “ovo de fadas” era um simples jogo que não tinha truques por trás disso. Mas, era irresponsável da parte dele afirmar que uma fairy doctor seria capaz de fazer alguma coisa. Tinha uma leve sensação de que tentou arrastá-la de forma intencional para este caso.

― Na verdade, conheci lady Dóris anteriormente. É natural que ficasse preocupado.

Ele sorriu para senhora, enquanto Lydia o olhava friamente com o canto dos olhos de modo duvidoso. Neste momento, se questionou se esse homem oferecera sua ajuda com boa intenção? Ou queria agir apenas como um gentil cavalheiro na frente de uma senhora? Ela não sabia a resposta, mas sentia que era conveniente usá-la. Talvez, ele estivesse planejando fazer algo contra as convenções novamente.

Naquele momento, a ideia que atravessava a mente de Lydia era que ele fosse o culpado. Afinal, era dubitável que foi um ex-criminoso que não se intimidava ou sentia nada contra violar a lei.

Nota da tradutora: Você leu esse trecho?

“― Você não gostou? Escolhi tudo com a sua imagem em minha mente.

― Huh? Como eu iria?

― Como esta rosa, é uma espécie rara que floresce como cor verde glacial. Se você colocá-la contra a luz, poderá ver que ela brilha em verde-dourado, assim como seus olhos.
Ele aproximou a rosa e pressionou seus lábios levemente contra ela, a olhou com olhos calorosos, sedutores e fizeram com que Lydia tivesse a impressão que foi beijada nas pálpebras. Edgar levantou-se continuou a conversa com Lydia enquanto caminhava.

― E você é a fada neste jardim de flores. E vê-la sentada aqui neste quarto completa uma pintura maravilhosa. Assim como eu pensei, uma bonita paisagem. Ahh, sim! Você permitiria que uma pequena violeta permaneça ao seu lado? Para ficar no meu lugar para que sempre possa observá-la. E também irá destacar seus belos cabelos caramelos.”

Não dá a impressão que Lydia revirou mil vezes os olhos internamente? XD

Então, espere só para ver o que Edgar é capaz neste livro. Bom, já te adianto, Lydia ganhará uma das rivais mais irritantes do mundo do light novel: Rosalie. 

Bom, é isso! A gente se vê nos meados de outubro com o capítulo 2! 

Divulgue, nos dê suporte! Beijos!

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