sexta-feira, 21 de julho de 2017

As duas chaves e o sangue do sacrifício - Capítulo 6 - Volume I - Hakushaku to Yousei Light Novel


Nota de abertura: Chegamos ao 6º capítulo da obra! Bora?

Lord Edgar, perdoe-me. – disse Raven com sua voz indiferente, ajoelhado em um joelho.

Mas, mesmo Lydia sabia que ele não se desculpava por inevitavelmente não conseguir salvar Ermine. Ele a deixou ir. Para sua irmã que escolheu a morte, ele foi contra as ordens do seu mestre.

Raven deveria ter colocado o seu espírito nas mãos de Edgar, então, ela pensou que ele precisou de uma determinação muito mais forte para desafiar as ordens do seu senhor.

― Você está perdoado.

Isso provavelmente deve ter sido o motivo pelo qual Edgar reconheceu sua clemência. Ainda caído no chão apoiando os cotovelos nas pernas, Edgar enterrou os dedos nos cabelos dourados e, aos olhos de Lydia, ele tentava conter a sua imensa raiva.
Talvez essa raiva era de si mesmo.

― O único que precisa pedir desculpas sou eu, Raven. Não fui capaz de aceitar o esforço de Ermine. Mesmo assim, pude ver que ela estava angustiada. –pronunciou.

Depois disso, ele murmurou com um longo suspiro que era quase inaudível:

― Eu deveria tê-la tomado como ela pediu.

Ele deve ter dito sobre a noite passada, pensou Lydia. Ao mesmo tempo em que se lembrou de Edgar ter dito que faria qualquer coisa para deixar Ermine feliz.
O amor de Ermine era unilateral. Mesmo assim, ela deveria saber que Edgar pensava nela como fosse da sua família. No entanto, foi um final muito triste.

― No final, eu ainda sou escravo do Príncipe. Não é uma tarefa simples descobrir a maldição que liga a memória a um tempo que esse homem era tudo e absoluto para nós. Sinto como estivesse no final de longo labirinto fugindo desse homem. Ele está esperando por nós, enquanto estamos prestes a encontrar a saída. No entanto, muitos anos se passaram, e esse pesadelo nunca me deixou. Apesar de ser assim, para Ermine, que viveu como mulher dele, devia ter sido uma dor profunda, medo e preocupação que sempre dominaram sua mente.  

Para sentir como estivesse se perdendo, desesperado, vivendo a vida como um boneco, esse sentimento só poderia ser entendido por alguém que passasse por isso.

Lydia não poderia imaginar o que deveria ter sido viver sob a captura desse homem chamado Príncipe e como sofreram por sua causa. Mas, ela conseguia entender um pouco os sentimentos de Ermine.

Lydia percebeu que podia compreender os verdadeiros sentimentos de Ermine, a emoção que nunca foi controlada, e mais profunda ainda que sua traição. Se pudesse levar Lydia de modo involuntário com ela, não havia a necessidade de Edgar matar Lydia. De qualquer maneira, Ermine não poderia viver ao lado de Edgar como traidora. Até que Edgar fosse capturado pelo Príncipe, ou mesmo, sua traição ser revelada, era uma questão de tempo. Era um amor débil que iria acabar. E por isso, que agora, ela tentou acabar com tudo.

Edgar levantou-se, lentamente, como se seu corpo apresentasse um peso enorme.

― Me dê um tempo. Volto logo.

Lydia observou suas costas desaparecerem na construção. Parecia tão fraco, como se ele fosse desaparecer. O que influenciou ao longo do caminho, ele ter ido atrás da espada do Conde Cavaleiro Azul, então, nesse momento, não havia mais sentido. Edgar só queria que ela pudesse viver como uma garota normal, com os cabelos crescendo, vestindo-se bem e sorrindo.

― Você está chorando pela minha irmã? – perguntou Raven à Lydia, que finalmente percebeu suas lágrimas escorrendo pelo rosto.

― Mesmo que ela tentou matá-la?

Ela se perguntou se Ermine realmente queria assassiná-la. Esse pensamento intrigante passou por ela. Se ela planejava desde o início, então, não havia necessidade dela assumir o plano de Edgar. Se ela revelou tudo à Lydia, logo, ela pensou na possibilidade de Lydia iria sobreviver e conseguiria guiá-los com segurança até a localização da espada.

Ela tentou levar Lydia para morrer com ela, mas realmente não queria matá-la. E se conhecia a velocidade de Raven, então, deveria haver uma alternativa de ser bem-sucedida.

Na hipótese deles continuarem, e não conseguissem a pesada, então, Edgar e Lydia acabariam morrendo. E Ermine não conseguia mais trair Edgar e fugir do Príncipe. Por isso, ela escolheu a morte. Seu único desejo era que Edgar não sacrificasse Lydia e que ele mudasse seus sentimentos, mesmo que não pudesse pegar a espada, e encontrassem uma outra maneira de obter a liberdade, foi o que Lydia pensou. E depois de tudo, ela decidiu soltar as amarras entre Edgar e o Príncipe.

― Embora, eu a conhecesse há alguns dias, percebo o que ela estava sentindo. E você deve estar mais desgostoso do que eu.

― Triste você pensar realmente assim. Não sei se estou. Às vezes é tão difícil compreender o que sinto. Mesmo com a minha irmã, o único sentimento que tive dela foi que era a minha família, alguém que estava ao meu lado, e nos ajudávamos um ao outro, alguém que nunca iria embora. Eu deveria ter sabido que ela era uma pessoa com aflições, preocupações e preocupações, já eu estou sempre no meu limite, tentando me entender. – revelou de uma maneira normal e indiferente.

― Não, você entende porque tem um coração. Se você a deixou ir foi porque pensou em sua dor, então, isso significa que você a amava e machucou-se profundamente.

Seus olhos verdes-escuros se voltaram para ela. Ela ainda pensava que eles eram de uma cor tão misteriosa que deixava as pessoas ansiosas. Mas, agora, não sentia o perigo agudo que iria prejudicá-la.

― Senhorita Carlton, minha irmã disse alguma coisa? 
           
Hum, o que você quer dizer?

― Não, não há necessidade de me responder isso. Por favor, guarde para você.

Raven deve ter percebido que Ermine contou à Lydia sobre o plano real de Edgar. Mas, ele era seu servo. Deve ter decidido que mudaria seus esforços e se preocupar com seu mestre que cometeria mais crimes para fazer com seu desejo virasse realidade. Mesmo que isso significasse colocar Lydia em uma armadilha.

Lord Edgar não está tentando ganhar a espada por si mesmo. A única coisa em mente do meu mestre é a obrigação de um nobre. Isso é tudo.

Era como estivesse querendo justificar a posição do seu mestre. No entanto, ela podia entender.

Obrigação de um nobre. O dever de um lord em proteger e liderar seus assuntos, suas famílias e seu povo. Desde os tempos feudais, a classe social onde o espírito da cavalaria havia sido transmitido. Não era apenas uma vida de luxo, como alguém que estivesse acima dos outros. Existia o duro dever e uma responsabilidade que o acompanhava. Era uma posição dos tempos de guerras e batalhas que não permitia abandonar esse assunto ou as pessoas.

Edgar trilhou todo esse caminho, lutando pelo bem de Raven e Ermine. Mesmo agora, muito provavelmente, ele ainda não planejava retroceder.

― Lydia, você poderia vir aqui? - Edgar tinha retornado e não apresentava sinais de agonia ou mágoa. Como nada tivesse acontecido, chamou Lydia.

― Não era ouro que os leprechauns escondiam nos porões? – perguntou enquanto guiava Lydia atrás da escada.

― Sim, isso mesmo. Mas, o que aconteceu?

― Você se lembra da moeda de ouro do Conde Cavaleiro Azul? Esta. Esta moeda é que contém o enigma das fadas. E aqui, veja, há um buraco na parede. E do mesmo tamanho da moeda.

― Você está certo!

― Posso colocá-la?

Lydia assentiu.

A moeda escorregou e caiu na fina abertura. Ao mesmo tempo, ouviu-se um som de tic-tac e então a escada começou a se mover. Finalmente, surgiu uma escura passagem além dela.

― Vamos.

Sob a liderança de Edgar, Lydia desceu as escadas. Atrás dela veio Raven. Se eles continuassem, logo isso significava que o perigo estava se aproximando de Lydia.

Mas, para salvar seu pai, ela precisava da Estrela de Merrow. Portanto, Lydia só devia continuar andando. Sentiu o esforço do grupo quando ela e Edgar trabalharam para resolver os enigmas das fadas, uma a uma. Enquanto isso, começou a sentir uma inegável excitação crescendo em busca da espada junto com ele. No entanto, por outro lado, ela pensou sobre as ações de Ermine, ao trocar sua vida para tentar impedir que Edgar continuasse a sacrificar outras pessoas e essa era prova séria de que ele deixaria Lydia morrer.

Ela desejou que os sentimentos de Ermine de não querer cometer mais crimes haviam chegado a ele. Mas, como esperava, sentia-se negada do seu desejo pela presença de Raven logo atrás dela. Sem dúvida, um sentimentalismo como aquele não seria capaz de vacilar a resolução desses dois homens. 

Raven entendeu o propósito da morte de sua irmã e seu desejo, mesmo assim decidiu seguir Edgar. E Edgar resolveu seguir seu noblisse oblige por causa de Raven.

Porém, assim como eles, até Lydia tinha alguém que queria proteger, seu pai. Indo contra esses dois que haviam sobrevivido a encontros mais ameaçadores de vida do que ela, sabia que a menina ingênua não era uma rival, então, só restava pressioná-la.

*****

― Ei, e não é que o professor? O que está fazendo aqui?

A voz veio em um canto da sala em que estava preso. Mas, não deveria haver mais ninguém além dele. Ele ficou intrigado e olhou ao redor da sala e viu que havia um gato de pelos grisalhos sentado no peitoril da janela. Sim, era um gato que usava gravata, sentado no peitoril da janela como um humano.

― Nico!

Claro que ele sabia que este felino não era um simples gato.

Ele sabia, mas sempre se sentia deixado de fora para testemunhar essa visão.

― Lydia foi tomada pelos Gossam e seus homens. Eles foram buscar a pedra preciosa.

O gato pulou a janela e caminhou até Carlton em suas duas pernas traseiras, ergueu habilmente seus braços, quero dizer, as suas patas dianteiras.

― O que aconteceu? Na última vez que vi Lydia, ela estava com aquele nobre louro.

Para dizer a verdade, Carlton teve que sempre lutar contra o desejo de se dirigir a Nico e testá-lo. Mesmo que estivesse em um corpo de um gato, e se ele fosse o cavalheiro, como ele mesmo afirmava que era, então, seria realmente grosseiro olhar de modo curioso para ele. Logo, Carlton se recompôs de novo.

Nico era parceiro da mãe de Lydia e a tinha vigiado desde que era um bebê. Portanto, ele também conhecia Carlton há um longo de tempo. Carlton não era capaz de ver fadas, Nico era o único do país das fadas com ele conseguia entrar em contato.

― Ela estava, mas foi capturada por Gossam. Eu também fui enganado por Gossam e vim encontrar Lydia com ele. De qualquer maneira, Lydia está indo em direção ao local onde a espada está escondida.

― Isto é ruim.

― É mau? Foi-me dito por uma mulher vestida como um homem que aquele nobre poderia sacrificar Lydia para os merrows.

― Sim. Na promessa entre os merrows e o Conde Cavaleiro Azul, se você não fosse o descendente direto da família do Conde e quisesse a espada nas mãos, isso, aparentemente, equivaleria a sua morte.

O som de passos se aproximando fez Nico calar-se. E assim, ele desapareceu. Na mesma hora, a porta se abriu. O mais velho dos Gossam entrou na sala. À primeira vista, ele não parecia muito bem, pois o seu rosto estava machucado. Este homem que, aparentemente, se apresentou como Huxley à Lydia ostentava um semblante irritado, demonstrando sua raiva para Carlton, chutou com violência a cadeira.

― Sua filha foi sequestrada novamente por aquele ladrão.

― Uh-huh. Obviamente, isso não muda o fato de que ainda me encontro em uma má situação.

― Enquanto você estiver em nossas mãos, sua filha não pode permitir que a Estrela Merrow cai nas mãos daquele homem. Ela tentará obter a pedra preciosa como nós pedimos, mas esse homem é malicioso. Ele não é alguém com quem sua filha sabe lidar.

― Parece que você também não consegue lidar com ele.

A testa de Huxley se contraiu, mas ele conteve sua raiva.

― De qualquer maneira, nós vamos atrás deles e pegaremos essa pedra preciosa. E você virá conosco!

O segundo e o terceiro filho se posicionaram um de cada lado de Carlton e o puxaram para se levantar. Ele procurou por Nico, mas não o viu. “Mas, ele deve estar perto de mim em algum lugar”, pensou.

― Parece que não temos tempo. – disse Nico. ― Tudo bem, vou seguir em frente. Professor, mantenha isso com você.

Enquanto ouvia a voz do gato, Carlton viu que havia uma folha de hortelã no seu bolso.

― Os brownies devem seguir esse cheiro.

― Ei! O que você está murmurando?

― Nada. Apenas estou falando comigo mesmo.

Soltando um suspiro, Carlton seguiu os homens para fora da sala. Carlton não foi contra sua filha quando ela decidiu que queria ser uma fairy doctor, assim como a sua mãe. Porém, como não escondeu o dom que lhe fora dado, ela se viu envolvida incidente perigoso como esse. Ele se preocupou com Lydia de como, ao herdar a habilidade de ver fadas, isso iria colocar sua vida diante de dificuldades e problemas indesejados. Mais do que isso, seu maior problema é ser parecida como sua mãe, que era frágil e não se posicionava diante dos homens por conta própria.

Um homem aristocrata, que também era um ladrão e sequestrador. Carlton refletiu que este homem provavelmente estava com sua filha naquele momento, e esse pensamento miserável o deixou mais desanimado.

As escadas indicavam para baixo, e para baixo, como nunca fossem terminar. A passagem subterrânea tinha passagens curvas e escadas se alternavam uma após a outra. E se eles não tivessem uma candeia com eles, seriam lançados para uma profunda escuridão. Por antecipar que haveria uma câmara subterrânea, Raven carregava uma vela. Dirigidos por essa luz, os três seguiram.

Ainda continua?”, Lydia começava a perder o fôlego ali presa, naquele espaço insular. À medida que ela dava um passo após o outro, ela sentiu que se aproximava do horror final. Na verdade, ela ainda não tinha conseguido encontrar uma maneira de roubar aquilo que Edgar tanto almejava, a espada. Literalmente, ela estava sendo levada para onde seria sacrificada. Estar naquela passagem subterrânea a fazia se sentir assim.

O espaço criado por humanos em que eles estavam não mostrava sinais de vida e isso fez com que Lydia sentisse mais ansiosa. Ela se perguntava o porquê as fadas que se encontravam naquele ambiente, não demonstravam um sinal. Como ela não podia vê-las, isso também acumulou a impressão de algo nada natural sobre ela e isso aumentou sua preocupação.

Eles poderiam estar na área que os merrows tinham controle. Mas como ela nunca tinha encontrado um merrow, isso colaborou para aumentar a ansiedade de Lydia.

Sua determinação em salvar seu pai desaparecia, e as ideias negativas e indesejadas se mantinham na sua mente. Ao lado dela estava Edgar, logo atrás, Raven. Não havia para onde correr. Ela sabia que seria morta por eles, e ainda assim se indagava o porquê os seguia. Ficou ainda mais sufocada.

Edgar virou-se para ela e por algum motivo, isso a fez encolher.

― Lydia, você está cansada?

― Você sente que o ar diminuiu?

― O fogo ilumina bem. Há alguma coisa errada. – disse Raven.

Quando ela ouviu a voz de Raven, Lydia sentiu-se uma vertigem, ficou tonta e perdeu o equilíbrio nos pés. Ela pendeu para o lado.

Edgar a agarrou e a segurou. Não entendia o que ele falava para ela.

― Não! Não me toque!

Ela simplesmente não queria ser tocada naquele momento. Mas, isso só a fez com que tivesse a respiração descontrolada e um suor frio percorria seu corpo. Ela estava em completa desordem.

― Calma, Lydia.

Se ela tentasse fazer barulho, sua mão seria pressionada. Além disso, seu nariz e boca estavam bloqueados pela mão dele. Ela não conseguia respirar.

O que está acontecendo? Vou ser morta?” Lydia ficou ainda mais desesperada e lutou para se libertar.

― Tranquilize-se e solte a respiração lentamente.

Mas estou sem ar agora.”

No momento em que, impensadamente, ela tentou revidar, seu pé escorregou do degrau da escada.

― Aaaahhhhhhh!

Surpresa com a queda súbita, ela soltou um gritou com todas as suas forças. Quando aconteceu isso, conseguiu apanhar o ar que a inundou como uma bola de chumbo, e Lydia conseguiu relaxar um pouco, pois não sentia mais a sua respiração.

― Isso mesmo. Não se apresse e respire lentamente.

 Na escuridão, onde a luz da vela não os alcançou, ela ouviu a voz de Edgar, que a tinha nos braços. Parecia que eles tinham caído alguns degraus. As escadas, que aparentemente não tinham fim, terminavam ali.

Lord Edgar.

― Estou bem, Raven. – disse Edgar para a luz da vela que se aproximava rapidamente em direção a eles.

― Lydia, você está bem?

― Sim. Sim...

Claro que ela estaria, já que Edgar levou o impacto de sua queda.

― E você?

― Estou perfeitamente bem, graças a Deus. Foi apenas uma distância de alguns passos.

Quando a luz da vela chegou até eles, ele soltou Lydia e, gentilmente, sorriu para ela como fosse uma expressão atenciosa.

― Você ainda se sente sem respiração?

― Sinto-me um pouco melhor.

― Parece que você tomou muito ar. Você deve estar ansiosa por ficar nesta escuridão. E eu ter forçado isso deve ter cansado você.

Dito isso, Lydia percebeu que estava lutando mais com seu nervosismo do que lidar com ela mesma.

― Ninguém se sentiria bem depois de algo assim. Lamento forçar você a passar dos seus limites.

Ela poderia dizer o que ele significava à Ermine. Lydia também estava prestes a cair naquele momento. Mesmo que fosse uma experiência chocante, mas mais do que isso, havia algo que a deixava nervosa, além disso. Ela estava aterrorizada com o que estava por vir.

Do pior que poderia acontecer com ela. Uma vez e outra, Lydia foi salva por Edgar. Quando Huxley estava prestes a atacá-la, ele ficou no seu lugar e foi ferido. Mesmo quando Ermine tratava de levá-la junto para o suicídio, e mesmo agora, ele a salvara.

Ele sempre se preocupou com Lydia e falou de modo amigável e gentil. Ela sabia perfeitamente que não deveria confiar nele, ainda assim, ter chegado tão longe foi porque queria acreditar nele. É por este motivo que ela não teve medo de morrer, mas aterrorizada em ser morta por Edgar. Imaginou que tipo de olhos frios e implacáveis que ele olharia a fez tremer. Edgar era alguém aceitou Lydia, que foi chamada de estranha e não era compreendida por ninguém por ser daquele jeito. Ela sentiu que enquanto ele elogiava era muito mais do que lisonjeira. Mas, se fosse morta por ele, então, a bondade e os sorrisos agradáveis dados para Lydia sugeriam que não passavam de mentiras.

Quando descobriu que Edgar era um ladrão, Lydia tentou fugir dele. Ele sabia desse fato, no entanto, não a forçou à submissão, usando a violência. Simplesmente implorou que ela não o deixasse, afirmando que precisava de sua ajuda como fairy doctor. Isso não era o mesmo que respeitar seus desejos e direitos?

A partir desse momento, Lydia não foi usada por ele, mas sentiu que estava no mesmo nível e cooperou com ele, no entanto, esse não era o caso. O que mais temia era Edgar destruir tudo. Lydia se apegou à esperança de que esse episódio não ocorreria, e assim poderiam continuar caminhando.

― Seria melhor descansar.

Mesmo que aquelas palavras não fossem compassivas, não poderiam ser negadas. Lydia fixou os olhos fortemente sobre os malva-acinzentados de Edgar. Ele já estava acostumado a ter mulheres o encarando de forma constante, portanto, retribuiu com um sorriso suave.

― Você vai me matar? – ela não conseguiu evitar perguntar isso.

Ele não esboçou surpresa, nem desviou o olhar, mas manteve os olhos nela, o que a petrificou.

― Por que você diz isso?

― Se você está planejando me matar, então não seja bom comigo. Seja como um vilão, mostre sua faca. Me force a fazer o que você diz gritando ou me batendo.

― Você ainda está desordenada?

― É injusto! Não posso vê-lo como um vilão, então, quer que eu me sinta culpada quando for morta? Queria ser uma ajuda como uma fairy doctor. Eu pensei mesmo que você fosse um ladrão. E um mentiroso, que realmente precisava da minha habilidade. É por isso que vim até aqui.

― Eu preciso de você.

― É por que você também precisa da minha vida, não é?

― E por que você pensa assim? Não há motivos para você morrer.

― Eu não sou membro da sua gangue. Você não ficaria ferido se me soltasse ou meu pai. Essa é uma razão perfeitamente boa.

Edgar parecia ter ficado perturbado. Abaixou a cabeça para desviar os olhos de Lydia, enquanto penteava os cabelos com os dedos. Aparentava que ele pensava em alguma coisa, e, então, decidiu, estendeu a mão para Lydia. Ele hesitou pela reação dela que ainda se encontrava acuada. No entanto, ele não desistiu e estendeu a mão para colocá-la na cabeça de Lydia. Ele acariciou seus cabelos suavemente, como estivesse tentando acalmar uma criança pequena.

― Como você disse, fizemos de tudo para nos proteger. Eu me considerava um lutador, mas na verdade, não passo de um homem patético, que só pensa em fugir. Estava com medo, então, não consegui perceber que eu não tinha escapado completamente desse homem. Por isso, paguei um grande preço. Eu não... Eu não quero machucar mais ninguém. Penso em você como a minha companheira. Por favor, acredite em mim.

Se ele lhe dissesse com olhando diretamente, ela quase acreditaria nele. Mas, tudo era certamente uma mentira. Ele era uma pessoa que poderia fazer uma mentira aparentar como uma verdade. E misturando um pouco de verdade, ele conseguiria produzir uma grande mentira.

Dessa forma, ele movia o coração das pessoas. Ele estava ciente como se apresentava diante de outras pessoas. Entretanto, tudo o que Lydia poderia fazer era apenas ser enganada. Ser enganada e traída era a sua única opção. Percebeu que não havia nada que pudesse fazer sobre a mentira de Edgar. Sua determinação em obter seu objetivo era firme e inigualável.

― Por favor, quero salvar o meu pai.

Então, pelo menos, Lydia queria que ele ouvisse apenas um de seus desejos verdadeiros.

― Claro, eu entendo.

Ela orou para que aquelas palavras fossem mentiras, reuniu as forças em seu corpo, e se levantou.

Atrás da porta havia uma adega. Mas, podia se dizer que não era uma adega de vinhos para humanos. Por ele se situar em lugar subterrâneo tão profundo, significava que a pessoa que construiu o castelo, tinha preparado para aqueles que viviam ali.

A adega era como uma cama de dormir para o Clurichaun, amante de vinho. Ela não tinha percebido o Clurichan residente daquele local, mas tinha certeza que a enigma apontava para esse local. De algum lugar, além das paredes, eles podiam ouvir o som de água corrente.  O som das ondas e, muito provavelmente, a existência de uma artéria de águas subterrâneas correndo em direção ao mar.

Se a moradia dos merrows estava próxima, então, essa poderia ser a adega de vinhos para os próprios merrows. E na parte de trás da adega, havia uma encruzilhada com três entradas.

― Qual delas, devemos seguir? – indagou Edgar.

― Vou verificar o que há em cada uma delas. Aguardem aqui. – se ofereceu Raven.

Ele acendeu a lanterna que estava pendurada na parede. Aquela luz iluminou o interior da adega de modo mais brilhante do que a vela, o que fez o grande espaço aberto tirar a sensação de estar em uma profunda escuridão.  Talvez tenha sido o motivo que Raven decidiu não levar Lydia junto com eles para passagens mais estreitas, e, em vez disso, se ofereceu verificar sozinho.

― Tenha cuidado! – disse Edgar claramente.

Raven desapareceu em uma das passagens, e Edgar, entediado, começou a tocar os barris de vinho que estavam alinhados.

― Parece que todos esses barris estão vazios.

Se o senhor do castelo tinha ido, então, isso indicava que não havia ninguém para oferecer aos merrows os seus vinhos. Lydia aproximou-se da parede e sentou-se escorada a ela. Nessa hora, sentiu um movimento brusco pelo seu peito.

― Lydia, sou eu.

O sussurro era Nico. Ele se manteve invisível e pulou no colo de Lydia.

― Ouça o que tenho a dizer. Os brownies que vivem nesta ilha contaram-me que lhes disseram que um homem merrow bebeu toda a bebida deles. Os merrows estão cansados de esperar o Conde, que não retorna há 100 anos. Na altura do campeonato, eles desejam alguém que possa tomar a espada. O brownie me disse que para os merrows seria um problema se alguém aceitasse. No entanto, o merrow pronunciou que “Está tudo certo desde que esse humano aceite a promessa nas mesmas condições que fizeram ao Conde e troque a estrela”. “Estrela? Como uma estrela do céu?”. “O que brilha no mar dos merrows são as almas dos humanos, que morreram no mar.” Ao aceitar as condições isso significa que é necessário atingir um humano com a espada. E esse homem é capaz de sacrificar vidas humanas para os merrows, então, ele não passa de um ladrão.

O que ocorre entre humanos e fadas, na maioria das vezes, é o selo de um contrato. Emoções e sentimento de dever só são considerados importantes entre os seres humanos. Mesmo que os merrows aceitassem o Conde como seu senhor, era apenas o resultado de contrato celebrado entre o Conde Cavaleiro Azul. Essa é a única razão que eles guardam a espada, é por causa desse contrato.  Eles não ousariam quebrar o contrato. Por outro lado, eles não farão nada além do que está no contrato. Se a maneira de verificar quem era o descendente do Conde era averiguar se o humano estivesse com a moeda de ouro e a chave de prata em seu poder, alcançasse o difícil lugar onde está a espada, então, eles não duvidariam da identidade da pessoa que veio reivindicar a espada.

Lydia certificou-se se Edgar não estava olhando para ela e fez um pequeno aceno de cabeça. E assim, Nico continuou a falar.

― Então, o esconderijo da espada está próximo, certo? Se você achar, certifique-se de obtê-la antes que o aristocrata o faça. E use-a para cortá-lo.

― Eh?

Ela quase soltou um suspiro, mas conseguiu segurá-lo.

― Esse é sinal para os merrows. Será tranquilo enquanto você cortar a pele dele um pouco. O sangue que toca a espada será aparentemente o único a ser a vítima dos merrows. Em pouco tempo, Huxley e seus irmãos chegarão aqui com o professor. Por isso, seria conveniente que eles discutissem. Durante o tempo em que esse aristocrata estiver ocupado em lidar com Huxley e seus irmãos, você precisa se certificar de encontrar a espada do Conde Cavaleiro Azul e pegá-la, entendeu?

Ela sentiu o pelo macio e aveludado de Nico tocar a sua mão, mas, ele desapareceu no instante em que Edgar caminhava em direção a ela.

― Você ouve algo?

― Huh? Não, nada... Não é o som das águas? Esse som é constante.

Enquanto se esquiva em não ser suspeita, Lydia também atentou aos sons das águas e daí, Edgar disse novamente:

― Ali, só ouvi o som do choro de uma menina.

― Chorando? Deve ser uma banshee.

Lydia levantou-se. O som que escutara estava longe, pois o vento atravessava as paredes da rocha. Realmente, parecia choro de uma banshee. É dito que quando se tem a visão de uma banshee chorando pelas águas, que alguém morreria em breve. A estranha fada chorava quando ocorria o aviso da morte de alguém.

Ela deveria cortar Edgar com a espada. Essa era única opção que Lydia tinha de se salvar. Ela se perguntou se poderia apontar uma arma para alguém. Porém, se ela não conseguisse fazê-lo, então, ele apontaria essa espada para Lydia.

― Quando você diz banshee, essa deve ser a próxima fada do enigma.

― Sim. Essa deve ser a dica.

Lydia pressionou a orelha contra a parede e ouviu de que lugar pelo qual o som do vento vinha mais forte. Esse som veio da passagem do meio. Naquele momento, Raven voltou da passagem à direita.

― Este é um beco sem saída.

― Este é o caminho. Acredito que esta seja passagem a seguir.

E os três retornaram a caminhar. Desta vez, a estrada não foi tão longa. Após caminhar por um tempo, eles chegaram a uma fenda entre paredes de rochas escuras com havia uma ponte suspensa. Logo depois, eles atravessaram e viram uma porta construída por pedras. Lydia estava prestes a se aproximar da porta, quando Edgar a deteve.

― Os próximos depois de banshee são os merrows. Portanto, devemos ter mais cautela a partir daqui.

― Cautela do quê?

― Não nos disseram que todos que se aproximam da espada acabaram mortos? Deve haver armadilhas a partir daqui. E observe, você pode ver parte de uma roda aqui.

Como ele disse, havia algum tipo de dispositivo incorporado à parede de pedra em que a ponte suspensa estava conectada. Edgar tirou um cartão do bolso interno do casaco. Era feito de uma fina folha de prata. O lado da folha que não era plano apresentava rachaduras aleatórias. Ela percebeu que havia algo cravado em sua superfície, assim como o enigma que estava na moeda de ouro. Porém, ela não tinha certeza do que era. Talvez fosse o que Edgar estava escondendo e que Ermine contou que estava relacionado com o mistério da espada do Conde Cavaleiro Azul.

― O que é isso?

― A chave mágica para abrir esta porta.

Pela maçaneta da porta, havia um ligeiro recuo que justamente era o tamanho da chave de prata. Este era o buraco da fechadura. De repente, ouviram um ruído estridente de passos vindo da direção da adega. À distância, podiam perceber a luz de uma lâmpada iluminando uma série de figuras escuras. Quando se aproximaram deles, a luz as iluminou e revelou seus rostos.

― John, fique aí mesmo! Você não irá para nenhum lugar!

― Estou realmente me cansando de ver o seu rosto, Huxley!

― Ei, vão buscá-lo!

Ainda com cauteloso em relação a Edgar e sua atitude insolente, Huxley ordenou os seus irmãos. Com os olhos nos irmãos de Huxley que se aproximavam de forma cuidadosa, Edgar entrou na porta. Naquele momento, houve um ruído profundo que entrou em erupção em algum lugar ao redor deles. Os irmãos Gossam pararam de seguir. O rugido ecoou contra as cavidades vazias das paredes de pedra e soou como estivesse se aproximando deles.

― ...Que tipo de mundo é esse...?

O murmúrio de um dos homens se transformou em um grito que o vento varreu assim que o atingiu.

― São os merrows, é a magia dos merrows. – ofegou Lydia.

A ponte suspensa balançou violentamente e quase jogou fora os que estavam ali agarrados. Primeiramente, poderia se pensar que era apenas a imaginação, mas, era mais do que ouvir um canto, as vozes tocavam o corpo. As vozes pareciam tão místicas e tranquilizadoras que quem as ouvissem poderia cair.  

Mal conseguindo segurar na corda da ponte suspensa, Lydia sentiu que seu corpo desfalecer. Enquanto Lydia estava pensando nas muitas vidas dos ladrões que caíram dali e foram levados mortos para encostas, Edgar agarrou seu braço.

― Lydia! Raven! Venham por aqui! Segurem-se na porta.

Indo contra o vento, Edgar puxou os dois para ele. E, então, rapidamente, ele deslizou a chave prateada na rachadura da porta.

De repente, os ventos violentos desapareceram. Ao mesmo tempo, as vozes de cantos dos merrows pararam. Edgar puxou Lydia, que ficou atordoada e abaixou-se, e assim, entrou na porta que abriu. No mesmo instante, as rodas do engenho começaram a girar. Sem tempo para perceber o que estaria por vir, o meio da ponte suspensa se separou. O que restava o lado da ponte que estava ao seu lado foi sugado para dentro daquela escuridão sem fim. Huxley e seus irmãos rapidamente pularam de volta para o outro lado intacto da ponte. No entanto, um deles se aproximou muito do lado em que estavam e decidiu que não seria capaz de voltar e pulou para a porta.

― Ahhhhhhhhhhh!

Lydia pelo fato que o homem que quase caiu, se agarrou ao tornozelo dela. Edgar colocou o braço em torno da cintura de Lydia, certificando-se de que ela não seria arrastada, usou o pé para desvencilhar o braço do homem que estava tentando desesperadamente escalar.

― Não toque nela, seu ordinário.

Em um piscar de olhos, ele o expulsou. O homem ainda tentou se agarrar na corda da ponte e ficou pendurado no ar, gritou algumas palavras de baixo calão para ele e Lydia, que estava em choque. Enquanto observava o que estava acontecendo, ela pensou o quanto Edgar era assustador. “Ele vive em um mundo onde não se tem piedade aos seus inimigos”.

Lydia, que queria acreditar que ele não era realmente uma má pessoa, engoliu todo tipo de palavra amável e aceitou a sua ação para salvá-la. Ela não tinha perdido as esperanças de conseguir a espada e roubá-la dele.

― Ei! Não se esqueça de que poderia acontecer isso ao professor.  – gritou Huxely do outro lado do muro de pedras, que separava da ponte caída e da escuridão profunda e sem fim.

― Pai!

Huxley puxou Carlton para frente dele.

My lady, certifique-se de me trazer a pedra preciosa. Ou, então, o empurraremos para cair.

Edgar entendeu que não importava o quanto Huxley gritasse, ele já estava longe o suficiente para não tocá-los. Não lhe deu atenção e se dirigiu à direção oposta da porta.

― Espere! – implorou Lydia e agarrou o seu braço.

― Por favor, salve meu pai. Você não tinha prometido?

― Mesmo que nós lhe entregássemos a pedra preciosa, não acredito que o seu pai seria solto apenas por isso. E você não seria testemunha de seus crimes. No fim, vocês seriam mortos.

― Mas, por favor, pense...

― Ainda não conseguimos a espada.

Edgar continuou olhando para frente, como ele não tivesse tempo para o que ela pedia. Eles estavam em um lugar aberto, natural, semelhante a uma caverna. Lascas rochosas da parede avançavam no caminho, o que fazia que não visualizassem nada além deles, no entanto, podiam ver que havia algo iluminando o interior da caverna. Podia-se pensar que a luz que vinha de fora que iluminava, mas não era o correto. Havia algo que produzia uma luz brilhante. Edgar caminhou lentamente pelo interior da caverna. Lydia o seguiu, caminhando com ele. Mas, os dois pararam ao mesmo tempo. Porque eles acharam que viram algo que se movia naquele lugar cheio de luz. O que brilhava eram as rochas que estavam ao redor. Estavam cobertas com uma fina camada de limbo, e parecia que era isto que provocava o leve brilho.

Havia um lago raso no meio da caverna que estava cercado pelas paredes rochosas, e gotas de água caíam do teto provocando ondas circulares na superfície do lago, o que produzia um reflexo de uma luz cintilante. Uma luz azul esbranquiçada encheu o espaço dando a ilusão de estavam no fundo do mar. Havia uma figura na piscina. Parecia uma jovem garota. A luz azul esbranquiçada envolvia o cabelo da garota que era tão longo que cobria o seu corpo e se arrastava no chão se ela andasse.

― Uma merrow.

Edgar ouviu o sussurro de Lydia e se virou para olhar a garota com curiosidade.

― Uma merrow? Mas, ela tem pernas...

― Não há problema algum para eles tomarem a forma humana.

― Mas, mesmo que eu possa vê-la, ela me parece humana.

― Ela está se mostrando assim para que você possa enxergá-la. Além disso, está me dizendo que um ser humano se manteria vivo preso em um lugar desse até agora?

Edgar olhou em volta e se certificou se não existia nenhuma passagem secreta.

― Isso parece ser impossível.

― Pelo menos, esse lugar não tem nenhum dos engenhos mecânicos que você imaginava.

― E você está me dizendo que eu deveria me render? No entanto, não consigo ver os merrows com a mesma habilidade se referencia ao Conde Cavaleiro Azul.

Ele estava certo, mesmo os merrows não podiam dizer que quem chegasse até aquele local portava ou não o sangue da família do Conde. É por isso que devia haver algum tipo de condição para determinar se essa pessoa tinha as qualificações de um Conde. Muito provavelmente, essa condição estava escondida em alguma parte do contrato feito entre o Conde Cavaleiro Azul e os merrows.

Então, isso remitia que quem era considerado herdeiro era aquele resolveria o enigma misterioso e tivesse a posse da chave da entrada e entendesse o que o significado por trás [Troque uma estrela por uma estrela merrow]. Nesse sentido, foi exatamente como Edgar pensou; aquele que mostrasse condições ganharia a posse da espada. Era o mesmo que ser um instrumento deles.

― É uma honra recebê-los – disse a merrow. ― Então, a quem devo entregar?

― Onde ela está? – indagou Edgar.

― Você não pode vê-la?

Lydia apertou os olhos para procurar. A luz oscilou e piscou. “Onde está a espada?”.  Uma imagem azul-esverdeada surgiu na sombra de uma das rochas. Edgar viu isso também. Ele se moveu antes dela.

― Lydia é apenas uma sombra.

Ela percebeu que a voz era de Nico. Apenas uma imagem brilhante, feita pela luz refletida da espada. E, depois, a espada real apareceu. Lydia correu na direção oposta em que Edgar seguia. Ajoelhou-se na beira da piscina e mergulhou o braço na água. A luz foi interrompida e a imagem brilhante da espada desapareceu.

... O quê?

Quando Edgar se virou, Lydia tirou a lâmina brilhante de prata da água. Era a espada do Conde Cavaleiro Azul. Não apresentava nenhuma ferrugem; era uma lâmina de dois gumes que reluzia que fosse forjada naquele momento. Havia uma pedra preciosa embutida nela. Lydia a agarrou e a empunhou para enfrentar Edgar.

― Não se mova!

Por causa do comportamento sério de Lydia, ele olhou para trás sem mostrar resistência.

― ... Eu sei, que você precisa trocar um ser humano por essa espada.

Edgar não demonstrou sinais de surpresa e apenas sorriu de modo solitário.

― Bem, parece que perdi. Você pode fazer o que quiser.

A sua resposta com uma rendição tão rápida, deixou Lydia hesitante. Ela precisava seguir o fluxo do momento para ser capaz de cortá-lo. Se ele viesse atrás para tirar-lhe a espada, portanto, ela nunca seria capaz de realizar uma façanha dessa.

― Raven, não se intrometa nisso.

Além disso, ele mesmo impediu Raven que se aproximava pouco a pouco procurando uma oportunidade. No entanto, ele estava plenamente consciente da hesitação de Lydia. 




Sabia perfeitamente da preocupação de que ela nunca manipulasse uma espada antes e tinha medo de prejudicar alguém.

Por isso mesmo que Lydia pensou que ele parecia cauteloso e não conseguia se mover. Nico puxou a sua manga para instigá-la.

― Não hesite, Lydia! Se você não o matar, ele a matará. Ou você planeja se tornar um pedido dos merrows.

Nico estava certo. [Troque uma estrela por estrela dos merrows. Ou então, os merrows cantaram a canção de lamento]. Se eles não entregassem o item prometido aos merrows, então os merrows iriam entoar sua canção. Isso significava que todos ali iriam ser arrastados para o mar. Lentamente, Edgar se aproximava dela.

― Eu disse para que você não se movesse.

― Se não estiver mais próximo, você não pode me cortar.

― Ele está certo! Esse homem planeja matá-la, Lydia!

Edgar não prestou a atenção e continuou a se aproximar de Lydia.

― Você realmente tem a intenção de me matar?

― Você está bem? Você está tremendo.

― Foi uma mentira quando você disse que não faria isso? Você disse que salvaria meu pai! Isso também é uma mentira?

― Não foi uma mentira.

Você é um grande mentiroso”, mesmo enquanto pensava assim, Lydia ainda hesitava.

― Diga-me, houve alguma verdade em suas palavras?

― Qual é a utilidade em saber?

― Porque você me protegeu o tempo todo. Não quero pensar que tudo aquilo era uma mentira. Depois que Ermine se foi, acreditei que podia compartilhar um pouco da mesma dor que vocês dois. É por esse motivo que pensei que você entenderia meus sentimentos em salvar o meu pai.

Era claro em dizer aquelas coisas naquele momento seria um desperdício. Edgar fez uma expressão irônica ou por estar irritado ou confuso com ela.

― Por que você está indecisa? O homem que tentou matá-la não merece morrer? Mesmo que você me golpeie, ninguém irá culpá-la.

― Aahhh, geesh! Lydia, o que você está fazendo? – perguntou Nico com impaciência.

O que devo fazer?

Provavelmente, Lydia não seria capaz de prejudicar Edgar com a espada. Edgar, que a olhava fixamente, de repente riu como não conseguisse acreditar no que estava vendo.

― Mesmo se fosse uma criminosa como eu, ainda sim, você teria medo de cortar-me com a espada? Então, faremos isso.

Ele segurou Lydia e tirou a espada de sua mão, antes que ela percebesse. Estreitou os olhos e, por algum motivo, admirou a espada com tristeza.

― Você é muito gentil, Lydia. Embora, existam vilões pelo mundo que podem ser mais sádicos e de sangue frio do que você pode imaginar...

Ele lentamente virou a espada. O corpo de Lydia estava congelado e ela não conseguia se mover. No entanto, Edgar mudou abruptamente o curso da espada. Ele colocou a lâmina na palma da sua mão. E transpassou sobre ele.

― Eh...

O sangue escorria pela palma de sua mão, correu pela lâmina e pingou no chão. De frente para uma Lydia espantada, ele deu um sorriso fraco e cansado.

― Gostaria de saber o porquê não consigo montar uma boa mentira para você. – ele se virou para encarar o outro jovem atordoado, que estava na caverna.

― Raven, me perdoe.

Lord Edgar...

Eles sentiram o ruído de ondas violentas e chocaram-se bem próximo deles E, então, da piscina cercada pelas rochas, a água entrou em erupção para cima. Em pouco tempo, a água tornou-se uma onda maciça e caiu sobre eles. Lydia apertou os olhos pelas forças das águas, que era uma quantidade considerável para encher uma caverna em segundos. Ela não sentiu seu corpo sendo engolido pelas águas, apenas o som do vai e vem das ondas que logo depois desapareceu. Quando ela abriu os olhos, a onda maciça não estava à vista, e a lagoa não passava de uma lagoa. A espada repousava nos pés de Lydia. Somente Edgar que não estava em nenhum lugar. A merrow caminhou lentamente até ela. Ela pegou a espada e a segurou entregando à Lydia.

― Aquela que não foi prejudicada pela espada. Por favor, aceite-a.

― Tudo bem? Mas, todos vocês não protegem a espada para o descendente da família do Conde por todo esse tempo?

― O conde faleceu há muito tempo no mar e não conseguimos salvá-lo.

― Você está me dizendo que a linha família do conde pereceu?

― Nós não temos certeza. Só que, a partir desse momento, por muito tempo e muito tempo, ninguém apareceu para resolver o enigma corretamente. E isso resume tudo. Todos os herdeiros da família do conde provavelmente não vieram atrás do mundo das fadas, e cem anos se passaram na ausência de um novo conde. Mas, se não há vivos na família do conde, acreditamos que apenas uma fairy doctor seria capaz de chegar até aqui. E se você está aqui, significa que você é uma.

― Então, todos estavam esperando por uma fairy doctor?

A jovem merrow assentiu com tristeza.

― O único que permitiu que nosso clã vivesse neste mar era o conde. O conde foi aquele que superou a diferença entre humanos e nós para que pudéssemos viver em paz. Mas, depois o conde partiu, o tempo passou e o sangue das pessoas nesta ilha desapareceu. E uma vez mais, ocorreu a disparidade entre nós. Para protegermos a espada, tomamos as águas ao redor da ilha constantemente agitadas, no entanto, são as únicas que podem lançar no mar os ladrões. Originalmente, nós enviávamos sinais entre os residentes da ilha para ninguém na ilha ou visitantes fossem prejudicados. Contudo, com passar do tempo, essa tradição foi esquecida, e agora não podemos dizer a diferença entre os navios que aqui aproximam da ilha, se são ladrões, pescadores ou comerciantes.

― E é por isso que esta ilha está isolada.

― O número de merrows também caiu. Houve muitos de nós que se desesperaram vivendo aqui ou retornaram para suas águas familiares. Mas, a maioria de nós não conseguiu romper a promessa com o conde.

A merrow feminina pegou a mão de Lydia e a fez apertar a espada.

― No entanto, agora cumprimos nossa promessa. A espada pertence ao mundo humano. Esta ilha também é terra dos humanos. Vamos deixar este lugar. Mesmo que aquele que governe a terra humana não seja o descendente do Conde Cavaleiro Azul do mundo das fadas, tudo ficará bem. Desejamos deixá-la em suas mãos agora.

O olhar de Lydia se direcionou para a grande safira que estava embutida no punho. Ela notou que não havia a luz dos seis raios dentro da safira.
A estrela safira, um cristal de safira nobre e de pedra azul que parecia uma estrela tirada do céu noturno preso dentro dela. Era uma pedra preciosa rara que tinha uma luz branca leitosa colocada de forma radial como se fosse o centro dos raios de uma roda. E desse modo, essa safira, que tinha o brilho de uma seda fina, estava sem a estrela brilhante. Esta não era a estrela safira, apenas uma safira comum.

― Está faltando a estrela...

― Ela deve estar com o conde. A tradição familiar do conde fez desse modo para que assim que eles deixassem a espada conosco, eles tirariam a estrela safira e colocariam em algum lugar do corpo do conde.  Se não houvesse um herdeiro que tivesse aquela estrela, então não há como retornar a estrela para a gema.

[Troque uma estrela com a estrela do merrow].

Então, era isso que significa. Tinha o sentido de originalmente a luz dentro da safira que o descendente do conde deveria transmitir. A espada do Conde Cavaleiro Azul teve a estrela não por uma alma humana, mas a estrela do conde que foi tirada e trazida de volta à pedra. No entanto, o verdadeiro conde não retornou. E os merrows ficaram presos à sua promessa. Por essa razão, que aqueles ficaram ali não conseguiram interpretar. O que resplandece como uma estrela na terra dos merrows não são as almas dos mortos. Os merrows decidiram que a troca cumpriria a promessa.

― Então, isso significa...

Lydia percebeu que estava próxima de algo muito importante, mas se sentiu incapaz de compreender por completo e continuou estudando o que era. Porém, seu pensamento foi interrompido pelo som ruidoso que vinha da direção da porta.

― Senhorita Carlton, Huxley e seus irmãos estão a caminho.

Eles usaram placas tiradas da adega e as colocado sobre a parte faltante da ponte. E agora, depois que todos cruzaram, os Gossam atravessavam no sentido da entrada. A merrow desapareceu rapidamente.

Raven estava pronto na frente da porta. Ela se perguntou desde que Edgar não estava ali, seu majestoso mestre foi capturado pelos merrows, o porquê ele não se vingava de Lydia, que foi a causa disso tudo.  Pelo contrário do que pensava, parecia que ele acreditava que precisava protegê-la de quem Edgar não conseguira cortá-la. Huxley e seus irmãos pararam na frente de Raven. Mesmo assim, ele abriu a boca ordenando:

― Ei, entregue a espada! Ou seu pai será...

Naquele momento, Nico apareceu subitamente. Ele saltou sobre a cabeça de Huxley com facilidade e pisoteou com vontade o seu chapéu.

― Nico, isso é perigoso!

― Ei, camaradas, vocês estão atrasados! Por aqui, pegue-os!

Um rugido agudo surgiu por trás de Huxley e seus irmãos. Era um exército de brownies. Eles se aglomeraram e se espalharam em volta deles. Lydia viu alguns dos seus rostos, dos quais ela ajudou na casa do senhorio.

― Faça-os ficarem calvos! – gritou Nico, enquanto balançava a cauda com a extremidade queimada.

As pequenas fadas correram para seus pés, e juntos atacaram como fossem camundongos e aqueles que pendiam como morcegos, também investiram contra os irmãos Gossam. Subindo pelas pernas, começaram a mordê-los e a puxar os cabelos. Provavelmente, os homens não conseguiam ver as fadas. Eles não tinham ideia do que estava acontecendo, Huxley e seus homens gritaram aterrorizados.

― Pai, por aqui!

Lydia chamou seu pai, o qual era escalado pelos brownies, mas não o atacavam, para sair de longe da confusão.

― Lydia, graças a Deus, você está a salvo!

Depois que eles se abraçaram firmemente, felizes, Lydia tomou uma decisão. O sentimento de querer proteger os entes queridos, a sensação de hesitação diante dessa situação e a tristeza em não conseguiu socorrer, tudo estava misturado nela.  Lydia teve a sorte de não ter perdido nada. No entanto, ela não podia deixar as coisas acabarem assim.

Ela saiu dos braços do pai, e caminhou até Raven, que ficou sem saber como se comportar.

― Há uma coisa que quero saber. Você se lembra do que estava escrito na chave de prata que ficava com Edgar?

― Um pouco apenas.

― Não dizia exatamente que os merrows entregariam a espada em troca de uma alma humana, não é?

― Sim. No final, só dizia que [Quem ganha a espada deve testar a espada. Os merrows tomarão o sangue que correu para o mar].

Não havia erro, [Trocar uma estrela com a estrela merrow] o que estava escrito na moeda de ouro, e na chave de prata apontassem uma parte importante da promessa do Conde Cavaleiro Azul e os merrows. Se você unisse as duas descrições poderia ser interpretado como sacrifício de uma alma humana para os merrows que se ganharia a espada. No entanto, a estrela significava a luz contida na safira não tinha nada a ver com derramar sangue pela espada. Era um significado diferente. Foi aí que Lydia capturou o conceito.

― Posso deixar essa situação para você?

Confuso, Raven assentiu com a cabeça. Lydia verificou o que tinha acontecido com Huxley e seus irmãos, mas eles perderam a luta e estavam próximos da raiva, graças às fadas.

― Parece que eles não têm mais espírito ou forças para lutarem, mesmo assim seja cuidadoso e saia com meu pai daqui.

― Senhorita Carlton, e você?

― Pode ser que nada posso fazer, mesmo assim, vou tentar.

Ela encarou o pai que a olhava alegremente.

― Pai, eu sou uma fairy doctor, então...

― Eu sei. Tenha cuidado.

Agarrando a espada, Lydia caminhou até a brilhante rocha onde merrow estava.

― Nico, você poderia?

― Lydia, não me diga que você está planejando conversar com os merrows...

Nico veio até ela, franziu as sobrancelhas e torceu de forma irritada seus bigodes.

― Esta lagoa não está conectada ao mar dos merrows? Como você é uma fada, você poderia me guiar?

― Sim, bem... Mas, ainda assim, se você falhar na negociação com eles e enfurecer os merrows em suas águas, então você se afogará no fundo do mar em algum momento.

― Eu sei disso.

― É para aquele aristocrata?

― Ele não mentiu.

― Só você com esses caprichos! Agora a pouco, ele iria matá-la, com certeza. E agora, ele deve ter se arrependido em não ter te matado. Isso se ele ainda estiver em estado que possa se arrepender...

― Nico, você irá me guiar ou vou ter que ir sozinha?

― Oh, geesh!! Tudo bem!

Nico levantou a cauda para Lydia.

― Segure firme.












































 Lord Edgar, perdoe-me. – disse Raven com sua voz indiferente, ajoelhado em um joelho.
Mas, mesmo Lydia sabia que ele não se desculpava por inevitavelmente não conseguir salvar Ermine. Ele a deixou ir. Para sua irmã que escolheu a morte, ele foi contra as ordens do seu mestre.
Raven deveria ter colocado o seu espírito nas mãos de Edgar, então, ela pensou que ele precisou de uma determinação muito mais forte para desafiar as ordens do seu senhor.
― Você está perdoado.
Isso provavelmente deve ter sido o motivo pelo qual Edgar reconheceu sua clemência. Ainda caído no chão apoiando os cotovelos nas pernas, Edgar enterrou os dedos nos cabelos dourados e, aos olhos de Lydia, ele tentava conter a sua imensa raiva.
Talvez essa raiva era de si mesmo.
― O único que precisa pedir desculpas sou eu, Raven. Não fui capaz de aceitar o esforço de Ermine. Mesmo assim, pude ver que ela estava angustiada. –pronunciou.
Depois disso, ele murmurou com um longo suspiro que era quase inaudível:
― Eu deveria tê-la tomado como ela pediu.
Ele deve ter dito sobre a noite passada, pensou Lydia. Ao mesmo tempo em que se lembrou de Edgar ter dito que faria qualquer coisa para deixar Ermine feliz.
O amor de Ermine era unilateral. Mesmo assim, ela deveria saber que Edgar pensava nela como fosse da sua família. No entanto, foi um final muito triste.
― No final, eu ainda sou escravo do Príncipe. Não é uma tarefa simples descobrir a maldição que liga a memória a um tempo que esse homem era tudo e absoluto para nós. Sinto como estivesse no final de longo labirinto fugindo desse homem. Ele está esperando por nós, enquanto estamos prestes a encontrar a saída. No entanto, muitos anos se passaram, e esse pesadelo nunca me deixou. Apesar de ser assim, para Ermine, que viveu como mulher dele, devia ter sido uma dor profunda, medo e preocupação que sempre dominaram sua mente.  
Para sentir como estivesse se perdendo, desesperado, vivendo a vida como um boneco, esse sentimento só poderia ser entendido por alguém que passasse por isso.
Lydia não poderia imaginar o que deveria ter sido viver sob a captura desse homem chamado Príncipe e como sofreram por sua causa. Mas, ela conseguia entender um pouco os sentimentos de Ermine.
Lydia percebeu que podia compreender os verdadeiros sentimentos de Ermine, a emoção que nunca foi controlada, e mais profunda ainda que sua traição. Se pudesse levar Lydia de modo involuntário com ela, não havia a necessidade de Edgar matar Lydia. De qualquer maneira, Ermine não poderia viver ao lado de Edgar como traidora. Até que Edgar fosse capturado pelo Príncipe, ou mesmo, sua traição ser revelada, era uma questão de tempo. Era um amor débil que iria acabar. E por isso, que agora, ela tentou acabar com tudo.
Edgar levantou-se, lentamente, como se seu corpo apresentasse um peso enorme.
― Me dê um tempo. Volto logo.
Lydia observou suas costas desaparecerem na construção. Parecia tão fraco, como se ele fosse desaparecer. O que influenciou ao longo do caminho, ele ter ido atrás da espada do Conde Cavaleiro Azul, então, nesse momento, não havia mais sentido. Edgar só queria que ela pudesse viver como uma garota normal, com os cabelos crescendo, vestindo-se bem e sorrindo.
― Você está chorando pela minha irmã? – perguntou Raven à Lydia, que finalmente percebeu suas lágrimas escorrendo pelo rosto.
― Mesmo que ela tentou matá-la?
Ela se perguntou se Ermine realmente queria assassiná-la. Esse pensamento intrigante passou por ela. Se ela planejava desde o início, então, não havia necessidade dela assumir o plano de Edgar. Se ela revelou tudo à Lydia, logo, ela pensou na possibilidade de Lydia iria sobreviver e conseguiria guiá-los com segurança até a localização da espada.
Ela tentou levar Lydia para morrer com ela, mas realmente não queria matá-la. E se conhecia a velocidade de Raven, então, deveria haver uma alternativa de ser bem-sucedida.
Na hipótese deles continuarem, e não conseguissem a pesada, então, Edgar e Lydia acabariam morrendo. E Ermine não conseguia mais trair Edgar e fugir do Príncipe. Por isso, ela escolheu a morte. Seu único desejo era que Edgar não sacrificasse Lydia e que ele mudasse seus sentimentos, mesmo que não pudesse pegar a espada, e encontrassem uma outra maneira de obter a liberdade, foi o que Lydia pensou. E depois de tudo, ela decidiu soltar as amarras entre Edgar e o Príncipe.
― Embora, eu a conhecesse há alguns dias, percebo o que ela estava sentindo. E você deve estar mais desgostoso do que eu.
― Triste você pensar realmente assim. Não sei se estou. Às vezes é tão difícil compreender o que sinto. Mesmo com a minha irmã, o único sentimento que tive dela foi que era a minha família, alguém que estava ao meu lado, e nos ajudávamos um ao outro, alguém que nunca iria embora. Eu deveria ter sabido que ela era uma pessoa com aflições, preocupações e preocupações, já eu estou sempre no meu limite, tentando me entender. – revelou de uma maneira normal e indiferente.
― Não, você entende porque tem um coração. Se você a deixou ir foi porque pensou em sua dor, então, isso significa que você a amava e machucou-se profundamente.
Seus olhos verdes-escuros se voltaram para ela. Ela ainda pensava que eles eram de uma cor tão misteriosa que deixava as pessoas ansiosas. Mas, agora, não sentia o perigo agudo que iria prejudicá-la.
― Senhorita Carlton, minha irmã disse alguma coisa?            
Hum, o que você quer dizer?
― Não, não há necessidade de me responder isso. Por favor, guarde para você.
Raven deve ter percebido que Ermine contou à Lydia sobre o plano real de Edgar. Mas, ele era seu servo. Deve ter decidido que mudaria seus esforços e se preocupar com seu mestre que cometeria mais crimes para fazer com seu desejo virasse realidade. Mesmo que isso significasse colocar Lydia em uma armadilha.
Lord Edgar não está tentando ganhar a espada por si mesmo. A única coisa em mente do meu mestre é a obrigação de um nobre. Isso é tudo.
Era como estivesse querendo justificar a posição do seu mestre. No entanto, ela podia entender.
Obrigação de um nobre. O dever de um lord em proteger e liderar seus assuntos, suas famílias e seu povo. Desde os tempos feudais, a classe social onde o espírito da cavalaria havia sido transmitido. Não era apenas uma vida de luxo, como alguém que estivesse acima dos outros. Existia o duro dever e uma responsabilidade que o acompanhava. Era uma posição dos tempos de guerras e batalhas que não permitia abandonar esse assunto ou as pessoas.
Edgar trilhou todo esse caminho, lutando pelo bem de Raven e Ermine. Mesmo agora, muito provavelmente, ele ainda não planejava retroceder.
― Lydia, você poderia vir aqui? - Edgar tinha retornado e não apresentava sinais de agonia ou mágoa. Como nada tivesse acontecido, chamou Lydia.
― Não era ouro que os leprechauns escondiam nos porões? – perguntou enquanto guiava Lydia atrás da escada.
― Sim, isso mesmo. Mas, o que aconteceu?
― Você se lembra da moeda de ouro do Conde Cavaleiro Azul? Esta. Esta moeda é que contém o enigma das fadas. E aqui, veja, há um buraco na parede. E do mesmo tamanho da moeda.
― Você está certo!
― Posso colocá-la?
Lydia assentiu.
A moeda escorregou e caiu na fina abertura. Ao mesmo tempo, ouviu-se um som de tic-tac e então a escada começou a se mover. Finalmente, surgiu uma escura passagem além dela.
― Vamos.
Sob a liderança de Edgar, Lydia desceu as escadas. Atrás dela veio Raven. Se eles continuassem, logo isso significava que o perigo estava se aproximando de Lydia.
Mas, para salvar seu pai, ela precisava da Estrela de Merrow. Portanto, Lydia só devia continuar andando. Sentiu o esforço do grupo quando ela e Edgar trabalharam para resolver os enigmas das fadas, uma a uma. Enquanto isso, começou a sentir uma inegável excitação crescendo em busca da espada junto com ele. No entanto, por outro lado, ela pensou sobre as ações de Ermine, ao trocar sua vida para tentar impedir que Edgar continuasse a sacrificar outras pessoas e essa era prova séria de que ele deixaria Lydia morrer.
Ela desejou que os sentimentos de Ermine de não querer cometer mais crimes haviam chegado a ele. Mas, como esperava, sentia-se negada do seu desejo pela presença de Raven logo atrás dela. Sem dúvida, um sentimentalismo como aquele não seria capaz de vacilar a resolução desses dois homens.
Raven entendeu o propósito da morte de sua irmã e seu desejo, mesmo assim decidiu seguir Edgar. E Edgar resolveu seguir seu noblisse oblige por causa de Raven.
Porém, assim como eles, até Lydia tinha alguém que queria proteger, seu pai. Indo contra esses dois que haviam sobrevivido a encontros mais ameaçadores de vida do que ela, sabia que a menina ingênua não era uma rival, então, só restava pressioná-la.
*****
― Ei, e não é que o professor? O que está fazendo aqui?
A voz veio em um canto da sala em que estava preso. Mas, não deveria haver mais ninguém além dele. Ele ficou intrigado e olhou ao redor da sala e viu que havia um gato de pelos grisalhos sentado no peitoril da janela. Sim, era um gato que usava gravata, sentado no peitoril da janela como um humano.
― Nico!
Claro que ele sabia que este felino não era um simples gato.
(entra ilustração)
Ele sabia, mas sempre se sentia deixado de fora para testemunhar essa visão.
― Lydia foi tomada pelos Gossam e seus homens. Eles foram buscar a pedra preciosa.
O gato pulou a janela e caminhou até Carlton em suas duas pernas traseiras, ergueu habilmente seus braços, quero dizer, as suas patas dianteiras.
― O que aconteceu? Na última vez que vi Lydia, ela estava com aquele nobre louro.
Para dizer a verdade, Carlton teve que sempre lutar contra o desejo de se dirigir a Nico e testá-lo. Mesmo que estivesse em um corpo de um gato, e se ele fosse o cavalheiro, como ele mesmo afirmava que era, então, seria realmente grosseiro olhar de modo curioso para ele. Logo, Carlton se recompôs de novo.
Nico era parceiro da mãe de Lydia e a tinha vigiado desde que era um bebê. Portanto, ele também conhecia Carlton há um longo de tempo. Carlton não era capaz de ver fadas, Nico era o único do país das fadas com ele conseguia entrar em contato.
― Ela estava, mas foi capturada por Gossam. Eu também fui enganado por Gossam e vim encontrar Lydia com ele. De qualquer maneira, Lydia está indo em direção ao local onde a espada está escondida.
― Isto é ruim.
― É mau? Foi-me dito por uma mulher vestida como um homem que aquele nobre poderia sacrificar Lydia para os merrows.
― Sim. Na promessa entre os merrows e o Conde Cavaleiro Azul, se você não fosse o descendente direto da família do Conde e quisesse a espada nas mãos, isso, aparentemente, equivaleria a sua morte.
O som de passos se aproximando fez Nico calar-se. E assim, ele desapareceu. Na mesma hora, a porta se abriu. O mais velho dos Gossam entrou na sala. À primeira vista, ele não parecia muito bem, pois o seu rosto estava machucado. Este homem que, aparentemente, se apresentou como Huxley à Lydia ostentava um semblante irritado, demonstrando sua raiva para Carlton, chutou com violência a cadeira.
― Sua filha foi sequestrada novamente por aquele ladrão.
― Uh-huh. Obviamente, isso não muda o fato de que ainda me encontro em uma má situação.
― Enquanto você estiver em nossas mãos, sua filha não pode permitir que a Estrela Merrow cai nas mãos daquele homem. Ela tentará obter a pedra preciosa como nós pedimos, mas esse homem é malicioso. Ele não é alguém com quem sua filha sabe lidar.
― Parece que você também não consegue lidar com ele.
A testa de Huxley se contraiu, mas ele conteve sua raiva.
― De qualquer maneira, nós vamos atrás deles e pegaremos essa pedra preciosa. E você virá conosco!
O segundo e o terceiro filho se posicionaram um de cada lado de Carlton e o puxaram para se levantar. Ele procurou por Nico, mas não o viu. “Mas, ele deve estar perto de mim em algum lugar”, pensou.
― Parece que não temos tempo. – disse Nico. ― Tudo bem, vou seguir em frente. Professor, mantenha isso com você.
Enquanto ouvia a voz do gato, Carlton viu que havia uma folha de hortelã no seu bolso.
― Os brownies devem seguir esse cheiro.
― Ei! O que você está murmurando?
― Nada. Apenas estou falando comigo mesmo.
Soltando um suspiro, Carlton seguiu os homens para fora da sala. Carlton não foi contra sua filha quando ela decidiu que queria ser uma fairy doctor, assim como a sua mãe. Porém, como não escondeu o dom que lhe fora dado, ela se viu envolvida incidente perigoso como esse. Ele se preocupou com Lydia de como, ao herdar a habilidade de ver fadas, isso iria colocar sua vida diante de dificuldades e problemas indesejados. Mais do que isso, seu maior problema é ser parecida como sua mãe, que era frágil e não se posicionava diante dos homens por conta própria.
Um homem aristocrata, que também era um ladrão e sequestrador. Carlton refletiu que este homem provavelmente estava com sua filha naquele momento, e esse pensamento miserável o deixou mais desanimado.
As escadas indicavam para baixo, e para baixo, como nunca fossem terminar. A passagem subterrânea tinha passagens curvas e escadas se alternavam uma após a outra. E se eles não tivessem uma candeia com eles, seriam lançados para uma profunda escuridão. Por antecipar que haveria uma câmara subterrânea, Raven carregava uma vela. Dirigidos por essa luz, os três seguiram.
Ainda continua?”, Lydia começava a perder o fôlego ali presa, naquele espaço insular. À medida que ela dava um passo após o outro, ela sentiu que se aproximava do horror final. Na verdade, ela ainda não tinha conseguido encontrar uma maneira de roubar aquilo que Edgar tanto almejava, a espada. Literalmente, ela estava sendo levada para onde seria sacrificada. Estar naquela passagem subterrânea a fazia se sentir assim.
O espaço criado por humanos em que eles estavam não mostrava sinais de vida e isso fez com que Lydia sentisse mais ansiosa. Ela se perguntava o porquê as fadas que se encontravam naquele ambiente, não demonstravam um sinal. Como ela não podia vê-las, isso também acumulou a impressão de algo nada natural sobre ela e isso aumentou sua preocupação.
Eles poderiam estar na área que os merrows tinham controle. Mas como ela nunca tinha encontrado um merrow, isso colaborou para aumentar a ansiedade de Lydia.
Sua determinação em salvar seu pai desaparecia, e as ideias negativas e indesejadas se mantinham na sua mente. Ao lado dela estava Edgar, logo atrás, Raven. Não havia para onde correr. Ela sabia que seria morta por eles, e ainda assim se indagava o porquê os seguia. Ficou ainda mais sufocada.
Edgar virou-se para ela e por algum motivo, isso a fez encolher.
― Lydia, você está cansada?
― Você sente que o ar diminuiu?
― O fogo ilumina bem. Há alguma coisa errada. – disse Raven.
Quando ela ouviu a voz de Raven, Lydia sentiu-se uma vertigem, ficou tonta e perdeu o equilíbrio nos pés. Ela pendeu para o lado.
Edgar a agarrou e a segurou. Não entendia o que ele falava para ela.
― Não! Não me toque!
Ela simplesmente não queria ser tocada naquele momento. Mas, isso só a fez com que tivesse a respiração descontrolada e um suor frio percorria seu corpo. Ela estava em completa desordem.
― Calma, Lydia.
Se ela tentasse fazer barulho, sua mão seria pressionada. Além disso, seu nariz e boca estavam bloqueados pela mão dele. Ela não conseguia respirar.
O que está acontecendo? Vou ser morta?” Lydia ficou ainda mais desesperada e lutou para se libertar.

― Tranquilize-se e solte a respiração lentamente.

Mas estou sem ar agora.”

No momento em que, impensadamente, ela tentou revidar, seu pé escorregou do degrau da escada.

― Aaaahhhhhhh!

Surpresa com a queda súbita, ela soltou um gritou com todas as suas forças. Quando aconteceu isso, conseguiu apanhar o ar que a inundou como uma bola de chumbo, e Lydia conseguiu relaxar um pouco, pois não sentia mais a sua respiração.

― Isso mesmo. Não se apresse e respire lentamente.

 Na escuridão, onde a luz da vela não os alcançou, ela ouviu a voz de Edgar, que a tinha nos braços. Parecia que eles tinham caído alguns degraus. As escadas, que aparentemente não tinham fim, terminavam ali.

Lord Edgar.

― Estou bem, Raven. – disse Edgar para a luz da vela que se aproximava rapidamente em direção a eles.

― Lydia, você está bem?

― Sim. Sim...

Claro que ela estaria, já que Edgar levou o impacto de sua queda.

― E você?

― Estou perfeitamente bem, graças a Deus. Foi apenas uma distância de alguns passos.

Quando a luz da vela chegou até eles, ele soltou Lydia e, gentilmente, sorriu para ela como fosse uma expressão atenciosa.

― Você ainda se sente sem respiração?

― Sinto-me um pouco melhor.

― Parece que você tomou muito ar. Você deve estar ansiosa por ficar nesta escuridão. E eu ter forçado isso deve ter cansado você.

Dito isso, Lydia percebeu que estava lutando mais com seu nervosismo do que lidar com ela mesma.

― Ninguém se sentiria bem depois de algo assim. Lamento forçar você a passar dos seus limites.

Ela poderia dizer o que ele significava à Ermine. Lydia também estava prestes a cair naquele momento. Mesmo que fosse uma experiência chocante, mas mais do que isso, havia algo que a deixava nervosa, além disso. Ela estava aterrorizada com o que estava por vir.

Do pior que poderia acontecer com ela. Uma vez e outra, Lydia foi salva por Edgar. Quando Huxley estava prestes a atacá-la, ele ficou no seu lugar e foi ferido. Mesmo quando Ermine tratava de levá-la junto para o suicídio, e mesmo agora, ele a salvara.

Ele sempre se preocupou com Lydia e falou de modo amigável e gentil. Ela sabia perfeitamente que não deveria confiar nele, ainda assim, ter chegado tão longe foi porque queria acreditar nele. É por este motivo que ela não teve medo de morrer, mas aterrorizada em ser morta por Edgar. Imaginou que tipo de olhos frios e implacáveis que ele olharia a fez tremer. Edgar era alguém aceitou Lydia, que foi chamada de estranha e não era compreendida por ninguém por ser daquele jeito. Ela sentiu que enquanto ele elogiava era muito mais do que lisonjeira. Mas, se fosse morta por ele, então, a bondade e os sorrisos agradáveis dados para Lydia sugeriam que não passavam de mentiras.

Quando descobriu que Edgar era um ladrão, Lydia tentou fugir dele. Ele sabia desse fato, no entanto, não a forçou à submissão, usando a violência. Simplesmente implorou que ela não o deixasse, afirmando que precisava de sua ajuda como fairy doctor. Isso não era o mesmo que respeitar seus desejos e direitos?

A partir desse momento, Lydia não foi usada por ele, mas sentiu que estava no mesmo nível e cooperou com ele, no entanto, esse não era o caso. O que mais temia era Edgar destruir tudo. Lydia se apegou à esperança de que esse episódio não ocorreria, e assim poderiam continuar caminhando.

― Seria melhor descansar.

Mesmo que aquelas palavras não fossem compassivas, não poderiam ser negadas. Lydia fixou os olhos fortemente sobre os malva-acinzentados de Edgar. Ele já estava acostumado a ter mulheres o encarando de forma constante, portanto, retribuiu com um sorriso suave.

― Você vai me matar? – ela não conseguiu evitar perguntar isso.

Ele não esboçou surpresa, nem desviou o olhar, mas manteve os olhos nela, o que a petrificou.

― Por que você diz isso?

― Se você está planejando me matar, então não seja bom comigo. Seja como um vilão, mostre sua faca. Me force a fazer o que você diz gritando ou me batendo.

― Você ainda está desordenada?

― É injusto! Não posso vê-lo como um vilão, então, quer que eu me sinta culpada quando for morta? Queria ser uma ajuda como uma fairy doctor. Eu pensei mesmo que você fosse um ladrão. E um mentiroso, que realmente precisava da minha habilidade. É por isso que vim até aqui.

― Eu preciso de você.

― É por que você também precisa da minha vida, não é?

― E por que você pensa assim? Não há motivos para você morrer.

― Eu não sou membro da sua gangue. Você não ficaria ferido se me soltasse ou meu pai. Essa é uma razão perfeitamente boa.

Edgar parecia ter ficado perturbado. Abaixou a cabeça para desviar os olhos de Lydia, enquanto penteava os cabelos com os dedos. Aparentava que ele pensava em alguma coisa, e, então, decidiu, estendeu a mão para Lydia. Ele hesitou pela reação dela que ainda se encontrava acuada. No entanto, ele não desistiu e estendeu a mão para colocá-la na cabeça de Lydia. Ele acariciou seus cabelos suavemente, como estivesse tentando acalmar uma criança pequena.

― Como você disse, fizemos de tudo para nos proteger. Eu me considerava um lutador, mas na verdade, não passo de um homem patético, que só pensa em fugir. Estava com medo, então, não consegui perceber que eu não tinha escapado completamente desse homem. Por isso, paguei um grande preço. Eu não... Eu não quero machucar mais ninguém. Penso em você como a minha companheira. Por favor, acredite em mim.

Se ele lhe dissesse com olhando diretamente, ela quase acreditaria nele. Mas, tudo era certamente uma mentira. Ele era uma pessoa que poderia fazer uma mentira aparentar como uma verdade. E misturando um pouco de verdade, ele conseguiria produzir uma grande mentira.

Dessa forma, ele movia o coração das pessoas. Ele estava ciente como se apresentava diante de outras pessoas. Entretanto, tudo o que Lydia poderia fazer era apenas ser enganada. Ser enganada e traída era a sua única opção. Percebeu que não havia nada que pudesse fazer sobre a mentira de Edgar. Sua determinação em obter seu objetivo era firme e inigualável.

― Por favor, quero salvar o meu pai.

Então, pelo menos, Lydia queria que ele ouvisse apenas um de seus desejos verdadeiros.

― Claro, eu entendo.

Ela orou para que aquelas palavras fossem mentiras, reuniu as forças em seu corpo, e se levantou.

Atrás da porta havia uma adega. Mas, podia se dizer que não era uma adega de vinhos para humanos. Por ele se situar em lugar subterrâneo tão profundo, significava que a pessoa que construiu o castelo, tinha preparado para aqueles que viviam ali.

A adega era como uma cama de dormir para o Clurichaun, amante de vinho. Ela não tinha percebido o Clurichan residente daquele local, mas tinha certeza que a enigma apontava para esse local. De algum lugar, além das paredes, eles podiam ouvir o som de água corrente.  O som das ondas e, muito provavelmente, a existência de uma artéria de águas subterrâneas correndo em direção ao mar.

Se a moradia dos merrows estava próxima, então, essa poderia ser a adega de vinhos para os próprios merrows. E na parte de trás da adega, havia uma encruzilhada com três entradas.

― Qual delas, devemos seguir? – indagou Edgar.

― Vou verificar o que há em cada uma delas. Aguardem aqui. – se ofereceu Raven.

Ele acendeu a lanterna que estava pendurada na parede. Aquela luz iluminou o interior da adega de modo mais brilhante do que a vela, o que fez o grande espaço aberto tirar a sensação de estar em uma profunda escuridão.  Talvez tenha sido o motivo que Raven decidiu não levar Lydia junto com eles para passagens mais estreitas, e, em vez disso, se ofereceu verificar sozinho.

― Tenha cuidado! – disse Edgar claramente.

Raven desapareceu em uma das passagens, e Edgar, entediado, começou a tocar os barris de vinho que estavam alinhados.

― Parece que todos esses barris estão vazios.

Se o senhor do castelo tinha ido, então, isso indicava que não havia ninguém para oferecer aos merrows os seus vinhos. Lydia aproximou-se da parede e sentou-se escorada a ela. Nessa hora, sentiu um movimento brusco pelo seu peito.

― Lydia, sou eu.

O sussurro era Nico. Ele se manteve invisível e pulou no colo de Lydia.

― Ouça o que tenho a dizer. Os brownies que vivem nesta ilha contaram-me que lhes disseram que um homem merrow bebeu toda a bebida deles. Os merrows estão cansados de esperar o Conde, que não retorna há 100 anos. Na altura do campeonato, eles desejam alguém que possa tomar a espada. O brownie me disse que para os merrows seria um problema se alguém aceitasse. No entanto, o merrow pronunciou que “Está tudo certo desde que esse humano aceite a promessa nas mesmas condições que fizeram ao Conde e troque a estrela”. “Estrela? Como uma estrela do céu?”. “O que brilha no mar dos merrows são as almas dos humanos, que morreram no mar.” Ao aceitar as condições isso significa que é necessário atingir um humano com a espada. E esse homem é capaz de sacrificar vidas humanas para os merrows, então, ele não passa de um ladrão.
O que ocorre entre humanos e fadas, na maioria das vezes, é o selo de um contrato. Emoções e sentimento de dever só são considerados importantes entre os seres humanos. Mesmo que os merrows aceitassem o Conde como seu senhor, era apenas o resultado de contrato celebrado entre o Conde Cavaleiro Azul. Essa é a única razão que eles guardam a espada, é por causa desse contrato.  Eles não ousariam quebrar o contrato. Por outro lado, eles não farão nada além do que está no contrato. Se a maneira de verificar quem era o descendente do Conde era averiguar se o humano estivesse com a moeda de ouro e a chave de prata em seu poder, alcançasse o difícil lugar onde está a espada, então, eles não duvidariam da identidade da pessoa que veio reivindicar a espada.

Lydia certificou-se se Edgar não estava olhando para ela e fez um pequeno aceno de cabeça. E assim, Nico continuou a falar.

― Então, o esconderijo da espada está próximo, certo? Se você achar, certifique-se de obtê-la antes que o aristocrata o faça. E use-a para cortá-lo.

― Eh?

Ela quase soltou um suspiro, mas conseguiu segurá-lo.

― Esse é sinal para os merrows. Será tranquilo enquanto você cortar a pele dele um pouco. O sangue que toca a espada será aparentemente o único a ser a vítima dos merrows. Em pouco tempo, Huxley e seus irmãos chegarão aqui com o professor. Por isso, seria conveniente que eles discutissem. Durante o tempo em que esse aristocrata estiver ocupado em lidar com Huxley e seus irmãos, você precisa se certificar de encontrar a espada do Conde Cavaleiro Azul e pegá-la, entendeu?

Ela sentiu o pelo macio e aveludado de Nico tocar a sua mão, mas, ele desapareceu no instante em que Edgar caminhava em direção a ela.

― Você ouve algo?

― Huh? Não, nada... Não é o som das águas? Esse som é constante.

Enquanto se esquiva em não ser suspeita, Lydia também atentou aos sons das águas e daí, Edgar disse novamente:

― Ali, só ouvi o som do choro de uma menina.

― Chorando? Deve ser uma banshee.

Lydia levantou-se. O som que escutara estava longe, pois o vento atravessava as paredes da rocha. Realmente, parecia choro de uma banshee. É dito que quando se tem a visão de uma banshee chorando pelas águas, que alguém morreria em breve. A estranha fada chorava quando ocorria o aviso da morte de alguém.

Ela deveria cortar Edgar com a espada. Essa era única opção que Lydia tinha de se salvar. Ela se perguntou se poderia apontar uma arma para alguém. Porém, se ela não conseguisse fazê-lo, então, ele apontaria essa espada para Lydia.

― Quando você diz banshee, essa deve ser a próxima fada do enigma.

― Sim. Essa deve ser a dica.

Lydia pressionou a orelha contra a parede e ouviu de que lugar pelo qual o som do vento vinha mais forte. Esse som veio da passagem do meio. Naquele momento, Raven voltou da passagem à direita.

― Este é um beco sem saída.

― Este é o caminho. Acredito que esta seja passagem a seguir.

E os três retornaram a caminhar. Desta vez, a estrada não foi tão longa. Após caminhar por um tempo, eles chegaram a uma fenda entre paredes de rochas escuras com havia uma ponte suspensa. Logo depois, eles atravessaram e viram uma porta construída por pedras. Lydia estava prestes a se aproximar da porta, quando Edgar a deteve.

― Os próximos depois de banshee são os merrows. Portanto, devemos ter mais cautela a partir daqui.

― Cautela do quê?

― Não nos disseram que todos que se aproximam da espada acabaram mortos? Deve haver armadilhas a partir daqui. E observe, você pode ver parte de uma roda aqui.

Como ele disse, havia algum tipo de dispositivo incorporado à parede de pedra em que a ponte suspensa estava conectada. Edgar tirou um cartão do bolso interno do casaco. Era feito de uma fina folha de prata. O lado da folha que não era plano apresentava rachaduras aleatórias. Ela percebeu que havia algo cravado em sua superfície, assim como o enigma que estava na moeda de ouro. Porém, ela não tinha certeza do que era. Talvez fosse o que Edgar estava escondendo e que Ermine contou que estava relacionado com o mistério da espada do Conde Cavaleiro Azul.

― O que é isso?

― A chave mágica para abrir esta porta.

Pela maçaneta da porta, havia um ligeiro recuo que justamente era o tamanho da chave de prata. Este era o buraco da fechadura. De repente, ouviram um ruído estridente de passos vindo da direção da adega. À distância, podiam perceber a luz de uma lâmpada iluminando uma série de figuras escuras. Quando se aproximaram deles, a luz as iluminou e revelou seus rostos.

― John, fique aí mesmo! Você não irá para nenhum lugar!

― Estou realmente me cansando de ver o seu rosto, Huxley!

― Ei, vão buscá-lo!

Ainda com cauteloso em relação a Edgar e sua atitude insolente, Huxley ordenou os seus irmãos. Com os olhos nos irmãos de Huxley que se aproximavam de forma cuidadosa, Edgar entrou na porta. Naquele momento, houve um ruído profundo que entrou em erupção em algum lugar ao redor deles. Os irmãos Gossam pararam de seguir. O rugido ecoou contra as cavidades vazias das paredes de pedra e soou como estivesse se aproximando deles.

― ...Que tipo de mundo é esse...?

O murmúrio de um dos homens se transformou em um grito que o vento varreu assim que o atingiu.

― São os merrows, é a magia dos merrows. – ofegou Lydia.

A ponte suspensa balançou violentamente e quase jogou fora os que estavam ali agarrados. Primeiramente, poderia se pensar que era apenas a imaginação, mas, era mais do que ouvir um canto, as vozes tocavam o corpo. As vozes pareciam tão místicas e tranquilizadoras que quem as ouvissem poderia cair.  
Mal conseguindo segurar na corda da ponte suspensa, Lydia sentiu que seu corpo desfalecer. Enquanto Lydia estava pensando nas muitas vidas dos ladrões que caíram dali e foram levados mortos para encostas, Edgar agarrou seu braço.

― Lydia! Raven! Venham por aqui! Segurem-se na porta.

Indo contra o vento, Edgar puxou os dois para ele. E, então, rapidamente, ele deslizou a chave prateada na rachadura da porta.

De repente, os ventos violentos desapareceram. Ao mesmo tempo, as vozes de cantos dos merrows pararam. Edgar puxou Lydia, que ficou atordoada e abaixou-se, e assim, entrou na porta que abriu. No mesmo instante, as rodas do engenho começaram a girar. Sem tempo para perceber o que estaria por vir, o meio da ponte suspensa se separou. O que restava o lado da ponte que estava ao seu lado foi sugado para dentro daquela escuridão sem fim. Huxley e seus irmãos rapidamente pularam de volta para o outro lado intacto da ponte. No entanto, um deles se aproximou muito do lado em que estavam e decidiu que não seria capaz de voltar e pulou para a porta.

― Ahhhhhhhhhhh!

Lydia pelo fato que o homem que quase caiu, se agarrou ao tornozelo dela. Edgar colocou o braço em torno da cintura de Lydia, certificando-se de que ela não seria arrastada, usou o pé para desvencilhar o braço do homem que estava tentando desesperadamente escalar.

― Não toque nela, seu ordinário.

Em um piscar de olhos, ele o expulsou. O homem ainda tentou se agarrar na corda da ponte e ficou pendurado no ar, gritou algumas palavras de baixo calão para ele e Lydia, que estava em choque. Enquanto observava o que estava acontecendo, ela pensou o quanto Edgar era assustador. “Ele vive em um mundo onde não se tem piedade aos seus inimigos”.

Lydia, que queria acreditar que ele não era realmente uma má pessoa, engoliu todo tipo de palavra amável e aceitou a sua ação para salvá-la. Ela não tinha perdido as esperanças de conseguir a espada e roubá-la dele.

― Ei! Não se esqueça de que poderia acontecer isso ao professor.  – gritou Huxely do outro lado do muro de pedras, que separava da ponte caída e da escuridão profunda e sem fim.

― Pai!

Huxley puxou Carlton para frente dele.

My lady, certifique-se de me trazer a pedra preciosa. Ou, então, o empurraremos para cair.
Edgar entendeu que não importava o quanto Huxley gritasse, ele já estava longe o suficiente para não tocá-los. Não lhe deu atenção e se dirigiu à direção oposta da porta.

― Espere! – implorou Lydia e agarrou o seu braço.

― Por favor, salve meu pai. Você não tinha prometido?

― Mesmo que nós lhe entregássemos a pedra preciosa, não acredito que o seu pai seria solto apenas por isso. E você não seria testemunha de seus crimes. No fim, vocês seriam mortos.

― Mas, por favor, pense...

― Ainda não conseguimos a espada.

Edgar continuou olhando para frente, como ele não tivesse tempo para o que ela pedia. Eles estavam em um lugar aberto, natural, semelhante a uma caverna. Lascas rochosas da parede avançavam no caminho, o que fazia que não visualizassem nada além deles, no entanto, podiam ver que havia algo iluminando o interior da caverna. Podia-se pensar que a luz que vinha de fora que iluminava, mas não era o correto. Havia algo que produzia uma luz brilhante. Edgar caminhou lentamente pelo interior da caverna. Lydia o seguiu, caminhando com ele. Mas, os dois pararam ao mesmo tempo. Porque eles acharam que viram algo que se movia naquele lugar cheio de luz. O que brilhava eram as rochas que estavam ao redor. Estavam cobertas com uma fina camada de limbo, e parecia que era isto que provocava o leve brilho.

Havia um lago raso no meio da caverna que estava cercado pelas paredes rochosas, e gotas de água caíam do teto provocando ondas circulares na superfície do lago, o que produzia um reflexo de uma luz cintilante. Uma luz azul esbranquiçada encheu o espaço dando a ilusão de estavam no fundo do mar. Havia uma figura na piscina. Parecia uma jovem garota. A luz azul esbranquiçada envolvia o cabelo da garota que era tão longo que cobria o seu corpo e se arrastava no chão se ela andasse.

― Uma merrow.

Edgar ouviu o sussurro de Lydia e se virou para olhar a garota com curiosidade.

― Uma merrow? Mas, ela tem pernas...

― Não há problema algum para eles tomarem a forma humana.
― Mas, mesmo que eu possa vê-la, ela me parece humana.

― Ela está se mostrando assim para que você possa enxergá-la. Além disso, está me dizendo que um ser humano se manteria vivo preso em um lugar desse até agora?

Edgar olhou em volta e se certificou se não existia nenhuma passagem secreta.

― Isso parece ser impossível.

― Pelo menos, esse lugar não tem nenhum dos engenhos mecânicos que você imaginava.

― E você está me dizendo que eu deveria me render? No entanto, não consigo ver os merrows com a mesma habilidade se referencia ao Conde Cavaleiro Azul.

Ele estava certo, mesmo os merrows não podiam dizer que quem chegasse até aquele local portava ou não o sangue da família do Conde. É por isso que devia haver algum tipo de condição para determinar se essa pessoa tinha as qualificações de um Conde. Muito provavelmente, essa condição estava escondida em alguma parte do contrato feito entre o Conde Cavaleiro Azul e os merrows.

Então, isso remitia que quem era considerado herdeiro era aquele resolveria o enigma misterioso e tivesse a posse da chave da entrada e entendesse o que o significado por trás [Troque uma estrela por uma estrela merrow]. Nesse sentido, foi exatamente como Edgar pensou; aquele que mostrasse condições ganharia a posse da espada. Era o mesmo que ser um instrumento deles.

― É uma honra recebê-los – disse a merrow. ― Então, a quem devo entregar?

― Onde ela está? – indagou Edgar.

― Você não pode vê-la?

Lydia apertou os olhos para procurar. A luz oscilou e piscou. “Onde está a espada?”.  Uma imagem azul-esverdeada surgiu na sombra de uma das rochas. Edgar viu isso também. Ele se moveu antes dela.

― Lydia é apenas uma sombra.

Ela percebeu que a voz era de Nico. Apenas uma imagem brilhante, feita pela luz refletida da espada. E, depois, a espada real apareceu. Lydia correu na direção oposta em que Edgar seguia. Ajoelhou-se na beira da piscina e mergulhou o braço na água. A luz foi interrompida e a imagem brilhante da espada desapareceu.

... O quê?

Quando Edgar se virou, Lydia tirou a lâmina brilhante de prata da água. Era a espada do Conde Cavaleiro Azul. Não apresentava nenhuma ferrugem; era uma lâmina de dois gumes que reluzia que fosse forjada naquele momento. Havia uma pedra preciosa embutida nela. Lydia a agarrou e a empunhou para enfrentar Edgar.

― Não se mova!

Por causa do comportamento sério de Lydia, ele olhou para trás sem mostrar resistência.

― ... Eu sei, que você precisa trocar um ser humano por essa espada.

Edgar não demonstrou sinais de surpresa e apenas sorriu de modo solitário.

― Bem, parece que perdi. Você pode fazer o que quiser.

A sua resposta com uma rendição tão rápida, deixou Lydia hesitante. Ela precisava seguir o fluxo do momento para ser capaz de cortá-lo. Se ele viesse atrás para tirar-lhe a espada, portanto, ela nunca seria capaz de realizar uma façanha dessa.

― Raven, não se intrometa nisso.

Além disso, ele mesmo impediu Raven que se aproximava pouco a pouco procurando uma oportunidade. No entanto, ele estava plenamente consciente da hesitação de Lydia. Sabia perfeitamente da preocupação de que ela nunca manipulasse uma espada antes e tinha medo de prejudicar alguém.
Por isso mesmo que Lydia pensou que ele parecia cauteloso e não conseguia se mover. Nico puxou a sua manga para instigá-la.

― Não hesite, Lydia! Se você não o matar, ele a matará. Ou você planeja se tornar um pedido dos merrows.

Nico estava certo. [Troque uma estrela por estrela dos merrows. Ou então, os merrows cantaram a canção de lamento]. Se eles não entregassem o item prometido aos merrows, então os merrows iriam entoar sua canção. Isso significava que todos ali iriam ser arrastados para o mar. Lentamente, Edgar se aproximava dela.

― Eu disse para que você não se movesse.

― Se não estiver mais próximo, você não pode me cortar.

― Ele está certo! Esse homem planeja matá-la, Lydia!

Edgar não prestou a atenção e continuou a se aproximar de Lydia.

― Você realmente tem a intenção de me matar?

― Você está bem? Você está tremendo.

― Foi uma mentira quando você disse que não faria isso? Você disse que salvaria meu pai! Isso também é uma mentira?

― Não foi uma mentira.

Você é um grande mentiroso”, mesmo enquanto pensava assim, Lydia ainda hesitava.

― Diga-me, houve alguma verdade em suas palavras?

― Qual é a utilidade em saber?

― Porque você me protegeu o tempo todo. Não quero pensar que tudo aquilo era uma mentira. Depois que Ermine se foi, acreditei que podia compartilhar um pouco da mesma dor que vocês dois. É por esse motivo que pensei que você entenderia meus sentimentos em salvar o meu pai.

Era claro em dizer aquelas coisas naquele momento seria um desperdício. Edgar fez uma expressão irônica ou por estar irritado ou confuso com ela.

― Por que você está indecisa? O homem que tentou matá-la não merece morrer? Mesmo que você me golpeie, ninguém irá culpá-la.

― Aahhh, geesh! Lydia, o que você está fazendo? – perguntou Nico com impaciência.

O que devo fazer?

Provavelmente, Lydia não seria capaz de prejudicar Edgar com a espada. Edgar, que a olhava fixamente, de repente riu como não conseguisse acreditar no que estava vendo.

― Mesmo se fosse uma criminosa como eu, ainda sim, você teria medo de cortar-me com a espada? Então, faremos isso.

Ele segurou Lydia e tirou a espada de sua mão, antes que ela percebesse. Estreitou os olhos e, por algum motivo, admirou a espada com tristeza.

― Você é muito gentil, Lydia. Embora, existam vilões pelo mundo que podem ser mais sádicos e de sangue frio do que você pode imaginar...

Ele lentamente virou a espada. O corpo de Lydia estava congelado e ela não conseguia se mover. No entanto, Edgar mudou abruptamente o curso da espada. Ele colocou a lâmina na palma da sua mão. E transpassou sobre ele.

― Eh...

O sangue escorria pela palma de sua mão, correu pela lâmina e pingou no chão. De frente para uma Lydia espantada, ele deu um sorriso fraco e cansado.

― Gostaria de saber o porquê não consigo montar uma boa mentira para você. – ele se virou para encarar o outro jovem atordoado, que estava na caverna.

― Raven, me perdoe.

Lord Edgar...

Eles sentiram o ruído de ondas violentas e chocaram-se bem próximo deles E, então, da piscina cercada pelas rochas, a água entrou em erupção para cima. Em pouco tempo, a água tornou-se uma onda maciça e caiu sobre eles. Lydia apertou os olhos pelas forças das águas, que era uma quantidade considerável para encher uma caverna em segundos. Ela não sentiu seu corpo sendo engolido pelas águas, apenas o som do vai e vem das ondas que logo depois desapareceu. Quando ela abriu os olhos, a onda maciça não estava à vista, e a lagoa não passava de uma lagoa. A espada repousava nos pés de Lydia. Somente Edgar que não estava em nenhum lugar. A merrow caminhou lentamente até ela. Ela pegou a espada e a segurou entregando à Lydia.

― Aquela que não foi prejudicada pela espada. Por favor, aceite-a.

― Tudo bem? Mas, todos vocês não protegem a espada para o descendente da família do Conde por todo esse tempo?
― O conde faleceu há muito tempo no mar e não conseguimos salvá-lo.

― Você está me dizendo que a linha família do conde pereceu?

― Nós não temos certeza. Só que, a partir desse momento, por muito tempo e muito tempo, ninguém apareceu para resolver o enigma corretamente. E isso resume tudo. Todos os herdeiros da família do conde provavelmente não vieram atrás do mundo das fadas, e cem anos se passaram na ausência de um novo conde. Mas, se não há vivos na família do conde, acreditamos que apenas uma fairy doctor seria capaz de chegar até aqui. E se você está aqui, significa que você é uma.

― Então, todos estavam esperando por uma fairy doctor?

A jovem merrow assentiu com tristeza.

― O único que permitiu que nosso clã vivesse neste mar era o conde. O conde foi aquele que superou a diferença entre humanos e nós para que pudéssemos viver em paz. Mas, depois o conde partiu, o tempo passou e o sangue das pessoas nesta ilha desapareceu. E uma vez mais, ocorreu a disparidade entre nós. Para protegermos a espada, tomamos as águas ao redor da ilha constantemente agitadas, no entanto, são as únicas que podem lançar no mar os ladrões. Originalmente, nós enviávamos sinais entre os residentes da ilha para ninguém na ilha ou visitantes fossem prejudicados. Contudo, com passar do tempo, essa tradição foi esquecida, e agora não podemos dizer a diferença entre os navios que aqui aproximam da ilha, se são ladrões, pescadores ou comerciantes.

― E é por isso que esta ilha está isolada.

― O número de merrows também caiu. Houve muitos de nós que se desesperaram vivendo aqui ou retornaram para suas águas familiares. Mas, a maioria de nós não conseguiu romper a promessa com o conde.

A merrow feminina pegou a mão de Lydia e a fez apertar a espada.

― No entanto, agora cumprimos nossa promessa. A espada pertence ao mundo humano. Esta ilha também é terra dos humanos. Vamos deixar este lugar. Mesmo que aquele que governe a terra humana não seja o descendente do Conde Cavaleiro Azul do mundo das fadas, tudo ficará bem. Desejamos deixá-la em suas mãos agora.

O olhar de Lydia se direcionou para a grande safira que estava embutida no punho. Ela notou que não havia a luz dos seis raios dentro da safira.
A estrela safira, um cristal de safira nobre e de pedra azul que parecia uma estrela tirada do céu noturno preso dentro dela. Era uma pedra preciosa rara que tinha uma luz branca leitosa colocada de forma radial como se fosse o centro dos raios de uma roda. E desse modo, essa safira, que tinha o brilho de uma seda fina, estava sem a estrela brilhante. Esta não era a estrela safira, apenas uma safira comum.

― Está faltando a estrela...

― Ela deve estar com o conde. A tradição familiar do conde fez desse modo para que assim que eles deixassem a espada conosco, eles tirariam a estrela safira e colocariam em algum lugar do corpo do conde.  Se não houvesse um herdeiro que tivesse aquela estrela, então não há como retornar a estrela para a gema.

[Troque uma estrela com a estrela do merrow].

Então, era isso que significa. Tinha o sentido de originalmente a luz dentro da safira que o descendente do conde deveria transmitir. A espada do Conde Cavaleiro Azul teve a estrela não por uma alma humana, mas a estrela do conde que foi tirada e trazida de volta à pedra. No entanto, o verdadeiro conde não retornou. E os merrows ficaram presos à sua promessa. Por essa razão, que aqueles ficaram ali não conseguiram interpretar. O que resplandece como uma estrela na terra dos merrows não são as almas dos mortos. Os merrows decidiram que a troca cumpriria a promessa.

― Então, isso significa...

Lydia percebeu que estava próxima de algo muito importante, mas se sentiu incapaz de compreender por completo e continuou estudando o que era. Porém, seu pensamento foi interrompido pelo som ruidoso que vinha da direção da porta.

― Senhorita Carlton, Huxley e seus irmãos estão a caminho.

Eles usaram placas tiradas da adega e as colocado sobre a parte faltante da ponte. E agora, depois que todos cruzaram, os Gossam atravessavam no sentido da entrada. A merrow desapareceu rapidamente.

Raven estava pronto na frente da porta. Ela se perguntou desde que Edgar não estava ali, seu majestoso mestre foi capturado pelos merrows, o porquê ele não se vingava de Lydia, que foi a causa disso tudo.  Pelo contrário do que pensava, parecia que ele acreditava que precisava protegê-la de quem Edgar não conseguira cortá-la. Huxley e seus irmãos pararam na frente de Raven. Mesmo assim, ele abriu a boca ordenando:

― Ei, entregue a espada! Ou seu pai será...

Naquele momento, Nico apareceu subitamente. Ele saltou sobre a cabeça de Huxley com facilidade e pisoteou com vontade o seu chapéu.

― Nico, isso é perigoso!

― Ei, camaradas, vocês estão atrasados! Por aqui, pegue-os!

Um rugido agudo surgiu por trás de Huxley e seus irmãos. Era um exército de brownies. Eles se aglomeraram e se espalharam em volta deles. Lydia viu alguns dos seus rostos, dos quais ela ajudou na casa do senhorio.

― Faça-os ficarem calvos! – gritou Nico, enquanto balançava a cauda com a extremidade queimada.

As pequenas fadas correram para seus pés, e juntos atacaram como fossem camundongos e aqueles que pendiam como morcegos, também investiram contra os irmãos Gossam. Subindo pelas pernas, começaram a mordê-los e a puxar os cabelos. Provavelmente, os homens não conseguiam ver as fadas. Eles não tinham ideia do que estava acontecendo, Huxley e seus homens gritaram aterrorizados.

― Pai, por aqui!

Lydia chamou seu pai, o qual era escalado pelos brownies, mas não o atacavam, para sair de longe da confusão.

― Lydia, graças a Deus, você está a salvo!

Depois que eles se abraçaram firmemente, felizes, Lydia tomou uma decisão. O sentimento de querer proteger os entes queridos, a sensação de hesitação diante dessa situação e a tristeza em não conseguiu socorrer, tudo estava misturado nela.  Lydia teve a sorte de não ter perdido nada. No entanto, ela não podia deixar as coisas acabarem assim.

Ela saiu dos braços do pai, e caminhou até Raven, que ficou sem saber como se comportar.

― Há uma coisa que quero saber. Você se lembra do que estava escrito na chave de prata que ficava com Edgar?
― Um pouco apenas.

― Não dizia exatamente que os merrows entregariam a espada em troca de uma alma humana, não é?

― Sim. No final, só dizia que [Quem ganha a espada deve testar a espada. Os merrows tomarão o sangue que correu para o mar].

Não havia erro, [Trocar uma estrela com a estrela merrow] o que estava escrito na moeda de ouro, e na chave de prata apontassem uma parte importante da promessa do Conde Cavaleiro Azul e os merrows. Se você unisse as duas descrições poderia ser interpretado como sacrifício de uma alma humana para os merrows que se ganharia a espada. No entanto, a estrela significava a luz contida na safira não tinha nada a ver com derramar sangue pela espada. Era um significado diferente. Foi aí que Lydia capturou o conceito.

― Posso deixar essa situação para você?

Confuso, Raven assentiu com a cabeça. Lydia verificou o que tinha acontecido com Huxley e seus irmãos, mas eles perderam a luta e estavam próximos da raiva, graças às fadas.

― Parece que eles não têm mais espírito ou forças para lutarem, mesmo assim seja cuidadoso e saia com meu pai daqui.

― Senhorita Carlton, e você?

― Pode ser que nada posso fazer, mesmo assim, vou tentar.

Ela encarou o pai que a olhava alegremente.

― Pai, eu sou uma fairy doctor, então...

― Eu sei. Tenha cuidado.

Agarrando a espada, Lydia caminhou até a brilhante rocha onde merrow estava.

― Nico, você poderia?

― Lydia, não me diga que você está planejando conversar com os merrows...

Nico veio até ela, franziu as sobrancelhas e torceu de forma irritada seus bigodes.

― Esta lagoa não está conectada ao mar dos merrows? Como você é uma fada, você poderia me guiar?

― Sim, bem... Mas, ainda assim, se você falhar na negociação com eles e enfurecer os merrows em suas águas, então você se afogará no fundo do mar em algum momento.

― Eu sei disso.

― É para aquele aristocrata?

― Ele não mentiu.

― Só você com esses caprichos! Agora a pouco, ele iria matá-la, com certeza. E agora, ele deve ter se arrependido em não ter te matado. Isso se ele ainda estiver em estado que possa se arrepender...

― Nico, você irá me guiar ou vou ter que ir sozinha?

― Oh, geesh!! Tudo bem!

Nico levantou a cauda para Lydia.

― Segure firme.

Nota da tradutora: Este é o penúltimo capítulo e aqui não está assim tããããão diferente do anime. Apesar de que aqui a gente entende certinho o porquê não precisava de sacrifício em relação à espada.

Bom, então o próximo e último capítulo do volume I chega em meados de agosto! Até lá! Nos dê suporte, divulgue! Beijos!