sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Caramelo e laranja - Capítulo 3 - Volume II - Hakushaku to Yousei Light Novel

Nota de abertura: Pronto, pode enxugar as suas lágrimas^^ Estamos de volta com 3º capítulo de Cuidado com a Doce Armadilha. E desta vez, o nome é bem sugestivo: Caramelo e laranja. Prepara-se para odiar uma nova personagem... O nome dela? Rosalie.
E se no final você estiver com vontade de socar o Edgar, pode me chamar que ajudo!
Vamos ao capítulo?

Na superfície silenciosa do lago, onde não havia vento e sem nenhuma ondulação, uma série de barcos deslizava por sua pacífica superfície. As luzes das lanternas iluminavam de forma colorida os barcos decorados com temas estrangeiros, de um modo que pareciam ter saído de um sonho. As numerosas luzes e elegantes sombras cruzavam e se misturavam entre si, o que enchia o lago com uma combinação mística de cores. 

Sentada em um desses barcos de aluguel, Lydia pensava que havia muitas pessoas em Londres com o tempo livre. Ela viu um casal bem vestido passar em um barco enquanto conversava e ria um com o outro. Claro, Edgar era outro membro dessa sociedade de alta classe, que não precisava trabalhar, e tinha muito tempo livre.

Em um barco que tinha espaço para dez pessoas, estavam no momento três, contando com Raven, que esperava em um píer flutuante. Dois remadores também subiram no barco e começaram a remar em uma cadência lenta com as suas longas pás.

― O clímax dos Jardins de Cremorne são os fogos de artifício. O melhor lugar para vê-los é no topo do lago.

― Podemos ver os fogos de artifício?

― Sim. Já viu fogos de artifício antes?

― Não.

― Então, estou com sorte. Posso estar ao seu lado durante sua nova experiência.
Raven abriu uma garrafa de champanhe. Ela foi entregue em um copo fino e alto. Ela observou a bebida dourada e borbulhante sendo derramada, mas apenas o reflexo do fogo cintilante era o suficiente para intoxicá-la.

― Vamos fazer um brinde. À minha fada valentemente corajosa.

― Eu, valente?

― Você não me protegeu? Mesmo ficando ferida?

Ele era excessivamente exagerado. E a parte “minha” era desnecessária. Mas, depois de algum tempo, não importa o quanto Edgar se esforçava para falar docemente, aquilo se tornava algo comum. O termo correto não era costume, até porque aquilo não era algo especial, mas uma rotina diária  para que essa pessoa fizesse uma performance elaborada e atuasse para se manter o centro das atenções no meio da multidão.

Mesmo no banco largo e abundante em almofadas, ela sentiu que a distância entre eles era desnecessariamente próxima desde que Edgar se sentou ao lado dela, no entanto, após ter bebido o champanhe não era tão perto assim.

― Onde você viu fogos de artifício?

Logo depois que ela disse isso, se indagou onde estava com a cabeça para fazer essa pergunta. Para dizer a verdade, Lydia decidiu firmemente que não lhe perguntaria nada em relação ao passado. Parece complicado, e uma vez que ela descobriu, sentia que os problemas indesejados viriam, e, o mais importante, não tinha intenção de se envolver profundamente.

Tudo o que sabia era que ele nasceu em uma família aristocrática, mas estava envolvida em uma conspiração, e isso fez com que a sociedade acreditasse que ele e sua família haviam morrido. No entanto, foi o único que sobreviveu e vendido a um homem rico na América. Então, escapou de lá, e, enquanto se esquivava dos seus perseguidores, fez qualquer coisa para continuar a viver.

Ela recebeu uma explicação rápida, e mesmo que acreditasse honestamente em tudo o que ele disse, seria demais para lidar, por isso, Lydia achava difícil crer em tudo aquilo e ficava sempre na dúvida. Por essa razão, se desviava de qualquer tópico ou comentário que afetaria o seu passado, mesmo em uma conversa casual.

― Quando eu era criança, toda vez em que havia uma festa em nossa mansão, se soltava fogos de artifício. Havia um lago natural no nosso terreno, e me lembro uma série de barcos na água como esse.

Ela suspirou aliviada com sua resposta. Parecia que conseguiu não fazê-lo se lembrar alguma experiência dolorosa na América. No entanto, no momento em que pensou como ele tinha perdido tudo que herdaria, como a mansão e as vastas terras da família, o nome venerável da família, poderia ter sido uma triste lembrança.

Porque no passado, ele ainda tinha sua família e seus amigos ao seu lado. Não havia necessidade de se esconder atrás de belos olhares benevolentes e poderia ter crescido sorrindo inocentemente.

Embora pensasse nisso por um tempo, não havia nenhuma razão para Lydia investigar, além disso. Se houvesse alguém que pudesse compartilhar o passado desse homem, então, essa mesma pessoa era alguém que compartilharia o seu futuro também.

Edgar olhou para Lydia com uma expressão insatisfeita e depois quebrou o silêncio.

― Você não vai perguntar mais nada sobre mim?

Eh?... Umm... Não estou realmente curiosa sobre o seu passado.

― Verdade?

― Oh, não. Fui fria novamente. Não é o quis dizer. Acredito que o que está por vir é mais importante do que já aconteceu. Você, agora, é um conde respeitável na Inglaterra, portanto, o que aconteceu no seu passado não é algo que deveria saber.

Ela se arrependeu por ter dito algo tão superficial e isso o fez suspirar.

― Então, deixe-me te contar uma história sobre um amigo meu. Ele tinha a posse de uma pedra de ágata que era um “ovo de fada”.

A pedra que despertou o interesse de Edgar era chamada como “ovo de fada”. Com a menção inesperada, Lydia voltou a ficar curiosa.

― Isso mesmo. Depois que fui informado pelo professor Carlton, fiquei convencido. A pedra que pertencia a ele era, sem dúvida, um “ovo de fada”, a qual tinha a interessante história de que havia um espírito maligno selado. Mas, aparentemente, ele a perdeu quando ainda era um garoto.

― Como ele perdeu?

― Ele realmente não se lembrava disso de modo claro. No entanto, ele acreditava que foi capturado pelo Fogman.

E neste momento, a palavra-chave Fogman foi dita. Parece que o verdadeiro motivo pelo qual Edgar se meteu neste caso era por essa razão.

― Pelo menos era o que ele acreditava na época porque o lugar em que estava era escuro. Como tivesse lançado um feitiço, seu corpo não se movia uma polegada e era incapaz de fugir. E, então, duas fadas na forma de duas jovens apareceram diante dele. Eram pequenas fadas adoráveis que trajavam vestidos bonitos. Ele nunca tinha visto fadas antes, mas o que o fez acreditar nisso era porque se encontrava num estado de consciência que beirava entre o sonho e a realidade. Ele tentou pedir ajuda. No entanto, Lydia, como a regra em todos os contos de fada, as pequenas lhe perguntaram o que ele podia dar em troca. A única posse que o menino tinha era aquele “ovo de fada”. E assim, ele o entregou. As meninas disseram que o ajudariam e depois desapareceram.

Ele ficou quieto e olhou para o céu. Os fogos de artifício ainda não tinham começado.

― E ele foi salvo?

― Não. Muito provavelmente, o lugar escuro onde ele estava era um armazém. Ele foi levado ao cabo como fosse uma bagagem, colocado em um navio e vendido.

Ele poderia estar no mesmo lugar que Edgar, que também foi vendido como escravo?

― E ele ainda está na América?

― Ele está morto.

― ... Você está tentando encontrar o “ovo de fada” para ele?

― Não é isso, Lydia. Quero encontrar “ele”. Há momentos em que imagino que talvez ele foi sequestrado pelo Fogman e ninguém o salvou. E o verdadeiro ainda está lá, em algum lugar, deitado no frio, no escuro. Mas, se for assim, tudo bem, porque eu vou poder salvá-lo. Tenho uma fairy doctor de confiança ao meu lado.

Ele diz que quer salvar alguém que não estava mais vivo. Eram estranhas palavras nada habituais para Edgar. Lydia apenas o encarou e não conseguiu medir o quanto de verdade tinha naquilo.

― Um menino que desapareceu na névoa de Londres...

― Pergunto-me, se sou capaz de encontrar o menino, que se encontra perdido e dragado pelas brumas, isso apagaria o fato dele ter morrido? Lydia, você seria capaz de ajudá-lo?

Ele lhe pede com uma expressão calma e silenciosa. Ela sabia que lhe pedia algo impossível, mas tinha a sensação de que aquele que esperava ser salvo era, na verdade, ele que se encontrava na mesma situação. Com o desaparecimento de lady Dóris, e acrescente-se aí o fato sobre o Fogman participar da situação, a possibilidade de Lydia se envolver nisso tudo era muito grande.

Não havia motivos para descobrir sobre o passado de Edgar. No entanto, se ele estava sofrendo por conta justamente do seu passado, Lydia não era do tipo de ficar ali do lado e assistir à situação.

― Bem, se houver algo que possa fazer...

Ela respondeu ainda insegura sobre o que ele havia perguntado. Se lhe dissesse algo com facilidade, logo, havia a chance de ser completamente aproveitada, mas queria acreditar que a dor que ele segurava dentro de si não era uma mentira, por isso, Lydia estava confusa.

―Obrigado.

Eles acabaram se olhando um para o outro de modo inesperado. No fundo, ela entrou em pânico e soube o que fazer, mas permaneceu quieta, talvez se sentisse um rato passando no caminho do leão.

Claro que estava assustada, mas também sentiu vontade de alcançar e tocar o leão gracioso e de pele dourada. Ela olhou para seus lábios que curvavam em um sorriso procurando um possível vislumbre para suas lindas presas escondidas.

Eh? O que estou pensando? Oh, meu Deus, eu poderia ter bebido apenas uma taça de champanhe”. Não havia romance dentro da cabeça de Lydia, que se encontrava em um estado de um pequeno rato, mas seus ombros estavam suavemente puxados para ele.

― Estava pensando, você tem a fragrância de camomila. O mesmo aroma dos seus biscoitos.

Oh, não!”, por alguns segundos, ela pensou nisso.

― Ah, os fogos de artifício! – ela ofegou.

Com os sons explosivos, uma flor brilhantemente iluminada emergiu no céu. Em um instante, os olhos de Lydia estavam fascinados pelos fogos de artifício que eram vistos pela primeira vez.

― É incrível! Tão bonito...

A sensação de formigamento que a consumia tinha desaparecido. Lydia permaneceu olhando para o céu, hipnotizada pelos fogos de artifício, e com a visão, Edgar explodiu em gargalhadas.

Qual é a graça?”, se perguntou, enquanto o olhava dar uma grande risada.

― O que foi?! É realmente lindo. Ah, vai haver outro.

― Não. É só que você ficou completamente cativada pelos fogos do artifício do que comigo.  Isso me faz perder a confiança. – disse Edgar. Ele aparentemente estava de bom humor enquanto ria.

Ele bebeu o champanhe em um gole e ofereceu uma porção a Raven. Claro que o criado recusou firmemente. Enquanto ele desvia de todas as piadas jocosas de Edgar, a primeira coisa que chamou a atenção de Raven foi um barco que se aproximava da direção deles. Era um olhar afiado que visava qualquer coisa que se aproximava do seu mestre, não importava o que era. No entanto, o que os alcançava era uma jovem vestida como um membro de alta classe.

― Oh, meu Deus! Não é que é my lord. Que coincidência.

Ela era uma menina adorável, linda com os olhos grandes e cachos de cor laranja. Sua pele branca e pura lembrava uma boneca porcelana.

― Boa-tarde, lady Rosalie Worpole. Como está?

Worpole? Ela poderia estar relacionada de alguma maneira com a família do barão?”.
Quando pensou nisso, lembrou-se de que a filha do barão vivia com uma prima, um ano mais velha do que ela e um tio. Ao lado da garota havia um homem que estava com trinta e poucos anos. Pode-se dizer de imediato que ele investiu bastante dinheiro em seu guarda-roupa, além de ser bonito. Ela o apresentou como seu tio de nome Graham Purcell.

― Prazer em encontrá-lo, lord Ashenbert. Esta é a primeira vez que eu o cumprimento pessoalmente. Mas, eu o vi várias vezes no clube em Piccadilly.

O homem tirou o chapéu e abaixou a cabeça em reverência assim que Edgar se dirigiu a ele.

― Ah, isso significa que eu ouvi enquanto estava lá, que há um famoso homem entre as ladies, posso entender que era você, lord Graham.

Parecia qu ambos homens tinham o mesmo tipo de tendência. “Isso mostra que eles poderiam ser considerados rivais”, pensou Lydia, quando sentiu o ar frio por trás do sorriso de Edgar.

― Com licença, my lord, mas quem está com você?

A garota disse olhando para Lydia, com ar misturado de curiosidade e desprezo. Como ela fosse julgada pelo seu valor, foi inspecionada de cima para baixo, o que deixou Lydia um tanto desconfortável.

― Esta é a senhorita Lydia Carlton.

― Qual Carlton seria? Qual é o trabalho do seu pai?

― Eu sou uma fairy doctor.

Era normal que uma filha fosse classificada de acordo com a posição social de seu pai na sociedade. No entanto, Lydia respondeu com sentimento rebelde.

― Oh, my! Então, você é uma especialista em rumores de fadas? Você parece ter a mesma idade do que eu, mas deve ser difícil ter que trabalhar.

Uma filha de uma boa família não precisava trabalhar. Ela entendeu que a garota estava a desprezando nesse sentido, mas sentiu orgulho em ser chamada por fairy doctor, por isso não se importou com a provocação.

― Realmente, não trabalha. Mais ela é parceira e conselheira confiável. – defendeu Edgar.

― Mas, my lord, ela não é de fato sua empregada?

E agora está sendo vista como uma serva.

― Senhorita Rosalie, você acredita que o Rei Arthur pensava no mago Merlin como seu servo? Perceba, nós tempos essa mesma posição.

Quando ela foi defendida desse modo, Lydia sentiu seu coração bater inesperadamente rápido.

― Oh, quão maravilhoso. Entretanto, se fosse eu, preferiria ser a princesa do que um mago.

Parece que ela não é uma lady reservada”.

― Por acaso, onde está lady Dóris que sempre anda com você?

Meu Deus! Edgar, por que você a instiga de modo tão ousado?”, Lydia não pôde deixar de ficar preocupada, mas inesperadamente, Rosalie respondeu como se não fosse nada.

― Ela não está se sentindo bem. Ela está se recuperando no campo.

― Oh, my! Isso é tão triste de ouvir. Deve se sentir solitária.

― Nem tanto. Dóris tem andado nervosa, e você se recorda dela sempre me seguindo? Pois, ela não tem ninguém que a cuida, como tenho bastante tempo livre posso dedicar meu tempo a ela.




Provavelmente, ela deve estar dissimulando, mesmo assim é sua prima”, pensou Lydia. “Sua prima está desaparecida, pelo amor de Deus”. Ou pode estar escondida.

― De qualquer forma, my lord, se importaria de me ajuntar a você em seu barco? Isso se não estiver atrapalhando algo entre você e a senhorita Lydia.

Essa garota deve ter sentimentos por Edgar”.

Mas era evidente sua atração. Ela nem se esqueceu de dar um soslaio em direção à Lydia, como ela fosse uma rival.

― Rosalie, isso é descortês. – interrompeu seu tio.

― Oh, não, lord Graham, não me importo.

Por outro lado, era óbvio que Edgar  não recusaria um convite de uma lady.

― Sério? Estou tão feliz. Fui trazido aqui pelo meu tio, mas a conversa não dura se você não está mais na juventude.

― Eu me considero ainda jovem.

― Tio, o senhor deve realmente se abdicar de seu nome e se acalmar.

Com um sorriso amargo, seu tio olhou para Edgar.

― Se posso aceitar sua amável oferta, my lord, você cuidará da minha sobrinha? Para ser exato, tenho uma reunião de negócios depois disso. Por isso, seria repreendido por ela se lhe dissesse que sairia logo em breve.

― Sim, será prazer acompanhar a senhorita.

Sabia que ele é o tipo de pessoa que tem algo para dizer a qualquer um”. O olhar cada vez mais desafiante que Rosalie dirigia à Lydia fazia com que sentisse desgostada e pensou que não poderia ter o prazer de ver os próximos fogos de artifício.

― Então, me diverti bastante, Edgar, mas vou indo.

― Eh, por quê?

― Se chegar tarde, papai ficará preocupado.

Ele balançou levemente a cabeça como estivesse desapontado e isso foi tudo.

― Tudo bem. Raven, acompanhe Lydia de volta para casa.

Quer dizer que você não irá me impedir? Mesmo assim, estarei bem com isso”. A bela garota boneca, que descansava ao lado do cais flutuante, mudou de barco alegremente e logo se sentou ao lado de Edgar. Se ela continuasse assim, Lydia percebeu que não teria problema nenhum atrapalhá-la.

― Bem, isso não tem nada a ver comigo. – ela murmurou e saiu do lago.


As ladies ficam mais felizes em receber um maço de flores de beira da estrada do homem que adoram do que um buquê elegante de um homem que não se importa.

Ela se lembrou das palavras de Edgar, quando viu as margaridas descansando no vaso localizado no peitoril de seu quarto. Lydia ficou sinceramente feliz em ser tratada como uma mulher normal pelo senhor Langley.  A maneira como Edgar trata uma lady.. Era de algo modo superficial, insincero. Tinha um sentimento aparentemente assustador de ser muito encantador e isso soava como algo estranho. Se ela não conseguisse manter distância, poderia ser arrastada, profundamente envolvida e confundida. Ela não conseguia compreender que sentimento era aquele, entretanto, Lydia estava simplesmente com medo.

Na escrivaninha, Lydia fechou o livro que não conseguia se concentrar, e tirou outro livro e o abriu. Ela pegou a flor violeta pressionada que tinha secado e quase a jogou fora. No entanto, notou que não tinha culpa. A razão pela qual ela trouxe essa flor era apenas por ser um de seus tipos preferidos. Não havia um significado profundo por trás disso.

Ela pensou que a coloração era rara, não tinha nada a ver com o fato de se parecer a mesma cor de seus olhos. De qualquer modo, ela não deveria ser enganada com que Edgar diz. Ela já sabia desde o início, Lydia sinceramente se arrependeu toda vez em que se deparava com o pensamento de que ele poderia ter apenas um bom coração.

― Ele é apenas um mulherengo no final.

Era irritante ficar de mau humor por causa disso, e então, respirou profundamente para se acalmar.

― Oi, Lydia.

Ela fechou o livro. Quando se virou, Nico estava de pé na entrada. Ele entrou na sala e veio pulando em sua direção.

― Por que você entrou em pânico.

― Segui a fera bogey. E eu o vi entrar na residência da família do barão Worpole.

― Família do barão? Você que dizer que a casa de lady Dóris, a desaparecida?

― Sim. Além disso, quem comanda o bogey para criar problemas é a garota de cabelos alaranjados.

― Rosalie?

― Eu não sei o nome dela. Ela estava dizendo nos Jardins de Cremorne que desejava que você desaparecesse de Londres, assim como aconteceu com Dóris. Parece que ela quer se aproximar do conde. Você precisa ter cuidado.

Já tinha notado que ela tinha sentimentos em relação a Edgar quando a encontrou no alto do lago. No entanto, era uma notícia inesperada que ela era a única a dar ordens à fera bogey. Ela tinha intenção de ferir Lydia naquele momento. Mas, a coisa que mais a intrigava era a parte “assim como aconteceu com Dóris”.“Isso tem a ver com que aconteceu com a prima Dóris?”.

― Mas, Nico, por que a fera está fazendo tudo o que ela diz?  
               
― No entanto, ele estava dizendo que o verdadeiro mestre não é ela. Apenas fingia seguir suas ordens por causa de seu mestre.

― Quem é esse mestre?

― Não sei disso, entretanto essa jovem não parecia saber nada sobre o mestre.

Mesmo se alguém pudesse ver as fadas, era perigoso entrar em contato, se você não soubesse lidar com elas. E por isso, no passado, existiram muitas pessoas que foram enganadas por fadas e passaram por amargas experiências, as que faziam pedir ajudar para os fairy doctors. Particularmente, era comum que as fadas perniciosas praticassem brincadeiras para se mostrar aos humanos e assim conversar com elas.

As pessoas, no passado, sabiam que se as vissem, eram para fingir que não, se as ouvissem, simulavam que não. E quando faziam isso, elas se esquivam do perigo, mas nos dias de hoje, há aquelas que podem ensinar as outras.

Se a jovem chamada Rosalie permanecia ignorante do verdadeiro mestre que puxa as cordas da fera bogey, como Nico disse, e ainda está em contato com a fada, isso quer dizer que ela não tem conhecimento ou compreensão sobre as fadas e acredita que adquiriu poderes mágicos. Isso seria perigoso para ela.

Mesmo que Rosalie desejasse que lady Dóris desaparecesse, se houvesse segundas intenções da fera bogey, por trás disso, isso significava que Rosalie está presa na armadilha que a fada maquinou. Se ela quisesse perguntar a ela sobre lady Dóris, primeiro, precisava cortar os laços entre Rosalie com a fera bogey. Mas, se perguntou se aquela garota iria escutá-la de verdade. A julgar pela sua atitude hoje, pensou ser impossível. Notou que o caso de lady Dóris era bem mais complicado do que imaginava.

Enquanto ela pensava sobre isso, por outro lado, Lydia estava incomodada com “ovo de fada” que Edgar comprou e o Fogman. A bola de vidro do jogo da adivinhação não tinha a ver com a pedra de ágata selada com água. No entanto, Edgar pensou que ambos estavam ligados.

Ela tinha a impressão que estava determinado mais do que uma simples relação entre palavras.

Por quê?

Parecia que tinha alguma ligação com a forma como lady Dóris se assustava com o Fogman que, supostamente, não estava vinculado com o jogo da adivinhação do “ovo da fada”.

Por uma fração de segundo, Lydia sentiu que quase conseguiu unir os pontos em seu pensamento. Mas, ela não conseguiu entender o que era e, agora, se encontrava perdida. No entanto, o que pensava vagamente era que Edgar ainda escondia algo dela.

O clã do barão Worpole era nova no círculo social como aristocratas, entretanto, era uma família rica. O atual mestre é a lady Dóris, de dezesseis anos. Os pais dela morreram em um acidente de navio há dez anos. No mesmo navio, estavam os pais da prima Rosalie. As duas meninas, que perderam seus pais ao mesmo tempo, viviam uma com a outra desde então. A guarda era de lord Graham Purcell, que era um parente distante do barão.

Antes, na casa do barão, era de conhecimento geral de que Rosalie e Graham faziam o que queriam, sem antes de consultarem lady Dóris. A filha do barão ingênua e tímida e sua prima vigorosa e forte. Naturalmente, aquela que veio aos holofotes e o centro das atenções era Rosalie, enquanto que Dóris sempre estava ao seu lado como uma criada, ou assim pensavam.

No entanto, à Dóris pertencia o título mais alto. Ela era, afinal, o atual chefe da família do barão. É por essa razão que sua prima mais forte queria se destacar mais do que Dóris. Mesmo na frente dos outros, ela agia uma vez ou outra com severidade contra Dóris, e nisso se sentia superior.

Rosalie declarou claramente a Edgar que estava tão feliz que sua prima tinha sumido, quando os dois estavam sozinhos. Sua prima era uma garota que não fazia nada por conta própria desde que era criança. Ela era tímida e fraca, e é por isso que Rosalie lhe disse que o Fogman iria puni-la, já que quebrou a promessa que juraram ao “ovo da fada”. Por conta disso, ela se abalou, saiu de Londres e foi para o campo. Foi também o que Rosalie lhe revelou. De qualquer forma, ela era uma garota sem papas na língua.

Edgar apenas a conhecia algumas vezes em alguns encontros sociais da alta sociedade, e ela sempre serviu como uma fonte útil de informações valiosas. Se ele apenas demonstrasse um sinal de interesse,  já ficava satisfeita em responder. Não houve nenhum problema em recolher todas as informações íntimas da família do barão.

E agora, o próximo passo. Qual peão ele deve mexer? Enquanto pensava, Edgar estreitou as sobrancelhas profundamente. Era como um jogo. Talvez o que ele realizava não fazia nenhum sentido, mesmo que seu objetivo era a vitória.

Ele forçou o pensamento mais do que devia. Uma vez que ele começou o jogo, precisava ganhar. Isso era tudo. Quantos mais ele deveria mexer até o xeque-mate?

― Bem-vindo, my lord.

Foi o mordomo que cumprimentou assim que chegou, ele entregou a cartola, a bengala, assim como o casaco logo no hall de entrada para Raven.

― Raven, como está Lydia? Ela ficou com ciúmes?

― Deseja saber se ela demonstrou sinais de ciúmes?

Raven inclinou a cabeça, confuso, com a pergunta inesperada.

― Vendo como eu estava dando bem com outra lady, alguém perceberia que ela demonstrasse sinais de ciúmes?

Uh-hm, entretanto, mestre Edgar, não recebi a ordem de verificar se ela estava com ciúmes ou não. – respondeu seriamente.

― ...Bem, é isso. Esqueci-me de dizer. 

― E eu não seria capaz de julgar tal coisa.

Tratando-se de uma arma viva, Raven não conseguia sentir seus próprios sentimentos e até mesmo sua vontade. Parecia que ainda era mais difícil entender os sentimentos dos outros. Seus olhos, que se assemelhava ser puramente negros, levavam um tom levemente verde quando a luz refletia neles. Com certeza, em sua terra natal, isso significava que ele tinha um espírito feroz e indomável que se satisafzia com um combate sangrento.

A criança com um espírito capaz de oprimir um rei, nascida para lutar, e com habilidade de lutas incríveis. Ao mesmo tempo, seus sentimentos e sentidos humanos eram turvos, e não hesitavam, nem se apiedavam ou mesmo era preciso uma razão para matar quando era ordenada. Se não havia a necessidade de um coração em uma arma destinada à batalha, logo, ele era o lutador ideal para qualquer um que o desejava.

Não havia uma maneira de Edgar se certificar sobre esse espírito, mas ele sabia que Raven era aquele tipo de rapaz. No entanto, não havia um humano sem coração. Uma vez ser tratado como uma arma, e o deixasse de ser uma, era perfeitamente possível que fosse capaz de sentir e pensar por si só.

Raven se esforçou para servir Edgar, que tomou o lugar do “Rei”, não só apenas ouvindo suas ordens, mas mantendo um relacionamento de confiança e segui-lo fielmente. Edgar esperava que ele mantivesse esses sentimentos em seu coração e aos poucos levasse isso para outros humanos, além de seu mestre. Enquanto subia as escadas do salão e abria a porta do seu quarto, Edgar voltou seu foco o que havia perguntando a Raven.

Ummm, então ouvirei o que pedi a você.

― Eu acompanhei de modo seguro miss Lydia à sua casa.

― Algum suspeito?

― Nenhum.

Ao mesmo tempo em que refletia, ele se atirou no sofá.

Hmmm, deveria ter mantido a palavra de levar Lydia comigo para os Jardins de Cremorne, mas quando analisei a situação em que Lydia voltasse para casa sozinha, era uma oportunidade de ouro. Oh, bem, não é como fosse culpado em fazer o trabalho pessoalmente, mas o que seria do culpado se não tivesse seus homens preparados?

― Uh, mestre Edgar, continuará a usar miss Lydia como uma isca?

― Caso você se sinta desconfortável, posso pensar sobre isso?

― Não, não foi isso que quis dizer.

A ordem de Edgar era para proteger Lydia, bem como capturar aqueles que a atacassem, algo que não era difícil de Raven seguir. É claro que Edgar entendeu que Raven queria dizer, e pensava sobre a abordagem insensível de fazer de Lydia uma isca, sem que ela soubesse. Há muito tempo que ele não demonstrava uma preocupação tão grande com alguém além dele, Raven e sua irmã.

A irmã de Raven, Ermine, que morreu antes que pudesse obter sua liberdade, a qual deixou marcas em suas mentes. Quando Edgar lembrou-se dela, ficou profundamente triste. Ela estava contrária ao uso de Lydia, e no momento que se recordou de como disse isso, era natural que Raven ficasse relutante.

Porém mesmo assim, Edgar não podia fazer nada, Lydia, que se encontrava em Londres e mantinha o título de fairy doctor do conde. Ela atraía uma curiosidade sobre sua pessoa, e enquanto existissem aqueles que acreditavam em obter dinheiro através de sua habilidade, poderia haver a possibilidade de alguém capturá-la.

Verdade seja dita, ele percebeu movimentos suspeitos de alguém que inspecionava suas entradas e saídas da casa do conde, e por isso que pediu a Raven para proteger Lydia, bem próximo da tentativa de sequestro no parque. Naquela época era difícil de prover a situação por causa da neblina grossa. E como havia cães no evento, Raven não conseguia chegar ao ponto de qual era o motivo do atacante.

De qualquer forma, se existisse alguma estratégia ameaçadora, Edgar achou melhor capturá-los e eliminá-los rapidamente. Encontrar o inimigo e erradicar todos os seus perigos, seria o melhor para Lydia. Era esse objetivo principal de Edgar.

― É determinar qual membro dos homens do Príncipe é. O culpado está usando navios para contrabando e preparando os bens roubados de acordo com as ordens recebidas e definitivamente tem suas mãos nos tráficos de escravos em Londres.

O homem chamado Príncipe que manteve Edgar na América e era chefe de uma estranha organização.

Seu nome, origem e até mesmo o objetivo pela formação da organização eram desconhecidos. No entanto, para Edgar e Raven que conseguiram escapar dele, era um homem fortemente odiado e repugnante. Seus homens, portanto, foram os que colocaram Edgar quase morto em seu navio, e o levaram para América e o entregaram para o Príncipe, aquele que ele queria se vingar. Era o objetivo de Edgar no tempo presente.

Aquele que atendeu as mesmas condições naquele momento já foi pesquisado. No entanto, no momento, não havia nada que determinava se essa pessoa era apenas um simples criminoso ou alguém fiel ao Príncipe.

― O responsável fará miss Lydia como seu próximo alvo? Não conseguimos determinar se o agressor de ontem no parque era apenas um maníaco de passagem.

― Ele tem certeza, sabe que o Príncipe está disposto a pagar um preço considerável para pessoas que têm uma habilidade única além de um humano comum. Sei que um deles com habilidade especial foi preso na sede do Príncipe e foi colocado no mesmo navio que eu, e nos últimos anos em Londres, havia vários psíquicos que desapareceram. Se o contrabandista é um dos homens do Príncipe, ele descobriu que Lydia é uma fairy doctor, então, tenha certeza que irá atacá-la. Ele fará um movimento novamente.

O britânico foi ordenado pelo Príncipe e enviou Edgar para a América só podia ser um operário, mas ele era o responsável diretamente com o infortúnio de Edgar e, portanto, o mais imperdoável. E Edgar queria mostrar ao Príncipe que estava vivo e armava uma revolta.

― Só um pouco mais. E, então, poderei vingar os meus amigos.

Houve uma força dolorosa em seu sussurro trincado. Quando Edgar escapou do Príncipe, ao lado de Raven e sua irmã, havia vários aliados que se uniram a eles. No entanto, a perseguição do Príncipe era implacável e Edgar não conseguiu protegê-los.

Lord Edgar, sua vingança é pelo bem de minha irmã ou de nossos aliados? Se assim for, acredito que nenhum deles deseje tal coisa.

Talvez seja. Entretanto, foi Edgar quem planejou a fuga e também foi o único a liderá-la. O que mais ele poderia fazer por seus aliados que acreditavam nele e o seguiram, mas foram mortos sem piedade?

Edgar obteve o status de conde e, portanto, não era mais um malandro não identificável. Então, o Príncipe não conseguiria colocar as mãos sobre ele com facilidade. E se ele continuasse quieto, e não se esquecesse de proteger a sua identidade, seria melhor começar uma nova vida que não tivesse nada a ver com a organização.

Se ele pudesse jogar fora completamente o passado... Mas, ele continuava a caminhar em cima dos sacrifícios de seus aliados, e ele poderia jogar tudo isso? Se não tivesse a ajuda deles, Edgar não conseguiria escapar com êxito.

― Raven, no final, você é o único que me resta. – ele sussurrou enquanto descansava seu rosto na palma da mão.

Raven permaneceu em pé e abaixou os olhos.

― Não consegui trazer nenhum deles aqui, mesmo assim nos auxiliariam na nossa fuga. No entanto, prometi-lhes a liberdade.

― Desculpe-me.

― Por que se desculpou?

― Acredito que nenhum deles se arrependeu. Se o vissem agora, creio que todos estariam profundamente felizes. Mas, não sei como dizer bem.

― Você me disse muito, Raven.

Ele se levantou e colocou as mãos nos ombros de Raven. Este franzino garoto de dezoito anos com traços orientais era o único motivo pelo qual Edgar estava ali.

*****

― O quê? Lydia, você poderia repetir?

― Disse que a fera bogey que apareceu ontem nos Jardins de Cremorne estava aparentemente seguindo ordens dadas por Rosalie.

― Não! Depois de tudo aquilo?

― Parece que a fera pode estar de alguma forma ligada ao desaparecimento de lady Dóris.

― Não é possível!

― É perigoso entrar em contato com as fadas quando não se sabe nada sobre elas, então, eu queria que você perguntasse à miss Rosalie e a avisasse.

Por algum motivo estranho, Edgar fez uma expressão de desconforto. Mas, ela acreditou que não era tão difícil para ele convencer uma jovem e a persuadi-la.

― Você não pode? Parece que ela te ouvirá, e eu pensei que irá aceitar se você adverti-la, já que a veria novamente, não é?

― Então, você não está com uma pontada de ciúmes.

Huh?

Lydia tinha acabado de chegar ao trabalho na residência do conde e estava prestes a entrar em seu escritório quando foi apanhada por Edgar e a fez passar um tempo com ele no salão. Aproveitando da situação, ela decidiu trazer à tona o que pensou ontem à noite sobre Rosalie e a fera bogey e quando ouviu aquilo, notou que não conseguia entender o que passava na cabeça de Edgar.

― Por que eu deveria estar com ciúmes? Você é livre para se aproximar de qualquer pessoa que gosta, e isso significa que não terei que ser arrastada  a diferentes eventos sociais, logo eu ficaria muito grata.

Ah! Por algum motivo, quanto mais estou com Edgar, mais amarga me torno!”.

― Você realmente pensa isso?

― É evidente que sim. Você é livre para convidar a senhorita Rosalie ou qualquer outra filha de uma família bem-sucedida como quiser. É um desperdício de tempo passa-lo comigo. – era o que ela realmente queria dizer, mas isso não soou tão bem, porque pareceu que ela estivesse ciúmes.

De jeito nenhum estou com ciúmes”.

― Agora, ouça não estou aqui para falar disso. Para afastar a fera bogey, por enquanto, é melhor manter uma cruz feita de uma árvore de cinza de montanha com você o tempo todo. Se isso não funcionar, bem, então eu pensarei em outra solução.

― Ah, se você dispusesse o seu coração como faz com as fadas comigo...

Ela agradeceu que havia um espaço entre ela e Edgar ocupado por uma mesa nessa grande sala.

Ontem à noite, Lydia prometeu a si mesma que simplesmente deixaria passar as palavras doces de Edgar à direita e à esquerda e não deixaria se levar, por isso, ela olhou para ele impondo uma pesada barreira entre eles em sua mente.

― Por favor, não me olhe com olhos tão céticos.

― Não há uma pessoa mais cética do que você.

Definitivamente, vou voltar a me afundar naqueles sorrisos e olhos derretidos dele, com certeza, por isso ficarei em guarda e colocar outras ladies em seu caminho”, ela pensou e seu corpo ficou mais tenso por conta disso.

― Você está mais alerta do que o habitual.

Claro que estou”.

My lord, você tem uma visita.

A voz do mordomo com o anúncio deixou Lydia aliviada. Finalmente, quando se sentiu liberada de ouvi-lo falar...

― Edgar! Oh, eu senti tanto sua falta!

Inesperadamente, o mordomo levou uma garota de cabelos cacheados laranja que se agitavam conforme andava. Ela caminhou em direção a Edgar.

― Bom-dia, my lady! Hoje você está mais linda do que nunca.

Com uma atitude de rainha, ela ergueu a mão e esperou que a beijasse. É evidente que a menina não tinha Lydia à sua vista.

― Oh, Edgar, acontecerá um recital solo de um pianista vienense na casa Watts. Você não gostaria de ir? Será uma pequena reunião de pessoas mais próximas de lady Watts.

― Pergunto-me se seria um intruso.

― Longe disso! Se você me escoltar, além do mais, todos querem conhecê-lo.

Aproveitando a oportunidade, Lydia tentou sair sorrateiramente do salão.

― Oh, sim, Rosalie, foi-me dito que você deveria fazer uma cruz de cinzas da montanha e andar com você. De acordo com minha fairy doctor, é para afastar de espíritos malignos.

No entanto, isso a fez parar com seus truques. Se ela disse algo, certamente ouviria uma retaliação. E como se esperava, os olhos de Rosalie cravaram-se nas costas de Lydia.

― Com licença, miss fairy doctor, você se importaria de parar de fazer acusações estranhas contra mim?

Não tendo escolha, Lydia voltou-se para encará-la.

― Não é uma acusação! Você está ciente de que anda com uma fera bogey direto, não é? Esse tipo de fada é perigosa!

― É meu escravo e está me protegendo! Portanto, não fale do que não sabe!

― Isso é apenas para mostrar que você não sabe nada sobre fadas. Se isso continuar grudado a você, coisas terríveis acontecerão. Além do que pode estar relacionada à doença de lady Dóris.

O que Lydia queria dizer não era uma doença, mas o que estava por trás da razão do seu desaparecimento, mas ela manteve a história da doença que Rosalie tinha dito.

― Você está me dizendo que o que aconteceu à Dóris foi a minha culpa? Você está me dizendo que fiz algo?

― Não disse isso...

― Não é a minha culpa! Ela quebrou a nossa promessa. Nós duas prometemos ao “ovo da fada”, mas como ela quebrou, acabou irritando a fada. Ela é covarde, no entanto, teve que passar seus dias tremendo de medo, perdeu sua saúde e fugiu para o campo para se afastar de todos. Não tem nada a ver comigo!

Ao que parecia, Rosalie acreditava piamente que Dóris estava se recuperando no campo. Parecia, que aos olhos de Lydia, ela não acreditava no falso anúncio feito pela casa do barão para manter as aparências. Isso significava que ela só teve uma discussão com lady Dóris e não tinha intenções em colocá-la em problemas. Dizer que “ela deveria desaparecer” era apenas um desejo tolo. Mas, a fada agarrada à Rosalie era uma fera bogey. Mesmo que ela só pretendesse uma pequena discussão, se a fada colocasse as mãos nela, havia uma chance de causar grandes dificuldades.

― Mas, lady Rosalie, há a possibilidade de que a fera bogey coloque você ou as pessoas ao redor em uma armadilha, sem que se perceba. É por isso que...

― Você! Você não gosta disso, como sou tão íntima com Edgar.

Lydia só podia pensar em como tema mudou em um instante.

― Eh?

― É por isso que você está dizendo essas coisas! Para me insultar!

― Não tenho nenhum interesse em um galanteador como ele!

― Não me parece convincente, já que você está tão irritada.

Definitivamente, ela não sabia conversar seriamente sobre fadas. Ela olhou furiosamente para Edgar, mas ele não demonstrou sinais de que iria resolver a situação.

Mais como Lydia se ressentiu por instiga-lo. Afinal, ele estava curtindo a disputa das meninas por ele. No entanto, Lydia não tinha motivos para brigar por ele. Ela tentou sair, mas Rosalie correu na frente dela e a deteve.

― Só porque você não tem beleza ou um charme sedutor pode me enfrentar. Não tente me envolver em algo assim. Além disso, a cor dos seus olhos lhe faz parecer uma bruxa. Ou as fairy doctor nem sequer são humanos! Você é uma fada que tomou a forma de um ser humano!

― O que você disse?

Não havia nenhuma razão para disputar Edgar. Entretanto, ela foi ridicularizada por sua aparência por uma jovem com que estava preocupada. Então, não havia nada para que Lydia ficasse quieta. E para acrescentar isso, ela cresceu com o pesadelo de ser chamada de chagelling de fada durante a infância.

― Você não tem nenhum trabalho para se orgulhar! Você só aparece vistosa, e quantas horas você fica enrolando seu cabelo cheio de frizz?

Agora, parecia que ela atingiu o ponto de complexo da garota, pelo fato que uniu as suas grossas sobrancelhas.

― Mesmo que seja encaracolado e com frizz é melhor do que seu cabelo com cor de ferrugem!

― Ele é caramelo! – gritou Lydia furiosa e perdendo a paciência.

O único a chamar a cor de seu cabelo medíocre era Edgar. Foi incrível que uma apenas uma palavra fez com que a cor ficasse encantadora. No entanto, era embaraçoso se apegar a algo assim. Ela olhou em direção a Edgar, que parecia não estar preocupado com ela desde que...

― Então, Edgar, qual você mais gosta? Caramelo ou laranja? – indagou Rosalie, o que fez com que a atenção voltasse para ela.

― Vamos ver... Ainda não experimentei o gosto de caramelo.

Isso quer dizer que...”.

Lydia viu Rosalie reagir como estivesse envergonhada, depois lhe encarou com um sorriso vitorioso, e isso fez com Lydia entendesse o que tinha acontecido, ela ficou vermelha.
Inacreditável! Ele é um homem frívolo, cuja a única ocupação é trabalhar rápido com as mulheres”!

― Isso é ridículo! Não vou fazer mais parte disso!

Afastando-se de Rosalie, ela atravessou a sala em passos largos e se dirigiu à porta. Ela ouviu um pequeno comentário:

― Você é tão ingênua.

Era Rosalie. Ela bateu as portas pelas costas. Mesmo depois em seu escritório, ainda um sentimento nojento tomava conta de Lydia.

Ela ficou em pé junto à janela e olhou para a carruagem que estava estacionada pela entrada dianteira pronta para Edgar e Rosalie, mas quando ele ergue a cabeça em direção a ela, correu para fechar as cortinas.

― Não é problema meu se ele é um galanteador. Mesmo que ele beije outras ladies, ou mesmo se as encontra, não tenho nada a ver com...

Ao virar, ela rapidamente ficou quieta. Raven estava em pé, perto dela.

― O que... O que é isso? Você não pode bater?

― Peço desculpas. Entrei porque não obtive resposta.

Estou tão brava que não consegui ouvir?

― Oh, me desculpe. Mas, você não deveria escoltar “lord” Edgar?

Miss Carlton, lord Edgar não é um homem frívolo. – ele disse de modo inesperado, com uma expressão séria.

Então, ele ouviu”. Lydia estava em uma situação embaraçosa.

― É apenas frívolo no que diz. Ele não ousaria forçar sua vontade para uma mulher. Embora, isso seria diferente se ela estivesse desejando por isso.

Isso é o que chamaria de frívolo!

― É por isso que, senhorita Carlton, você poderia confiar em lord Edgar? Como você é contratada como fairy doctor, ele não a beijaria por diversão. Contanto que você o permita.

― Eu nunca aceitarei isso.

― Então, não há nada do que reclamar.

― Oh, claro que não! Se tudo estivesse de acordo com o que você diz! No entanto, não confio nele. Mesmo hoje ou ontem, se fosse desamar minha guarda, sabe-se lá o que ele faria. Só estou aqui como fairy doctor, então não quero ser tratada como uma das suas seguidoras!

― Posso apostar nisso!

― Você é tão leal.

― Você não precisa correr. E estaria segura se abaixasse a guarda.

Ele faria qualquer coisa por Edgar. Mais do que erradicar inimigos do seu mestre, ou aqueles que atravessarem o seu caminho, Raven estava tentando suavizar e acalmar Lydia, algo difícil para ele. Ela simplesmente admirava sua lealdade. No entanto, alguém que pensasse assim o acharia um mestre difícil e irracional para servir se você fosse seu criado. No entanto, para Raven, ele era o único que aceitaria cada parte sua, portanto, era seu mestre insubstituível. Porque o único que dizia que aceitaria um Sprite assassino dentro de Raven e acalmá-lo era Edgar.

Por outro lado, ela continuava negando Edgar, sentiu-se mal em relação a Raven, que confiava em seu mestre acima de tudo.

― Tudo bem, então. Decida a quantia que quer apostar. Mas, se ele me beijar apenas por diversão, vou dar um soco naquele rosto perfeito, reto e duro que gosto tanto.

Raven mantinha seus olhos verdes-escuros sobre ela, e levantou levemente os cantos de seus lábios. Portanto, a aposta foi definida. Se ela realmente pensou nisso, Lydia precisava ser beijada para vencer, mas ela só iria perceber apenas após um longo tempo. Por enquanto, até então, ela foi preenchida com a motivação de testar Edgar. Na verdade, devia ter tido o desejo de testar se ele estava pensando em Lydia ou não.

― Há uma coisa que você deixou cair. – disse Raven.

Raven colocou um objeto branco e redondo, que era um tamanho que poderia caber na palma da mão sobre a mesa.

― Encontrei isso no chão do salão, agora.

Ela abriu a boca para dizer que não era dela, mas rapidamente a fechou. Porque ela notou que era uma pedra de ágata branca. Não era um branco puro, mas puxava para verde-claro que se assemelhava às veias de uma folha.

Um ônix-menta?

Quando ela sacudiu, pôde ouvir o som de splish-splash da água. Ela correu para a janela e a colocou contra a luz. Observou através da pedra raspada que havia uma água escura presa em seu interior.

Isto é um ‘ovo de fada’? É verdadeiro? Aquele que selou o Sprite demoníaco dentro dele? Aquela amiga de Edgar tinha posse disso? Se foi encontrado no salão, caiu de Rosalie?

― Uh, Raven, você se lembra do que Edgar disse no barco ontem? Sobre o jovem que foi capturado na névoa de Londres e foi morto na América?

Raven, que já estava saindo da sala, parou e voltou-se para encará-la.

― Sim.

― Isso é verdade? Se era amigo de Edgar, então, você o conhecia?

― Havia muitos que respeitavam lord Edgar e estavam ao seu lado como aliados. Uma vez que nós fomos vendidos e comprados, estávamos na mesma situação, por isso, não poderia dizer exatamente quem era.

― Aliados, então, todos...

― Estão mortos.

― Por quê?

― O Príncipe não perdoa traidores.

As crianças que desapareceram como a névoa e vendidas. O que Edgar queria dizer com salvar, talvez não fosse um certo alguém, mas todos os seus amigos e aliados. Tendo consciência que era impossível resgatar aqueles amigos que não foram realmente levados pelo nevoeiro, mas vendidos e mortos, era algo que ele fantasiava. Se foram apenas capturados pelo nevoeiro e não um ser humano mal intencionado, se estivessem escondidos no nevoeiro, ele faria qualquer coisa para encontrá-los e salvá-los. Mesmo assim, ele estava arrependido por deixá-los morrer.

Como uma oração para o repouso de todas as almas das crianças, incluindo a dele, Edgar ainda não conseguia descartar a “névoa” e o “ovo da fada”.

― Mas, lord Edgar foi aquele que conheceu as duas fadas.

― Eh?

― Foi isto que escutei antes.

― Está, está tudo bem você derramar algo assim para mim?

― Não é como se eu estivesse reformulado para falar. Embora, eu não saiba como se relaciona com o “ovo da fada”.

Ela ficou surpresa ao ser informada diretamente da boca de Raven, mas era algo que Lydia tinha como um pequeno palpite. Que mesmo que essa história estivesse de modo simbólico ligada aos seus aliados por estarem na mesma condição que ele, pensou que também falava por sua própria experiência. E se fosse Edgar aquele que conhecia as duas fadas, significava que quem originalmente possuía o “ovo de fada” era ele.

Uma ágata não era tão rara, mas as de alta e exclusiva coloração eram consideradas como joias. Se fosse uma pedra grande, uma vez na mão de seres humanos, normalmente, seria dividida em pedaços, processada para ser vendida, no entanto, se permanecesse do mesmo jeito que foi encontrada, só uma família rica teria sua custódia. Logo, o jovem que tinha o “ovo de fada” não poderia ter sido de descendência de classe baixa.

― Houve outras pessoas em seu grupo que foram criados na nobreza além de Edgar?

― Não. Não que saiba.

Edgar viu a ilusão do Fogman em algum armazém escuro. Ele negociou isso em troca de ajuda, mas não foi resgatado. Talvez, ele ainda estivesse perdido no nevoeiro profundo, junto com seus camaradas e sentia que não poderia escapar disso. Mesmo que ele pedisse à Lydia para salvá-lo.

― Senhorita Carlton, não tive arrependimento quando desisti da vida por causa de lord Edgar. Creio que aconteceu o mesmo para todos. Mas, seria doloroso para lord Edgar que todos morreram sem se arrepender?

― É doloroso, eu acho.

O jovem que perguntou com uma expressão séria, abaixou os olhos por um instante.

Lord Edgar sempre foi nosso mestre e líder. Nunca fez queixas ou pediu ajuda, sempre ficou sozinho com a confiança de todos em suas costas. Havia alguns companheiros que se pareciam exatamente como ele e se abriram uns com os outros, mas seria questionável para mim dizer se aceitaram a fraqueza de lord Edgar. Nosso líder nunca demonstrou derrota, nem arrependimento ou hesitação, esse foi nosso orgulho.

Mas, os humanos não são tão fortes. Ela admirava como Edgar carregava em seus ombros e ainda tinha vontade férrea de motivar e liderar um grupo de meninos.  Talvez, agora que Raven tenha conseguido sua vida tranquila, que ele conseguiu perceber isso.

― No entanto, agora gostaria que ele descansa-se um pouco desses sentimentos.

― Tudo o que você precisa fazer é apenas dizer isso a ele. Ele, certamente, pensará em você como um amigo leal do que mestre e servo.

Raven sacudiu a cabeça fortemente.

― Isso é impossível para mim. O Sprite que mora em mim apenas obedece a lord Edgar e o aceita como seu mestre. Se forjar essa promessa indistinta, então, algo desastroso aconteceria.

Lydia não sabia muito bem sobre o espírito de Raven, mas entendeu que havia uma razão complicada para que ele não desviasse da posição de servo.

― É por isso que a senhorita Carlton não devia odiar lord Edgar.

― Não é que o odeio ou qualquer coisa...

Ela ficou confusa com que ele disse de repente.

― Mesmo que lord Edgar não seja perfeito, você não rejeitaria?

― Não penso nele como perfeito. Porque ele é frívolo, um canalha e mentiroso, está cheio de defeitos.

Embora ela tenha dito várias coisas grosseiras sobre o seu mestre, Raven apenas deu-se por satisfeito e começou a sair da sala. Lydia ficou em pé, sozinha, espantada.

― Então, qual é o seu ponto de vista?

Ele quis dizer que ela falasse a Edgar que não era mais o líder em uma batalha, e que poderia descansar. Raven queria que Lydia assumisse o papel de ouvir os lamentos e queixumes de seu mestre?

Mas, não tenho nada ver com isso, a menos que ele me assumisse rapidamente como namorada. Além disso, há muitas candidatas para concorrer”.

Do nada, o rosto de Rosalie surgiu na sua cabeça e o temperamento de Lydia ficou furioso de novo, e isso derrubava qualquer sentimento simpático que ela sentia pela dor de Edgar que Raven contou.

***

Alegando que ela tinha algo que precisava procurar, Lydia deixou a casa do conde mais cedo. Nico entrou furtivamente no escritório de Lydia, que não estava, abriu silenciosamente a porta do armário e tirou uma caixa que tinha escondido pela parte de trás de modo cuidadoso para que não fizesse nenhum som. Quando ele colocou o ouvido junto a ela, ouviu um som sussurrante e áspero que vinha do seu interior. A lata que estava dentro da caixa tinha algo que falava consigo mesmo. E não tinha percebido que Nico ouvia o que estava dizendo.

[― Alecrim, sálvia e manjericão, todos os cheiros deliciosos de ervas].

A voz era difícil de ser ouvida, mas a entonação se assemelhava a algo cantado.

[― Uma cama cheio de alecrim! Nunca imaginei que havia um lugar tão maravilhoso assim em Londres].

[― Ooh! Mas, fui enganado! Uma fábrica de conservas? Estava dormindo na minha cama de ervas e antes que soubesse que estava preso dentro de uma lata...].

― Hum, então, você foi enlatado enquanto tirava uma soneca.

Nico não pôde deixar de fazer essa observação, e após isso, a coisa dentro da lata ficou em silêncio.



A coisa devia ter entrado em uma fábrica de conservas de peixes em ervas e adormeceu dentro de uma lata, portanto, o que levava a crer que era uma fada. Devia ter se empolgado com os aromas e dormido. “Que idiota!”, pensou. No entanto, desde que Nico também era uma fada, uma vez algo que lhe prendeu a atenção, ficava tão aficionado que não pensava em mais nada. Era evidente que as fadas nunca pensavam em si próprias como tolas.

― Mas, mais do que isso, quem foi que te enganou?

O que estava dentro da lata se abalou violentamente a ponto de sua irritação acumulada quase se estourar por estar preso dentro de uma lata e em relação a Nico.

― Ei, agora, vamos conversar calmamente. Quem é você? Se responder, digo que irei abrir para você.

Nico fazia a mesma perguntar por várias vezes. A coisa dentro da lata não abrira a boca desde a primeira vez, no entanto, uma vez que foi colocada dentro do armário, descobriu que algo poderia evoluir, por isso começou a falar com a voz silenciosa. Entretanto, a voz era difícil de ser ouvida, por estar presa dentro de uma lata.

― Você quer saber quem sou primeiro? Como eu poderia me revelar se não sei quem você é. Quer conhecer uma fairy doctor? Não posso confiar em você, por isso estou checando primeiro. Hã? Não sou confiável? Isso não vai para lugar nenhum...

Continuou teimosa. Aparentemente, a coisa desejava sair, e ficava doida pulando para cá e para lá, mas não ousava se abrir. Então, ficou quieta e com medo de virar alimento de alguém. Nico disse que não iria comer algo como ela, mas saber que havia uma fada em lata era próximo do inacreditável. Uma lata que só um humano poderia abrir, e um humano que as fadas poderiam confiar era apenas um fairy doctor. E é por isso, que a coisa que estava dentro da lata pedia por uma fairy doctor, no entanto, para Nico não conhecer qual seria seu motivo era algo problemático.

Seria complicado se atacasse Lydia assim que saísse. Depois de fazer vários argumentos e contra-argumentos, os dois continuavam em um cabo de guerra. E, no final, a conversa terminava sem uma resolução. Porque a coisa dentro da lata foi selada, assim como seus poderes, e não tinha muita energia. O período de tempo em que conversavam era sempre curto, logo, a fada adormecia e a discussão terminava ali. Mesmo assim, Nico sentia piedade, por outro lado, se fosse algo ruim, foi selado por causa de sua maldade, logo não havia razão para soltá-lo.

Diante dessa situação delicada, era difícil decidir se ele deveria contar à Lydia sobre isso. O que fazia hesitá-lo era o crônico coração-mole de Lydia, que iria ter pena e consequentemente não sentiria se houvesse perigo. É por essa razão que Nico colocou-o cautelosamente em uma caixa, e assim a voz não seria ouvida por Lydia e a escondeu na parte de trás do armário.

A porta da sala abriu sem bater. Nico entrou em pânico e jogou a lata sobre a toalha da mesa e pulou em uma cadeira. Ele fingiu que estava tomando chá, e logo pegou uma xícara. Quem entrou era Edgar.

Maldito! Me ferrei! Preciso fingir que sou um gato!”

Depois que voltou para casa, Edgar foi direto para o escritório de Lydia, mas a primeira coisa com que ele se confrontou foi um gato de pelos grisalhos que sorria feliz com a xícara de chá. Ele se encontrava sentado em um amontoado de almofadas em cima de uma cadeira próxima à mesa.

Seu nariz se contraiu como estivesse gostando do vapor e o aroma, depois tomou um gole rápido, e devolveu a xícara ao pires. Lançou um rápido olhar para Edgar, e mudou a postura como nada tivesse acontecido. Em outras palavras, em uma posição de gato. O que estava sentado à sua frente era um gato normal, e a visão de que ele bebia chá achou que era sua imaginação.

― Pensei que ouvi que Lydia se preparava para ir para casa. Vejo que não foi com ela.

― Eu gosto muito daqui. Uma vez que o chá é quente e fresco, saindo imediatamente quando você toca um sino. Inclinou-se contra a almofada e estreitou os olhos como estivesse satisfeito.

O miado de alguma forma soou como fosse palavras significativas, o que levou Edgar a crer que Nico não fosse um felino comum. Ele foi se sentar ao lado oposto a Nico.

― Conte-me, Nico. O que você acha que Lydia pensa sobre mim?

― Um galanteador duvidoso.

Foi o que ele pensou com olhar frio que Nico lhe lançou.

― Bem, isso não me ajudou muito.

― Oi, você concordou?

― Mas, por enquanto, ela não há algum homem por quem pensa, certo? Acredito que ainda tenho uma chance.

― Hum? Mas, você não estava com aquela moça de cabelo castanho-alaranjado?

― Rosalie? Bom, somos apenas amigos. Ela pensa o mesmo de mim.

― Como você é cara de pau! Quando vocês estão próximos não é o que parece. Em geral, é a mesma atitude em relação à Lydia, você parece que está só brincando.

Como se estivesse enojado com ele, Nico inclinou-se contra o braço da cadeira e apoiou a bochecha na pata. Era uma posição irreal, mas não impossível. 

― Não pretendo enganá-la, só que não tenho tanta confiança e não quero ser rejeitado.

― Mentiroso. Uma garota como Lydia é algo raro para você, só isso. Deixe-me salientar que o mundo em que a Lydia vive é muito diferente do seu. E ela tem ciência disso, por isso mantém uma distância de você. Então, não se intrometa.

Ele sentiu que estava seriamente advertindo, e Edgar soltou um suspiro.

“Qual é o motivo que me impede que Lydia continue ao meu lado?”, ele se perguntou.

Ele acreditava que uma fairy doctor era necessária para a família do conde. Mas, não era só isso. Ele se interessou por ela e achou encantadora e, claro, estava bem ciente de que os seus mundos era completamente diferentes. Ela era imprevisível e cheia de mistérios, e ele adorava conversar com ela, o que o fez correr atrás. E, no entanto, as suas palavras soavam superficiais.

― Seria tão bom que Lydia se abrisse um pouco mais. Nico, o que devo fazer? Já que você a conhece tão bem?

Mesmo que ele pedisse conselhos para um gato, não deixava de ser como um jogo brincalhão.

― Como estava dizendo, como eu poderia ser franco com um membro de gangue? – ele enrolou a própria cauda. ― Você quer que te conte a troco de nada?

Pensou em algo e solicitou ao mordomo. Ao ouvir a ordem de seu mestre, o mordomo deixou a sala e voltou segurando uma bandeja de prata. Sobre ela descansava um recipiente de prata que acomodava doces que deixavam seu aroma no ar. Depois que ela foi colocada sobre a mesa, Edgar empurrou-a para Nico.

― Estes são chocolates com licor que acabaram de chegar da França. Tenho certeza que você ficará satisfeito.

Inclinando-se um pouco, Nico olhou fixamente para as guloseimas arredondas e castanhas. O gato, que tinha gravata amarrada no pescoço, pegou um chocolate com gesto gracioso, e pareceu nada misterioso. Colocou na boca, enrolando com a língua. Nico estreitou os olhos em puro deleite.

― Você pode pegar o máximo que puder.

― Não minta para Lydia.

Esse foi o conselho dele? Ele pensou que era isso que Nico disse, quando o gato puxou a tigela de prata com as mãos ou com as duas patas dianteiras, como estivesse a embalando.

Nota da tradutora: E aí, a raiva persiste com o nosso queridinho de olhos malva-acinzentados? Odioso! Cruel e com toda certeza, maligno murelhengo! P****, Edgar! 
Esse trecho fiquei para morrer:
“― Então, Edgar, qual você mais gosta? Caramelo ou laranja? – indagou Rosalie, o que fez com que a atenção voltasse para ela.
― Vamos ver... Ainda não experimentei o gosto de caramelo.”
Que ódio!!!

Bom, o próximo capítulo pode pintar aqui ou no final do mês de dezembro ou no comecinho do mês de janeiro do ano que vem! Fique fria! Pode atrasar um pouco, mas pretendo alcançar a tradução em inglês! Beijos e se a gente não se ver mais: Feliz Natal e boa entrada de Ano-novo!^^