sexta-feira, 5 de maio de 2017

Uma Noite à Beira-mar - Capítulo 4 - Volume I - Hakushaku to Yousei - Light Novel

Nota de abertura: Bem-vindo(a) ao 4º capítulo do livro I de Hakushaku to Yousei.

Depois de saltar de diversas linhas do trem a vapor, Lydia e o grupo, finalmente, chegaram a uma cidade tranquila perto da praia. O mar da Irlanda estava bem à vista e de onde Lydia se encontrava. Perto da janela, ela podia ver claramente as águas do oceano que refletiam a luz da Lua Cheia.

Quando ela voltou à sala, viu que Edgar entornava um copo de vinho para o proprietário da casa enquanto sentava em uma cadeira finamente entornada. O dono do estabelecimento era da nobreza da cidade e acreditou fielmente que Edgar fosse o Conde. Ficou chocada ao ouvi-lo dizer que foram atacados por ladrões, feridos e separados dos criados e, por isso mesmo, pediu um médico e roupas novas.

Então, por ele mencionar que conhecia o dono daquelas terras, lhe foi convidado em passar a noite naquela casa nobre. O senhorio ficou encantado e disse que ficaria honrado em acolher o conde.

― a propósito, my lord, o senhor está indo para Mannor Island? É apenas uma pequena ilha. Ela não tem nenhuma significância.  

― Acontece que aquela ilha é minha e parece que, na geração de meu pai, ninguém a visitou. Mas, desde que herdei o título, pensei em vir e verificar com meus próprios olhos. As propriedades que nos pertencem cobrem todo o país.

Ela perguntou a si mesma se a ferida dele doeria mais se fosse tratada pelo médico. Foi lhe recomendado que não bebesse álcool, no entanto ele estava o desfrutando tranquilamente. Seus cabelos dourados cintilantes,  que não tinham perdido o brilho mesmo quando estava deitado na cabana escura, eram ainda mais brilhantes sob a luz do candelabro.

Enquanto isso, Lydia olhou para seus próprios cabelos. Ela não gostava de sua luminosidade castanha-avermelhada, o fazia parecer sombrio. Ficou com inveja da cabeleira loura de Edgar e se questionou por que não nasceu com nenhuma característica brilhante de seus pais. Pelo menos se ele fosse negro, poderia parecer inteligente, mas com esse marrom maçante e avermelhado lhe dava um aspecto monótono. E mesmo que ela fosse loira, não poderia criar aquele ar gracioso como ele podia.

Na propriedade deste senhorio, localizada em uma cidade rural,  os numeroso móveis caros e peças de arte, normalmente, não davam uma dignidade ao proprietário, e por isso mesmo, o deixam arrogante. Mas, agora, ela tinha o sentimento absurdo de como ele estivesse esperando a visita de alguém como Edgar. E pensar que isso foi algo inacreditável para Lydia.

― Por favor, perdoe a minha indiscrição... A propósito, lembro-me que há um velho castelo na ilha. O rumor é que lá vivem todas as sereias da região. Esse castelo também é do senhor?

Quando ouviu a palavra sereia, Lydia aguçou a audição.

― É mais provável que o castelo tenha sido construído no século XVI. Ouvi dizer que o conde adorava, naquele tempo, a paisagem pacífica da ilha e construiu esse prédio. No entanto, as sereias vivem nele?

― Bem, é apenas um boato, uma vez que a ilha é como um tesouro de lendas sobre sereias.

― Que tipo de lendas?

Lydia não conseguia parar de interferir. O senhorio ficou surpreso com sua seriedade.

― Bem, hum...

― Ela tem um profundo interesse em fadas. Eu também gostaria de saber sobre isso, além do mais que é a minha ilha. – disse Edgar.

― Bem, não estou a par de todos os detalhes, porém, qualquer um por aqui conhece a história da sereia. É dito que aqueles que ouvem sua canção ficam encantados e atraídos para o mar. A maré em volta da ilha é extremante severa. E assim toda vez que um navio afunda, a lenda das sereias cresce.

― É difícil dizer que todos os incidentes de náufragos foram coincidências, já que as sereias são capazes de controlar as ondas e as marés. Por outro lado, por que as sereias de Mannor Island, que normalmente habitam no mar, moram no castelo? Existe alguma informação sobre isso?

Quanto mais Lydia perguntava de modo sério, mais o proprietário aparentava uma testa confusa e irritada. Ele deve ter pensado que um homem adulto não deveria falar sobre contos de fadas. Era uma resposta comum que as pessoas davam segundo Lydia. Estava acostumada que suas palavras fossem consideradas incompreensíveis e provocativas.

Não se preocupe com isso. Era tudo que ela podia pensar sobre si mesma. No entanto, Lydia não tinha nenhuma informação sobre os merrows. Honestamente, ela queria saber tudo o que podia.

― Houve alguém que viu as sereias no castelo? – perguntou Edgar, e assim o proprietário finalmente deu uma resposta.

― Está mais para ouvir alguém cantando de algum lugar do fundo do castelo. E a história é essa, quando chega de manhã, os residentes da ilha encontram cadáveres de ladrões que tentaram invadir o castelo, levados até a praia. Porém, isso são relatos sem fundamentos sobre fantasmas e fadas, que só alguém infantil poderia apreciar.

Chamada de imatura, Lydia ficou furiosa. No momento em que ela estava abrindo a boca para replicar, Edgar disso:

― Realmente gosto de fofocas sem fundamento. Eu sei que preciso crescer.

Assim que viu o senhorio incomodado com a sua retórica, e sem saber o que dizer, Lydia se sentiu um pouco melhor.

― Oh, não! Eu não quis dizer isso... Ah, my lord, o senhor irá me desculpar, mas preciso descansar um pouco. – disse o senhorio, levantando-se ansioso para se retirar.

― Vá em frente. – respondeu Edgar.

― Hum... Posso lhe pedir um favor? – indagou Lydia.

Lydia decidiu perguntar a ele, ainda que estivesse chateada.

― Sim?

― Posso fazer um caminho para as fadas aqui? Já que este quarto está cheio delas e elas não conseguem sair.

Naturalmente, ela encontrou um rosto irado, mas como já estava aborrecida, decidiu não ficar mais do que estava.

― É apenas um pequeno jogo, senhorio. Se estiver bem a você, poderia atender a sua vontade?

― O senhor tem uma irmã única. Se vocês me dão licença. – Foi o modo de dizer que estava aprovado e assim saiu da sala.

― O que ele dizer com irmã? – perguntou Lydia, incapaz de reparar nas palavras, virando o rosto para Edgar.

― Se não dissesse isso, um homem e uma mulher sozinhos chamaria a atenção mais do que necessário.

― Irmã e irmão nos deixam mais suspeitos! Não há como sermos irmãos!

― É verdade? Bom, eu posso inteirá-lo? Devo dizer a ele que somos realmente amantes fugindo secretamente?

― Isso é ainda mais longe de ser verdade!

― Oh, você me feriu! Não precisa me odiar tanto. Mudando de assunto, as fadas estão de fato perdidas?

Lydia virou o rosto e despejou água em um copo com uma fatia de limão e assim caminhou até o canto da sala.

― Então, isso significa que, em seus olhos, você pode ver uma multidão de fadas embaralhadas nesta sala?

― Exatamente! Parece que isso só aconteceu porque elas a usaram de passagem.

Edgar colocou o copo sobre a mesa. Quando ele fez isso, coincidentemente, evitou o local onde uma fada estava deitada dormindo.

Ela se recordou que ele não tinha pisado em uma fada nem sequer uma vez até agora. Mesmo que ele não pudesse ver, talvez fosse por possuir uma personalidade sensível. Ao contrário dele, o senhorio sentava-se sobre eles, esmagando-as com uma almofada e as chutou de lado enquanto caminhava. E, por isso mesmo, esse fato fez com Lydia quisesse cumprir sua parte. Muito provável que o senhorio recebesse o troco das fadas a cada noite. Embora ele fizesse o tipo estúpido, o seu cabelo foi puxado e recebeu contusões que beiravam à púrpura, ele provavelmente nunca iria perceber como isso aconteceu.

Lydia deixou cair uma gota de água com limão junto ao peitoril da janela para as fadas. Ela alinhou as gotas uma a uma, enquanto ela caminhava do parapeito da janela para a porta. Edgar aproximou-se dela como estivesse instigado e olhou para o chão perto da parede com curiosidade.

― Isso é um caminho de orientação? Então, isso significa que há fadas alinhadas por aqui?

― Sim.

― Que tipo de fadas são?

― Brownies. Eles são castanhos e pequenos, com o rosto achatado.

Hmmm. Eu seria capaz de fazer isso também?

― Você quer tentar?

Ele sorriu assentindo. Ela lhe entregou o copo com água e limão e ele deixou cair as gotas enquanto Lydia o guiava.

― Eles estão seguindo? – o seu rosto era como um menino travesso.

― Sim. Você não pode vê-los, mas isso é divertido para você?

― É estranho imaginar isso. Essas tarefas fazem parte do dever de uma fairy doctor?

― Sim. Nós mantemos nossos olhos atentos para os fatos ao redor e tornamos o convívio mais fácil entre seres humanos e as fadas. Se não passamos confiança às fadas, não há maneira alguma para negociarmos. E apenas porque ninguém pode vê-los, pode parecer um ciclo sem sentido, não é mesmo? Com um pouco de consideração, como amarrar uma fita na sua janela ou porta, é o suficiente para deixá-las felizes. Porém, essas tradições foram esquecidas.

Ela não sabia se ele estava realmente ouvindo, no entanto, Edgar soltou uma pequena risada e despejou a última gota de água ao lado da porta. Com a porta entreaberta, Lydia observou como cada fada marchou para fora da sala.

― Porém, você ainda não acredita que as fadas existem, não é?

― Elas nunca apareceram na minha realidade. Eles vivem somente em sonhos. Mas, você deve ter uma visão mais ampla e vasta da realidade do que qualquer outra pessoa, assim como alguém com uma grande visão pode ver longe. Vejo-a assim.

― Você é tão estranho.

Era a primeira vez que ela dizia as mesmas palavras que ela ouvia.

― Oh, perdoe-me! Não é que esteja zombando de você. É que, bem, fiquei surpresa, pois foi a primeira vez que alguém me apresentou a esse tipo de perspectiva.

― Hum...

Uma vez que o grupo ruidoso de fadas tinha saído, de repente, Lydia notou que estava sozinha com Edgar. Ela estava ciente disso porque ele a olhava fixamente e estavam muito próximos um do outro, mesmo que estivesse lado a lado desde que começaram a trabalhar juntos para o caminho.

E Nico não está aqui.

― Sinto-me meio que balbuciando... Nunca falei sobre fadas deste modo a não ser que fosse com a minha família... Porque, normalmente, sou importunada. Ah, mas, você deve pensar que sou uma garota estranha.

Ela ficou tão envergonhada e por isso que continuou falando, não queria mais aquele silêncio constrangedor.

― Não penso em você desse modo. – respondeu Edgar.

― Mas, se você dizer isso, então, realmente, você é uma pessoa estranha. Porém, você se lembra de como pareceu não gostar que falasse sobre fadas com o senhorio? Esse tipo de coisa me faz feliz, inesperadamente. Graças a você, eu pude falar o que precisava. De modo geral, quando vejo as fadas em apuros nas casas de outras pessoas, eu não posso avisar, e agora, sabendo que tinha alguém do meu lado, me senti mais forte. Mas, estou plenamente ciente de que você é assim apenas para me manter de bom humor até encontrar a espada.

Lentamente, ela começou a perder o fio da meada do que estava dizendo.

― Estou perfeitamente consciente de que você é um mentiroso, e mesmo que você diga esse tipo de coisa apenas para me fazer sentir melhor, essa sua atuação quase me engana. Agora, parecia que você gostou fazer esse caminho. E comecei a pensar de que você era uma pessoa gentil, que considerava meus sentimentos.

Ah? O que estou dizendo? Parece que estou me confessando para ele ou algo assim.

― Mas, não se engane, eu ainda não confio em você. Quero dizer, fiquei lisonjeada, só um pouquinho. Ei! Parece de tocar no meu cabelo!

― É tão macio como pelos de um gato, contudo, não é emaranhado. É por que as fadas o penteiam frequentemente para você?

Ela se perguntou como ele podia vir com esse tipo de atitude. Mas, a forma como ele sorriu para ela, tão suave e gentilmente, que Lydia não sabia o que dizer.

― As fadas gostam de cabelos louros. Elas não se interessam por essa cor avermelhada rústica.

― Caramelo.

― Hã?

― Essa é a descrição que lhe cai melhor.

Ela não podia acreditar que esse homem grosseiro, que brincava com seu cabelo, dizer algo que a deixaria incapaz de levantar a mão para ele.

― E se desse uma mordida para provar se é doce também?

Eu realmente não consigo ser tão cuidadosa quanto se trata desse homem. Assim, Lydia pensava consigo mesma e estava tão confusa, que não sabia se ficava descontente ou não sobre a sua declaração.

Então, bateram na porta.

Edgar encolheu os ombros,  afastou-se de Lydia e disse:

― Pode entrar.

Lydia soltou um suspiro de alívio.

Lord Edgar, perdoe-nos por nosso atraso.

E assim se mostraram seus criados, Raven e Ermine.

Edgar não parecia preocupado com eles, embora estivessem separados. Era evidente que o destino deles era Mannor Island, mesmo assim, eles se anteciparam para encontrá-los. Mesmo assim, ainda ela se encontrava espantada como eles realmente conseguiram alcançá-los.

Pelo fato de enfrentarem juntos determinadas batalhas, eles sabiam como cada um agiria caso se separassem. 

― Ermine! Raven! Vocês estão bem?

Edgar abriu os braços alegremente e os abraçou assim como um pai abraça seus filhos. Poderia se dizer que Edgar se importava com eles profundamente.

Eles não aparentam ter uma relação de mestre-empregado comum, pensou Lydia. Os três são uma família.

― Senhorita Carlton, você não está ferida? – indagou com gentileza Ermine. No entanto, ainda assim, Lydia se sentia ligeiramente fora do círculo.

― Sim, eu... – De fato, ela se sentiu responsável por Edgar ter se ferido, e tentou se defender em relação aos dois.

― Não há nada do que se preocupar. Protegi Lydia e a deixei em segurança.

― É verdade? Ela não passou mais perigo com my lord?

― Veja agora, Ermine.

― Estava enganada?

― Não. Mas, se você soubesse, então, eu esperaria que vocês dois nos dessem mais dez minutos. Estaria indo muito bem.

― Oh, dez minutos seriam suficientes?

Além da conversa entre os dois, Lydia sentiu os olhos afiados de Raven fincados nela.

Ele percebeu que Edgar estava ferido? Será que ele notou que era a culpa de Lydia?

― Hum. Estou indo descansar. Boa-noite.

Deixando para trás o ar desconfortável entre ela e Edgar e o golpe nada usual em seu coração, Lydia decidiu fugir da sala.

― Ermine, por sua causa em dizer coisas estranhas, Lydia foi embora.

Ouviu as palavras enquanto se afastava, rapidamente saiu do salão.

*****
[Ei! Você viu isso? É uma fairy doctor!]

[Sim! Há cem anos que não vejo um nesta cidade.]

[Eu a ouvi dizer que ela está indo para Mannon Island.]

[Se ela está indo, então, talvez isso significa que possamos ir para casa também?]

[Se os merrows forem libertados, aí sim, podemos ir para casa.]

Ouvindo os sussurros da multidão de brownies, Nico parou de caminhar enquanto andava com suas patas traseiras pelo jardim da casa.

[O que você quer dizer com ir para casa?]         

[Ah, é apenas um gato.]

[Eu não sou um gato, sou o parceiro da fairy doctor.]

[Já que você é o parceiro da fairy doctor, então, poderia dizer a ela para ajudar os merrows?]

[O que aconteceu com os merrows?]

[Eles têm sofrido por tanto tempo porque o dono da ilha não voltou.]

[Quando os merrow se afligem, o mar fica perturbado. Vivíamos na Mannor Island e andávamos de um lado para o outro na ilha. Por causa dos merrows, não conseguimos mais atravessar o mar. Não vimos nossa família há trezentos anos.]

[Isso é muito triste. Mas, para salvar os merrow não seria impossível, ao menos que fosse o mestre ausente?]

[Uma fairy doctor deve saber resolver os problemas com humanos.]

[Não fale algo sem sentido. Bem, fiquem calmos! Vou contar a ela sobre os merrows. Em troca, quero saber o que eles estão protegendo.]



[O que eles estão protegendo? Como assim?]

[Eles devem ter recebido algo de seu mestre que partiu, não?]

[Acho que ouvi alguma coisa, mas como estamos longe da ilha por todo esse tempo, não sabemos o que acontece lá.]

Hmmm, Nico pensou, ao mesmo tempo em que penteava seus bigodes.

[Você disse que tinha uma família lá, portanto, eu gostaria de fazer algumas perguntas. Vou deixá-los entrar em nosso barco. Por que vocês não vêm à ilha conosco?]

[Em um barco humano? Tudo bem nós entrarmos?]

As fadas ficaram emocionadas e muito felizes. Mesmo se os encantos tradicionais para afastar o mal fossem quase esquecidos naquela época, um barco seria necessário para sair das águas terríveis e indomáveis do mar. Existia uma proteção nessas águas para afastar fadas e espíritos malignos invisíveis ao olho humano, e assim, não poderiam atravessar a água usando um barco humano.

[Vou contar à fairy doctor sobre o seu pedido. Em troca, me apresentem suas famílias.]

O acordo foi selado. Tudo que restava era descobrir quantas das pequenas fadas de Mannor Island conheciam das preciosas informações sobre os merrows.

― Nossa, Lydia é realmente cega para o perigo. – murmurou Nico para si mesmo. – Ela nunca viu um merrow antes, mas está calmamente resoluta em enfrentá-los.

Não seria problema se ela estivesse acompanha pelo Conde Cavaleiro Azul, o verdadeiro mestre dos merrows, mas sendo um ladrão, ele não poderia imaginar o que ela estivava pensando.

― Ela é realmente uma ingênua!

Nico cuidara de Lydia desde que era uma recém-nascida. Ele não planejava passar seus dias pacificamente com um trabalho secundário. Ele iria apoiá-la nas sombras, ou planejava fazê-lo.

― Seria ótimo se os merrows simplesmente levassem os ladrões para o fundo do mar, - disse ao mesmo tempo em que entrava na casa por uma fresta da janela aberta.

*****
Em uma sala iluminada apenas pela luz da lareira, Edgar estava sentado no sofá, sozinho, sem se mexer. Não era o mesmo homem indiferente que sempre provocava Lydia. Seu rosto estava sério, o tipo que ele não mostraria para ela, pensando no que estava por vir.

Lord Edgar, seria melhor descansar um pouco. – sugeriu Ermine entrando na sala.

― Por que você não se senta? Quer se juntar a mim para beber um drink?

No entanto, Ermine permaneceu de pé e, de modo preocupado, disse:

― Uh, gostaria de lhe fazer uma pergunta.

Ele adivinhou qual seria a indagação pela forma que ela se expressou.

― Ah, é sobre Lydia? Você quer saber como fui capaz de trazê-la assim que nós nos separamos?

Ela franziu as sobrancelhas com uma expressão triste.

― Não faça essa cara. Você sabe que sou o tipo de homem que não faria nada brutal.

― Você finge ser indiferente, mas sempre sofre com as decisões que toma.

Edgar soltou um pequeno suspiro.

― Não se preocupe, Ermine. Não fiz nada com Lydia.

― Isso é verdade?

― Eu não poderia. Por algum estranho motivo. – admitiu, quase embaraçosamente. E Ermine, mesmo que mantivesse a expressão triste, relaxou o rosto.

― Então, a senhorita Carlton sabe que a estamos enganando? Mesmo assim, ela irá nos ajudar?

― Ela não tem nenhuma intenção de participar do roubo. Ela quer provar que é impossível nós obtermos a espada, a não ser o verdadeiro Conde Cavaleiro Azul. Ela quer que nós fiquemos de joelhos e nos mostrar a realidade.

Edgar descansou a cabeça na palma da mão e sorriu como estivesse zombando de si mesmo.

― Lydia é uma garota interessante. Parece que estava sobre meu controle, no entanto, não estava. Contudo, com sua meiguice, ela mostra como que não possui nenhuma outra intenção do que ela diz. Além disso, parece que não pode abandonar um criminoso se me agarrar a ela e implorar de joelhos.

Incapaz de imaginar tal cena, Ermine inclinou a cabeça.

― Confessei-lhe um pouco sobre o meu passado. Foi estranho, era como quisesse ver qual seria sua reação.

― E como ela respondeu?

― Ela pensou que perdi minha mente, depois de ter meu cérebro removido.

Quando ele se lembrou disso, riu.

― Mas, ela acreditou em mim. Acreditou em algo mais inimaginável do que a existência das fadas. Disse que odeia mentirosos. Ela deve olhar além da bajulação e as mentiras das pessoas com aqueles olhos místicos. Contudo, eu estou criando uma farsa. Um nome falso, uma vida falsa, tudo é falso. Tudo que há para mim é uma mentira séria e não é uma mentira. Provavelmente, essas mentiras tão bem colocadas são a minha verdade, ela deve ter entendido isso.

Reivindicar o posto de Conde Cavaleiro Azul era o último recurso de uma mentira séria. E afirmar que era a opção de esperança para Edgar e dizer que preferia morrer de que desistir também era uma mentira séria.

― Então, está planejando revelar tudo para a senhorita Carlton?

― Não, eu não posso fazer isso.

Exatamente nisto que ele estava pensando, mas por mais considerasse, não poderia mudar de ideia. Lydia não estava do lado de Edgar. Mesmo que ela não concordasse com o plano de Edgar e estivesse com eles por vontade própria, não era pelo fato de compreendesse o objetivo.

Era a realidade imutável que, para Lydia, Edgar ainda era apenas um criminoso desprezível. Para que um impostor conseguisse a espada em suas mãos, ele deveria se basear em opções desprezíveis.

― Eu vou precisar de Lydia para resolver o enigma das fadas. Além disso, se existem os merrows ou não, vamos seguir em frente com nosso plano.

― Por que, lord Edgar?

― Porque não sou o descendente do Conde Cavaleiro Azul. Sou apenas um ladrão.  Precisamos da ajuda de Lydia para descobrir a localização da espada. No entanto, o seu propósito termina aí. Nós temos que pegar aquela espada a todo custo.

Ele se levantou e caminhou até Ermine.

― Ermine, você está preocupada com a Lydia?

― Ela é uma garota inocente, tão honesta e adequada para caminhar do lado pacífico da sociedade. Não quero ferir alguém assim.

― Eu sei. Até mesmo para mim, não gosto de sujar as minhas mãos desse modo.

― Mas, até lord Edgar se tornou apegado à senhorita Carlton, não é? E é por isso, embora ela descobrisse que você é um impostor, contou quase tudo, e revelou a sua simpatia em vez de usar a violência, não foi?

Ele curvou os lados dos seus lábios e estreitou seus olhos malva-acinzentados mixado com um azul melancólico e vermelho frio.

― Você me dá muita confiança.

Nesse momento, Edgar viu um movimento atrás da cortina e virou a cabeça para aquela direção. Ele viu uma cauda acinzentada e peluda espreitar atrás das sombras da cortina junto à janela. Era o gato de Lydia.

Assim que ele percebeu, correu até a janela e mais rápido do que o gato conseguisse escapar, agarrou o seu pescoço, prendendo-o para baixo.

― Nico, você estava nos espionando?

O gato respondeu com um grunhido zangado. Chegou a cogitar que não seria problema se o gato tivesse os ouvido, porém, lembrou que Lydia lhe havia dito que ele entendia a linguagem humana. Ele sentiu que não deveria deixá-lo ir. E, por alguma razão, esse gato parecia que tinha forma humana. Mesmo que fosse uma ideia estúpida, Edgar transferiu sua frustação para ele, e não sabia o que fazer em relação a Nico.

Ele precisava ter certeza que poderia agir de modo frio e cruel quando necessário. Caminhou até a lareira, e tentou jogar Nico como fosse combustível para o fogo.

― Ei, pare!

Lord Edgar, o que está fazendo?

Ermine tentou detê-lo jogando seus braços ao redor dele. Escapando por pouco, Nico pulou por cima da lareira. Edgar caiu no chão com Ermine e virou o rosto para Nico.

― Estava apenas brincando, Nico.

― Eu não pensaria assim. Você me pagará por isso!

Para Edgar parecia que Nico tinha sumido. Mas, também, tinha a possibilidade que ele deslizou para escuridão. Edgar soltou um suspiro. Continuou sentado no chão, acariciando o cabelo curto de Ermine, enquanto ela mantinha apegada a ele. Ela levantou a cabeça e o olhou com ar triste.

― Ás vezes, propositadamente, você tenta agir como um insensível. É como você estivesse tentando expulsar seu lado gentil e bondoso.

― Isso é para protegê-los, não podemos sobreviver a menos que me torne indiferente.

― Por favor, preserve-se, não apenas por mim, mas para o bem de Raven.

― Eu sei.

Os lábios de Ermine tocaram os dele. Eles se separaram rapidamente, mas seu corpo ainda se inclinava contra o de Edgar.

― Eu sinto muito.

― Não há nada para se desculpar.

Lord Edgar, não há como abandonarmos a procura pela espada?

Ele poderia dizer que na cabeça dela era a sua opção. Mas, para Edgar parecia que Ermine estivesse perdendo a coragem. Ele entendeu seus sentimentos, e não queria mais sacrifícios. No entanto, agora, não poderiam retroceder.

― Para obtermos nossa liberdade, temos que fazer isso. Se desistirmos, então, nunca poderemos escapar das garras daquele homem.

― De qualquer maneira, talvez não conseguiremos pegar a espada. E talvez seja melhor não continuarmos cometendo crimes por causa desse objetivo. Tenho a estranha sensação de que nunca seremos capazes de realmente escapar daquele homem, como fosse meu destino.

― O Príncipe não é indestrutível. E você não é mais uma escrava. Mas, minha querida amiga, esqueça o passado.

Ermine, suavemente, se afastou dele e mexeu as sobrancelhas impaciente.

― Então, por favor, faça amor comigo.

Edgar hesitou diante do olhar firme dela.

― Por favor, faça com que cada parte de mim seja sua. Não é que deseje me tornar sua amante, mas só quero ter certeza de que você é meu mestre. Se não ficarei aterrorizada, como estivesse presa eternamente ao Príncipe.

― Você não é um objeto. Você não é escrava de ninguém. Mesmo que não fizermos tal coisa, eu me manterei como seu mestre.

― Ou você pensa que sou suja porque fui a mulher do Príncipe?

― Não seja estúpida.

― Porque sempre estamos um pelo outro. E você sabe o que sinto por você. No entanto, você finge não notar.

Edgar puxou Ermine para seus braços. Uma garota patética. Era uma das jovens e belas escravas que o Príncipe possuía. A partir de quando ele se tornou amigo de Ermine e seu irmão, e quis protegê-los, resolveu se tornar uma pessoa diferente. Se havia alguma coisa que seu ego fraco poderia fazer era ajudá-los.


Ele se perguntou se era tão difícil lhe conceder seu desejo. Ele pressionou seus lábios contra seu pescoço alvo. Os braços dela suavemente enrolados em torno de Edgar. No entanto, quando estava prestes a tocá-la, ele pode sentir a corrente dentro de si mesmo. Assim como Ermine ainda se sentia acorrentada pelo Príncipe, Edgar também podia estar preso.

Edgar era a posse do Príncipe, mas sua posição era completamente diferente dos outros escravos. Porque ele foi preparado para ser o próximo Príncipe, o seu substituto, o líder daquela organização torcida e imoral. Foi golpeado com informações do processo de pensamento daquele homem, como tornar suas decisões, seus gestos, comportamento, cada um dos seus traços. Ele foi forçado a estudar tudo o que aquele homem tinha aprendido. Depois de cumprir essa vasta gama de requisitos, ele veio a saber que o Príncipe não era um homem comum, contudo, não teve a chance de descobrir quem era realmente aquele homem.

Essa realidade injusta. Ser encurralado tanto mentalmente como fisicamente, ser roubado de sua própria vontade e a sensação de ser moldado aos poucos em uma pessoa diferente. O medo de esquecer gradualmente quem era e como você era. Ermine também foi trazida para Edgar a fim de aprender a se tornar o Príncipe.

Foi repugnante como eles tentaram lhe ensinar mesmo essas preferências. Mas, a partir daí que Edgar percebeu a estupidez da situação em que estava. O que os homens ao seu redor tentavam era realizar um absurdo ritual oculto mágico.

A partir daí, ele convenceu Ermine que havia desistido de tudo a contar daquele ponto, e tentou se rebelar contra aqueles que tinha poder dentro da organização.

Sua primeira rebelião era não cumprir as ordens. Foi por isso que ele nunca colocou um dedo nela. Ermine também não deixou de escapar a insubordinação de Edgar a seus superiores. Desde então, sentiu uma forte ligação de confiança entre eles, e até pensou nela como aliada.

Justamente por ela ser uma mulher do Príncipe, ele nunca a viu abaixo dele. Mas, ele estava certo de que não queria o controle dela, como aquele homem. E, então, mesmo que eles fossem um homem e uma mulher livres agora, se ele a levasse para cama, sentiu que mesmo assim continuaria sobre o domínio do Príncipe e isso o assustou.

― Sinto muito, Ermine.

No final, Edgar só conseguiu empurrar Ermine para longe.

*****

Lydia afastou-se rapidamente da porta. Correu de forma silenciosa pelo corredor escuro. Perguntou-se o porquê ela tinha de ser a única a fugir. Porém, depois de testemunhar Edgar e Ermine juntos daquele jeito, só poderia dizer que isso era difícil para ela.

Ela não podia ouvi-los o que falavam, mas definitivamente estavam abraçados.

Os dois são amantes?

Se ele tinha uma amante, e ainda flertava com as outras, então, sem dúvida, ele tinha essa tendência.

Mas, isso não tem nada a ver comigo, disse Lydia para si mesmo, enquanto tentava escapar dessa decepção, que acontecia por algum motivo. Ela estava prestes a descer um lance de escadas. No entanto, no patamar, surgiu uma figura escura.

― Ahhh! – ela gritou, caindo sentada.

― Perdoe-me, my lady. Você está bem?

Era Raven. Lydia se levantou rapidamente.

― Hum, eu... eu estava prestes a ir à cozinha. Pensei que um pouco leite quente seria bom.

Não lhe foi perguntado nada, mas logo ela procurou uma desculpa. Tinha a sensação de que Raven estava de olho nela, de modo que a visse como uma ameaça para Edgar.

Claro que seria natural que ele a odiasse, depois de arremessado chá quente e o tê-lo feito machucar, mas depois de dizer coisas perturbadoras, sem uma expressão no rosto, lhe mostrou que ele tinha habilidades de combate muito mais perigosas do que uma pessoa comum. Ela se sentia intimidada em sua presença.

― Então, vou prepará-lo para você. Por favor, espere em sua cabine.

― Oh, não! Está tudo bem. Eu não quero ser envenenada... não, quero dizer.

― Envenenada?

Ele a olhou com seus olhos afiados. Ela se lembrou de como ele estalou o pescoço de um homem de uma forma instantânea.

Quando eles foram cercados por Huxley e seus homens na estação de trem, a vítima foi o homem que cravou uma faca na sua garganta. Mas, depois de ouvir os ossos estalando bem ao lado de seus ouvidos e lembrar que ouviria o mesmo som quando acontecesse consigo mesma, esse pensamento aterrorizou Lydia e instalou um estado de pânico na sua alma.

― Não se aproxime de mim! Não me mate!

― Eu sinto muito.

― Hã?

Trazida de novo à realidade, Lydia olhou surpresa para ele.

― Você está com medo de mim. Peço desculpas por não perceber isso.

Ele disse isso com seu habitual rosto inexpressivo, mas, de repente, Lydia sentiu-se extremamente culpada. Ela ficou preocupada por ter machucado seus sentimentos. Além disso, Raven não faria nada com ela, no entanto, chegou àquela conclusão, levantou a voz do seu próprio medo e o chamou de assassino. Mesmo naquele incidente na estação de trem, ele estava apenas protegendo Lydia daquele canalha e sua faca. Assim que mudou de ideia, chamou Raven antes que ele se retira-se.

― Desculpe-me! Fui terrível te dizer essas coisas. Não quis criticá-lo.

Ele se virou para olhá-la com uma expressão curiosa.

― É natural ter medo de um assassino.

― Mas, não era como se você fosse me matar.

Ele caiu em um silêncio que deixou Lydia incrivelmente incomodada.

― Hã? Você realmente pretende me matar?

― No momento, não me parece que fazer tal ato seria vantajoso para lord Edgar.

― Vantajoso? Então, você me mataria se as circunstâncias permitissem?

― Não posso responder.

Isso foi assustador. Se ela não estava disposta a ajudá-los a encontrar a espada preciosa, a afeição atual de Edgar para com ela azedaria.

Quando isso acontecer, Raven...

Ela começava a sentir-se arrependida não por não ter fugido quando ela e Edgar estavam na cabana em ruínas. Mas ao mesmo tempo, ser ameaçada e forçada a cooperar com eles, fez com que Lydia sentisse o senso de responsabilidade como fairy doctor, e decidiu ir para Mannon Island, mesmo que a deixasse brava.

― Espere. – disse. ― É inútil ameaçar-me. Eu não pretendo fazer apenas o que esperam de mim.

― Entendo. Os fairy doctors têm total liberdade.

― Isso mesmo. Um fairy doctor não é alguém que é obrigado a coisa alguma.

― Eu a invejo. Desde que nasci, fui escravo de um Sprite forçosamente. Um Sprite que está dentro mim luta e massacra pessoas. Às vezes até manipula minha vontade e meu corpo.

― Ela está aqui, agora?

Ele colocou a mão no peito, como houvesse algo escondido dentro dele.

― Sim. Um Sprite só obedece a um mestre. Aqueles que nasceram com tais Sprites eram guerreiros do rei. No entanto, na minha terra natal, que é uma das colônias da Grã-Bretanha, não há mais um rei. Não tendo um rei para obedecer, a Sprite fica sedenta de sangue de forma indiscriminada. Edgar foi quem me salvou. Ele é atualmente o mestre do Sprite.

―Então, Edgar pode ordenar a Sprite matar as pessoas, independente de sua vontade?

Lord Edgar não me manda fazer nada. É por isso que a Sprite ataca aqueles que sinto que são seus inimigos. No entanto, embora possam ser os inimigos do meu mestre, minha posição atual é não assassinar de forma indistinta. Tive que levar em consideração as peculiaridades situacionais e julgar as situações, bem como adivinhar o quão são perigosos tais inimigos.

― Isso é natural.

― Isso é verdade. Mas, mesmo assim não sei se consigo controlá-la. Não sei como parar a Sprite quando está furiosa, e muitas vezes, ela transforma ao redor em um mar de sangue.
Lydia compreendeu essa informação com um suor frio. A razão pela qual Edgar era conhecido como sir John, o homem com a tatuagem em cruz, foi chamado como um assassino frio, era porque Raven o acompanhava.

― Mesmo assim, lord Edgar nunca me abandonou. Ele me ensinou muitas coisas importantes, desde que eu era ignorante, como um bebê. A partir daí, eu era capaz de agarrar a minha liberdade como um ser humano. Servir my lord é meu propósito. Porque se perder o meu mestre, minha alma sairá do controle e o espírito selvagem irá dominá-la.

― Portanto, Edgar é o único que pode governá-la? Mais ninguém poderia ser seu mestre?

― Por exemplo, você seria capaz de assumir a responsabilidade por mim? Seria capaz de carregar todos os crimes cometidos por um mostro que atacasse qualquer pessoa quando a deixasse livre, e ensinar-lhe o que é certo, o que é errado e domesticá-lo? E, então, nunca dar a ordem de matar alguém que a criatura achar perigoso?

Ela nunca poderia ser uma domadora de feras. No entanto, isso significava que Edgar tinha assumido a tarefa de carregar a vida de outro ser humano em suas costas, assim como Raven tinha acabado de contar.

Ter o controle de um servo que apagaria qualquer um que estivesse em seu caminho quando bem queria. Contudo, ser capaz de nunca dar tal ordem. Proteger a alma de Raven daquela maneira parecia algo gentil, mas extremamente difícil. Um vínculo de perfeita confiança, construído sobre o pacto de não exigir um do outro. Ela refletiu que aquela seria a razão de que Raven não hesitaria em sujar suas próprias mãos por Edgar, mesmo que ele não tivesse dado a ordem.

― Senhorita Carlton, é natural sentir-se desconfortável à minha volta e, por isso lhe peço, por favor, não faça nada que cause problemas para lord Edgar.

Ela pensou enquanto observava Raven se distanciar: “Sim, de qualquer forma, eu ainda estou sendo ameaçada”.

Como uma fairy doctor, talvez a tarefa de Lydia fosse muito mais difícil de provar a impossibilidade do plano de Edgar e seu grupo do que lidar com os merrows. Talvez fosse um erro sentir simpatia por aquelas pessoas que tinha sobrevivido e andado pelo escuro da sociedade, o que era inimaginável para Lydia. 

Enquanto esteve sozinha com Edgar, Lydia achou que tinha chegado a compreendê-lo nem que fosse um pouco. Ela notou que ele não era uma pessoa cruel interiormente. Tanto que ele mostrou bondade e consideração que Lydia nunca tinha recebido antes. Sabia que era apenas uma simples delicadeza, porém ele salvou Lydia facilmente de duras palavras que lhe eram direcionadas. Ela pensou que não era uma consideração, mas uma parte fundamental de seu caráter. Mas, testemunhá-lo com Ermine e conversado com Raven, Edgar se tornou novamente em uma pessoa misteriosa para Lydia.

― Estou sendo enganada?

― Ah, é por isso que eu disse para não confiar neles!

Ela não tinha notado que Nico tinha aparecido de repente, e sentado na grade da escada com uma expressão irritada.

― Assim como eu pensei, ele são perigosos! Olhe para isso, para o final da minha cauda! Ela está queimada!

― Oh, meu Deus! O que aconteceu?

― Eu quase fui atirado em uma fogueira por aquele idiota do Edgar! Parece que ouvi algo que eles não queriam que nós soubéssemos.

― Ouviu o quê?

― Eu não escutei claramente, mas aparentemente eles ainda estão escondendo alguma coisa de você. Para obter definitivamente a espada estão planejando algo ruim.

― Hum.

― De qualquer maneira, como você achou, há merrows vivendo em Mannor Island. Eles protegem a espada. Mas, o problema começa a partir daí.

― Tem certeza de que estão protegendo a espada?

― As pequenas fadas que vieram daquela ilha disseram que os merrows cuidam de algo que seu mestre lhes confiou. E agora eles esperam pelo seu mestre que não lhes dá um sinal que irá voltar.

― O senhorio disse que os merrows vivem no castelo. O que significa que a espada está escondida em algum canto daquele castelo. 

― Sabe, Lydia, você não tem que enfrentar os merrows por causa deles. Você tem ciência disso, não é?

― Sim, você está certo.

Em todo o caso, Lydia não estava do lado de Edgar. Até porque ele não compartilhava do sangue do verdadeiro Conde Cavaleiro Azul. Então, tudo o que restava era deixar claro que os merrows não lhe entregariam a espada para outra pessoa.

Por outro lado, ela não tinha intenção desistir dele e planejava enfrentar os merrows de frente. Mas, isso significa que Lydia se envolveria em suas lutas.

― Se isso ficar perigoso, iremos se tornar apenas uma opção para sermos executados.
Merrows são inteligentes e belas criaturas, no entanto, às vezes são mortais. São o obscuro presságio que aparece acima da superfície do oceano, antes de uma tempestade. Também dizem que favorecem as almas humanas e as coletam para morrerem no mar. Seu temperamento é muito parecido o de um humano. Há casos que são amigáveis, contudo, há clãs que têm sede de sangue.

Por outro lado, o problema maior é o seu belo canto. Os seres humanos se tornam cativados por eles, e encantados são atraídos para o fundo do mar sob o comando dos merrows. Não há poder que está à altura dessa magia, e era por isso que se revelavam tão petrificantes.

Se eles utilizavam sua força total, os humanos não tinham como se defender, como um pequeno barco jogado à deriva no meio de uma tempestade.

Para uma fairy doctor novata como Lydia, que só tinha um pouco de conhecimento sobre eles, esta seria primeira vez que os conhecia, e ela achava que pudesse negociar.

O certo seria que ela pudesse mostrar o perigo que eles representavam para Edgar e assim desistiria da espada. Contudo, ele não era uma pessoa tão simples. Quando a situação piorasse, ela se questionou se decidiria abandonar Edgar.

(Caramelo. Essa descrição combina melhor com você.)

Aquelas simples palavras dele já tinham entrado profundamente em seu coração. E ela estava preocupada se seria capaz de vê-lo morrer.

Ele era um criminoso, um mentiroso e um homem que ainda escondia algo importante de Lydia. E, no entanto, pensou ela, se conseguisse convencer os merrows e torná-lo o Conde Cavaleiro Azul, ela seria capaz de devolver-lhe o direito de andar no lado ensolarado da sociedade, algo que era da sua posição desde o início.

Como ela tivesse tanta habilidade para fazer isso.

― Eles merecem ser afogados no mar pelos merrows. São criminosos. Seria bom que a sociedade se visse livre deles. – disse Nico de uma forma tão violenta, que talvez fosse essa causa de sua cauda ficar machucada.

Nota da tradutora: Esse capítulo é controverso. Ao mesmo tempo em que Edgar e Lydia começam a se interagir, chega Ermine para bagunçar o coreto. Particularmente não gosto muito dela. Apesar de que entendo o desespero da personagem, porque no fundo, ela é tão solitária quanto o próprio Edgar. Outro ponto é a interessante explicação de Raven, e, diga-se de passagem, mais reveladora do que no anime.
Bem, acredito que o 5º capítulo chegue por aqui no começo de junho. E ah, estou com uma fanfic nova de Hakushaku to Yousei. Se você tivesse a possibilidade de trazer à vida alguém que morreu e você ame muito? Edgar sabe! E ele irá Até As Últimas Consequências - Rota Reversa: Hakushaku to Yousei - Até As Últimas Consequências - Rota Reversa
Espero você então! Beijos e nos dê suporte, divulgue!


    




 









    










 































    

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